Tag: Belém

  • Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais reforça seu protagonismo na agenda da sustentabilidade na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) até 21 de novembro.

    A participação do estado ocorre por meio da loja colaborativa “Brasil BioMarket”, instalada na Green Zone e na Entrepreneurship Zone do Parque Urbano Belém Porto Futuro, que abriga 250 micro e pequenas empresas de 21 estados, com cerca de 750 produtos.

    Entre os destaques mineiros estão castanha de baru, beneficiada e comercializada pela Cooperativa da Agricultura Familiar (Copabase). Também o café do Cerrado Mineiro, o primeiro com Denominação de Origem (DO) do Brasil. As caixas de buriti bordadas da marca coletiva Urucuia Grande Sertão Veredas. E a tradicional cerâmica com moringas, flores e bonecas do Vale do Jequitinhonha; e produtos em fibra de bananeira oriundos do projeto Gente de Fibra.

    O Sebrae Minas, responsável pela organização da participação, reforça o compromisso com o fortalecimento dos pequenos negócios sustentáveis e a valorização dos territórios mineiros. Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, ressalta que a iniciativa demonstra que a inovação pode surgir da tradição, unindo economia, meio ambiente e identidade cultural.

    Rota do Café do Cerrado

    O café do Cerrado Mineiro integra uma rede que alia qualidade, rastreabilidade e turismo sustentável. Como a Rota do Café do Cerrado com 26 experiências ligadas a fazendas e cafeterias. Já o baru, destaque do Noroeste de Minas, tem conquistado certificações internacionais que ampliam mercados e incentivam investimentos na agroindústria local.

    Na área de artesanato, o Vale do Jequitinhonha e o Noroeste mineiro recebem apoio do Sebrae para desenvolver governança, vendas online e design. Consolidando marcas coletivas que protegem os artesãos e fortalecem a identidade regional. A cooperativa Gente de Fibra, em Maria da Fé, destaca-se pela produção de peças sustentáveis em papel machê e fibra de bananeira. Valorizando os saberes locais e a reutilização ambientalmente consciente.

    A iniciativa em Belém une esforços de associações e empresas focadas em sociobioeconomia, tornando Minas Gerais referência nacional em sustentabilidade aplicada à bioeconomia, cultura rural e inovação.

  • Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    Brasil cria plano contra desastres naturais com investimento de R$ 100 milhões do BNDES

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 100 milhões em estudos que fundamentarão um plano nacional para enfrentar desastres naturais no Brasil. A instituição financeira formalizou na sexta-feira (7) um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para desenvolver essa cooperação estratégica.

    A solenidade aconteceu em Belém, no interior do navio Atlântico, atracado no porto da capital paraense. O evento também prestou homenagem ao militar português Pedro Teixeira, figura histórica do período colonial que liderou a primeira expedição fluvial subindo o rio Amazonas e contribuiu decisivamente para estabelecer as fronteiras atuais no norte do país.

    O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, e a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participaram da cerimônia.

    Brasil enfrenta aumento de desastres climáticos

    O navio Atlântico, conhecido informalmente como Gigante da Marinha, servirá como base de operações das Forças Armadas durante a COP30. A embarcação executa tarefas de controle de áreas marítimas e missões humanitárias, incluindo o auxílio a vítimas de desastres naturais.

    O protocolo responde ao crescimento na frequência e intensidade de desastres no país nos últimos anos, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas. Esses eventos ameaçam vidas e causam perdas significativas ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro. As instituições unem esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta.

    “Desastres extremos ocorrem com cada vez mais frequência e intensidade. Desenvolvemos esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas também precisamos nos preparar para a resposta: salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma Mercadante.

    Experiência do Rio Grande do Sul inspira plano nacional

    O presidente do BNDES destacou a atuação da instituição após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. “Recuperamos a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. O estado cresceu mais porque o acesso ao crédito que liberamos impediu que empresas quebrassem e que ocorresse desemprego em massa. Precisamos estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentar desastres naturais”, declarou.

    Foto: Rafael Silva / BNDES

    Mercadante projeta que os estudos subsidiarão a conclusão do plano nacional até outubro de 2025. O documento indicará caminhos para adaptação e reconstrução em situações extremas. “O Estado precisa chegar com ciência e pesquisa. Como responder à urgência e emergência? Quais providências tomar? Como chegar nas regiões afetadas? Além de salvar vidas, o que reconstruir? Comunicação, infraestrutura? Como recuperar melhor? Qual o tamanho do investimento necessário? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”, explicou.

    Cada instituição contribui com sua expertise

    O protocolo valoriza as vocações específicas de cada instituição. A Marinha do Brasil oferece seu conhecimento e experiência como braço operacional do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. O Cemaden, vinculado ao MCTI, contribui com sua experiência no monitoramento de desastres e na modelagem de dados preditivos. O BNDES aporta sua capacidade técnica e financeira para construir soluções emergenciais e viabilizar ações conjuntas.

    As três instituições iniciarão a formação de uma rede que poderá expandir futuramente e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção civil e representantes do setor produtivo.

    O Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, considera que o protocolo reforça o compromisso brasileiro com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, destacou.

    Mudanças climáticas exigem resposta coordenada

    A ministra Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. Segundo ela, as mudanças climáticas já intensificam as chuvas, tornam as enchentes mais frequentes e agravam as ondas de calor, atingindo sobretudo as comunidades vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, completou.

    Regina Célia Alvalá destacou que o Cemaden acumula quase 15 anos de experiência e emite alertas de desastres com bastante antecedência. Para ela, a soma de esforços resultará em ampliação do conhecimento e inovações tecnológicas. “Fazemos parte dessa parceria com muita alegria. Esperamos avançar ainda mais, sempre com o objetivo de salvaguardar vidas e contribuir para que o meio ambiente sofra menos impactos”, disse a diretora do Cemaden.

    O protocolo também busca contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos na Agenda 2030, e reforçar as ações brasileiras como signatário do Marco de Sendai, criado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR).

    Homenagem a Pedro Teixeira Resgata história da soberania amazônica

    A cerimônia homenageou Pedro Teixeira, militar português do período colonial que participou da fundação de Belém, onde viveu e morreu. Suas expedições fluviais contribuíram para a incorporação da Amazônia ao território nacional. O BNDES entregou ao Comando da Marinha uma placa de metal em reconhecimento ao legado do militar.

    O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, participou da homenagem e anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre a história de Pedro Teixeira. “É uma honra muito grande colocar a universidade à disposição do Brasil para desenvolver pesquisas e reflexões sobre esse país”, declarou.

    Pedro Teixeira atuou contra incursões de franceses, ingleses e holandeses na região. Com apoio de índios tupinambás, construiu uma estrada ligando Belém ao Maranhão e abriu caminhos que fortaleceram a ocupação e defesa do território. Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei do senador Beto Faro (PT-PA) que propõe reconhecer o legado de Pedro Teixeira e incluir seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

    A expedição mais memorável conduzida por Teixeira durou mais de dois anos e começou em 1637. Com cerca de 50 grandes canoas, 70 soldados e mais de 1,2 mil indígenas, subiu o Rio Amazonas e o Rio Negro em uma façanha sem precedentes para sua época.

    “No início do século 20, defendiam que a Amazônia é patrimônio da humanidade e que os brasileiros não têm condição de administrá-la. Defendiam a internacionalização da gestão da Amazônia. E nós respondemos: a Amazônia é reconhecidamente brasileira. Muito do fato de ela ser brasileira se deve a Pedro Teixeira”, afirmou Mercadante.

  • Jambu: planta amazônica se transforma em produto de alto valor comercial

    Jambu: planta amazônica se transforma em produto de alto valor comercial

    O jambu desperta sensações únicas em quem o experimenta, seja em pratos típicos como o tacacá ou em novos produtos que exploram suas propriedades. A planta herbácea, cientificamente conhecida como Acmella oleracea, pertence à família Asteraceae e alcança até 40 centímetros de altura. Suas folhas apresentam formato oval com textura levemente áspera, enquanto as flores amarelas formam inflorescências pequenas, popularmente chamadas de “botões de jambu”.

    Foto: Embrapa

    A arquiteta Tatiana Sinimbu decidiu mudar de carreira aos 40 anos para se dedicar ao estudo científico do jambu. A empresa Jambu Sinimbu atua no desenvolvimento de produtos derivados do extrato etanólico da planta e apresenta um portfólio que inclui cachaça de flor de jambu, conserva, molho de pimenta e um estimulante sexual feito com o concentrado da planta. Tatiana aproveitou o momento de aprovação no mestrado em engenharia industrial na Universidade Federal do Pará para desenvolver pesquisas e novos produtos relacionados ao jambu.

    Do prato à pesquisa científica

    Tatiana decidiu envolver a planta amazônica no sexo e, após longas pesquisas, criou o spray “Tremidão da Sinimbu”. Mais de 10 quilos de flores de jambu foram usados em três meses de testes para chegar à fórmula perfeita desse concentrado. Tão concentrada que apenas uma gota é suficiente para fazer efeito. Além do sucesso de vendas, esse produto também rendeu à Tatiana prêmios no Brasil e na Alemanha.

    Segundo a criadora do Tremidão, o extrato, ao ser borrifado nas “partes íntimas”, causa uma série de sensações estimulantes, retarda a ejaculação e promove maior lubrificação natural. A ginecologista e sexóloga Érika Mendonça das Neves, doutoranda na Universidade de São Paulo, explica que o poderoso líquido e seus “choquinhos” são frutos do efeito do espilantol, presente na erva.

    Espilantol: o segredo por trás do formigamento

    A característica de formigamento e leve anestesia se deve à presença de espilantol, um composto bioativo encontrado nas folhas e flores do jambu. A analgesia atrai maior atenção, tanto nos apreciadores das iguarias, que sentem a dormência na boca durante a refeição, como nos pesquisadores. Já se sabe, desde os anos 1950, que os efeitos anestésicos e analgésicos são provocados pela substância espilantol.

    Estudos desenvolvidos nos laboratórios do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, ligado à UFPA e com sede em Belém, confirmam cientificamente os efeitos transmitidos por meio da cultura popular. Investigações mostraram que o espilantol interage com os receptores nervosos para proporcionar alívio temporário da dor, melhorar a circulação e reduzir a inflamação. Análises laboratoriais também descobriram que o composto pode causar efeitos benéficos ao sistema cardiovascular, ajudando a prevenir sintomas de arritmia.

    Cultivo e produção no Pará

    Produtores periurbanos cultivam jambu em pequenas áreas, junto com outras hortaliças, para abastecer a cidade de Belém e os principais centros urbanos da mesorregião do Nordeste Paraense. A produção dessa hortaliça acontece em baixa escala, concentrada no Estado do Pará, onde ocorre também a maior demanda, principalmente durante o Círio de Nazaré.

    A planta prefere climas quentes e úmidos, típicos da região Amazônica, e pode ser cultivada em solos ricos e bem drenados. A produção de jambu durante o ano sofre flutuações. No Norte do país, a demanda por jambu aumenta em períodos de datas comemorativas, elevando o preço para valores entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por maço. Feirantes da região metropolitana de Belém informaram um consumo médio de 15 quilos por dia.

    Para atender o consumo do Círio seriam necessários 5 hectares de canteiros de jambu para ser consumida em apenas um dia. Isso significa geração de renda e emprego para pequenos produtores localizados na zona Bragantina e, principalmente, nos municípios de Santo Antônio do Tauá e Santa Izabel do Pará, com destaque na produção de jambu.

    Múltiplas aplicações e diversificação de produtos

    As culinárias amazonense, amapaense, rondoniense, acriana e paraense utilizam amplamente o jambu, presente em iguarias tradicionais como o tacacá e o pato no tucupi. No Pará, a planta é um ingrediente indispensável na preparação de pratos típicos, como o famoso tacacá, feito tradicionalmente com tucupi, goma de tapioca dissolvida, folhas cozidas de jambu e camarão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empresas de cosméticos têm explorado as propriedades únicas do Jambu, como seu efeito anestésico natural, para criar produtos inovadores. O mercado de cosméticos à base de Jambu está em expansão. Com produtos que prometem benefícios como a redução de linhas de expressão e um efeito lifting natural. O extrato de jambu tem chamado a atenção da classe média com promessa de efeito anti-idade.

    Propriedades medicinais e nutricionais

    A planta apresenta propriedades anestésicas, diuréticas, digestivas, sialagogas, antiasmáticas e antiescorbúticas. Os seus capítulos possuem propriedades odontálgicas e antiescorbúticas. O jambu apresenta teor proteico de 3,08% e se destaca como uma hortaliça hipocalórica e hipolipídica.

    Povos indígenas e ribeirinhos utilizam a planta como analgésico e anestésico no tratamento de aftas, herpes, dores de dente e de garganta. Duas outras propriedades conhecidas dessa planta, a de fungicida e de combate a carrapatos, despertaram o interesse de alguns pesquisadores com o objetivo de desenvolver medicamentos.

    Potencial econômico e bioeconomia amazônica

    Em 2022, o governo estadual lançou o Plano Estadual para Bioeconomia (PlanBio), dando o “caminho das pedras” para transformar a biodiversidade da Amazônia em um sistema econômico sustentável. A iniciativa estabelece dezenas de ações focadas no fortalecimento de cadeias produtivas que valorizam produtos florestais como o jambu, o açaí e a copaíba.

    Para Alfredo Homma, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), usar a ciência para elevar o conhecimento tradicional e o cultivo sustentável é “a única maneira” de impulsionar o crescimento econômico sem abrir mão de metas de conservação.

    Variedades

    A variedade mais conhecida e cultivada é o Jambuaçú, ou Botão-de-ouro, que se diferencia pelas inflorescências pequenas, em formato cônico e de coloração amarela intensa. A Jamburana possui uma inflorescência significativamente maior que a do Jambuaçú. Os produtores cultivam a planta para obter flores secas, que servem como matéria-prima na elaboração da Cachaça de Jambu, além de geleias e conservas.

    Pesquisadores desenvolveram o Jambu Nazaré, conhecido como “Jambu Roxinho”, ao cruzar e selecionar espécimes de jambu com resistência às pragas mais comuns do cultivo, como o carvão e a ferrugem. Essa variedade assemelha-se à Jamburana na sua morfologia, porém possui um halo de cor arroxeada ou avermelhada no ápice da inflorescência.

    A urbanização e a especulação de terras nas áreas próximas de Belém, o surgimento de polos de produção em outros estados e países, o processo de patenteamento para novos produtos no exterior e uso na gastronomia nacional e internacional estão transformando o jambu em uma nova hortaliça dos trópicos.

    Pesquisadores da Embrapa avaliam o potencial de subsistemas hidropônicos para a produção de jambu integrados ao cultivo de tambaqui. Isso tendo em vista a demanda mundial por sistemas agropecuários mais produtivos e sustentáveis. Segundo a Flavor and Extracts Manufactures Association (FEMA), o jambu é um alimento classificado como GRAS (Generally Recognized as Safe), ou seja, seguro para consumo em produtos alimentícios.

    A história do jambu exemplifica como o conhecimento tradicional, aliado à pesquisa científica e ao empreendedorismo, pode transformar um ingrediente regional em um produto de alto valor agregado. E beneficiar produtores locais, valorizando a biodiversidade amazônica.

  • CNA apresenta posicionamento do agro brasileiro para COP 30 em Belém

    CNA apresenta posicionamento do agro brasileiro para COP 30 em Belém

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elaborou o documento “Agropecuária Brasileira na COP 30” para apresentar os compromissos e conquistas do setor durante a Conferência sobre as Mudanças Climáticas. O evento acontecerá entre 10 e 21 de novembro, em Belém. As federações estaduais ratificaram a publicação, que mostra ao mundo as práticas sustentáveis consolidadas no campo brasileiro.

    O material destaca tecnologias como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de áreas degradadas e uso de bioinsumos. Essas práticas comprovam que o Brasil desenvolveu uma das agriculturas mais eficientes e ambientalmente responsáveis do planeta.

    Setor rural contribui para combater mudanças climáticas

    O documento funciona como instrumento estratégico de posicionamento internacional. A CNA reforça que o setor rural integra a solução para enfrentar as mudanças climáticas, contrariando narrativas que associam a agropecuária brasileira apenas a problemas ambientais.

    Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), ressalta a necessidade de desconstruir o mito de que a agropecuária brasileira opera de forma rudimentar.

    “O setor agropecuário representa parte vital na construção das soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Cada vez mais tecnológico e sustentável, o agro sustenta a economia nacional e a preservação ambiental. Pois entende que a qualidade do solo e dos recursos hídricos impacta diretamente a produção”, afirma Meirelles.

    CNA defende acesso facilitado a financiamento climático

    A transição para uma economia de baixo carbono e a adaptação dos sistemas produtivos exigem investimentos de larga escala. O financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, reforçado no Acordo de Paris, representa condição fundamental para fortalecer a resiliência climática e viabilizar ações de mitigação e adaptação.

    A CNA defende maior acesso dos produtores rurais a recursos internacionais, com linhas simplificadas e justas. A entidade propõe que os fundos considerem a realidade dos países em desenvolvimento, garantindo previsibilidade e condições adequadas para a transição sustentável no agro.

    Produção de baixo carbono alinha Brasil a metas globais

    O documento enfatiza a produção com baixa emissão de carbono, alinhada às metas de descarbonização global. A Confederação destaca que o agro brasileiro já reduz emissões de forma efetiva através da adoção de tecnologias inovadoras e da preservação de florestas nativas em propriedades rurais, que sequestram grandes quantidades de carbono.

    Ao demonstrar avanços em métricas concretas, a agropecuária nacional reforça sua legitimidade para acessar mercados internacionais cada vez mais exigentes em sustentabilidade e rastreabilidade.

    Dados contestam narrativas negativas sobre o agro brasileiro

    O presidente da Faesp ressalta a importância de desconstruir narrativas negativas que associam o agro brasileiro ao desmatamento ilegal e à degradação ambiental. O documento da CNA apresenta dados que evidenciam o oposto: produtores rurais brasileiros preservam cerca de 33% do território nacional em áreas de vegetação nativa dentro das propriedades, diferencial único no cenário mundial.

    Essa informação reposiciona a imagem do Brasil nos fóruns internacionais e garante que políticas ambientais não funcionem como barreiras comerciais disfarçadas contra a produção nacional.

    O documento reforça a importância da articulação internacional do agro brasileiro em eventos como a COP 30. Ao unir evidências técnicas, experiências práticas e políticas públicas já implementadas, o setor demonstra capacidade de dialogar com a sociedade e com mercados externos de forma transparente e propositiva.

    A desconstrução de narrativas representa não apenas uma defesa, mas uma estratégia ativa para consolidar o protagonismo do Brasil na agenda global de sustentabilidade. O setor demonstra que o futuro da agropecuária pode ser, simultaneamente, produtivo, inclusivo e ambientalmente responsável.

  • Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Cooperativa fortalece mulheres e cultura amazônica

    Fundada em 2009, a Cooperativa Turiarte nasceu da união de mulheres que transformam sementes, fibras vegetais, escamas de peixe e argila marajoara em peças artesanais únicas. Localizada em comunidades ribeirinhas de Santarém, no oeste do Pará, a cooperativa se tornou um espaço de resistência cultural e inclusão social, garantindo renda e reconhecimento para mulheres amazônicas.

    Com 180 cooperados — sendo 114 mulheres artesãs — a Turiarte atua em 12 comunidades, entre áreas de assentamento e reservas extrativistas. Além do artesanato, a cooperativa apoia iniciativas ligadas à agricultura familiar, piscicultura, meliponicultura e turismo comunitário.

    A viagem até Anã

    O portal Agro em Campo partiu de Alter do Chão ainda pela manhã. A chuva da madrugada havia deixado o céu encoberto e o rio Tapajós revolto, com ondas que batiam no casco do barco a motor e o jogava de um lado para o outro. Durante cerca de duas horas, a embarcação cortou as águas verdes e densas, margeadas pela floresta. Ao entrar no rio Arapiuns, o cenário se transformou: o ritmo do motor se misturou ao canto de pássaros e à calmaria da mata, revelando a entrada na comunidade de Anã.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    De acordo com informações obtidas no site da Prefeitura de Santarém, Anã é composta por 87 famílias, com um total de 342 moradores. A comunidade se organiza em torno do turismo comunitário, hospedarias, trilhas, culinária regional e atividades ligadas ao manejo de peixes e abelhas, que são oferecidas aos visitantes que desejam vivenciar a floresta e suas águas cristalinas de maneira próxima aos moradores.

    Piscicultura e meliponicultura como sustento

    Um dos pilares da comunidade é a piscicultura. O projeto, iniciado em 2000 e reforçado em 2004 pelo grupo Mulheres Sonhadoras em Ação (Musas), envolve 12 famílias. A produção abastece a alimentação local e o turismo, garantindo equilíbrio entre consumo e renda.

    Outra atividade em destaque é a meliponicultura. Vinte e duas famílias chegaram a cuidar de 700 enxames da abelha Canudo, espécie sem ferrão. A seca de 2024 reduziu a produção, mas, em média, chegam a extrair 400 quilos de mel orgânico por ano. O produto é uma das joias da comunidade. “Essa abelha não aceita alimento artificial, só néctar e pólen. É um mel puro e único da Amazônia”, explicou o meliponicultor Aldair José Goudinho Imbiriba, enquanto mostrava os potes dourados aos visitantes.

    Voz feminina no cooperativismo

    Natália Dias Viana, 24 anos, presidente da Turiarte, carrega no discurso a força de quem cresceu vendo a mãe construir o cooperativismo. Nascida na Vila Brasil, às margens do rio Arapiuns, ela foi secretária da cooperativa ainda adolescente e hoje lidera 180 cooperados.

    Natália Dias Viana, presidente da Cooperativa Turiarte – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Trabalhamos com artesanato e turismo, mas também apoiamos indiretamente outros projetos, como a piscicultura, a meliponicultura e a agricultura familiar. Nosso papel é valorizar a cultura e garantir que as mulheres tenham renda e autonomia”, afirmou.

    Ela detalha a gestão descentralizada da Turiarte: cada comunidade tem um coordenador responsável por trazer demandas e compartilhar informações. “O cooperado precisa entender seus direitos e deveres. O artesanato é mais que um produto, é nossa história e nossa cultura. Se não houver comercialização, corremos o risco de perder esse legado”, ressaltou.

    Segundo Natália, a demanda pelo artesanato cresceu com a aproximação da COP 30 e com a participação em feiras internacionais. “Estamos quase sem espaço para novos pedidos. Nosso trabalho é manual, exige tempo e dedicação. Por isso precisamos de estratégias para crescer com qualidade”, destacou.

    Tradição que atravessa gerações

    Entre as mãos que mantêm viva essa herança está a de Ivaneide de Oliveira, a Dona Neide, 47 anos. Sentada em frente a sua casa na comunidade de Urucureá, ela trançava pacientemente a palha do tucumã, transformando-a em cestos e peças que carregam a identidade amazônica.

    Dona Neide realiza o tingimento da palha do tucumã – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a dela. Hoje já ensinei à minha filha. É um trabalho que passa de geração em geração. O artesanato é nossa marca e precisa ser valorizado”, contou.

    O gesto repetido ao longo dos anos, segundo ela, é também uma forma de resistência. “A cooperativa trouxe muitos benefícios para nossas famílias. Além da renda, nos deu independência. Cada peça é mais que um objeto, é a continuidade da nossa cultura”, completou.

    Reconhecimento internacional

    Com apoio do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e da ApexBrasil, a Turiarte avançou no posicionamento digital, participou da Expotextil em Bogotá, na Colômbia, e realizou sua primeira exportação em 2023. O passo reforça a capacidade de o cooperativismo amazônico acessar mercados globais sem abrir mão da preservação cultural e ambiental.

    “Nosso sonho é consolidar as exportações. Já estamos nos preparando com cursos e treinamentos. O mercado internacional é exigente, mas queremos levar a arte da floresta para o mundo”, afirmou Natália.

    Mais que artesanato: desenvolvimento local

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A Turiarte integra artesanato, turismo e inclusão social, ao mesmo tempo em que fortalece políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos Indígenas (PAA Indígena). O modelo mostra como o cooperativismo pode ser solução local para desafios globais, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como igualdade de gênero, trabalho decente e combate às mudanças climáticas.

    “É muito mais do que só o artesanato. Para nós é a nossa história, nossa riqueza, nossa cultura”, concluiu Natália.

  • Projeto converte caroço de açaí em energia renovável

    Projeto converte caroço de açaí em energia renovável

    A Solar Coca-Cola, uma das 15 maiores fabricantes do Sistema Coca-Cola no mundo, está promovendo uma revolução sustentável no Pará ao transformar caroços de açaí, antes descartados como resíduos urbanos, em fonte de energia renovável para suas operações industriais em Belém. Desde o início do projeto, em 2020, a companhia já converteu mais de 10 mil toneladas de caroço de açaí em biomassa, reduzindo significativamente o uso de combustíveis fósseis e madeira nas caldeiras de suas fábricas.

    A iniciativa da Solar Coca-Cola representa um avanço importante para a economia circular na Amazônia. Apenas em 2024, foram recuperados 2,04 milhões de quilos de caroço de açaí, que deixaram de ser descartados em aterros da Região Metropolitana de Belém. O reaproveitamento do caroço como biomassa contribui para a diminuição da poluição, evita o acúmulo de resíduos e oferece uma alternativa sustentável e econômica para a geração de energia industrial.

    Valorização social e econômica

    Além dos benefícios ambientais, o projeto tem forte impacto social. Desde 2021, a Solar Coca-Cola compra o caroço de açaí de fornecedores locais do Pará, gerando renda para centenas de produtores e fortalecendo a economia das comunidades extrativistas. Segundo Luciano de Oliveira Gomes, diretor regional da Solar Coca-Cola, “o projeto impulsiona a economia local, gera empregos e fomenta a renda em diversas comunidades da região”.

    O compromisso da Solar Coca-Cola com práticas ambientais inovadoras foi reconhecido nacionalmente. Em 2023, a empresa recebeu um prêmio de destaque por sua atuação sustentável e pelo fortalecimento da bioeconomia no Pará, setor estratégico para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, conforme destacado por entidades como o Ministério do Meio Ambiente e o Fórum Brasileiro de Bioeconomia.

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