Tag: biologia

  • Cientista brasileiro recebe prêmio inédito para o Brasil

    Cientista brasileiro recebe prêmio inédito para o Brasil

    O cientista brasileiro Adalberto Luis Val será o primeiro brasileiro a receber a Medalha Le Cren, uma das principais honrarias da biologia aquática mundial. A Fisheries Society of the British Isles (FSBI) entregará o prêmio em 30 de julho, em Southampton, na Inglaterra.

    Referência internacional na fisiologia de peixes amazônicos, Val conquistou a premiação pelo conjunto de pesquisas voltadas à adaptação de espécies da Amazônia a condições ambientais extremas. A escolha marca um feito histórico: pela primeira vez, a FSBI concede a medalha a um pesquisador fora do eixo anglófono.

    Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) há mais de 40 anos, Adalberto Val lidera estudos sobre como fatores como aumento da temperatura, baixa concentração de oxigênio e acidez da água afetam a sobrevivência dos peixes amazônicos. As pesquisas indicam que diversas espécies já vivem próximas do limite térmico, o que amplia os riscos diante das mudanças climáticas.

    “O reconhecimento reforça a importância de compreender como a vida responde aos limites ambientais. Os peixes amazônicos ajudam a revelar não apenas a história evolutiva da região, mas também os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade e as populações humanas”, afirma o pesquisador.

    Além dos impactos ecológicos, Val alerta para efeitos diretos na segurança alimentar. Segundo ele, o aumento das temperaturas pode reduzir a disponibilidade de peixes, base alimentar de milhões de pessoas na Amazônia. Eventos extremos, como secas prolongadas, também favorecem incêndios florestais e agravam os danos aos ecossistemas aquáticos.

    Carreira

    Com mais de 280 artigos científicos publicados, 22 livros e 78 capítulos, Adalberto Luis Val acumula mais de 10 mil citações acadêmicas. Ao longo da carreira, recebeu prêmios como o Fundação Bunge, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e o Award of Excellence da American Fisheries Society.

    O pesquisador também ocupou cargos estratégicos na ciência brasileira, como a direção do INPA entre 2006 e 2014 e a Diretoria de Relações Internacionais da CAPES entre 2015 e 2016. Atualmente, exerce a vice-presidência regional Norte da Academia Brasileira de Ciências.

    Criada em homenagem ao biólogo E. David Le Cren, a medalha reconhece contribuições científicas de longo impacto para o avanço do conhecimento sobre peixes e ciência pesqueira. A FSBI reúne especialistas dedicados ao estudo da biologia aquática e da sustentabilidade dos recursos pesqueiros.

  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Como a jiboia mata suas presas sem veneno?

    Como a jiboia mata suas presas sem veneno?

    A jiboia é uma das serpentes mais conhecidas da natureza, principalmente pela forma como captura e mata suas presas.

    Mesmo sem veneno, ela desenvolveu uma técnica extremamente eficiente, conhecida como “abraço mortal”, que garante sua sobrevivência no ambiente selvagem.

    Foto: Reprodução/Admilson Santos

    Como funciona o “abraço mortal”

    Diferente de outras cobras, a jiboia não injeta veneno.
    Após capturar a presa com uma mordida, ela se enrola rapidamente ao redor do animal e começa a apertar com força. Esse movimento interrompe a circulação sanguínea, impedindo que o oxigênio chegue aos órgãos vitais.

    Com isso, a vítima perde a consciência em pouco tempo. Estudos indicam que o processo não ocorre apenas por sufocamento, mas principalmente pela falha no sistema circulatório, o que torna a técnica ainda mais eficaz.

    Serpente não é venenosa, mas é letal

    Apesar da fama, a jiboia não possui veneno.

    Ainda assim, ela consegue matar com eficiência graças à força muscular e à técnica de constrição. Esse comportamento é comum entre serpentes da mesma família, que utilizam o corpo como principal ferramenta de caça.

    Depois de imobilizar a presa, a jiboia a engole inteira, começando pela cabeça.

    Alimentação e hábitos

    A dieta da jiboia inclui aves, pequenos mamíferos e até animais maiores, dependendo do tamanho da serpente.

    Ela costuma caçar à noite e utiliza sua camuflagem para surpreender as presas. Além disso, adapta-se facilmente a diferentes ambientes, sendo encontrada em vários biomas da América Latina, inclusive no Brasil.

    Corpo adaptado para grandes presas

    Uma das características mais impressionantes da jiboia é sua capacidade de engolir animais inteiros.

    Isso ocorre porque suas costelas são flexíveis e não estão presas a uma estrutura rígida, permitindo a expansão do corpo durante a alimentação.
    Além disso, enzimas especiais ajudam na digestão, que pode levar dias para ser concluída.

    Mais curiosidades sobre a espécie

    A jiboia pode atingir até cerca de quatro metros de comprimento, embora a maioria seja menor.

    Outro ponto curioso é que a espécie dá à luz filhotes vivos, podendo ter dezenas de crias em um único parto.

    Importância na natureza

    Apesar da aparência intimidadora, a jiboia desempenha papel importante no equilíbrio ambiental.

    Ela ajuda a controlar populações de outros animais e contribui para o funcionamento dos ecossistemas. Assim, mesmo sendo temida, a serpente é essencial para a biodiversidade e para o equilíbrio da cadeia alimentar.

  • Força e técnica feminina garantem bem-estar de tubarões e jacarés

    Força e técnica feminina garantem bem-estar de tubarões e jacarés

    No Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), o manejo de animais como tubarões, jacarés e até uma sucuri de 4 metros está nas mãos de mulheres altamente qualificadas. Elas atuam diariamente nos bastidores do maior aquário do sul do Brasil, garantindo o bem-estar e a segurança das espécies que encantam o público.

    Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    A oceanógrafa Camila Moraes mergulha até três vezes por semana para alimentar tubarões e moreias e cuidar da limpeza dos tanques, tarefa essencial para manter o equilíbrio ambiental dos habitats. O trabalho exige técnica, atenção constante e profundo conhecimento sobre comportamento animal.

    As biólogas Bruna Oliveira e Edilene Brandli também encaram desafios diários. Elas alimentam jacarés, monitoram o peso e avaliam a saúde dos répteis. Edilene ainda se dedica ao tratamento e condicionamento das lontras, reforçando o papel da equipe no cuidado integrado dos animais.

    Entre as mais corajosas, está Julia Molina, responsável pelo manejo da sucuri Celeste, que vive com algumas raias de água doce. Julia realiza a alimentação e limpeza do recinto, um trabalho que exige calma, preparo físico e experiência.

    Manutenção da vida em um áquario

    Nos bastidores, o funcionamento de um aquário com mais de 350 mil litros de água depende da bióloga Bárbara Rodrigues, que opera o Sistema de Suporte à Vida (SSV). O conjunto de equipamentos garante a oxigenação, filtragem e temperatura ideais da água, simulando o ambiente natural dos habitats.

    Julia Molina, bióloga responsável pela alimentação e limpeza do recinto da Celeste. Foto: Oceanic Aquarium/Divulgação

    A equipe técnica do Oceanic Aquarium tem 18 especialistas, e 11 deles são mulheres. A veterinária Juliana Formágio, gerente de Operações Técnicas, lidera o grupo e reforça o compromisso com a igualdade de oportunidades:

    “A igualdade está em ocupar os mesmos espaços. No Oceanic, cada profissional se destaca pelo talento, pelas competências e pelo amor ao que faz, não pelo gênero”, afirma.

    Essas profissionais provam que trabalhar com grandes espécies não é questão de força, mas de preparo, responsabilidade e dedicação à conservação da vida marinha.