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  • Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

    Parlamentares, representantes do agronegócio e pesquisadores demonstraram preocupação, nesta quarta-feira (20), com a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. O tema foi discutido durante uma reunião conjunta das comissões de Agricultura e de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.

    Segundo os participantes, a proposta pode gerar impactos diretos em cadeias produtivas importantes para a economia brasileira. Isso porque espécies amplamente utilizadas no país, como tilápia, eucalipto e braquiária, passaram a ser classificadas como invasoras no documento em análise.

    Na avaliação do setor, essa mudança pode abrir caminho para restrições no licenciamento ambiental e até impedir o cultivo dessas espécies em determinadas situações. Como consequência, produtores temem prejuízos econômicos e insegurança jurídica.

    Durante o encontro, deputados defenderam a aprovação do Projeto de Lei 5900/25. A proposta pretende retirar a exclusividade do Ministério do Meio Ambiente na definição dessas regras e exigir participação obrigatória de órgãos ligados à Agricultura e à Pesca antes da publicação das normas.

    O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, autor do projeto, criticou a possibilidade de decisões ambientais afetarem cadeias produtivas estratégicas para o país.

    Segundo ele, incluir espécies como a tilápia na lista de invasoras pode comprometer a produção, a geração de empregos e até a balança comercial brasileira.

    Pedro Lupion criticou decisões que ignoram cadeias produtivas importantes no país — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Já o deputado Valdir Cobalchini, que solicitou o debate, afirmou que a revisão da lista desconsidera os impactos econômicos da medida. Além disso, ele questionou a composição da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), ligada ao Ministério do Meio Ambiente e responsável pela elaboração do documento.

    De acordo com o parlamentar, as análises não deveriam considerar apenas o aspecto ecológico. Para ele, decisões regulatórias precisam incluir avaliações socioeconômicas, jurídicas e técnicas, principalmente quando envolvem atividades essenciais para o abastecimento e a economia nacional.

    A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Jaine Ariele Cubas, também apontou desequilíbrio na representatividade dentro da Conabio. Segundo ela, o setor privado possui pouca participação em comparação com organizações não governamentais e movimentos sociais.

    Ela defendeu a ampliação do debate e a realização de mais estudos antes da definição de medidas que possam afetar setores produtivos relevantes para o país.

    Pesquisadores alertam para possíveis efeitos regulatórios

    O chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores, destacou que o enquadramento generalizado de espécies aquícolas como invasoras pode causar impactos regulatórios importantes.

    Segundo o pesquisador, é necessário diferenciar regiões, sistemas de cultivo e níveis de risco antes da adoção de medidas amplas. Ele ressaltou ainda que o setor aquícola já segue instrumentos específicos de controle ambiental.

    Roberto Flores alertou para os riscos de incluir peixes comerciais — (Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados)

    Outro ponto discutido durante a reunião envolveu o cultivo de eucalipto. O pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Paulo Henrique Miller, apresentou estudos que indicam a existência de barreiras naturais para conter o avanço da espécie.

    Conforme explicou o engenheiro florestal, formigas nativas, como saúvas e quem-quens, acabam consumindo sementes e brotos de eucalipto logo após a germinação. Dessa forma, esses insetos funcionariam como um mecanismo natural de controle ecológico.

    O debate segue em andamento na Câmara dos Deputados, enquanto representantes do agro pedem maior participação técnica e econômica nas decisões relacionadas à classificação das espécies.

    Contém dados de Agência Câmara de Notícias

  • Primeira braquiária decumbens brasileira chega ao mercado

    Primeira braquiária decumbens brasileira chega ao mercado

    A Embrapa e a Unipasto lançam a BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de *Brachiaria decumbens*.
    A novidade chega ao mercado nesta semana com foco no bioma Cerrado. A cultivar apresenta alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Além disso, ela pode atingir até 16 toneladas de matéria seca por hectare.

    A BRS Carinás também se destaca pela elevada produtividade de folhas, que possuem maior valor nutritivo.
    Ao mesmo tempo, ela exige baixa fertilidade do solo e tolera áreas ácidas e pobres em fósforo.

    Diferenciais

    A nova cultivar ainda amplia a capacidade de suporte das pastagens. Consequentemente, ela aumenta o ganho de peso vivo por área em relação à Basilisk.

    O pesquisador da Embrapa, Sanzio Barrios, afirma que a cultivar diversifica áreas ocupadas pela braquiarinha.
    Ele explica que a planta se adapta ao período seco e permite uso estratégico na entressafra.

    Segundo Barrios, o produtor pode vedar a pastagem no fim do verão. Assim, ele garante reserva de forragem para o período seco.

    A cultivar também favorece sistemas de Integração Lavoura-Pecuária. Isso ocorre porque ela produz grande volume de palhada e forragem para pastejo.

    Além disso, a BRS Carinás não interfere na produtividade de culturas anuais.
    Esse fator fortalece seu uso em sistemas agrícolas integrados.

    Até então, a Basilisk era a única cultivar da espécie disponível no Brasil. Os pesquisadores trouxeram essa variedade da Austrália na década de 1960. No entanto, o plantio extensivo e a baixa resistência a cigarrinhas limitaram seu uso. Mesmo assim, a Basilisk ainda ocupa grandes áreas de produção de sementes.

    Foco na produção sustentável

    A Embrapa destaca que a nova cultivar atende à demanda por produção sustentável.
    Além disso, ela contribui para aumentar a produtividade animal em solos de baixa fertilidade.

    Os pesquisadores também avaliam expansão futura para outros biomas e países da América Latina.

    Em comparação direta, a BRS Carinás produz 18% mais forragem na estação chuvosa. Nesse período, ela apresenta maior volume de lâminas foliares. Quando utilizada na seca, a cultivar gera 40% mais massa de forragem que a Basilisk. Além disso, mais da metade desse volume corresponde a material vivo.

    Os testes com bovinos indicam aumento da lotação das pastagens. Como resultado, o ganho de peso por hectare cresce cerca de 12%. Os pesquisadores também observaram ausência de acamamento das plantas.
    Esse comportamento ocorre mesmo em áreas vedadas ou de crescimento livre.

    Em relação ao encharcamento, a cultivar apresenta desempenho semelhante ao Marandu e ao Xaraés.
    Novos testes em solos mal drenados ainda serão realizados. Em sistemas integrados, a BRS Carinás não compete com culturas como o milho. Além disso, ela se estabelece bem com baixa taxa de semeadura.

    Na entressafra, a cultivar produz até 70% mais forragem que a *Brachiaria ruziziensis*.
    Isso garante mais alimento para o gado e melhor cobertura do solo.

    A planta também apresenta rápida rebrotação no início das chuvas. Em apenas 60 dias, ela acumula até quatro toneladas de matéria seca. Esse desempenho favorece o uso em plantio direto com formação de palhada.
    Além disso, o controle com herbicidas ocorre de forma eficiente.

    No consórcio com soja, cerca de 80% da palhada se decompõe em 120 dias. Com isso, o solo recebe nutrientes equivalentes a fertilizantes comerciais.

    Segundo os pesquisadores, esse processo reduz custos e melhora o manejo do solo. Assim, a cultivar contribui para sistemas mais eficientes e conservacionistas.

    As sementes da BRS Carinás estarão disponíveis no início do segundo semestre.
    Os produtores poderão adquirir o material por meio dos associados da Unipasto.

  • Cerrado: pastejo rotacionado reduz braquiária em 50% e restaura vegetação nativa

    Cerrado: pastejo rotacionado reduz braquiária em 50% e restaura vegetação nativa

    O pastejo pelo gado, quando bem gerenciado, pode conter a braquiária (Urochloa decumbens), uma das maiores ameaças aos campos naturais do Cerrado. E abrir caminho para a recuperação da vegetação nativa. É o que indica estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) publicado no periódico Agriculture, Ecosystems and Environment.

    A braquiária chegou ao Brasil na década de 1960, vinda das regiões tropicais da África Oriental. Desde então, tornou-se uma das principais invasoras do Cerrado: recobre completamente o solo, impede que outras plantas brotem e é extremamente difícil de eliminar. Herbicidas e capina manual são opções caras e pouco eficazes.

    Com o gado, essa dinâmica muda. “O pastejo controlado surge como um possível aliado na conservação e restauração dos campos naturais. Em determinados contextos, reduz a cobertura de espécies invasoras, abre espaço para a regeneração da vegetação nativa e contribui para a manutenção da diversidade”, explica Bruna Helena de Campos, autora principal do estudo.

    O experimento

    Para testar a hipótese, as pesquisadoras instalaram um experimento na Estação Ecológica de Santa Bárbara, no oeste do Estado de São Paulo. Elas escolheram uma área de campo nativo invadida por braquiária, cercaram parte dela e permitiram a entrada de gado apenas nessa seção. As áreas vizinhas, com solo e vegetação semelhantes, ficaram sem gado e serviram como grupo de controle, o que permitiu separar os efeitos do pastejo das mudanças naturais ao longo do tempo.

    Antes da entrada do gado, a equipe registrou a vegetação em 200 parcelas de 1 m², mapeando espécies presentes e a ocupação do solo por plantas nativas, braquiária, arbustos, árvores e solo exposto. Dois anos depois, repetiu o levantamento.

    Os resultados

    O pastejo em sistema rotacionado, com alternância entre períodos curtos de uso e períodos de descanso, reduziu em 50% a cobertura de braquiária. E aumentou o solo exposto a níveis semelhantes aos de campos naturais intocados. “A abertura de espaço no solo é fundamental nos campos, porque cria condições para que outras espécies germinem ou rebrotem, o que contribui para a diversidade e a manutenção da vegetação típica”, diz Campos.

    carbono cerrado
    Foto: Gabriel Faria/Embrapa

    Com menos braquiária e mais solo exposto, as espécies nativas do Cerrado reocuparam as áreas invadidas: a riqueza total de espécies nativas cresceu cerca de 20% nas parcelas pastejadas em comparação com as não pastejadas. “O aumento da riqueza da camada herbácea, aliado à redução da espécie invasora, indica que o ecossistema está recuperando parte de sua diversidade funcional”, afirma a pesquisadora.

    Uma relação antiga

    A conexão entre campos e pastejo não é novidade do ponto de vista ecológico. Ao longo de milhões de anos, as plantas do Cerrado desenvolveram adaptações para conviver com a herbivoria de grandes animais da megafauna sul-americana, hoje extintos. Essas características persistem e fazem com que os campos naturais dependam do pastejo para manter seu equilíbrio ecológico.

    “Na África, essa relação entre campos e pastejo é amplamente conhecida. Em regiões onde os grandes herbívoros são raros ou ausentes, o gado tem feito o papel de controlar o acúmulo exagerado de biomassa de capins”, explica a ecóloga Giselda Durigan, coautora do artigo e pesquisadora do IPA.

    Cuidados necessários

    O pastejo como ferramenta de restauração exige atenção para não reproduzir os impactos historicamente associados à pecuária convencional. O principal risco é o sobrepastejo. “Quando há mais carga do que o ambiente suporta, ocorre compactação do solo e aumento do pisoteio e do consumo de plantas, o que pode diminuir a cobertura vegetal e, consequentemente, reduzir a diversidade”, alerta Campos.

    A pesquisadora recomenda o acompanhamento por indicadores ecológicos, como cobertura do solo e riqueza de espécies, como forma de avaliar se o manejo contribui para a restauração ao longo do tempo sem gerar novos impactos negativos.

    Respaldo legal e científico

    No Brasil, a Lei de Proteção à Vegetação Nativa já prevê o “manejo sustentável”, que permite o uso econômico de vegetação nativa ou restaurada, desde que compatível com a conservação. No Estado de São Paulo, o pastejo em ecossistemas abertos já tem reconhecimento oficial como uso sustentável de Reserva Legal.

    Durigan destaca que o estudo valida essa política pública ao demonstrar, com dados experimentais, que o pastejo bem manejado favorece a vegetação nativa. Ainda assim, a adoção da prática como ferramenta de conservação exige atuação coordenada entre órgãos ambientais, gestores de unidades de conservação e proprietários rurais.

    A pesquisa conta com financiamento da FAPESP, por meio do Projeto Temático BIOTA Campos, e inclui contribuição de pesquisadoras do Instituto de Biologia da Unicamp. Parte do trabalho resultou de estágio de Campos na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

    Beatriz Ortiz | Agência FAPESP

  • Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Agricultura regenerativa fortalece manejo e reduz emissões de CO2

    Na Fazenda Estância, em Pirassununga, interior de São Paulo, a agricultura regenerativa deixou de ser teoria para se tornar prática diária de manejo. Integrante do programa Bayer ForwardFarming, a propriedade conduzida por Nathalia Vick, administradora e gestora de agronegócios, e Aline Vick, economista, se tornou referência em sustentabilidade ao unir produtividade agrícola, conservação do solo e redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa.

    Com 1.200 hectares dedicados às culturas de soja, milho, sorgo, mandioca e cana-de-açúcar, a fazenda tem mostrado resultados consistentes. As análises de pegada de carbono, realizadas entre fevereiro de 2024 e março de 2025, comprovaram que a média da safra 24/25 da soja atingiu 616,4 kg CO2 eq./t, valor 60% menor do que a média nacional (1.526 kg CO2 eq./t). Em um dos talhões avaliados, o índice chegou a 373 kg CO2 eq./t, redução de 76% em relação à média brasileira.

    Ferramenta inédita de medição por talhão

    O cálculo foi feito por meio da Footprint PRO Carbono, ferramenta desenvolvida pela Bayer em parceria com a Embrapa, baseada na metodologia internacional de avaliação do ciclo de vida (ACV). Dessa forma, a tecnologia permite calcular a pegada de carbono por talhão, diferencial em relação a outras ferramentas disponíveis no mercado.

    Aline e Nathalia Vick – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “É importante ressaltar que cada talhão possui um perfil de solo e histórico de manejo diferente, o que influencia a pegada. Ainda assim, o talhão com maior pegada registrada ainda representa 22% menos do que a média nacional”, afirma Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.

    No milho segunda safra, a análise também seguiu a mesma metodologia e concluiu que a média da Fazenda Estância foi de 751,71 kg CO2 eq./t, resultado 46% menor que a média brasileira da cultura (1.387 kg CO2 eq./t).

    Manejo regenerativo como caminho sustentável

    As irmãs Vick apostam em técnicas como sucessão milho-soja, integração com braquiária e manutenção da palhada para proteger o solo e melhorar sua fertilidade. “Falar em carbono é falar na medida de vida do solo. Onde tenho mais carbono, tenho mais produtividade”, resume Aline.

    Ela explica que pequenas mudanças fazem diferença. “No caso da soja, substituímos a aplicação de ureia pelo nitrato, que emite menos gases de efeito estufa. Também adotamos tecnologias de precisão que reduzem manobras de maquinário, gerando economia de combustível e, consequentemente, menor emissão”, diz.

    Palhada no solo garante proteção e mantém umidade – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A transição exigiu convencimento dentro da família, mas hoje os resultados falam por si. “Foi um desafio mostrar que a mudança era positiva. Enfim, todos defendem as práticas regenerativas porque vemos na prática a resiliência da lavoura e os ganhos ambientais”, afirma Aline.

  • Culturas de cobertura aumentam a saúde do solo

    Culturas de cobertura aumentam a saúde do solo

    Em meio aos desafios das mudanças climáticas, uma pesquisa inovadora desenvolvida pela ESALQ-USP, em parceria com o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), revela que a integração de culturas de cobertura em plantações de soja no Cerrado brasileiro está transformando a agricultura sustentável. Os estudos, conduzidos há seis anos em Rio Verde (GO) e dez anos em Rondonópolis (MT) — dois dos maiores polos sojícolas do país —, demonstram que gramíneas e leguminosas, como braquiária, crotalária, milheto e feijão-guandu, não apenas melhoram a saúde do solo. Mas também elevam o sequestro de carbono e impulsionam a produtividade das lavouras.

    Liderada pela engenheira agrônoma Victória Santos Souza, sob orientação do professor Maurício Roberto Cherubin, a pesquisa comprovou que sistemas diversificados superam os modelos tradicionais de monocultura. A combinação de braquiária, crotalária e milheto, por exemplo, aumentou em 19% o estoque de carbono no solo, elevou a saúde da terra em 13% e ampliou a produtividade da soja em 11% em comparação com cultivos convencionais, como soja-milho ou soja em pousio. “A diversidade vegetal gera mais matéria orgânica, tornando o sistema mais resiliente e capaz de mitigar emissões de gases de efeito estufa”, explica Souza.

    Braquiária é destaque

    Um dos destaques do estudo é o papel da braquiária, que produz até 9 toneladas de biomassa por hectare, protegendo o solo contra temperaturas extremas e melhorando a retenção de água. Além disso, solos mais saudáveis reduzem em 26% a variabilidade na produtividade da soja, garantindo estabilidade mesmo em condições climáticas adversas.

    Os resultados ganham ainda mais relevância diante da urgência em reduzir emissões no Cerrado, bioma responsável por 48% da produção nacional de soja. E que, segundo o SEEG (2022), tem o Mato Grosso como maior emissor de gases do efeito estufa no agro. Com práticas como essas, o Brasil avança na criação de sistemas agrícolas que combinam alta produtividade com sustentabilidade — um modelo que, se expandido, pode colocar o país na vanguarda da agricultura de baixo carbono. A próxima fase da pesquisa focará no refinamento do balanço de carbono em nível de talhão, abrindo caminho para políticas públicas e adoção em larga escala por produtores rurais.

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  • Safrinha: estratégias para proteger o solo e aumentar a produtividade

    Safrinha: estratégias para proteger o solo e aumentar a produtividade

    Com a colheita da soja concluída, a safrinha é o momento ideal para planejar a cobertura do solo, uma prática essencial para garantir a sustentabilidade do sistema produtivo. Segundo Gessí Ceccon, analista e engenheiro agrônomo da Embrapa Agropecuária Oeste, a cobertura do solo não apenas protege contra a erosão, mas também melhora as condições físicas do solo, favorecendo a produtividade futura.

    O milho é a principal espécie para sustentar o sistema de plantio direto, pois possui um sistema radicular agressivo que auxilia na descompactação do solo. Suas raízes crescem profundamente, aproveitando a umidade residual e criando poros para infiltração da água, melhorando a estrutura do solo.

    A consorciação do milho com a braquiária é uma estratégia que a Embrapa vem pesquisando há 20 anos. As raízes de milho produzem poros maiores, enquanto as raízes de braquiária criam poros menores, ambos importantes para a infiltração e armazenamento de água no solo. Após o milho atingir a maturidade, a braquiária proporciona uma cobertura uniforme, protegendo o solo contra a erosão e a perda de umidade.

    Uso de leguminosas como crotalária

    A cobertura com plantas como a braquiária consorciada com leguminosas, especialmente a crotalária ochroleuca, é altamente recomendada. A crotalária tem raiz pivotante que cresce profundamente, contribuindo para um perfil de solo mais estruturado e melhorando a qualidade da cobertura.

    O manejo adequado também passa pelo momento correto de intervenção. Segundo Ceccon, um manejo na braquiária em junho é essencial para reiniciar a produção de massa e garantir qualidade na cobertura do solo. “Plantar braquiária solteira é coisa do passado. Sempre que possível, devemos associá-la a uma leguminosa para melhorar a qualidade da cobertura”, enfatiza.

    A adoção dessas estratégias permite que a soja seja semeada mais próxima da dessecação. E assim, garantindo melhor condição física do solo e maior eficiência produtiva da soja. “Cada detalhe faz diferença na produtividade e na sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui Ceccon.

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  • Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta novas orientações para o manejo da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

    A pesquisa, que se insere, por sua vez, no contexto do novo cenário agrícola brasileiro, destaca, assim, a importância de práticas sustentáveis. Principalmente em plantios consorciados com braquiária.

    Os pesquisadores alertam, ainda, que a braquiária, frequentemente utilizada em consórcio com o milho, favorece a proliferação da lagarta-do-cartucho.

    Dessa forma, a combinação do uso de produtos químicos e biológicos no Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como a solução mais eficaz para controlar o inseto.

    Esse método orienta, então, os produtores a tomarem decisões informadas sobre a aplicação de inseticidas, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a sustentabilidade das lavouras.

    Complexidade do manejo

    Ivênio Oliveira, pesquisador da Embrapa, ressalta que o manejo da lagarta-do-cartucho é complexo e deve considerar todo o sistema de produção.

    “É essencial entender a ocorrência e permanência dessa praga em sistemas como o ILPF e o de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil”, afirma Oliveira.

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    A pesquisa enfatiza a necessidade de um monitoramento contínuo da praga para determinar os momentos adequados para o controle.

    O estudo introduz índices de tomada de decisão, como o nível de dano econômico (NDE) e o nível de controle (NC). Além disso, o relatório sugere que as aplicações de inseticidas devem ser realizadas apenas quando se atinge um NC em torno de 20% das plantas afetadas.

    Os experimentos realizados em condições simuladas de lavouras comerciais mostraram que as estratégias de MIP são mais eficazes do que a aplicação de inseticidas químicos.

    “A estratégia MIP reduz a necessidade de aplicações químicas, passando de quatro para três por safra”, conclui Oliveira.

    Com essas orientações, os produtores poderão gerenciar melhor a lagarta-do-cartucho, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.

  • Diversificação de culturas aumenta lucro do produtor em até 11%

    Diversificação de culturas aumenta lucro do produtor em até 11%

    Pesquisas realizadas ao longo de três anos nas regiões centro-oeste e oeste do Paraná apontam que a diversificação de culturas agrícolas na sucessão entre a soja e o milho segunda safra pode aumentar o lucro de produtores em até 11%. Os experimentos, conduzidos em parceria entre a Embrapa e o Centro de Pesquisa Agrícola Copacol, identificaram três modelos de produção mais lucrativos, que incluem a braquiária, a aveia preta e o trigo no sistema produtivo.

    Modelos de produção mais lucrativos

    O primeiro modelo considerado eficiente introduz a braquiária consorciada com o milho segunda safra, em sucessão à soja. Isso resulta em um aumento significativo na produtividade da soja e uma rentabilidade 11% superior ao sistema padrão da região.

    No segundo modelo, o sistema de produção é planejado com milho segunda safra, aveia preta, soja, milho segunda safra e soja. Nesse exemplo, a cada dois anos, a aveia é cultivada como cobertura vegetal do solo, na terceira safra. Os resultados desse modelo produtivo mais intensificado apresentaram rentabilidade superior a 10% em relação ao sistema tradicional.

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    O terceiro sistema produtivo avaliado como rentável introduz o trigo, configurando-se assim: milho segunda safra, trigo terceira safra, soja, milho segunda safra e soja. Nessa proposta, com a produção de trigo, obteve-se uma rentabilidade no sistema produtivo 6,6% superior à tradicional sucessão da soja com o milho segunda safra.

    Benefícios da diversificação

    Além da viabilidade econômica, a diversificação traz outros benefícios. A rotação do milho segunda safra, em cultivo solteiro ou consorciado à braquiária ruziziensis, com cereais de inverno como o trigo, representa uma alternativa para diversificar a matriz produtiva. Além disso, proporciona redução dos custos de produção e aumento da produtividade da soja em relação ao modelo de sucessão tradicionalmente utilizado na região.

    Na próxima etapa de pesquisa, os esforços serão centrados na validação dos resultados em propriedades rurais.  Assim como na transferência dessa tecnologia para os produtores da região. O uso de aveia preta ou do trigo nos sistemas produtivos paranaenses se constitui em processos agropecuários inovadores.  Pois aumentam a diversificação da matriz produtiva, a produção de fitomassa e a intensificação do uso da terra entre a colheita do milho segunda safra e a semeadura da soja.

    Assim, a diversificação de culturas na sucessão entre a soja e o milho segunda safra apresenta-se como uma alternativa viável para aumentar a rentabilidade dos produtores rurais. Os modelos de produção identificados pela pesquisa, incluem a braquiária, a aveia preta e o trigo. E esses modelos de produção proporcionam ganhos significativos de produtividade e lucratividade, além de benefícios para a melhoria da qualidade do solo e redução dos custos de produção