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  • Uso de bioinsumos aumenta produtividade da soja em 8,33% no Paraná

    Uso de bioinsumos aumenta produtividade da soja em 8,33% no Paraná

    Desde a safra 2015/2016, a Embrapa Soja e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) acompanham em campo o uso da fixação biológica do nitrogênio (FBN) em lavouras comerciais de soja no estado. Em dez anos de validação, os pesquisadores registraram aumento médio de 8,33% na produtividade com a coinoculação de sementes, que combina dois ou mais microrganismos benéficos para potencializar a FBN.

    Os resultados constam da publicação “Coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum na safra 2024/2025 no Paraná”, que reúne dados de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) distribuídas em lavouras comerciais. O trabalho é assinado por André Mateus Prando, Arnold Barbosa de Oliveira, Divania de Lima, Edison Ulisses Ramos Júnior, Edivan José Possamai, Eliana Aparecida Reis, Marco Antonio Nogueira e Mariangela Hungria.

    Segundo André Prando (Embrapa Soja) e Edivan Possamai (IDR-Paraná), as URTs permitiram testar a tecnologia em condições reais de produção e comprovaram que a inoculação e a coinoculação aumentam a produtividade e eliminam a necessidade de adubação nitrogenada mineral na cultura. Na avaliação dos pesquisadores, o pacote tecnológico garante mais rentabilidade ao produtor e benefícios ambientais para toda a sociedade.

    Coinoculação ganha espaço nas lavouras comerciais

    A rede de URTs estruturada pelo IDR-Paraná com apoio da Embrapa levou a inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium ao protocolo de validação de tecnologias na safra 2015/2016. A partir da safra 2017/2018, o grupo passou a validar também a coinoculação com Azospirillum, bactéria promotora de crescimento de plantas que atua em sinergia com o Bradyrhizobium para elevar o rendimento da soja.

    Na safra 2024/2025, a equipe coletou dados em 22 URTs instaladas em lavouras comerciais de 17 municípios paranaenses, em diferentes regiões do estado. Essas áreas representam diversos tipos de solo, clima, sistemas de cultivo, culturas antecessoras (como milho segunda safra, trigo, aveia e azevém), épocas de semeadura e níveis tecnológicos, o que torna os resultados um retrato fiel da realidade produtiva.

    O levantamento de Embrapa Soja e IDR-Paraná mostra que as áreas coinoculadas produziram, em média, 3.916 kg/ha de grãos, contra 3.615 kg/ha nas áreas sem inoculação. Nas URTs com coinoculação, a produtividade superou a média do Paraná (3.663 kg/ha) e a média nacional (3.561 kg/ha) da safra 2024/2025, segundo dados da Conab.

    Adoção cresce entre produtores paranaenses

    Na média estadual, 64% dos produtores consultados declararam utilizar algum tipo de inoculante na soja na safra 2024/2025. A coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum alcançou 28% das áreas de soja no estado, conforme pesquisa de mercado da ANPII Bio em parceria com a Kynetec.

    Adoção de inoculantes em soja no PR promove aumento médio de 8,33% na produtividade. Foto: Antonio Neto/Embrapa

    Pesquisas da Embrapa Soja conduzidas por Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira mostram que a inoculação anual com Bradyrhizobium garante altos tetos produtivos, mesmo em áreas tradicionais, sem necessidade de fertilizante nitrogenado. A partir da safra 2013/2014, a Embrapa passou a recomendar a coinoculação, que associa duas estirpes de Azospirillum brasilense (Ab-V5 e Ab-V6) às bactérias Bradyrhizobium.

    Segundo Hungria, plantas coinoculadas apresentam nodulação mais precoce e abundante, o que amplia os ganhos obtidos em relação à inoculação apenas com Bradyrhizobium. O desempenho observado nas URTs confirma o potencial da tecnologia para aumentar a eficiência do uso de bioinsumos na soja paranaense.

    Impacto nacional: economia bilionária e menor emissão de CO2

    No Brasil, cerca de 85% dos 47 milhões de hectares de soja já utilizam inoculação anual com bactérias fixadoras de nitrogênio. A coinoculação cresce de forma acelerada e já alcança aproximadamente 35% das áreas cultivadas, de acordo com ANPII Bio/Kynetec.

    Em 2024, a inoculação e a coinoculação, que dispensam o uso de fertilizantes nitrogenados, geraram economia estimada em US$ 25 bilhões para os sojicultores. No mesmo ano, o uso dessas bactérias evitou a emissão de mais de 260 milhões de toneladas de CO2 equivalente, reforçando o papel dos bioinsumos na descarbonização da agricultura brasileira.

    FBN sustenta competitividade da soja brasileira

    A fixação biológica do nitrogênio é um dos pilares de sustentabilidade do sistema produtivo da soja no país, já que a cultura demanda cerca de 80 kg de N por tonelada de grãos colhida. Ao suprir esse nutriente via bactérias, o produtor reduz despesas com adubo nitrogenado e aumenta a competitividade da soja no mercado internacional.

    A inoculação e a coinoculação da soja no Brasil promovem uma economia estimada em 25 bilhões de dólares. Foto: Antonio Neto/Embrapa

    De acordo com André Prando, a FBN ocorre a partir da simbiose entre bactérias do gênero Bradyrhizobium e as plantas de soja, que formam nódulos nas raízes. As plantas hospedam e nutrem as bactérias, que em troca capturam o nitrogênio atmosférico, convertem o N2 em amônia pela ação da enzima nitrogenase e entregam compostos nitrogenados para o desenvolvimento da cultura.

    A Embrapa ressalta que a inoculação é indispensável em áreas de primeiro ano de soja ou em regiões que ficaram muito tempo sem a cultura, onde as populações naturais de bactérias fixadoras são baixas ou inexistentes. Mesmo em áreas consolidadas, a recomendação é inocular a cada safra, via sementes ou no sulco de semeadura, porque a prática incrementa a nodulação e o rendimento da lavoura, como demonstram diversos estudos de campo.

  • Entenda o que é bioprospecção e sua importância

    Entenda o que é bioprospecção e sua importância

    A bioprospecção é uma técnica milenar que consiste na busca e exploração de organismos vivos – como plantas, animais e microrganismos – e seus compostos para aplicações acadêmicas, tecnológicas e industriais. No Brasil, país com a maior biodiversidade do mundo, essa prática tem enorme potencial para impulsionar a produção sustentável de alimentos. E, principalmente, o desenvolvimento de soluções inovadoras na agricultura.

    O Brasil abriga mais de 116 mil espécies animais e 46 mil espécies vegetais distribuídas em seis biomas terrestres (Caatinga, Cerrado, Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal) e três ecossistemas marinhos. Estima-se que o país também possua mais de um trilhão de microrganismos. Dos quais cerca de 99% ainda são inexplorados, o que coloca o Brasil entre os maiores potenciais mundiais para a bioprospecção e bioeconomia.

    Além da biodiversidade terrestre, o bioma marinho oferece grandes oportunidades. Em 2023, a Comissão Europeia lançou o projeto BlueRemediomics, que visa explorar espécies do fundo do mar para desenvolver processos industriais com menor impacto ambiental, reduzindo desperdícios e promovendo a reutilização de recursos naturais.

    O que é bioprospecção e suas aplicações na agricultura

    Bioprospecção é a busca sistemática por organismos vivos e compostos que possam ser utilizados para fins acadêmicos, tecnológicos e industriais. E abrange setores como cosmético, farmacêutico, alimentar e agrícola. Na agricultura, a técnica tem sido aplicada para desenvolver soluções baseadas na natureza (NBSs), como biofertilizantes, bioestimulantes e agentes de biocontrole que reduzem o uso de pesticidas e herbicidas químicos, promovendo uma produção mais sustentável.

    Um dos maiores sucessos da bioprospecção agrícola no Brasil foi o desenvolvimento de inoculantes à base de Bradyrhizobium para fixação biológica de nitrogênio. Eles são amplamente utilizados na soja, gerando uma economia anual superior a US$ 2 bilhões para o país, segundo a Embrapa.

    Ferramentas modernas para explorar a biodiversidade

    A bioprospecção moderna utiliza técnicas moleculares avançadas, conhecidas como “ômicas”, que permitem mapear moléculas biológicas e compreender suas funções para aplicações práticas. Segundo Rafael de Souza, CEO da biotech Symbiomics, “os microrganismos nativos dos mais diversos biomas guardam enorme potencial para uso como biofertilizante, bioestimulantes e agentes de biocontrole”.

    A Symbiomics combina tecnologias como sequenciamento genético, machine learning e edição genética para identificar microrganismos capazes de colonizar plantas e solos, aumentando a produtividade agrícola com menor impacto ambiental. “Promovemos uma agricultura mais sustentável, com menos químicos e menos nociva ao meio ambiente e à saúde humana”, afirma Jader Armanhi, COO da empresa.

    Marco regulatório e importância econômica

    Em 2010, os países signatários criaram o Protocolo de Nagoia para regulamentar o uso comercial de recursos genéticos, definindo diretrizes para pagamentos de royalties, transferência de tecnologia e capacitação. O Brasil ratificou o protocolo em 2021. E ele passou a vigorar oficialmente no país em 2023, fortalecendo a bioprospecção como ferramenta estratégica para a bioeconomia nacional.

    Além de gerar produtos inovadores, a bioprospecção contribui para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável. Microrganismos explorados podem atuar como agentes de biocontrole, protegendo plantas contra pragas e estresses ambientais, e promovendo maior resistência e produtividade agrícola.

    A bioprospecção, portanto, é uma das atividades científicas e econômicas mais promissoras para o futuro da agricultura no Brasil. Combinando o vasto patrimônio natural do país com tecnologias de ponta para promover uma produção alimentar mais eficiente, sustentável e alinhada às demandas ambientais globais.

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