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  • Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Enquanto as seleções do Brasil e Escócia se enfrentam pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo nesta quarta-feira (24), uma relação construída muito além dos gramados segue ganhando força.

    Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, órgão do governo britânico, o comércio bilateral entre Brasil e Escócia movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano.

    O agronegócio, ao lado do setor de bebidas, está entre os principais pilares dessa parceria econômica.

    Relação histórica

    Os laços entre os dois países remontam ao século XIX, quando imigrantes escoceses chegaram ao Brasil em busca de oportunidades econômicas.

    A influência escocesa alcançou diferentes setores da economia e até mesmo o esporte brasileiro. Um dos exemplos mais conhecidos é Charles Miller, descendente de escoceses responsável por introduzir o futebol no Brasil após retornar de seus estudos na Inglaterra na década de 1890.

    Com sangue escocês, Charles Miller foi o ‘pai do futebol brasileiro’ — Foto: Divulgação

    A presença escocesa também ajudou a moldar a indústria nacional. A Antarctica, atualmente pertencente à Ambev, foi fundada em 1888 com participação do escocês William Mackenzie.

    Agro lidera a relação comercial

    De acordo com James Mor-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o intercâmbio comercial tem apresentado crescimento consistente desde 2021.

    “As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente.”

    Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

    No mesmo período, as exportações da Escócia para o Brasil alcançaram 925 milhões de libras esterlinas.

    Principais produtos exportados pelo Brasil

    Entre os produtos brasileiros enviados à Escócia estão:

    • Café
    • Minério de ferro
    • Açúcar
    • Carnes
    • Celulose

    O que a Escócia vende ao Brasil

    Os principais produtos escoceses exportados para o mercado brasileiro incluem:

    • Scotch Whisky
    • Equipamentos para petróleo e gás
    • Tecnologias offshore
    • Bens industriais
    • Serviços especializados

    “A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas.”

    O whisky escocês é feito de grãos e envelhecido em barris de carvalho por no mínimo 3 anos — Foto: Divulgação

    Mercado britânico abre espaço para o agro brasileiro

    Para os próximos anos, o agronegócio deve continuar sendo um dos principais motores da relação entre Brasil e Escócia. Apesar do tamanho reduzido do mercado escocês, o Reino Unido representa uma oportunidade mais ampla para exportadores brasileiros.

    “O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores.”

    Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil tem espaço para ampliar sua participação no mercado britânico.

  • Reino Unido precisa de 45 mil trabalhadores do agro

    Reino Unido precisa de 45 mil trabalhadores do agro

    O governo do Reino Unido confirmou uma nova cota de 45 mil vistos de trabalho sazonal para 2025, beneficiando os setores de agricultura e horticultura. A decisão surge em meio a crescentes preocupações com a segurança alimentar no país. E também à necessidade de garantir estabilidade no abastecimento de produtos, uma vez que a mão de obra local continua escassa para essas atividades.

    O programa de vistos de trabalho sazonal foi criado após o Brexit, quando o Reino Unido se separou da União Europeia em 2020. Antes disso, produtores agrícolas tinham acesso facilitado a trabalhadores de toda a Europa. Com a saída, o governo precisou adotar soluções para enfrentar a falta de mão de obra. O programa, que inicialmente era temporário, ganhou uma prorrogação devido à sua importância estratégica para a produção de alimentos.

    Segurança alimentar e riscos de exploração

    O comitê consultivo de migração do Reino Unido já havia recomendado a continuidade e a expansão do programa, citando preocupações com prateleiras vazias e preços mais altos devido à dependência de importações. “A manutenção do programa é fundamental para garantir que a produção doméstica seja preservada e que os agricultores possam planejar suas operações”, afirmou Daniel Zeichner, ministro da Segurança Alimentar.

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    No entanto, o programa enfrenta críticas. Organizações defensoras dos direitos dos trabalhadores destacam o risco de exploração, especialmente porque os trabalhadores sazonais têm pouco poder para mudar de empregador e, muitas vezes, enfrentam a obrigação de trabalhar em locais remotos e sob condições rígidas. Valeria Ragni, do Centro de Apoio ao Trabalhador na Escócia, relatou casos de metas inatingíveis, moradias precárias e abusos trabalhistas.

    Esforços para maior proteção

    Em resposta às preocupações, o governo britânico afirmou que está ampliando as inspeções e colaborando com o setor para realizar verificações de conformidade. Uma pesquisa de 2023 mostrou que mais de 90% dos trabalhadores avaliaram sua experiência de forma positiva, mas ativistas ainda pedem mudanças significativas. Entre as propostas está a flexibilização para que trabalhadores possam trocar de empregador sem medo de represálias, além de medidas para prevenir taxas abusivas impostas por intermediários.

    O Reino Unido segue buscando um equilíbrio entre a necessidade de garantir segurança alimentar e a responsabilidade de proteger os direitos de trabalhadores migrantes que contribuem para o setor agrícola.