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  • Câmara debate moratória da piracatinga sobre a pesca na Amazônia

    Câmara debate moratória da piracatinga sobre a pesca na Amazônia

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados promove nesta quarta-feira (12) uma audiência pública para discutir os impactos da moratória que proíbe a pesca e a comercialização da piracatinga na Região Amazônica. O debate começa às 16h, no plenário 6, e atende a um pedido do deputado Raimundo Costa (PSD-BA).

    Raimundo Costa argumenta que a moratória, mantida há onze anos, provoca impactos econômicos e sociais sobre milhares de pescadores artesanais e suas famílias na Amazônia. Para o parlamentar, a extensão sucessiva de uma medida criada como temporária exige um debate público amplo, apoiado em evidências técnicas e na escuta de quem sente os efeitos da proibição diretamente.

    “A manutenção indefinida de uma medida concebida como temporária exige amplo debate público, fundamentado em evidências técnicas e na escuta daqueles que vivenciam diretamente seus efeitos”, afirma o deputado.

    A comissão também quer avaliar os efeitos da moratória sobre a pesca artesanal, a economia regional e a segurança alimentar das populações amazônicas.

    Por que a pesca da piracatinga foi proibida

    A piracatinga (Calophysus macropterus) é um bagre de médio porte, também conhecido como pintadinha, douradinha, piranambu ou urubu-d’água. O apelido vem de seu hábito necrófago: a espécie não é apreciada pelas comunidades ribeirinhas justamente por se alimentar de restos de animais mortos.

    Esse hábito alimentar acabou colocando a espécie no centro de uma polêmica ambiental. Desde o fim dos anos 1990, pescadores passaram a usar carne de golfinhos-de-rio e de jacarés como isca para atrair o peixe, o que gerou um grave crime ambiental contra a fauna da região amazônica. A prática ganhou força quando a sobrepesca de outros bagres na Colômbia abriu uma grande demanda de mercado para a exportação da piracatinga brasileira.

    Foto: Matthews Best / Flickr

    Diante das denúncias, o Ministério Público Federal recomendou a investigação da matança de botos e jacarés usados como isca, o que levou à edição de uma instrução normativa interministerial que instituiu, em 2015, a moratória da pesca e da comercialização da espécie em todo o território nacional. Desde então, a proibição já foi renovada quatro vezes.

    riscos para botos e jacarés

    O impacto da pesca sobre os botos foi um dos principais argumentos para a criação da moratória. Estimativas do governo colombiano, divulgadas quando o país também proibiu a comercialização do peixe, indicam que até sete mil botos-cor-de-rosa morriam anualmente para servir de isca, número muito acima da taxa natural de mortalidade da espécie, estimada em 16 animais por ano.

    A recuperação populacional dos botos é lenta por causa do próprio ciclo reprodutivo do animal. Uma fêmea leva até sete anos para atingir a maturidade sexual. Enquanto os machos demoram dez anos, e o intervalo entre nascimentos gira em torno de quatro a cinco anos. Por isso, especialistas alertam que o boto-cor-de-rosa pode ser extinto em poucas décadas caso a pesca da piracatinga seja liberada sem controle. A proteção também alcança jacarés como o jacaré-açu e o jacaretinga, igualmente usados como isca.

    Além da ameaça a botos e jacarés, a própria piracatinga apresenta um risco à saúde humana. Por se alimentar de carcaças e restos orgânicos no fundo dos rios, o peixe acumula altas concentrações de mercúrio e outros metais tóxicos, motivo pelo qual seu consumo não é recomendado. Análises da Universidade de los Andes, na Colômbia, confirmaram os altos índices de mercúrio na espécie, apontando uma ameaça à saúde pública.

    Um peixe sem mercado interno, mas com demanda externa

    Um dos aspectos que tornam o debate mais complexo é que a piracatinga tem pouco valor comercial dentro do Brasil. A pressão pela pesca vem principalmente de fora: a demanda é proveniente sobretudo da Colômbia, onde, apesar de o consumo ser proibido, ele continua acontecendo. Mesmo com a proibição em vigor nos dois países, toneladas do bagre seguem sendo exportadas anualmente.

    A regulamentação brasileira atual, baseada na Instrução Normativa Ibama nº 16/2015, veta pesca, retenção, desembarque, armazenamento, transporte, beneficiamento e comercialização da espécie, com multas que vão de R$ 700 a R$ 100 mil, além de apreensão de equipamentos e embarcações em caso de descumprimento.

    O impasse que a Câmara discute agora

    O governo federal já sinalizou que pretende manter a cautela. Ao prorrogar a moratória pela última vez, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente informaram que a proibição segue vigente até que existam dados científicos suficientes para autorizar uma pesca sustentável, aplicando o princípio da precaução quando as informações são insuficientes.

    Portanto, é justamente esse equilíbrio entre a proteção de botos, jacarés e da saúde pública de um lado, e a subsistência de comunidades pesqueiras amazônicas do outro que a audiência pública desta quarta-feira busca discutir, ouvindo pescadores, especialistas e representantes do setor.

    Com dados de Agência Câmara de Notícias

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  • Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    Animais que só existem na Amazônia e estão desaparecendo

    A Floresta Amazônica, conhecida como o bioma mais biodiverso do planeta, guarda espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.

    No entanto, esse patrimônio natural enfrenta uma ameaça crescente. Estudos recentes mostram que animais exclusivos da região já estão na chamada “linha vermelha” da extinção.

    Esse cenário preocupa pesquisadores. Isso porque a Amazônia abriga milhões de espécies, muitas ainda desconhecidas pela ciência.

    Espécies únicas e ameaçadas

    Entre os exemplos mais emblemáticos está o boto-cor-de-rosa, símbolo cultural da região e presente em lendas amazônicas.

    Além dele, outras espécies raras também enfrentam risco, como o macaco-aranha-de-cara-branca, um primata que só existe na Amazônia e depende diretamente da floresta para sobreviver.

    Esses animais possuem distribuição limitada. Ou seja, qualquer alteração no ambiente pode comprometer diretamente sua sobrevivência.

    O avanço da ameaça é real

    O número de espécies ameaçadas na Amazônia aumentou significativamente nos últimos anos.

    Levantamentos indicam que mais de 500 espécies da região já estão em risco de extinção, com crescimento superior a 65% em uma década.

    Esse avanço está diretamente ligado a fatores como desmatamento, mineração, queimadas e expansão agrícola.

    Além disso, a fragmentação do habitat dificulta a reprodução e reduz as chances de sobrevivência das espécies.

    Animais que podem desaparecer silenciosamente

    Muitos desses animais não são amplamente conhecidos pelo público. Ainda assim, desempenham papéis essenciais no equilíbrio do ecossistema.

    O macaco-aranha, por exemplo, atua na dispersão de sementes, ajudando a regenerar a floresta.

    Já espécies aquáticas, como o peixe-boi-da-amazônia, sofrem com poluição, caça e destruição de habitats.

    Quando essas espécies desaparecem, todo o sistema natural entra em desequilíbrio.

    Por que isso importa para o mundo

    A Amazônia não é importante apenas para o Brasil. Ela influencia diretamente o clima global, os ciclos de chuva e a biodiversidade do planeta.

    Por isso, a perda de espécies vai além da questão ambiental. Ela impacta economia, agricultura e qualidade de vida em escala global.

    Além disso, cientistas alertam que muitas dessas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem completamente estudadas.

    Um futuro que ainda pode ser revertido

    Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que ainda há tempo para reverter parte dos danos.

    A preservação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento e políticas públicas eficazes são fundamentais para garantir a sobrevivência dessas espécies.

    Além disso, a conscientização da população tem papel decisivo. Afinal, proteger a Amazônia não é apenas preservar uma floresta. É garantir que espécies únicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo, continuem existindo.