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  • Fertilizantes voltam a reagir e exigem estratégia do produtor rural

    Fertilizantes voltam a reagir e exigem estratégia do produtor rural

    A dinâmica do mercado de fertilizantes mudou no início de julho e passou a oferecer novas oportunidades de compra para produtores brasileiros. Após meses de pressão sobre os custos de produção, parte dos insumos apresenta maior estabilidade, embora o cenário internacional ainda imponha volatilidade e exija planejamento estratégico para a safra 2026/27.

    A redução das tensões geopolíticas e a retomada das exportações por grandes fornecedores globais impulsionaram a melhora nas negociações. Esse movimento aliviou a pressão sobre os preços de alguns fertilizantes e reaqueceu o mercado brasileiro, especialmente entre produtores que ainda buscam complementar suas compras.

    Mercado de fertilizantes segue dividido

    Apesar do ambiente mais favorável em alguns segmentos, o mercado de fertilizantes mantém comportamento heterogêneo. Produtos com maior oferta registram estabilidade e previsibilidade, enquanto outros continuam pressionados pela oferta restrita e pelos altos custos de matérias-primas.

    Esse cenário mantém produtores cautelosos, com muitos aguardando condições mais atrativas antes de fechar novos negócios.

    Segundo Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o produtor precisa acompanhar o mercado de perto e avaliar cada oportunidade de forma individual.

    Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro
    Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. Foto:
    Divulgação/Biond Agro

    “O cenário ficou menos turbulento nas últimas semanas, principalmente com a retomada das exportações de ureia pela China e a redução das tensões geopolíticas. Ainda assim, o mercado segue muito sensível a qualquer mudança no ambiente internacional. Mais do que esperar novas quedas, o produtor precisa aproveitar as janelas de oportunidade para cada tipo de fertilizante”, afirma.

    Planejamento define competitividade na safra 2026/27

    O planejamento antecipado segue como principal ferramenta para reduzir riscos e proteger a rentabilidade no campo. Produtores que anteciparam parte das compras entraram neste momento com maior segurança e flexibilidade.

    A recomendação, segundo a especialista, envolve avançar nas compras de potássio e adotar aquisições parciais de nitrogênio, fósforo e enxofre. Essa estratégia reduz a exposição às oscilações de preços sem comprometer o abastecimento.

    “O ideal é escalonar as compras e aproveitar relações de troca favoráveis, sem depender de acertar o menor preço do mercado”, destaca.

    Mesmo com a recente melhora, fatores geopolíticos e logísticos ainda podem alterar rapidamente o comportamento dos preços. Por isso, acompanhar o mercado e ajustar a estratégia de compra conforme a necessidade de cada cultura será decisivo para manter a competitividade e controlar os custos na safra 2026/27.

  • Produtividade leva Brasil a novo recorde de soja na safra 2025/26

    Produtividade leva Brasil a novo recorde de soja na safra 2025/26

    A produção de soja no Brasil deve alcançar o maior volume já registrado. Projeção da Biond Agro indica colheita de 176,85 milhões de toneladas na safra 2025/26, resultado que reforça o país como principal fornecedor global da oleaginosa. O avanço ocorre em cenário de clima mais equilibrado e ganhos de produtividade em regiões-chave, especialmente no Centro-Oeste, mesmo diante de expansão moderada da área plantada.

    Segundo Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o desempenho reflete um ano de alto potencial produtivo, mas ainda marcado por desafios econômicos. “Mesmo com menor avanço de área, o bom desempenho em estados como Mato Grosso deve garantir resultados expressivos, confirmando a força do setor”, explica.

    Produtividade impulsiona resultado em ano de menor expansão de área

    A área cultivada com soja deve crescer 2,9%, totalizando cerca de 48,7 milhões de hectares, um dos menores avanços dos últimos ciclos. A Biond aponta que margens apertadas, custos elevados de financiamento e crédito restrito reduziram o ritmo de expansão.

    Para Monteiro, a produtividade será o fator decisivo. “O recorde dependerá da combinação entre clima favorável, manejo eficiente e alto desempenho das lavouras, e não da ampliação de área”, afirma. A analista acrescenta que atrasos no plantio no MATOPIBA e replantios no norte de Mato Grosso podem ajustar as estimativas, mas parte dessas perdas tende a ser compensada ao longo do ciclo.

    Clima e mercado internacional definem expectativa de preços

    As condições climáticas seguem como principal ponto de atenção. A região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, ainda enfrenta risco de déficits hídricos em anos de La Niña. Já o Centro-Oeste e o MATOPIBA dependem da regularidade das chuvas no início da primavera para assegurar uma boa janela de plantio e o sucesso do milho safrinha.

    “O fator mais importante para o potencial produtivo não é tanto o volume de chuvas, mas sua distribuição nas fases críticas da cultura, como floração e enchimento de grãos”, reforça Monteiro.

    No cenário internacional, a perspectiva de safra robusta no Brasil pressiona os preços no curto prazo, diante de estoques globais confortáveis. O retorno das compras chinesas de soja dos Estados Unidos aumenta a volatilidade nas cotações em Chicago e reduz os prêmios de exportação brasileiros.

    “Com a forte oferta esperada, o Brasil deve recuperar a posição de origem mais competitiva no mercado global em 2026”, conclui a analista.

  • Déficit de armazenagem desafia o agronegócio em meio a safra recorde

    Déficit de armazenagem desafia o agronegócio em meio a safra recorde

    A safra brasileira de grãos caminha para novo recorde em 2025/26, ultrapassando 320 milhões de toneladas, segundo estimativas da Conab. O avanço da produção, no entanto, não encontra o mesmo ritmo na infraestrutura de armazenagem. A capacidade estática do Brasil, calculada entre 200 e 230 milhões de toneladas, cobre apenas cerca de dois terços do volume colhido. E o descompasso já redefine o comportamento do mercado físico e dos preços internos.

    Para Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o gargalo vai além da estrutura física. “A armazenagem representa tempo de decisão, e tempo é o ativo mais valioso do mercado de grãos. Quando toda a oferta chega ao sistema simultaneamente, quem não consegue esperar vende sob pressão”, explica.

    Gargalos regionais e sazonais expõem produtores

    Apesar de a capacidade agregada parecer suficiente, a operação no campo revela um cenário diferente. Entre março e junho, o pico da colheita da soja coincide com o início da colheita do milho, saturando armazéns e rotas logísticas. Nessa janela, o déficit se manifesta de forma funcional: há espaço disponível no total, mas não no momento e nos locais certos.

    “O problema surge na incapacidade de absorver os volumes no período crítico. É quando o mercado físico ajusta os preços de forma mais agressiva”, afirma Monteiro.

    Em regiões altamente produtivas, a relação entre produção e capacidade de armazenagem cai para menos de 60% no auge da safra. Como cerca de 83% dos armazéns do país pertencem a cooperativas, tradings e grandes operadores, o produtor rural enfrenta desvantagem estrutural de negociação.

    Basis torna-se termômetro real do mercado

    Enquanto a Bolsa de Chicago reflete fatores macroeconômicos e financeiros, o diferencial de base, ou basis, traduz a realidade do mercado brasileiro. Logística, fluxo de produto e disponibilidade de armazéns influenciam diretamente a diferença entre os preços locais e internacionais.

    “No Brasil, o basis revela onde o mercado realmente acontece. Quando há excesso de oferta, a base se deteriora e força a saída de volumes”, diz a analista.

    Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. Foto:
    Divulgação

    Durante o pico da safra, a perda no basis pode superar de R$ 15 a R$ 25 por saca, enquanto o custo médio de armazenagem fica entre R$ 2,50 e R$ 4,00 por mês. O resultado é claro: quem não tem estrutura própria vende com deságio, transferindo margem para outros elos da cadeia.

    “Armazenagem não cria preço, mas garante capacidade de espera. Para quem tem estrutura, o custo vira preservação de margem; para quem não tem, o prejuízo se repete ano após ano”, ressalta Monteiro.

    Armazenagem vira ativo estratégico em cenário de crédito caro

    Com juros altos e crédito mais restrito, a armazenagem também é vantagem financeira. O produtor que consegue guardar grãos reduz a necessidade de venda imediata e ganha flexibilidade para definir o momento de comercialização, equilibrando caixa, travas de preço e operações de hedge.

    “A armazenagem dilui decisões no tempo e limita os impactos de choques pontuais no mercado”, avalia Monteiro.

    Portanto, nesse cenário, o armazém deixa de ser apenas infraestrutura e passa a ser ferramenta central de gestão de risco. Com a produção crescendo mais rápido do que a capacidade de estocagem, quem controla o tempo da venda protege margens e extrai melhor valor, mesmo em um ambiente de forte volatilidade.

  • Produção de etanol de milho cresce 18 vezes em sete anos

    Produção de etanol de milho cresce 18 vezes em sete anos

    A produção de etanol de milho no Brasil registrou crescimento de 1.700% nos últimos sete anos, consolidando-se como uma alternativa sustentável e estratégica para o setor energético nacional. O volume processado já ultrapassa 17 milhões de toneladas do grão e a expectativa é que esse número supere 22 milhões até 2026, segundo projeções do setor.

    O avanço do etanol de milho representa uma transformação estrutural no destino do cereal, que deixa de ser apenas insumo para ração animal ou exportação. E passa a ocupar papel central na matriz energética renovável do país. O modelo industrial permite operação contínua durante a entressafra da cana-de-açúcar, gera co-produtos de alto valor nutricional, como DDG e óleo de milho. E mantém margens operacionais robustas, chegando a 30% mesmo em cenários de oscilação de preços. Projetos maduros do setor apresentam retorno sobre o investimento (TIR) em torno de 15% ao ano.

    Especialistas do setor destacam que a indústria do etanol de milho alia sustentabilidade e rentabilidade. Assim, transformaexcedentes agrícolas em energia limpa e movimentando cadeias produtivas em larga escala. “Estamos diante de um modelo que equilibra eficiência, geração de valor e contribuição para a transição energética”, afirma Felipe Jordy, gerente de inteligência e estratégia da Biond Agro.

    Diversificação e interiorização da produção

    O etanol de milho contribui diretamente para a segurança energética nacional, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Além disso, complementa a produção de etanol de cana, especialmente durante a entressafra. O Mato Grosso lidera a produção, com capacidade prevista de mais de 16 milhões de toneladas em 2026.  Mas o setor avança para estados como Paraná, Bahia e Santa Catarina, promovendo a interiorização e diversificação da matriz energética.

    Felipe Jordy, gerente de inteligência e estratégia da Biond Agro.

    A expansão do etanol de milho fortalece a resiliência das usinas, amplia o suprimento doméstico e reduz impactos ambientais, posicionando o Brasil como protagonista global em bioenergia. “O etanol de milho representa um caminho sólido para integrar competitividade, sustentabilidade e independência energética ao agronegócio brasileiro”, conclui Jordy.

    Com crescimento acelerado, margens atrativas e impacto positivo na transição energética, o etanol de milho consolida-se como peça-chave na nova matriz energética do Brasil, impulsionando investimentos e inovação no campo.

     

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