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    Batata-doce pode virar nova fonte de etanol após acordo com agroindústria

    O estado de São Paulo firmou uma parceria estratégica para transformar a batata-doce em uma nova fonte de energia renovável. O acordo, anunciado durante a Batatec 2026, em Presidente Prudente, reúne a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Instituto Agronômico (IAC-Apta) e a Agropecuária Vista Alegre, do Grupo Better Beef.

    A iniciativa foca no desenvolvimento de cultivares industriais de batata-doce voltadas à produção de etanol e biometano. O projeto conecta pesquisa científica e demanda da agroindústria para acelerar a adoção da cultura como alternativa energética.

    Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a parceria reduz a distância entre inovação e campo. “O IAC domina o conhecimento técnico, enquanto o setor produtivo conhece as demandas reais. Essa integração viabiliza a batata-doce como fonte competitiva de bioenergia”, afirma.

    Pesquisa mira alto rendimento e uso industrial

    O IAC já desenvolve cultivares com foco em produtividade, resistência a doenças e adaptação regional. Com o novo acordo, os pesquisadores passam a priorizar características industriais, como maior teor de matéria seca e amido, além de maior eficiência na produção de etanol.

    Os estudos também incluem o aproveitamento integral da biomassa, com uso de resíduos para geração de biogás e biometano. A estratégia amplia o papel da batata-doce na matriz de energia renovável.

    De acordo com o pesquisador Valdemir Antonio Peressin, a região de Presidente Prudente oferece condições ideais para os testes. “Vamos avaliar os materiais diretamente no ambiente de produção, o que acelera a validação para uso industrial”, explica.

    Entre os materiais em avaliação estão a cultivar IAC Santa Elisa e os clones IAC 737 e IAC 708, que apresentam alto potencial para biocombustíveis.

    Nova renda para produtores

    A parceria também abre espaço para agregar valor à cadeia produtiva da batata-doce. A proposta inclui o uso de raízes fora do padrão comercial, que hoje têm baixo valor de mercado.

    O Governo de SP, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef, formalizaram acordo. Foto: Divulgação

    Segundo o presidente da Agropecuária Vista Alegre, Marcos Antônio Pompei, o modelo aproveita toda a produção. “Isso aumenta a renda do produtor e cria uma nova fonte de matéria-prima para a indústria de biocombustíveis”, destaca.

    Integração com projetos em assentamentos

    O acordo se conecta a outra iniciativa apresentada na Feicorte 2026, que prevê a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais.

    O plano inclui o cultivo de 150 hectares de batata-doce para produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para biomassa. A expectativa é beneficiar até 45 famílias assentadas.

    SP lidera produção nacional

    São Paulo lidera a produção brasileira de batata-doce. Em 2025, o estado colheu 149,5 mil toneladas, com valor de produção de R$ 183,95 milhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta).

    A região de Presidente Prudente concentra o principal polo produtivo, com 81,5 mil toneladas,  o equivalente a 54,5% do total estadual, e cerca de 180 produtores distribuídos em municípios como Álvares Machado, Martinópolis e Presidente Bernardes.