Tag: biodiversidade brasileira

  • 3 das melhores frutas do mundo são brasileiras; veja quais

    3 das melhores frutas do mundo são brasileiras; veja quais

    O Brasil voltou a ganhar destaque no cenário internacional graças à qualidade de suas frutas. Desta vez, jabuticaba, açaí e guaraná entraram para a lista das 100 frutas mais bem avaliadas do mundo no ranking do Taste Atlas.

    A plataforma, considerada uma das principais enciclopédias da gastronomia mundial, elaborou o ranking com base nas avaliações de seus usuários. Na atualização publicada em 1º de julho, o Truskawka Kaszubska, uma variedade de morango cultivada na Polônia, conquistou a primeira colocação.

    Jabuticaba lidera a participação brasileira

    A jabuticaba alcançou a 19ª posição, com nota 4,3, e tornou-se a fruta brasileira mais bem colocada na classificação.

    Além do sabor marcante, a fruta chama atenção pelo valor nutricional. Segundo a Embrapa, a polpa concentra minerais importantes, enquanto as sementes fornecem fibras e proteínas. Já a casca reúne antioxidantes e também pode fazer parte da alimentação.

    Outro diferencial aparece na forma de crescimento dos frutos. Em vez de surgirem nos galhos, eles nascem diretamente no tronco da árvore. Esse fenômeno, conhecido como caulifloria, facilita a polinização e a dispersão das sementes.

    Açaí reforça a importância da Amazônia

    O açaí aparece na 40ª posição, com nota 4,1. Originário da Amazônia, o fruto ganhou espaço no mercado internacional por reunir proteínas, fibras, lipídios e minerais. Por isso, muitos especialistas o classificam como um superalimento.

    No Pará, estado responsável por mais de 90% da produção nacional, moradores consomem o açaí tradicionalmente com farinha de mandioca e peixe. Além desse hábito regional, a indústria utiliza o fruto na fabricação de sorvetes, bebidas, geleias e diversos outros produtos.

    Guaraná completa a presença brasileira

    O guaraná ocupa a 79ª posição do ranking, com nota 3,9. Assim como o açaí, ele é nativo da Amazônia e desempenha papel importante na indústria alimentícia.

    Empresas utilizam o pó e o xarope para produzir sucos, enquanto o extrato serve como ingrediente de refrigerantes e bebidas energéticas.

    Além disso, a Embrapa informa que o Brasil é o único produtor comercial de guaraná do mundo. Atualmente, produtores cultivam a espécie principalmente na Bahia, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará e Mato Grosso, abastecendo tanto o mercado interno quanto o exterior.

    Ranking das frutas mais saborosas do mundo

    • 1º – Truskawka Kaszubska (Polônia)
    • 2º – Rodakina Naoussas (Grécia)
    • 3º – Melocotón de Calanda (Espanha)
    • 4º – Mandarini Chiou (Grécia)
    • 5º – Citrinos do Algarve (Portugal)
    • 6º – Uva Saperavi (Itália)
    • 7º – Limão Costa d’Amalfi (Itália)
    • 8º – Maçã Jablka Lackie (Polônia)
    • 9º – Maçã Mila Zagoras Piliou (Grécia)
    • 10º – Laranja Portokalia Maleme Chanion Kritis (Grécia)
    • 19º – Jabuticaba (Brasil)
    • 40º – Açaí (Brasil)
    • 79º – Guaraná (Brasil)
  • Papagaio raro volta a nascer após mais de 100 anos no Nordeste

    Papagaio raro volta a nascer após mais de 100 anos no Nordeste

    Após mais de um século, periquito-cara-suja volta a nascer na Serra da Ibiapaba Nascimento de 43 filhotes no Parque Nacional de Ubajara reacende a esperança para uma das aves mais ameaçadas do Brasil.

    Há histórias que parecem improváveis até para quem trabalha diariamente com conservação ambiental. A do periquito-cara-suja é uma delas.

    A cena pode passar despercebida para quem visita a serra. No entanto, para os especialistas que acompanham o projeto, cada filhote nascido carrega um significado enorme. Afinal, durante décadas, a presença da espécie na região existia apenas nos registros históricos.

    O retorno não aconteceu por acaso. Por trás dele existe um esforço que reúne ciência, monitoramento e persistência.  O projeto de reintrodução é conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Parque Nacional de Ubajara e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), em parceria com a organização não governamental Aquasis.

    Além disso, caixas-ninho foram instaladas para estimular a reprodução em ambiente natural.

    O resultado começou a aparecer de forma silenciosa, como costuma acontecer na natureza.

    Primeiro vieram os sinais de adaptação. Depois, a ocupação dos ninhos. Agora, chegaram os filhotes.

    Ciclo reprodutivo

    Segundo os técnicos envolvidos no projeto, o nascimento das aves mostra que a espécie conseguiu se estabelecer na região e iniciar um ciclo reprodutivo considerado fundamental para a formação de uma população autossustentável.

    A conquista ganha ainda mais relevância quando se observa o passado recente da espécie.

    Por isso, o nascimento dos filhotes tem um peso que vai além da biologia. É como se a serra recuperasse uma peça que faltava em sua própria história.

    Depois de décadas de silêncio, o voo do periquito-cara-suja volta a fazer parte da rotina das matas da Ibiapaba.

    Especialistas destacam que o acompanhamento dos animais continuará sendo fundamental.

    Foto: ICMBio
    Foto: ICMBio

    O monitoramento permanente, a proteção dos habitats e o combate ao tráfico de aves ainda são desafios que exigem atenção constante.

    A diferença é que agora existe um motivo concreto para acreditar.

    Os 43 filhotes que nasceram neste ano representam mais do que uma vitória dos programas de conservação. Eles simbolizam a possibilidade de que uma espécie ameaçada volte, aos poucos, a ocupar o espaço que nunca deveria ter perdido.

    Parque está entre os mais visitados do Brasil.

    Quem percorre suas trilhas costuma se encantar com as cavernas, os mirantes e a vegetação exuberante.

    Agora, há também uma nova razão para olhar com atenção para as copas das árvores.

    Em algum ponto da floresta, uma geração inteira de periquitos-cara-suja começa a escrever um capítulo que parecia impossível há poucos anos.

  • Tarântulas brasileiras raras entram na mira do tráfico por aparência “de joia”

    Tarântulas brasileiras raras entram na mira do tráfico por aparência “de joia”

    As tarântulas do gênero Typhochlaena vivem grande parte da vida escondidas em árvores, porém a aparência exótica dessas aranhas tem despertado o interesse do mercado internacional de animais raros. Com cores metálicas que lembram joias, elas passaram a ser alvo constante de colecionadores e traficantes de animais exóticos.

    Além da beleza incomum, a raridade dessas espécies aumentou ainda mais a procura ilegal. Pesquisas apontam que o comércio internacional de pets exóticos se tornou um dos principais fatores responsáveis pela captura clandestina de espécies raras no Brasil.

    Aranhas que parecem “joias” são alvo de crimes — (Foto: jungledweller / iNaturalist)

    O gênero Typhochlaena possui apenas cinco espécies conhecidas, todas endêmicas do território brasileiro. Além disso, elas apresentam uma distribuição geográfica extremamente limitada. Em estudo publicado na revista científica ZooKeys, pesquisadores descreveram essas aranhas como pequenas caranguejeiras arborícolas com cores marcantes no abdômen e padrões considerados únicos.

    Segundo especialistas, a popularidade dessas aranhas representa um risco significativo para populações naturais já bastante reduzidas.

    Espécie criticamente ameaçada preocupa pesquisadores

    Entre os exemplos mais preocupantes está a Typhochlaena curumim, encontrada em remanescentes da Mata Atlântica do Nordeste brasileiro.

    Inicialmente, a espécie era conhecida apenas por três fêmeas coletadas sob cascas soltas de árvores na Paraíba. Posteriormente, novas expedições científicas localizaram outros exemplares nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte.

    Ainda assim, o conhecimento sobre a distribuição da espécie continua extremamente limitado. Por isso, ela foi classificada como criticamente ameaçada na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção.

    Registro de uma Caranguejeira-Joia-Brasileira (Typhochlaena seladonia) — (Foto: vsmjr / iNaturalist)

    Pesquisadores destacam que espécies com área de ocorrência restrita se tornam mais vulneráveis à coleta ilegal. “A presença de uma espécie no comércio pode afetar populações naturais, especialmente quando se trata de espécies com distribuição limitada que atraem demanda internacional”, alertaram os autores do estudo.

    Além disso, os cientistas reforçaram que muitas espécies são descritas a partir de poucos exemplares encontrados em um único local. Dessa forma, ainda é difícil estimar o tamanho real das populações existentes na natureza.

    Mercado ilegal cresce com facilidade de transporte

    A crescente demanda por tarântulas brasileiras também impulsiona o mercado clandestino internacional. Isso acontece porque esses animais podem ser transportados com facilidade para outros países.

    De acordo com os pesquisadores, as aranhas costumam ser enviadas em pequenas encomendas, muitas vezes sem qualquer identificação. Esse método é conhecido como brown-boxing, estratégia utilizada para despachar discretamente espécies capturadas na natureza até comerciantes estrangeiros.

    Muitos exemplares acabam comercializados na Europa e na América do Norte. “Uma vez fora do país, muitos espécimes brasileiros de tarântulas são vendidos no comércio de animais de estimação”, registrou o estudo científico.

    Outro fator que dificulta o combate ao tráfico é a diferença entre legislações internacionais. No Brasil, a coleta e comercialização dessas espécies são proibidas. Entretanto, alguns países ainda permitem a compra de animais exóticos sem grandes restrições.

    Tráfico de animais movimenta bilhões no mundo

    Segundo dados divulgados, o tráfico de animais silvestres está entre as atividades ilegais mais lucrativas do planeta. Relatórios da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS) indicam que o setor movimenta bilhões de dólares todos os anos e envolve organizações criminosas internacionais.

    Diante do crescimento desse mercado ilegal, pesquisadores buscam ampliar o conhecimento sobre a biologia das tarântulas brasileiras para criar medidas mais eficientes de conservação.

    Uma das propostas defendidas pelos especialistas é incluir o gênero Typhochlaena em acordos internacionais de proteção. Além disso, os cientistas sugerem inserir essas espécies na Lista Vermelha global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), medida que poderia aumentar a atenção das autoridades internacionais para o problema.

  • De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    De vilã à atração: a mudança na relação com as onças

    A expansão agropecuária está colocando em risco a sobrevivência dos grandes felinos selvagens do Brasil. Uma pesquisa pioneira da Unesp mapeou mais de 14 mil observações de nove espécies de felinos para entender como esses predadores estão se adaptando à perda de habitat em biomas como Cerrado, Amazônia e Pantanal.

    O estudo, publicado na revista científica Biological Conservation, revela que onças-pintadas, suçuaranas e jaguatiricas enfrentam paisagens cada vez mais fragmentadas, o que os força a circular próximo de fazendas, estradas e áreas urbanas – situações frequentemente perigosas tanto para os animais quanto para os humanos.

    Desmatamento ameaça habitat de grandes felinos

    Os números são alarmantes. Segundo a ONG Global Witness, apenas nos estados do Pará e Mato Grosso, foram desmatados 27 milhões de hectares do habitat original das onças-pintadas, uma área superior ao território do Reino Unido.

    Vanesa Bejarano Alegre, autora principal do trabalho e doutora pelo Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, explica que grandes carnívoros dependem de extensas áreas preservadas para caçar suas presas naturais, como capivaras e jacarés. Quando esses animais escasseiam devido à destruição ambiental, os felinos invadem propriedades rurais em busca de bezerros e aves domésticas.

    “O resultado são confrontos violentos com cães de guarda e fazendeiros armados”, destaca a pesquisadora.

    Três perfis ecológicos de felinos brasileiros

    O estudo propôs uma classificação inédita para os felinos nacionais, dividindo-os em três categorias conforme sua tolerância a ambientes modificados pelo homem:

    • Generalistas – Adaptam-se bem a áreas antropizadas. Incluem a onça-parda, o jaguarundi e o gato-do-mato-grande (embora este último tenha surpreendido os cientistas ao evitar fazendas).
    • Especialistas flexíveis – Toleram proximidade humana, mas preferem habitats naturais. Neste grupo estão a onça-pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), que evitam estradas mas utilizam paisagens heterogêneas.
    • Especialistas estritos – Altamente dependentes de cobertura florestal densa. Espécies como L. wiedii, L. guttulus e L. tigrinus raramente são vistas em áreas abertas.

    A análise utilizou dados de câmeras automáticas (camera traps) instaladas em diversos biomas brasileiros, cruzados com informações de uso do solo fornecidas pela rede MapBiomas.

    Convivência entre fazendeiros e onças mostra sinais de melhora

    Raíssa Sepulvida Alves, bióloga de campo da Panthera Brasil e coautora do estudo, observa avanços na relação entre produtores rurais e grandes felinos nos últimos 15 anos.

    Foto: Ailton Lara/Instagram

    “Antigamente, qualquer morte de gado era automaticamente atribuída às onças, resultando em retaliação. Hoje, com manuais de boas práticas e técnicas de manejo, a situação melhorou”, afirma.

    Entre as medidas eficazes estão cercas elétricas, recolhimento noturno do gado para currais distantes da mata e proteção reforçada para bezerros. Além disso, o turismo de observação de onças em regiões como Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, tem transformado a percepção local.

    “As pessoas perceberam que as onças valem mais vivas do que mortas. Elas geraram uma nova fonte de renda e deixaram de ser vilãs”, conta Sepulvida.

    Desafios para conservação em um país continental

    Bejarano ressalta que não existe uma solução única para todos os contextos brasileiros. “O Brasil é um continente. Existem inúmeras comunidades com perspectivas diferentes sobre a natureza. Algumas matam por matar, outras não. Esse é o maior desafio na preservação de grandes carnívoros”, analisa.

    O estresse causado por ruídos humanos e a necessidade de forragear em áreas perigosas têm consequências graves. Pesquisas mostram que os felinos apresentam níveis elevados de cortisol e se alimentam de forma apressada nesses ambientes, reduzindo sua expectativa de vida.

    Menos de 5% do Pantanal está protegido

    Um dado preocupante é que menos de 5% do Pantanal está dentro de unidades de conservação formalmente protegidas. A maior parte do bioma consiste em propriedades privadas, o que torna essencial o trabalho de coexistência desenvolvido por organizações como a Panthera.

    O estudo também destaca a importância do compartilhamento de dados científicos. Muitas câmeras instaladas para monitorar outras espécies acabam registrando felinos, e essas informações podem ser reaproveitadas em novas pesquisas.

    Foto: Italo Garcia Alves/ Roceiro Viajante/Redes Sociais

    “Há biomas enormes, como a Amazônia, sofrendo com a falta de dados abertos”, alerta Bejarano, que atualmente trabalha como pós-doutoranda no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    A pesquisa revela lacunas críticas no conhecimento científico sobre felinos brasileiros e oferece subsídios para políticas públicas de conservação adaptadas às necessidades específicas de cada espécie.

  • Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Ibama apreende 268 animais silvestres vítimas de tráfico

    Uma operação de fiscalização realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na última quinzena resultou no resgate de 268 animais silvestres mantidos em cativeiro ilegal no sul da Bahia. A ação expôs uma rede de tráfico de fauna que utilizava documentação falsa para simular a legalidade dos espécimes.

    As multas aplicadas aos infratores somaram mais de R$ 1 milhão, e 28 autos de infração foram lavrados durante a operação. Muitos dos animais resgatados apresentavam sinais graves de desnutrição e maus-tratos, segundo os agentes ambientais responsáveis pela fiscalização.

    Documentação falsa e integração entre estados

    Um dos casos mais emblemáticos da operação envolveu a prisão de um homem flagrado com dois papagaios. Durante a abordagem, o suspeito apresentou nota fiscal fraudulenta na tentativa de comprovar origem legal das aves. A Polícia Federal efetuou a detenção.

    A integração entre equipes do Ibama em diferentes estados permitiu identificar o infrator. Agentes em Minas Gerais já tinham interceptado um lote de anilhas falsas destinado a várias regiões do país, e essa informação se tornou decisiva para desarticular o esquema.

    Criadouros ilegais e irregularidades em criadores amadores

    A fiscalização também mirou criadouros amadores de passeriformes, onde foram encontradas diversas irregularidades. Entre os problemas identificados estavam aves provenientes de outros criadores sem autorização, uso de anilhas falsas e animais sem qualquer identificação. Um forte indício de captura direta na natureza.

    Os agentes ambientais ainda localizaram animais silvestres abatidos ilegalmente, incluindo um caititu e dois tatus, evidenciando a gravidade das infrações ambientais na região.

    Entre os 268 animais apreendidos, destacam-se:

    • 56 jabutis
    • 4 araras
    • 4 papagaios
    • 3 periquitos-verdes
    • 3 periquitos-da-testa-amarela
    • 2 macacos
    • Diversas espécies de aves silvestres, como baianos, coleirinhos, bigodinhos, canários-da-terra e curiós

    Várias aves anilhadas também foram retidas devido a irregularidades nos plantéis de criadores amadores, que não conseguiram comprovar a procedência legal dos animais.

    Condições precárias e impacto na biodiversidade

    Segundo os fiscais que participaram da operação, grande parte dos animais resgatados estava severamente debilitada. Os espécimes apresentavam desnutrição avançada e outros sinais evidentes de maus-tratos, consequência das condições inadequadas do cativeiro ilegal.

     Foto: Divulgação/Ibama/BA

    “O tráfico de fauna silvestre não apenas causa sofrimento aos animais, mas representa uma ameaça direta à biodiversidade brasileira”, alertam os agentes do Ibama. A prática alimenta um mercado negro que movimenta milhões de reais anualmente e contribui para o declínio de populações de espécies nativas.

    Destino dos animais resgatados

    Após os procedimentos de fiscalização, as equipes encaminharam parte dos animais ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Vitória da Conquista, onde eles receberão atendimento veterinário e os cuidados necessários. Os agentes também devolveram imediatamente à natureza os espécimes que apresentavam boas condições de saúde.

    O Ibama reforça que manter animais silvestres sem autorização configura crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/98, sujeito a penas de seis meses a um ano de detenção e a multas que podem alcançar R$ 5 mil por animal apreendido.

  • Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Em celebração ao Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril, a M. Dias Branco reforça seu compromisso com a preservação desse bioma exclusivamente brasileiro por meio de sua parceria com a Associação Caatinga. Em 2024, a colaboração entre a companhia e a organização não governamental gerou avanços significativos na conservação ambiental, incluindo a remoção de 6.870,90 toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) da atmosfera e a manutenção de um estoque de 494.091,99 toneladas de CO₂e na vegetação da Reserva Natural Serra das Almas.

    O projeto está alinhado a compromissos globais de sustentabilidade, como a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as metas estabelecidas pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. A ação também contribui diretamente para o combate à desertificação, a redução do aquecimento global e a conservação da biodiversidade na Caatinga. O bioma é caracterizado por clima semiárido, vegetação adaptada à seca e elevada riqueza ecológica.

    Ampliação da área protegida e impactos ambientais positivos

    Desde o início da parceria com a Associação Caatinga, a M. Dias Branco mais que dobrou a área adotada dentro da Reserva Natural Serra das Almas, que passou de 800 hectares para 1.857 hectares em 2024. Localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), a reserva é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do estado do Ceará e possui papel estratégico na proteção de espécies ameaçadas da fauna e da flora da Caatinga.

    Com o apoio da empresa, foram realizados 96 monitoramentos ambientais na área, cujos dados são repassados regularmente ao IBAMA e ao ICMBio. Desta forma, fortalecendo a gestão da unidade de conservação. Essas ações são conduzidas pela Associação Caatinga. Ela  atua há 26 anos na defesa dos recursos naturais do semiárido nordestino.

    Educação ambiental, reflorestamento e fortalecimento comunitário

    Em 2024, a M. Dias Branco também apoiou iniciativas de educação ambiental e engajamento comunitário, promovidas pela Associação Caatinga. Entre as atividades realizadas, destacam-se a exposição itinerante “Conheça e Conserve a Caatinga”, ações educativas com colaboradores e a realização de palestras e visitas guiadas sobre a importância do bioma.

    Outro destaque foi o monitoramento do plantio de 5 mil mudas de espécies nativas, realizado em 2023 na Fazenda Gameleira — área recentemente incorporada à Reserva Serra das Almas. O resultado foi promissor: a taxa de sobrevivência das mudas atingiu 78%, indicando boas condições de adaptação e crescimento. O projeto ainda teve impacto positivo nas comunidades vizinhas. Todas as sementes foram coletadas localmente e a mão de obra contratada para o plantio veio das comunidades próximas, gerando renda e fortalecendo a economia regional.

    Reconhecimento da importância ecológica da Serra das Almas

    A relevância da Serra das Almas ultrapassa fronteiras. Reconhecida pela Unesco como área-chave para a conservação da Caatinga, a reserva abriga diversas espécies listadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira. Assim, consolidando-se como referência em conservação ambiental no semiárido.

    “Iniciamos a adoção da reserva com 800 hectares. Hoje, somos responsáveis por 1.857 hectares de proteção ativa. Esse esforço simboliza nosso compromisso com a biodiversidade e com a mitigação das mudanças climáticas”, destaca Tiago Timbó, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da M. Dias Branco.

    A Associação Caatinga também celebra os avanços da parceria: “O apoio da M. Dias Branco fortalece nossas ações de conservação e contribui significativamente para o enfrentamento das mudanças climáticas. Estamos construindo juntos um futuro mais sustentável”, afirma a entidade.

    Sustentabilidade como diretriz corporativa

    A atuação da M. Dias Branco na preservação da Caatinga integra a estratégia ESG da companhia e reflete uma postura de responsabilidade ambiental que extrapola a cadeia produtiva da indústria alimentícia. A expectativa é de que os resultados positivos sirvam de incentivo para que outras empresas se juntem ao esforço coletivo de proteção dos biomas brasileiros.

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  • Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Brasil descreve 60 novas espécies de insetos em biomas ameaçados

    Uma colaboração internacional liderada pela Embrapa acaba de descrever 60 novas espécies de psilídeos – insetos conhecidos como “piolhos-de-planta saltadores” – em biomas críticos como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. O estudo foi publicado na revista Zootaxa após mais de uma década de pesquisa. E expõe a riqueza invisível da biodiversidade brasileira. Além de alertar para o risco de espécies desaparecerem antes mesmo de serem catalogadas.

    Os psilídeos (superfamília Psylloidea) são insetos minúsculos, mas com papéis ecológicos gigantescos. Algumas espécies combatem plantas invasoras, como a Melanastera smithi, testada contra a Miconia calvescens no Havaí.

    Elas também são Indicadores ambientais. Como são sensíveis a mudanças, ajudam a monitorar a saúde dos ecossistemas. Enquanto espécies como o Diaphorina citri transmitem doenças a citros, outras podem revolucionar o controle biológico.

    O estudo, que percorreu 15 estados brasileiros entre 2011 e 2021, usou DNA barcoding e análise morfológica para identificar as novas espécies, incluindo 59 do gênero Melanastera e uma de Klyveria. “Cada descoberta é uma peça para entender o quebra-cabeça da biodiversidade”, afirma Dalva Queiroz, pesquisadora da Embrapa Florestas e coautora do trabalho.

    Biomas sob pressão: Amazônia e Cerrado escondem espécies ameaçadas

    A pesquisa coincide com um cenário alarmante:

    • Amazônia: 14% da cobertura florestal já foi perdida.
    • Cerrado: 50% da vegetação nativa foi convertida para agricultura.
    Autores Dalva Queiroz e Daniel Burckhardt em campo. Foto: Divulgação Embrapa

    “Ambientes degradados podem abrigar espécies únicas que sequer conhecemos. Se desaparecerem, perdemos oportunidades científicas e ecológicas irreparáveis”, alerta Daniel Burckhardt, entomólogo do Naturhistorisches Museum Basel (Suíça) e coautor do estudo.

    Da teoria à prática: como as novas espécies impactam a agricultura e a conservação

    Controle de Pragas: Espécies nativas, como o psilídeo da erva-mate (Gyropsylla spegazziniana), exigem manejo preciso para evitar prejuízos. Invasoras, como a Diaphorina citri (transmissora do greening dos citros), são monitoradas com base nos dados do estudo.

    Coleções científicas na USP, UFPR e Embrapa Amazônia Ocidental armazenam espécimes para futuras pesquisas. “O conhecimento sobre essas espécies é vital para desenvolver bioinsumos e proteger cultivos”, explica Queiroz.

    Como são batizadas as novas espécies? histórias por trás dos nomes

    A taxonomia mistura ciência e poesia. A pesquisadora Liliya Š. Serbina, primeira autora do estudo, homenageou familiares e colegas:

    • Melanastera olgae: Em tributo à sua mãe, Olga.
    • Melanastera barretoi: Referência ao professor Marliton Barreto, da Embrapa.
    • Klyveria flaviae: Nomeada em honra à filha da coautora Dalva Queiroz.

    “Nomear espécies é perpetuar legados. Cada uma carrega uma história”, destaca Serbina.

    Desafios e futuro: por que precisamos de mais pesquisas?

    Porém, o estudo é apenas o início. Cientistas calculam que existam mais de mil espécies de psilídeos no Brasil – a maioria ainda desconhecida. O projeto capacitou agentes fitossanitários e estudantes em taxonomia, fortalecendo a defesa agrícola.

    Foto: Divulgação Embrapa

    “Sem investimento contínuo, perderemos espécies que poderiam salvar ecossistemas ou impulsionar a agricultura sustentável”, reforça Burckhardt.

    Como apoiar a conservação?
    • Fortalecer políticas ambientais: Combater desmatamento e invasões em unidades de conservação.
    • Investir em ciência: Ampliar recursos para estudos taxonômicos e monitoramento de biomas.
    • Engajamento público: Divulgar a importância de insetos pouco carismáticos, mas ecologicamente cruciais.

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