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  • Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) testam novos sistemas de cultivo em consórcio que combinam o baruzeiro, o cafeeiro irrigado e culturas anuais e bianuais de ciclo curto. A iniciativa pode se tornar, em breve, uma alternativa viável para produtores de pequeno e grande porte que buscam diversificar a produção, ampliar a renda e usar de forma mais racional os insumos e a oferta ambiental do bioma.

    Sistema integrado baru com café em linha dupla aos dois anos de campo. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    O baruzeiro é uma árvore nativa do Cerrado brasileiro que produz uma castanha rica em proteínas, fibras e antioxidantes, classificada como superalimento. Apesar da alta demanda nacional e internacional, a espécie ainda não conta com safras previsíveis, já que sua produção depende basicamente da coleta em áreas naturais. Esse cenário reforça a necessidade de sistemas comerciais eficientes de cultivo.

    A cafeicultura irrigada, por outro lado, já é uma atividade consolidada no Cerrado, onde o clima e a altitude favorecem a produção de cafés de alta qualidade e premiados mundialmente.

    Pesquisa combina dois modelos de plantio

    O pesquisador Tadeu Graciolli, criador do Sistema Filho — Fruticultura Integrada com Lavouras e Hortaliças, lançado em 2017, conduz os experimentos há quatro anos. Em uma área de 3.500 m² nos campos da Embrapa Cerrados, a equipe implantou dois sistemas: um de linha dupla (LD) e outro de linha simples (LS), cada um ocupando 45 m x 35 m.

    Nos dois modelos, o espaçamento entre as plantas de baru e de café é o mesmo. A diferença está na disposição: no sistema LS, o baru foi plantado dentro da própria linha do café; no LD, uma linha de baru foi inserida entre cada duas linhas de café. Ao todo, os pesquisadores avaliam dez clones de baru e três variedades de café arábica, com o objetivo de identificar as plantas mais produtivas.

    A equipe plantou as mudas de baruzeiro entre janeiro e fevereiro de 2022 e os cafeeiros entre fevereiro e março do mesmo ano. No sistema LD, a equipe realiza a irrigação por microaspersão e pode mecanizar a colheita.

    Corredores de agricultura geram renda no curto prazo

    As duas linhas vizinhas de cafeeiros do sistema LD formam o que Graciolli chama de “corredores de agricultura”: espaços onde a estrutura física e a irrigação disponível permitem o cultivo de culturas anuais e bianuais, como feijão, abacaxi e mandioca, enquanto o baru e o café ainda estão em desenvolvimento. Essas culturas são colhidas em poucos meses e ajudam a compensar o investimento inicial no plantio das árvores.

    Plantas dos baruzeiros floresceram e produziram frutos quatro anos após o plantio. No meio natural, começam a produzir depois de sete a dez anos. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    “O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo. Isso é para que o pequeno produtor se sinta seguro em entrar na atividade de plantio de baru”, explica Graciolli.

    Baruzeiros floresceram em menos de três anos

    Os pesquisadores colheram a primeira safra de café dos sistemas em maio de 2024, com produtividade média de cerca de 40 sacas por hectare. Em maio de 2025, enquanto se preparavam para colher a terceira safra de café, eles registraram o desenvolvimento acelerado dos baruzeiros: nove plantas floresceram e começaram a produzir frutos pouco mais de quatro anos após o plantio, bem antes dos sete a dez anos que o baru normalmente leva para frutificar em condições naturais. Algumas plantas floresceram com apenas dois anos e dez meses.

    Segundo Graciolli, esse ritmo só é possível graças ao manejo intensivo do ambiente; irrigação, adubação, controle de invasoras e podas. E mesmo que o baruzeiro em si não receba adubação direta. “Ele se aproveita dos nutrientes residuais da adubação do café, do feijão, do abacaxi”, afirma o pesquisador.

    A água do sistema de irrigação também não é destinada diretamente ao baru. “A irrigação é dirigida para o café e as culturas de ciclo curto. O baru entra como um convidado do sistema, aproveitando a água que sobra dessas outras culturas”, explica.

    Consórcio amplia biodiversidade e sustentabilidade econômica

    Para Graciolli, sistemas integrados como esse permitem maior eficiência no uso de água e nutrientes, além de aumentar a biodiversidade dos cultivos e reduzir a incidência de pragas e doenças. “São produzidos diversos produtos numa mesma área, o que traz sustentabilidade econômica. Isso favorece o pequeno produtor rural para que ele consiga viver da exploração agrícola”, destaca.

    Embora a agricultura familiar tenha concebido originalmente os consórcios, o pesquisador ressalta que propriedades maiores também podem adaptá-los.

    Próximos passos incluem nova safra e seleção de variedades

    A terceira safra de café e a próxima, prevista para 2027, ainda serão acompanhadas pela equipe. “Depois da quarta safra, faremos a poda e o rebaixamento das plantas de café. E esperamos que o baru já tenha mais plantas atingindo a idade adulta e entrando em produção”, projeta Graciolli.

    Após cinco anos de implantação, a estratégia passará por nova avaliação, com possível reabertura dos corredores de agricultura para o plantio de culturas como mandioca, quiabo ou abóbora. Paralelamente, os pesquisadores selecionam as plantas de baru mais produtivas e de crescimento mais rápido, com vistas à produção de mudas por enxertia e ao lançamento futuro de variedades superiores da espécie.

    “Em sistemas dessa natureza, espera-se que o investimento financeiro seja amortizado pelas culturas de ciclo mais curto. E assim que os baruzeiros atingirem a fase adulta, se estabilizarem e entrarem em franca produção, se tornem uma cultura agronômica rentável”, projeta o pesquisador.

    Feijão, abacaxi e mandioca reforçam o desempenho do sistema

    Nos experimentos, três cultivares de feijão alcançaram produtividade média de 1,8 a 2,2 toneladas por hectare. Resultado que, segundo Graciolli, poderia ter superado 3 toneladas por hectare não fosse o ataque de veados campeiros às plantações.

    Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    Já os testes com abacaxi mostraram bom desempenho das cultivares Smooth Cayenne (ou Havaí) e Pérola. Os frutos do Smooth Cayenne pesaram entre 1,8 e 2,2 quilos, com boa aparência e sabor. Enquanto os do Pérola variaram de 1,3 a 1,8 quilo, com equilíbrio entre doçura e acidez.

    A mandioca, cultivada em uma área do corredor de agricultura originalmente não destinada ao plantio, teve produção de raízes que evoluiu de 4,5 kg para 7,5 kg por cova entre os 10 e os 16 meses após o plantio. O equivalente a um potencial de sete toneladas por hectare.

    Sistema de linha simples serve como referência de comparação

    No sistema LS, o espaçamento de 4 metros entre as linhas de café e o baru, plantados alternadamente na mesma linha, impede o cultivo de espécies de ciclo curto entre as linhas e inviabiliza a colheita mecanizada. O modelo funciona como tratamento testemunha, permitindo avaliar o impacto da proximidade entre baru e café na produtividade.

    Assim, segundo Graciolli, nas duas primeiras safras, os pés de café mais próximos do baruzeiro registraram queda de produção de até 30%, atribuída à competição por água e nutrientes, e não à disputa por luz solar. No sistema LS, a irrigação por gotejamento é destinada ao café, mas também beneficia o baruzeiro. “Nesse sistema, o produtor pode produzir café gourmet em 1 a 2 hectares. E após cinco anos, ele terá o início de produção dos frutos de baru”, conclui o pesquisador.

  • Agronegócio brasileiro amplia acesso a novos mercados

    Agronegócio brasileiro amplia acesso a novos mercados

    O agronegócio brasileiro segue ampliando suas fronteiras comerciais. O governo federal anunciou novas aberturas de mercado na União Econômica Euroasiática, no Japão e na Nicarágua, consolidando o total de 507 acessos liberados desde o início de 2023, resultado direto das negociações conduzidas entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    Na União Econômica Euroasiática, bloco formado por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, com mais de 183 milhões de habitantes, foi aprovada a exportação da castanha de baru brasileira. O fruto, nativo do Cerrado, é reconhecido pelo potencial nutricional e pelo papel socioeconômico para comunidades locais. Em 2024, o bloco importou US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para soja, carnes e café.

    O Japão, por sua vez, autorizou a entrada de frutas congeladas e desidratadas produzidas no Brasil. A medida abre espaço para produtos de maior valor agregado em um mercado exigente e em expansão no consumo de frutas processadas. Com 124 milhões de habitantes, o país asiático comprou mais de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2024.

    Já a Nicarágua aprovou a importação de arroz beneficiado do Brasil. Com população estimada em 6,9 milhões de habitantes, o país importou US$ 55 milhões em produtos agropecuários brasileiros entre janeiro e novembro de 2025. Um crescimento de 8,5% em comparação a 2024.

    As novas aberturas de mercado reforçam a estratégia brasileira de diversificação de destinos e produtos agropecuários, incluindo itens com valor agregado e maior competitividade internacional.

  • Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais reforça seu protagonismo na agenda da sustentabilidade na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) até 21 de novembro.

    A participação do estado ocorre por meio da loja colaborativa “Brasil BioMarket”, instalada na Green Zone e na Entrepreneurship Zone do Parque Urbano Belém Porto Futuro, que abriga 250 micro e pequenas empresas de 21 estados, com cerca de 750 produtos.

    Entre os destaques mineiros estão castanha de baru, beneficiada e comercializada pela Cooperativa da Agricultura Familiar (Copabase). Também o café do Cerrado Mineiro, o primeiro com Denominação de Origem (DO) do Brasil. As caixas de buriti bordadas da marca coletiva Urucuia Grande Sertão Veredas. E a tradicional cerâmica com moringas, flores e bonecas do Vale do Jequitinhonha; e produtos em fibra de bananeira oriundos do projeto Gente de Fibra.

    O Sebrae Minas, responsável pela organização da participação, reforça o compromisso com o fortalecimento dos pequenos negócios sustentáveis e a valorização dos territórios mineiros. Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, ressalta que a iniciativa demonstra que a inovação pode surgir da tradição, unindo economia, meio ambiente e identidade cultural.

    Rota do Café do Cerrado

    O café do Cerrado Mineiro integra uma rede que alia qualidade, rastreabilidade e turismo sustentável. Como a Rota do Café do Cerrado com 26 experiências ligadas a fazendas e cafeterias. Já o baru, destaque do Noroeste de Minas, tem conquistado certificações internacionais que ampliam mercados e incentivam investimentos na agroindústria local.

    Na área de artesanato, o Vale do Jequitinhonha e o Noroeste mineiro recebem apoio do Sebrae para desenvolver governança, vendas online e design. Consolidando marcas coletivas que protegem os artesãos e fortalecem a identidade regional. A cooperativa Gente de Fibra, em Maria da Fé, destaca-se pela produção de peças sustentáveis em papel machê e fibra de bananeira. Valorizando os saberes locais e a reutilização ambientalmente consciente.

    A iniciativa em Belém une esforços de associações e empresas focadas em sociobioeconomia, tornando Minas Gerais referência nacional em sustentabilidade aplicada à bioeconomia, cultura rural e inovação.

  • Economia sustentável – baru do Cerrado chega à Europa

    Economia sustentável – baru do Cerrado chega à Europa

    Pela primeira vez, um produto originário do Cerrado brasileiro está oficialmente liberado para comercialização em todos os países da União Europeia. A castanha de baru, fruto típico da região, conquistou o mercado internacional após mais de 25 anos de trabalho da CoopCerrado, com assessoria do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) e apoio estratégico da Fundação Banco do Brasil (FBB).

    A autorização abre portas para um superalimento rico em proteínas e antioxidantes, enquanto fortalece a bioeconomia brasileira, gerando renda para agricultores familiares e extrativistas.

    Fundação BB foi crucial para o salto internacional

    A FBB atua como parceira do projeto desde 2005, financiando cerca de 15 iniciativas voltadas à inovação, sustentabilidade e geração de renda no Cerrado. Um dos marcos foi a instalação da primeira plataforma industrial de processamento do baru, viabilizada com recursos da fundação e do BNDES, permitindo escalar a produção e alcançar mercados globais.

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    “A entrada no mercado europeu é histórica. Além de valorizar um produto brasileiro, fortalece a inclusão produtiva e a conservação do Cerrado”, afirma Kleytton Morais, presidente da Fundação BB.

    Baru já era exportado, mas Europa é um marco

    Antes da Europa, o baru já era vendido para Estados Unidos e Oriente Médio. Agora, a certificação europeia consolida o potencial da sociobiodiversidade brasileira como alternativa sustentável.

    “A Fundação BB trouxe uma visão estratégica que permitiu ao baru ganhar escala e chegar ao mundo”, destaca Alessandra Karla da Silva, coordenadora do Cedac.

    Adalberto Gomes dos Santos, agricultor familiar de Lassance (MG), cresceu vendo o baru como alimento cotidiano. Hoje, o fruto é fonte de renda e símbolo de coletividade.

    “O baru despertou nas famílias o interesse em preservar e plantar. Agora que ganhou o mundo, vai trazer ainda mais benefícios”, celebra Adalberto.

    Com a abertura do mercado europeu, a expectativa é que a demanda pelo produto aumente, fortalecendo ainda mais a economia sustentável do Cerrado e a vida de quem depende dele.

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  • Castanha de baru: o superalimento do cerrado

    Castanha de baru: o superalimento do cerrado

    A castanha de baru é um tesouro nutricional nativo do Cerrado brasileiro. Esta semente comestível vem do baruzeiro (Dipteryx alata), árvore que também recebe nomes populares como barujo, cambaru e cumari. A castanha de baru é uma semente comestível proveniente do baru (barujo, cambaru, cumari, feijão-coco, entre outros nomes), encontrada principalmente em estados como Goiás, Mato Grosso, Maranhão e norte de Minas Gerais.

    A castanha do Baru tem mais de 20% de proteína em sua composição nutricional, desta maneira é mais proteica do que a castanha de caju e que a castanha do Pará. Este superalimento concentra uma impressionante variedade de nutrientes essenciais.

    A castanha apresenta ferro, ômega 3 e 6, e fibras em sua composição. Rica em proteínas, fibras e antioxidantes, a Castanha de Barú é uma excelente fonte de nutrientes essenciais, como zinco, magnésio, potássio e vitaminas.

    Benefícios comprovados para a saúde

    • Controle do colesterol e saúde cardiovascular: é rica em ferro, ômega 3 e 6, e fibras, nutrientes que fornecem muitos benefícios para a saúde como diminuir o colesterol ruim. Sua gordura saudável ajuda a promover um coração mais saudável.
    • Fortalecimento do sistema imunológico: os antioxidantes presentes no fruto também ajudam no fortalecimento do sistema imunológico, ajudando a combater as ações dos radicais livres. A castanha de baru aumenta a imunidade através de seus compostos bioativos.
    • Energia e disposição: a castanha de baru gera mais energia, aumenta a disposição e é indicado em casos de fadiga e cansaço. Sua alta concentração proteica a torna ideal para atletas e pessoas ativas.
    • Saúde óssea e muscular: fonte de proteína, a castanha é excelente para a saúde dos ossos, bem como dos músculos, cabelo e das unhas. Cálcio, fósforo e manganês: importantes para a manutenção da estrutura óssea.
    • Propriedades anti-inflamatórias: possui propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias, sendo assim, também beneficia a saúde da pele.
    • Auxílio no controle de peso: é rica em proteínas e fibras, o que pode ajudar na sensação de saciedade, sendo uma ótima opção para lanches entre as principais refeições. A castanha de baru ajuda no emagrecimento devido ao seu poder saciante.

    Época de colheita e produção

    O período de colheita do fruto costuma acontecer de julho a outubro, período de estiagem. As épocas de desenvolvimento começam a surgir entre março e junho, amadurecendo nos meses de julho a outubro.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O baru é um fruto marrom, de casca fina, com cerca de 5 cm de comprimento, produzido pelo baruzeiro nos meses de setembro a outubro. Colheita: de julho a setembro. Rendimento: de 3 a 4 sacos (45 kg cada) por homem/dia (safra).

    Sustentabilidade e preservação do cerrado

    O comércio do baru é uma atividade sustentável, já que não é necessário cortar a árvore para a obtenção do produto. Esta característica torna o baru uma alternativa econômica que preserva o bioma Cerrado.

    A coleta do baru representa uma fonte de renda para comunidades tradicionais do Cerrado. Na seca em que é a época da colheita do fruto o gado roe a polpa do fruto no pasto, suplementando a sua alimentação, demonstrando a integração da espécie com a pecuária local.

    Os frutos podem ser consumidos inteiros, em geleias e licores, enquanto a castanha pode ser utilizada em pratos típicos como pé-de-moleque, paçoquinha e até em pães e bolos. A castanha torrada é muito energética e nutritiva. O sabor lembra o do amendoim.

    Mercado internacional e potencial econômico

    Seu alto teor de proteínas a torna ideal para dietas vegetarianas e veganas, atendendo a uma demanda crescente por alimentos funcionais e sustentáveis.

    O governo brasileiro informou essa semana a decisão da União Europeia de liberar a importação de castanha de baru torrada, fortalecendo a presença dos produtos do cerrado brasileiro no mercado internacional. A medida, anunciada por autoridades europeias, representa um avanço significativo para a bioeconomia nacional e para o setor de alimentos funcionais e naturais.

    Com uma população superior a 447 milhões de habitantes, a União Europeia figura como o segundo maior destino das exportações agropecuárias do Brasil. Em 2024, o bloco importou mais de US$ 23 bilhões em produtos brasileiros, com destaque para soja, café e itens florestais.

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  • Casca de baru vira insumo sustentável para produção de biodiesel

    Casca de baru vira insumo sustentável para produção de biodiesel

    A Binatural, referência na produção de biodiesel, começou a usar a casca da castanha de baru como insumo para suas caldeiras industriais. Em geral, a alternativa sustentável substitui a lenha e reforça a economia circular, além de valorizar a agricultura familiar e conservar o bioma Cerrado.

    A empresa aproveita um resíduo agroflorestal que antes ia para o lixo. Ou seja, a casca do baru, rica em poder calorífico, agora abastece as caldeiras da usina de biodiesel. Com isso, a empresa avança na meta de tornar o processo produtivo mais limpo e eficiente.

    Uso inédito da casca do baru

    Nenhuma outra usina de biodiesel no Brasil, ou mesmo setores como etanol e biometano, utiliza a casca do baru com essa finalidade. A iniciativa é inédita e coloca o projeto na liderança da inovação sustentável no setor energético. “O baru vem do Baruzeiro, uma árvore nativa do Cerrado ameaçada pela exploração de madeira”, explica André Lavor, CEO e cofundador da Binatural. Segundo ele, a empresa enxergou valor financeiro e ambiental em um resíduo antes considerado um problema.

    Origem da inovação

    A inovação surgiu após uma visita a uma cooperativa parceira. Em resumo, os técnicos identificaram que os produtores tinham dificuldades para descartar as cascas, que geravam custos e impactos ambientais. A partir daí, a empresa testou o reaproveitamento do material.

    Estudos apontam que a casca de baru tem poder calorífico de 4.700 kcal/kg, superior ao da lenha de eucalipto. O resultado técnico positivo viabilizou o uso em escala industrial. Com isso, a empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a redução de resíduos.

    Ao adotar o modelo, a Binatural remunera os agricultores pela venda da casca. Portanto, a iniciativa gera renda extra para as famílias e fortalece a agricultura de base. Além disso, o apoio também inclui assistência técnica e estrutura para as cooperativas parceiras. A Copabase, localizada no território do Urucuia Grande Sertão, em Minas Gerais, é uma das beneficiadas. A cooperativa beneficia e comercializa produtos do Cerrado, com destaque para o baru. Agora, também vê na casca uma fonte de renda.

    Selo Biocombustível Social

    Ao mesmo tempo, o projeto está alinhado ao Selo Biocombustível Social, que incentiva a inclusão de agricultores familiares no setor de energia renovável. Ou seja, a certificação garante apoio técnico e financeiro às comunidades participantes.

    Além de sustentabilidade e renda, o projeto valoriza a cultura regional. Ou seja, o baru é símbolo do Cerrado e aparece em receitas tradicionais como licor, paçoca e barutella — um creme que mistura baru e cacau. Agora, também impulsiona a inovação energética. “O baru promove reflorestamento, colheita sustentável e conservação de áreas degradadas”, afirma Lavor. Para ele, a iniciativa une tradição e tecnologia com impacto positivo para o meio ambiente e para as comunidades locais.

    A Binatural mostra que é possível transformar um resíduo em solução. A iniciativa comprova que inovação e responsabilidade socioambiental caminham juntas na construção de um futuro mais verde.

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  • Conheça o baru; árvore só existe na América do Sul

    Conheça o baru; árvore só existe na América do Sul

    O baruzeiro (Dipteryx alata), árvore nativa do Cerrado, surge como uma alternativa promissora para sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Atualmente, o eucalipto predomina nesses sistemas, mas o baruzeiro apresenta vantagens adicionais: além da madeira de qualidade, produz sementes altamente valorizadas no mercado nacional e internacional.

    O baru, também conhecido como cumaru ou cumbaru, tem registrado aumento significativo de demanda, impulsionado por seu alto valor nutricional. De acordo com a revista Fact.MR, a previsão de crescimento da comercialização desse produto é de 25% ao ano entre 2019 e 2029. O Brasil lidera a produção mundial, exportando quase metade das sementes, sendo 25% destinadas à Europa e 22% aos Estados Unidos.

    Esse crescimento reflete a busca por alimentos saudáveis. O baru é considerado um superalimento, pois possui alto teor de proteína (quase 30% de seu peso), além de ser rico em vitamina C, ferro, polifenóis, flavonoides e antocianinas.

    Oportunidade para comunidades rurais

    Atualmente, a maior parte da produção provém do extrativismo. No entanto, a crescente demanda pode superar a capacidade de oferta, tornando essencial o desenvolvimento de sistemas de plantio comercial. Para Fernando Rocha, pesquisador da Embrapa Cerrados, essa iniciativa pode aumentar a produção e a renda dos produtores rurais.

    O baruzeiro se destaca nos sistemas integrados devido ao seu potencial econômico e adaptação ao ambiente. “O baru pode ser uma nova fonte de renda para os produtores, pois além da semente, sua madeira é valorizada”, explica a pesquisadora Maria Madalena Rinaldi.

    Rocha acrescenta que a árvore já é preservada espontaneamente pelos pecuaristas. “Quando limpam a área, eles retiram todas as árvores, exceto o baruzeiro, pois ele fornece sombra e alimento para os animais.”

    Avanços na produção de mudas

    Um dos principais desafios para a domesticação do baruzeiro é a produção de mudas de qualidade. Atualmente, não há metodologia estabelecida para sua reprodução assexuada, essencial para garantir a uniformidade das plantas. No entanto, pesquisas da Embrapa avançam em técnicas como enxertia e estaquia, apresentando resultados promissores.

    Com a enxertia, o percentual de pegamento das mudas pode chegar a 60%, com potencial para atingir 90% com aprimoramento da técnica. Outra abordagem inovadora envolve a estaquia, onde ramos lenhosos e reguladores de crescimento foram usados para induzir o enraizamento.

    Sementes de qualidade e novos experimentos

    Para um cultivo eficiente, é fundamental utilizar sementes de qualidade. Pesquisadores da Embrapa Cerrados avaliaram mais de 2.200 amostras de frutos colhidos no Distrito Federal e Minas Gerais, analisando aspectos como tamanho, rendimento em polpa e teor de proteína.

    Além disso, estão sendo conduzidos experimentos inéditos para testar a adaptação do baruzeiro em ILPF. Cerca de 400 mudas serão plantadas em uma área de três hectares na Embrapa Cerrados. O cultivo será realizado em três etapas: inicialmente com soja ou sorgo, seguido de culturas anuais e, por fim, pastagens para a inserção de animais.

    Sustentabilidade e mercado internacional

    O baruzeiro representa uma opção sustentável e rentável. Segundo Kolbe Soares, analista da WWF-Brasil, o baru se insere em um mercado global crescente de produtos nativos do Cerrado, como pequi e babaçu. Seu comércio fortalece comunidades extrativistas e reduz a pressão pelo desmatamento.

    Fernando Rocha alerta para a necessidade de um sistema de produção estruturado, evitando que o cultivo comercial seja desenvolvido por outros países, como ocorreu com a macadâmia, levada da Oceania para os Estados Unidos no século 19.

    O baruzeiro se destaca como uma alternativa viável e lucrativa para sistemas ILPF, oferecendo benefícios ambientais, econômicos e sociais. Além disso, com o avanço das pesquisas e o fortalecimento do cultivo comercial, a árvore pode consolidar-se como um importante ativo para a agropecuária brasileira.

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