Tag: bebida

  • Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    Consumo de cerveja cai 19% no Brasil e categoria enfrenta crise

    A indústria cervejeira brasileira enfrenta uma transformação que vai muito além dos recentes anúncios de reestruturação. Dados da Worldpanel by Numerator revelam uma mudança estrutural no comportamento do consumidor: a cerveja está perdendo espaço nos finais de semana, seu território tradicional.

    As ocasiões anuais de consumo dentro do lar caíram 19,4% nos 12 meses até junho de 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando 167,7 milhões de ocasiões. O recuo concentra-se nos finais de semana (sexta a domingo), que registraram queda de 25,4%. Em contraste, os dias de semana (segunda a quinta) cresceram 6,2% em participação nas ocasiões.

    “O setor enfrenta um ajuste que não é apenas financeiro. Estamos vendo uma redefinição do papel da cerveja na rotina do brasileiro. O desafio deixou de ser apenas volume. Passou a ser relevância”, afirma David Fiss, Diretor Sênior de Novos Negócios da Worldpanel by Numerator no Brasil.

    Brasileiro troca momento social por consumo solitário

    O consumo individual saltou de 13,6% das ocasiões em 2024 para 22,4% em 2025, um crescimento de 64%. A cerveja deixa de ocupar predominantemente momentos compartilhados com amigos e passa a fazer parte de experiências pessoais.

    Nos finais de semana, ocasiões compartilhadas ainda predominam (77%), mas registram queda relevante de 9,3 pontos percentuais versus o ano anterior. Durante a semana, 80% das ocasiões ainda envolvem outras pessoas, porém também com redução de 7,4 pontos percentuais.

    O número de usuários semanais caiu 24,1%. Hoje, apenas 4,5% dos consumidores bebem cerveja ao menos uma vez por semana. Um sinal claro de que a categoria perde seus consumidores mais frequentes.

    “A categoria nasceu social. Quando o consumo se individualiza, o modelo inteiro precisa ser revisto da embalagem à comunicação”, completa Fiss.

    Consumo em casa resiste, mas volume por ocasião diminui

    O consumo fora do lar sofre pressão mais forte, especialmente em restaurantes e com vendedores ambulantes. Já o consumo doméstico mantém-se relativamente estável, mas com reconfiguração interna: marcas e segmentos de menor custo ganham espaço, enquanto o Premium e o consumo médio apresentam retração em unidades.

    O cenário macroeconômico e fatores climáticos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, também influenciam negativamente o desempenho da categoria.

    Outras bebidas avançam e tomam espaço da cerveja

    A disputa por ocasiões de consumo, o chamado “share of throat”, intensifica-se. Refrigerantes, sucos, vinhos e energéticos avançam em diferentes faixas etárias, enquanto a cerveja registra variações negativas em praticamente todos os grupos geracionais.

    Nos churrascos, tradicionalmente dominados pela cerveja, a bebida e os refrigerantes perdem participação para vinho, outras bebidas alcoólicas e sucos.

    “O consumidor continua buscando prazer, mas com mais controle e menos frequência. É um prazer racionalizado”, destaca Fiss.

    Gerações respondem de forma diferente

    A Geração Z consome menos cerveja do que as gerações anteriores e divide preferência com outras bebidas. A Geração X, hoje o maior grupo consumidor, começa a desacelerar, influenciada por maior preocupação com saúde e moderação. Entre os Millennials, cresce o consumo individual e fora dos grandes rituais sociais.

    “O que vemos é uma transição silenciosa: a cerveja deixa de ser um hábito automático e passa a ser uma escolha contextual”, analisa David Fiss.

    Semana e futebol aparecem como oportunidades

    O crescimento das ocasiões durante a semana, especialmente às quartas-feiras, tradicional dia de transmissões de futebol, abre oportunidade estratégica para a categoria. A Copa do Mundo de 2026 surge como potencial momento de alavancagem.

    Ao mesmo tempo, a retração do fim de semana exige estratégias promocionais direcionadas e reposicionamento de portfólio para recuperar território perdido.

    “Os recentes anúncios de reestruturação na indústria sinalizam ajustes financeiros importantes. Mas os dados de consumo mostram algo mais profundo: a categoria está passando por uma redefinição de papel. O desafio agora não é apenas vender mais litros, mas reconstruir relevância na rotina e na cultura do consumidor”, alerta David Fiss.

  • Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    O sonho de uma vida tranquila em meio à natureza levou uma família de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a criar uma bebida inédita no país: o Gin Puhuk, primeiro destilado brasileiro elaborado com mel de abelhas nativas sem ferrão.

    Tudo começou quando Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza compraram uma propriedade nas montanhas de Nova Lima para desfrutar a aposentadoria. A rotina pacata ganhou novo rumo após o filho, Lucas, convidá-los para um curso de produção de cerveja. O que era um passatempo acabou virando negócio: a família abriu uma microcervejaria e, depois, uma destilaria artesanal.

    Durante a pandemia de Covid-19, o projeto ganhou uma nova líder: Fernanda Godinho de Souza, filha do casal, que se formou como Master Distiller e decidiu criar um gin com identidade brasileira. “O gin me encanta pela relação com os botânicos e com a natureza. O mel trouxe uma doçura natural e uma assinatura única para a bebida”, conta Fernanda.

    Identidade e sabor brasileiro

    O gin é uma bebida destilada de base neutra aromatizada com botânicos como ervas, frutas e raízes. No Gin Puhuk, o zimbro mantém o toque tradicional, mas o diferencial está no mel produzido no próprio meliponário da família.

    Na linha Old Tom, Fernanda utiliza mel da abelha Jataí, apreciada pelas propriedades medicinais, e da Uruçu-Amarela, uma das maiores produtoras entre as espécies nativas. “Hoje temos 11 espécies em nosso meliponário. Elas garantem sabor, autenticidade e sustentabilidade ao produto”, explica.

    O nome “Puhuk” também reforça essa conexão com a natureza: significa “abelha” na língua indígena Machacali, de Minas Gerais.

    Produção local e apoio técnico

    O Gin Puhuk faz parte de um arranjo produtivo local com apoio da Emater-MG. A destilaria compra a maior parte dos botânicos de agricultores familiares da região, fortalecendo a economia local. Apenas o zimbro é importado.

    A extensionista da Emater-MG Adriene Patrícia Lemos destaca o papel da instituição no apoio às agroindústrias artesanais. “Acompanha-se desde a capacitação até a regularização dos empreendimentos. Nosso foco é garantir boas práticas e qualidade no processo produtivo”, afirma.

    Atualmente, o Gin Puhuk é vendido em feiras organizadas pela Emater-MG, em bares de Nova Lima e Belo Horizonte, e também pela internet. A cada garrafa, a família mineira reforça o compromisso com a inovação, o território e a biodiversidade.

  • Madeiras: como escolher a melhor opção para envelhecer sua cachaça

    Madeiras: como escolher a melhor opção para envelhecer sua cachaça

    A cachaça é um destilado típico do Brasil e surgiu por volta de 1520, em Pernambuco. A bebida hoje passa por envelhecimento, mas essa prática não ocorria no início da produção. A técnica surgiu por acaso na corrida do ouro em Minas Gerais, quando barris de madeira transformaram cor e sabor da aguardente transportada. Confira as orientações divulgadas pela Esalq/USP.

    Envelhecimento melhora aroma, sabor e equilíbrio químico

    O processo de envelhecimento aprimora a qualidade química e sensorial da cachaça. Produtores armazenam o destilado em barris por tempo adequado, permitindo reações que suavizam o álcool das bebidas recém-destiladas. O período necessário varia conforme a madeira usada no processo.

    Compostos voláteis definem aromas e sabores da cachaça

    Os congêneres voláteis atuam na mudança do aroma e sabor e variam conforme a madeira do barril. Cada espécie altera a composição química da bebida e impacta acidez volátil, teor alcoólico e extrato seco. Esses elementos influenciam diretamente a percepção do consumidor.

    Carvalho lidera o envelhecimento, mas há mais de 30 madeiras

    O carvalho se tornou a madeira mais comum no envelhecimento da cachaça, mas existem mais de 30 opções disponíveis. Cada uma entrega cores, aromas e sabores específicos. Amburana, jequitibá-rosa, amendoim, bálsamo, ipê, freijó e castanheira estão entre as espécies mais usadas. Essa diversidade cria perfis únicos para o destilado.

    Carvalho americano e europeu dominam a fabricação de barris

    As espécies do gênero Quercus lideram o envelhecimento de bebidas alcoólicas em todo o mundo. O carvalho americano (Quercus alba) e os europeus Quercus petraea e Quercus robur são os mais utilizados na produção de barris. Cada tipo entrega características sensoriais distintas ao produto final.

    Carvalho americano oferece suavidade e notas doces

    Cachaças armazenadas no carvalho americano ganham coloração dourada e aromas de baunilha e coco. O sabor se torna mais suave e apresenta buquê complexo.

    Carvalho europeu entrega intensidade e notas tostadas

    O carvalho europeu produz cachaças de cor âmbar, com aromas intensos e sabores marcantes. O destilado apresenta notas de amêndoas, castanhas, madeira tostada e taninos.

    Amburana destaca doçura e aromas fortes

    A amburana (Amburana cearensis) ocorre do Ceará ao norte da Argentina e tem densidade moderada. A madeira é comum na marcenaria do Nordeste. A cachaça envelhecida em amburana ganha cor intensa, sabor adocicado e buquê marcante, com notas frutadas e especiarias.

    Jequitibá-rosa entrega leveza e equilíbrio aromático

    O jequitibá-rosa (Cariniana legalis) é nativo do Brasil e possui tonalidade bege-rosada. A madeira é durável e usada em diversas aplicações. No envelhecimento, ela dá à cachaça cor dourada e buquê suave, semelhante ao carvalho americano.

    Bálsamo intensifica aromas herbais e toque apimentado

    O bálsamo (Myrocarpus frondosus) é resistente e comum na fabricação de móveis. No sul da Bahia, ele compõe receitas tradicionais de cachaça. Barris de bálsamo adicionam cor amarelo-esverdeada, aroma herbal marcante e sabor levemente apimentado.

    Normas garantem segurança e qualidade da cachaça

    A cachaça deve seguir a Normativa nº 13, de 29 de junho de 2005. O regulamento exige teor alcoólico entre 38% e 48% e acidez volátil máxima de 150 mg/100 mL. A bebida também deve conter mínima concentração de álcoois superiores e teor máximo de cobre de 5 mg/L.

    Escolha da madeira define personalidade da bebida

    A madeira usada no envelhecimento define cor, aroma e sabor da cachaça. Embora o carvalho seja o mais conhecido, outras espécies entregam perfis sensoriais distintos. A escolha deve considerar o resultado desejado e a disponibilidade da madeira mais adequada para a produção.

  • Loucura – morango do amor vira bebida

    Loucura – morango do amor vira bebida

    A destilaria brasileira Weber Haus lançou um licor exclusivo inspirado na febre das redes sociais: o Licor Morango do Amor. A bebida exclusiva traz o sabor marcante do morango fresco, combinado com rum e um toque de caramelo, reinterpretando a famosa sobremesa viral. A novidade entra em edição limitada e promete agradar paladares com uma combinação doce, cremosa e crocante.

    O Licor Morango do Amor é ideal para ser servido puro e gelado, além de ser a base perfeita para coquetéis criativos. A inspiração veio do doce que conquistou milhões nas plataformas TikTok, Instagram e YouTube, com camadas de morango fresco envolto em brigadeiro branco e finalizado com uma calda crocante vermelha.

    Licor Morango do Amor Weber Haus . Foto: Divulgação

    “O licor representa nossa habilidade em transformar tendências digitais em produtos com alma brasileira”, explica Evandro Weber, CEO da destilaria. Segundo ele, o resultado é um produto com identidade, afetivo e saboroso, perfeito para momentos especiais.

    Febre

    O morango do amor domina as redes sociais e esquenta o mercado, beneficiando produtores e pontos de venda. Enquanto a fruta desaparece rapidamente das prateleiras, a oferta ainda não consegue acompanhar a demanda crescente. Confeiteiros aproveitam o momento para lucrar com a alta procura pelos doces. Lojas enfrentam filas e muitos consumidores aguardam ansiosos para garantir seus pedidos, que batem recordes de encomendas.

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    No Brasil, a produção de morangos concentra-se principalmente em regiões específicas. Minas Gerais e São Paulo somam 66% da produção nacional. Quatro estados — Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina — respondem por cerca de 80% da fruta produzida no país.

    O Sul de Minas destaca-se como o maior polo produtor de morango. A região responde por aproximadamente 90% da produção mineira, sendo Pouso Alegre responsável por 87,5% da safra estadual. Para 2024, a previsão é que o Sul de Minas atinja 173 mil toneladas.

    O cultivo do morangueiro cresce no Brasil e representa uma importante alternativa de renda para a agricultura familiar, apesar da produção ser dispersa em pequenas propriedades. A colheita ocorre entre 50 e 100 dias após o plantio. Além disso, o cultivo atrai jovens para a agricultura, estimulando a sucessão rural em diversas regiões do país.

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  • Cachaça brasileira: 300 anos de história e tradição em números

    Cachaça brasileira: 300 anos de história e tradição em números

    A cachaça, bebida símbolo do Brasil, movimenta uma produção bilionária e reforça sua importância cultural e econômica no país. Com mais de 300 anos de história, o destilado de cana-de-açúcar, com teor alcoólico entre 38% e 48%, é protagonista da tradicional caipirinha e sustenta uma cadeia produtiva que gera milhares de empregos.

    O Brasil produz cerca de 1,4 bilhão de litros de cachaça anualmente, segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça. Embora o consumo interno seja predominante, apenas 1% da produção é exportada, mostrando um grande potencial para expansão no mercado externo.

    O setor é composto majoritariamente por pequenos produtores familiares. Dos 40 mil produtores no país, 98% são de pequeno porte, evidenciando o caráter artesanal da bebida. Atualmente, existem cerca de quatro mil marcas brasileiras, que juntas geram aproximadamente 600 mil empregos diretos e indiretos.

    Maior produtor nacional é Minas Gerais

    Minas Gerais lidera a produção nacional e destaca-se pela qualidade e tradição na fabricação da cachaça. O estado concentra 501 das 1.266 cachaçarias registradas no Brasil, o que representa 39,6% do total. Minas também responde por 34,5% dos rótulos registrados no país, com 2.492 marcas.

    Entre os dias 7 e 9 de agosto de 2025, Belo Horizonte sediará a 34ª edição da Expocachaça, o maior evento mundial dedicado à cachaça de alambique. A feira, que combina negócios e festival aberto ao público, reunirá cerca de 250 expositores e mais de 2.000 marcas de 18 estados brasileiros. O evento já gerou cerca de R$ 500 milhões em negócios ao longo de suas edições.

    A produção nacional declarada em 2024 atingiu 292,46 milhões de litros, um crescimento de 29,6% em relação a 2023. A região Sudeste lidera com 59% desse volume. Apesar da retração nas exportações em 2024, que somaram US$ 14,54 milhões, o mercado interno permanece forte, gerando mais de 6.300 empregos diretos mensais.

    O processo artesanal da cachaça envolve etapas tradicionais:

    • Colheita e moagem da cana para extrair o caldo doce, chamado garapa.
    • Fermentação natural do caldo em dornas, onde leveduras transformam o açúcar em álcool.
    • Destilação em alambiques de cobre, separando as frações para aproveitar apenas o “coração” do destilado.
    • Envelhecimento em barris de madeiras nobres, como carvalho e madeiras brasileiras, que conferem sabor e aroma únicos.
    • Engarrafamento e padronização para comercialização.

    A cachaça é uma bebida que reflete a história, cultura e economia do Brasil, consolidando-se como um produto artesanal de excelência e um importante vetor de desenvolvimento regional, especialmente em Minas Gerais.

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  • BRS Sertão Forte: maracujá-da-caatinga vira espumante gourmet

    BRS Sertão Forte: maracujá-da-caatinga vira espumante gourmet

    Pesquisadores da Embrapa transformaram o humilde maracujá-da-caatinga (Passiflora cincinnata), fruto nativo do bioma brasileiro, em uma sofisticada bebida gaseificada que rivaliza com vinhos espumantes de qualidade. A inovação, desenvolvida em parceria entre a Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Semiárido, abre novas perspectivas para a agricultura familiar e a valorização da biodiversidade nordestina.

    “Estamos diante de uma joia da caatinga que pode gerar renda e desenvolvimento regional”, afirma Aline Biasoto, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente. O maracujá-da-caatinga, resistente à seca e com ciclo de produção na entressafra do maracujá comum. Ele sempre foi subutilizado comercialmente, restrito a produtos como geleias e licores. Agora, ganha status de matéria-prima premium para uma bebida fermentada de alto valor agregado.

    O processo de produção segue rigorosamente o método tradicional dos melhores espumantes, com dupla fermentação que garante as características bolhas naturais. “Utilizamos a mesma técnica do Champagne, adaptando-a às particularidades do nosso fruto”, explica Biasoto. Durante os testes, os pesquisadores experimentaram diferentes formulações, incluindo a técnica de autólise – onde a bebida permanece em contato com as leveduras por meses para aprimorar aroma e sabor.

    Quase 10 anos de pesquisa

    A base para essa inovação é a cultivar BRS Sertão Forte, desenvolvida pela Embrapa em 2016 especificamente para produção comercial. “Esta variedade representa um salto tecnológico”, destaca Saulo Aidar, pesquisador da Embrapa Semiárido. “Além da tolerância à seca, ela oferece frutos maiores, produtividade elevada e flores que abrem às 5h da manhã, facilitando a polinização.”

    Maracujá da Caatinga -
    Pesquisa da Embrapa em parceria com a Universidade Federal da Paraíba revela potencial da fruta silvestre para produção de fermentado inovador e de alto valor agregado. Foto: Claudio Bezerra Melo

    Os resultados impressionaram: o fermentado atendeu todos os padrões de qualidade do Ministério da Agricultura e foi bem recebido por consumidores habituados a bons espumantes. Mas o impacto vai além da gastronomia. A valorização do maracujá-da-caatinga pode transformar a realidade de comunidades do Semiárido, onde cooperativas de agricultura familiar já trabalham com o fruto.

    “Estamos criando uma cadeia produtiva sustentável”, comenta Biasoto. “Ao mesmo tempo que gera renda, o cultivo organizado ajuda a preservar o bioma.” O próximo desafio é escalonar a produção para viabilizar a entrada no mercado de bebidas especiais, onde a combinação de tradição, inovação e sustentabilidade pode se tornar um diferencial competitivo.

    Enquanto os testes industriais avançam, o maracujá-da-caatinga já mostra seu potencial para deixar de ser um recurso subutilizado e se tornar protagonista de uma nova economia no Nordeste, provando que a riqueza da caatinga pode, literalmente, espumar de oportunidades.

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  • Brasil ultrapassa 1,2 mil cachaçarias registradas e impulsiona exportações

    Brasil ultrapassa 1,2 mil cachaçarias registradas e impulsiona exportações

    O Brasil alcançou a marca de 1.217 cachaçarias registradas em 2023, segundo o Anuário da Cachaça 2024, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a ANPAQ e a GS1 Brasil. Este levantamento é crucial para a disseminação de dados do setor e para fomentar discussões relevantes.

    Em 2023, o setor registrou um crescimento de 7,8% no número de cachaçarias, comparado ao ano anterior. Minas Gerais lidera com 504 estabelecimentos, representando 41,4% do total nacional, e registrou um aumento de 7,7%, com 36 novas cachaçarias. É a primeira vez que um estado brasileiro ultrapassa a marca de 500 cachaçarias registradas.

    São Paulo e Paraná também se destacaram, com 11 e 10 novas cachaçarias, respectivamente, registrando crescimentos de 7,0% e 37,0%. No geral, a região Sudeste concentra a maior parte das cachaçarias do Brasil, com 819 estabelecimentos, correspondendo a 67,3% do total.

    O registro das cachaçarias, coordenado pelo Mapa, é essencial para a legalização dos estabelecimentos, considerando sua capacidade técnica e condições higiênico-sanitárias. O processo é gratuito e realizado através do Portal Único gov.br, utilizando o Sipeagro.

    Crescimento na produção e nas exportações

    Após obter o registro de estabelecimento, as cachaçarias precisam registrar seus produtos. Em 2023, o número de produtos registrados cresceu 18,5%, totalizando 5.998. Minas Gerais novamente se destaca com 2.144 produtos, o equivalente a 35,7% do total nacional. Sergipe possui a média mais alta, com 16 produtos por estabelecimento, enquanto a média nacional é de 4,9.

    As exportações de cachaça também cresceram em 2023, atingindo US$ 20.242.453, um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior. O preço médio da cachaça exportada subiu 9,3%, de 2,15 US$/L em 2022 para 2,35 US$/L em 2023. Os Estados Unidos permanecem como o maior mercado de exportação, representando quase 23% das vendas externas, com um total de US$ 4.653.002. A Europa, com sete países entre os 10 principais compradores, é responsável por 50,1% das exportações, totalizando US$ 10.142.990. Atualmente, a cachaça brasileira é exportada para todos os continentes.

    Impacto na geração de empregos

    O setor de cachaça tem sido fundamental para a economia brasileira, especialmente na geração de empregos diretos e indiretos. Em 2023, a fabricação de bebidas gerou 134.678 empregos diretos, um aumento de 3,35% em relação a 2022, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. A fabricação de aguardente de cana-de-açúcar representa 4,7% desse total, correspondendo a 6.371 empregos.

    A região Sudeste lidera com 3.062 empregos na fabricação de aguardente, representando 48% do total. O Nordeste, a segunda região em estoque de empregos, apresentou o maior aumento absoluto, com 87 novas posições, totalizando 2.444 empregos e um crescimento de 3,69%.

     

     

  • Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    O uso do lúpulo está intimamente ligado à indústria cervejeira, na qual é utilizado para conferir amargor e aroma às diferentes tipos de cervejas.

    Os compostos importantes do lúpulo são encontrados nas inflorescências de plantas femininas, chamadas de cones.

    Nesses cones são produzidas resinas peculiares ao lúpulo, que não são encontradas em nenhuma outra espécie de plantas.

    As resinas são produzidas em glândulas de lupulina presentes nos tricomas das brácteas das inflorescências.

    Inflorescências de plantas femininas possuem grande quantidade de lupulina, enquanto plantas masculinas também possuem glândulas de lupulina, mas em pequena quantidade. Por esse motivo, em plantios comerciais são utilizadas somente plantas femininas.

    A história do lúpulo no Brasil remonta à década de 1950, quando o austríaco Roland Hoblik começou a cultivar e vender cones para as cervejarias da época no município de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha.

    A área plantada de lúpulo no Brasil é relativamente pequena, com apenas cerca de 20 hectares distribuídos em sete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

    A maioria das variedades plantadas são de origem americana e alemã, como a ‘Cascade’, ‘Centennial’, ‘Fuggle’, ‘Magnum’, ‘Hallertau’, ‘Northern Brewer’ e ‘Nugget’, todas registradas no Ministério da Agricultura.

    Embora a cultura do lúpulo esteja em crescimento no Brasil, a dependência de importações permanece um desafio para o setor.

    Conheça mais sobre a cultura do lúpulo em estudo produzido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) – Clique aqui