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  • Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Nova biotecnologia promete redefinir o manejo da soja no Brasil

    Uma nova biotecnologia na soja foi apresentada durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A inovação amplia a proteção contra lagartas e aumenta as opções de manejo de herbicidas. Ao mesmo tempo, busca elevar a produtividade e a sustentabilidade da cultura no Brasil.

    A tecnologia faz parte de uma nova geração de soluções para a agricultura tropical. Durante o evento, especialistas explicaram que o avanço combina genética, biotecnologia e novas estratégias de manejo. O objetivo é ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos nas lavouras.

    A novidade integra a plataforma Intacta 5+, desenvolvida pela Bayer. Segundo a empresa, as primeiras variedades comerciais devem chegar ao mercado na safra 2027/28. No entanto, a liberação final ainda depende de aprovações regulatórias em países importadores de soja.

    Responsável pela apresentação da tecnologia, Mateus Benedeti afirmou que a evolução da biotecnologia acompanha a própria transformação da agricultura brasileira.

    “A história da biotecnologia na soja também é uma história de protagonismo do produtor brasileiro. Desde o início, o agricultor buscou tecnologias que permitissem produzir mais e com maior eficiência”, destacou.

    Nas últimas décadas, a adoção dessas tecnologias ajudou o Brasil a ampliar sua produtividade agrícola. Como resultado, o país se consolidou entre os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

    Proteção ampliada contra pragas e plantas daninhas

    A nova biotecnologia na soja incorpora cinco proteínas voltadas ao controle de lagartas que atacam a cultura. Dessa forma, o sistema amplia o espectro de proteção e fortalece o manejo integrado de pragas.

    Entre os principais alvos está a Elasmopalpus lignosellus, conhecida como elasmo. Essa lagarta ataca a planta ainda nas fases iniciais do desenvolvimento. Quando o ataque ocorre nesse estágio, a lavoura pode perder plantas inteiras e comprometer o potencial produtivo.

    Além da proteção contra insetos, a tecnologia permite tolerância a cinco herbicidas diferentes. Entre eles estão mesotriona, dicamba, glifosato, glufosinato e 2,4-D.

    Mateus Benedeti – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, essa combinação amplia as estratégias de controle de plantas daninhas. O produtor pode utilizar diferentes protocolos de manejo durante o ciclo da cultura. Assim, adapta o controle às condições de cada região produtora.

    Outro benefício está na preservação da eficiência da tecnologia ao longo do tempo. Quando o agricultor alterna mecanismos de ação, reduz a pressão de seleção sobre pragas e plantas daninhas.

    Integração entre genética e biotecnologia

    Outro destaque apresentado durante o lançamento foi o processo YieldBoost™. A metodologia foi desenvolvida no Brasil e busca acelerar a integração entre biotecnologia e genética das plantas.

    O sistema permite testar um número maior de materiais em campo. Com isso, os pesquisadores conseguem avaliar mais combinações genéticas em menos tempo.

    Segundo a empresa, o método permite analisar até 15 vezes mais materiais do que os processos tradicionais de melhoramento. Dessa forma, o desenvolvimento de novas variedades ocorre com maior velocidade e precisão.

    A estratégia também prioriza materiais adaptados às condições da agricultura tropical. Como resultado, as variedades tendem a apresentar maior estabilidade produtiva nas diferentes regiões do país.

    Caminho até o lançamento comercial

    A nova biotecnologia já recebeu aprovação regulatória no Brasil. Ainda assim, sua comercialização depende da autorização de mercados internacionais que importam soja brasileira.

    Por isso, os próximos anos serão dedicados à realização de testes em campo com produtores parceiros. Essas áreas permitirão avaliar o desempenho das variedades em diferentes ambientes produtivos.

    A expectativa é que, no momento do lançamento comercial, o mercado já conte com diversas variedades adaptadas às principais regiões produtoras.

    Para o setor agrícola, a chegada de novas biotecnologias representa um passo importante para o avanço da produtividade. Ao mesmo tempo, essas soluções ajudam o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo.

    Assim, a evolução da biotecnologia na soja continua a desempenhar um papel central no fortalecimento da agricultura brasileira.

  • Presidente do CBSoja aponta rumos e inovação para o setor da soja

    Presidente do CBSoja aponta rumos e inovação para o setor da soja

    A soja completa 100 anos de cultivo no Brasil em um momento decisivo para o agro. Mais do que celebrar a trajetória da cultura que transformou o país em potência agrícola, o 10º Congresso Brasileiro de Soja e o Mercosoja discutem caminhos para manter o protagonismo do setor nos próximos anos. À frente do evento, o pesquisador A da Embrapa Soja – Sementes e Grãos e presidente do congresso, Fernando Henning, defende que o agricultor é um empresário que precisa gerar lucro com sustentabilidade e estar preparado para desafios climáticos, políticos e tecnológicos. Nesta entrevista ao portal Agro Em Campo, Henning fala sobre os principais debates do congresso, a presença internacional, os avanços em biotecnologia e a importância da formação técnica na base da cadeia.

    Qual é o principal objetivo do Congresso?

    Esse é o maior evento técnico-científico da cadeia da soja, uma das grandes alavancas do agro brasileiro. Nosso tema, “100 anos de soja: pilares do amanhã”, foi escolhido para refletir tudo o que construímos no passado e o que estamos fazendo para garantir um futuro sustentável. Conseguimos adaptar a soja ao ambiente tropical com muito sucesso — isso não pode ser esquecido.

    Quem participa do evento?

    O congresso é para todos: produtor rural, assistência técnica, revendas, grandes empresas, pesquisadores públicos e privados, estudantes. É um fórum onde quem já está no agro se encontra com quem está chegando agora. Essa troca de experiências é essencial.

    Quais os principais desafios da cadeia hoje?

    Temos dificuldades a cada safra, mas é preciso antecipar novos desafios. Nem toda resposta da pesquisa vem de uma safra pra outra. Precisamos trabalhar com tempo, prever cenários e propor soluções baseadas em ciência e tecnologia.

    Fernando Henning –
    Pesquisador Embrapa Soja- Sementes e Grãos e Presidente do 10º Congresso Brasileiro  de Soja e Mercosoja – Foto: Agro Em Campo/ Pedro H. Lopes

    Sustentabilidade foi destaque já no primeiro dia. Por quê?

    A soja brasileira é constantemente questionada lá fora, principalmente quanto à sustentabilidade. E neste ano, teremos a COP 30 no Brasil. Por isso, começamos o congresso mostrando dados concretos de que é possível produzir com responsabilidade ambiental e rentabilidade. Sustentabilidade também significa lucro. O agricultor é um empresário.

    Quais soluções estão sendo debatidas nesse contexto?

    Temos temas como soja de baixo carbono, que se conecta com o plantio direto — um sistema em que o Brasil é referência global. Outro destaque é o novo ZARC, com níveis de manejo. Essa ferramenta ajuda o produtor a entender melhor os riscos climáticos e a escolher a melhor estratégia antes de ir ao banco buscar crédito ou seguro.

    O evento também aborda fitossanidade e qualidade de sementes?

    Sim. A Embrapa tem como missão garantir práticas sustentáveis também no manejo de doenças, pragas e plantas daninhas. Os ensaios de rede orientam o produtor na escolha dos produtos. E falamos muito sobre semente de qualidade, algo que impacta diretamente toda a cadeia. Ainda temos problemas com pirataria, mas mostramos o quanto uma semente legal, de alta qualidade, agrega valor ao grão.

    Qual a relação entre isso e o mercado internacional, como a China?

    A China é nosso principal comprador. Se começarmos com semente boa, temos mais chance de entregar um grão com padrão superior. Essa conexão é clara. Também trouxemos especialistas para discutir a diplomacia do agro, algo fundamental diante da instabilidade geopolítica atual. Produzir é importante, mas entender o cenário internacional é essencial.

    O agricultor brasileiro está preparado para lidar com essa complexidade?

    Sim. O nível técnico está mais alto a cada ano. O produtor busca informações, participa de fóruns como este. E não é só ele. O CBSoja também é um espaço para quem está chegando. Temos a Sessão Pôster, com mais de 320 trabalhos de universidades e centros de pesquisa. Isso pode virar uma nova solução no campo.

    Há também um workshop com visão de futuro. Do que se trata?

    O Workshop Internacional discute os próximos dez anos em genética, melhoramento e biotecnologia. É uma visão conjunta de Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e China. Também falamos sobre a lei de cultivares, edição gênica e medidas contra a pirataria. Queremos mostrar que o agro do futuro está sendo construído agora.

    Como se dá a troca de experiências entre os participantes?

    Temos um momento chamado Mãos à Obra, com cinco cases desafiadores do mercado. O objetivo é promover discussões olho no olho, em sala, com interação direta. O Congresso é isso: compartilhar, aprender, evoluir. Sabemos quem são os concorrentes, mas aqui somos parceiros.

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