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  • Prefeito Cowboy: homem viral do “Sabor Cowboy” tem 26 anos e governa cidade do interior de SP

    Prefeito Cowboy: homem viral do “Sabor Cowboy” tem 26 anos e governa cidade do interior de SP

    Primeiro veio o vídeo: um homem de chapéu preto e camisa xadrez cantando “Sabor Cowboy” com tudo na plateia de um show sertanejo. A cena viralizou, até que veio à tona um fato curioso: o cowboy da plateia é Aries Marioto, de 26 anos, prefeito de Jambeiro, cidade do Vale do Paraíba paulista. Mais do que isso: é o mandatário mais jovem da história do município.

    Do meme à realidade: quem é ele?

    Marioto é advogado, empresário e professor universitário. Além disso, tem pós-graduação em Direito Empresarial e passou por Portugal em um programa de bolsas internacional. Mesmo assim, escolheu o interior paulista para viver e construir carreira política.

    https://x.com/legadaodamassa/status/2050210109398122603?s=20

    Nas eleições de outubro de 2024, ele venceu no primeiro turno com 46,16% dos votos. Em 2025, assumiu a prefeitura. Nas redes sociais, o perfil já entregava o personagem: prefeito mais jovem da história de Jambeiro, presidente do Progressistas local e palestrante.

    O deputado estadual Guilherme Cortez também falou sobre ele no X. “Esse querido é o Aries Marioto, prefeito de Jambeiro. Me recebeu muito bem e apresentou a cidade. Uma simpatia!”, publicou o parlamentar. Assim, o vídeo viral só confirmou o que quem já o conhecia sabia: chapéu, camisa e sertanejo no coração.

    Deputado estadual Guilherme Cortez elogiou o prefeito nas redes após visita a Jambeiro; vídeo viral reforça imagem de gestor jovem com identidade genuinamente ligada à cultura sertaneja — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    Jambeiro: cidade pequena, raiz grande no campo

    Para entender o prefeito, vale entender a cidade. No início do século XX, Jambeiro tinha grandes plantações de café. Com a queda do grão nos anos 1920, a economia migrou para a pecuária leiteira. Mais tarde, nos anos 1970, indústrias de papel arrendaram fazendas da cidade para o plantio de eucalipto.

    Hoje, portanto, o campo ainda define Jambeiro. A pecuária leiteira, a agricultura familiar e o cooperativismo seguem como atividades centrais da economia local. Por isso, o chapéu de Marioto não é simbólico. Faz parte do contexto de quem governa uma cidade cuja identidade pulsa no rural.

    Propostas para o agro

    O projeto de governo de Aries foca em economia, infraestrutura, sustentabilidade e geração de empregos. Para o produtor rural, no entanto, uma pauta se destaca: as estradas vicinais.

    Indicações na Câmara Municipal já registram pedidos de roçagem e conservação das vias rurais do município. Não é à toa. Estudo da CNA aponta que mais de 80% das estradas vicinais do Brasil estão em situação precária. Os produtores de leite são os mais afetados, pois o custo do transporte compromete diretamente a rentabilidade.

    Por outro lado, o estado de São Paulo lançou em 2025 o Programa Logística Rural. São R$ 145 milhões para recuperar estradas, substituir pontes e construir silos em todo o interior paulista. Para Jambeiro, alinhar a gestão municipal a esse programa pode ser um caminho direto para melhorar a vida de quem produz no campo.

    Viral nas redes por sua autenticidade, Aries Marioto representa um perfil de gestor que o interior brasileiro conhece bem: jovem, formado, mas com os pés fincados na terra e na cultura que define o campo. Se a administração vai acompanhar o carisma do vídeo, o tempo vai dizer. Por enquanto, Jambeiro tem um “prefeito cowboy” que já virou assunto nacional.

  • A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    O Ibama registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma. O feito aconteceu no sul da Bahia e representa um marco incomum na história da conservação ambiental brasileira: uma ave varrida do litoral pelo desmatamento e pelo tráfico ilegal voltou a se reproduzir livremente na floresta.

    O que levou essa arara ao desaparecimento

    A arara-vermelha-grande possui ampla distribuição histórica, com registros na Mata Atlântica desde o ano de 1500. A Carta de Pero Vaz de Caminha já a descrevia como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. Ela estava por aqui antes mesmo de o Brasil ter esse nome.

    Apesar dessa presença histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro. As populações selvagens da espécie estão hoje concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. O litoral ficou sem elas por gerações.

    Como o Ibama tentou reverter o cenário

    O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro.

    O processo, no entanto, não é simples. Os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, sendo provenientes tanto de doações de particulares quanto de apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Ao chegarem ao Cetas, as aves passam, inicialmente, por identificação com microchips e anilhas metálicas, além de quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.

    Na sequência, entram em viveiros de voo, onde passam por um período de treinamento antes de, finalmente, encarar a floresta de verdade.

    A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural da Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro.

    Nascimento antes do esperado

    O que surpreendeu os pesquisadores foi a velocidade. O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura.

    Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo. A equipe optou por monitoramento à distância para não interferir. Posteriormente, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram observados voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.

    A coordenadora do projeto, Ligia Ilg, analista ambiental do Ibama, também derrubou um preconceito comum sobre aves criadas em cativeiro. Registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie.

    Por que isso importa além do simbolismo

    A arara-vermelha-grande não é apenas um animal bonito. Além disso, ela desempenha uma função concreta dentro da floresta. A espécie alimenta-se de frutos e sementes e, consequentemente, contribui para sua dispersão. Devido ao seu porte, também é capaz de transportar sementes por longas distâncias, o que favorece a regeneração florestal e, assim, a caracteriza como uma verdadeira “engenheira de ecossistemas”, influenciando diretamente a biodiversidade e a dinâmica ambiental.

    Em outras palavras, quando essa arara desaparece, parte do mecanismo que mantém a floresta funcionando também se perde.

    Atualmente, o projeto conta com o apoio da Polícia Militar da Bahia, do Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz, da organização internacional World Parrot Trust e da RPPN Estação Veracel, entre outros parceiros. Além disso, quem tiver araras-vermelhas-grandes oriundas de cativeiro legal e quiser contribuir com o projeto pode entrar em contato pelo e-mail [email protected].