Ninguém gosta de barata, e isso é quase um consenso. No entanto, esse inseto rejeitado e onipresente desempenha funções ecológicas essenciais. Se elas sumissem amanhã, provocariam um efeito em cadeia surpreendente.
No ambiente natural, as baratas decompõem matéria orgânica. Além disso, contribuem para a polinização com hábitos herbívoros e servem de alimento para diversas espécies. Vespas, pequenos mamíferos e aves dependem delas para sobreviver. “Alguns insetos predam baratas, como certas vespas, aliadas no controle de infestações. Elas também integram a dieta de mamíferos e aves”, diz o biólogo André Coppe, do Instituto de Biociências da USP.
“Lixeiras do meio ambiente”
As baratas evitam até o transbordamento de esgotos. Esses locais úmidos, escuros e cheios de decomposição favorecem sua proliferação. Assim, elas decompõem detritos humanos diretamente.
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“De modo geral, as baratas atuam como ‘lixeiras do meio ambiente’. Dejetos e descartes humanos viram alimento para elas e outros decompositores”, explica o biólogo Matheus D’Oran, mestrando no Museu de Zoologia da USP.
O que aconteceria se as baratas sumissem?
Seu desaparecimento geraria um efeito dominó. Elas sustentam a cadeia alimentar e a ciclagem de nutrientes. “Predadores especializados, parasitoides e plantas dependentes delas sofreriam primeiro e poderiam sumir”, afirma Coppe.
Em seguida, predadores superiores perderiam alimento. O lixo se acumularia, os odores aumentariam e a fertilidade do solo cairia. Por fim, o setor agropecuário sentiria o impacto no equilíbrio ecológico.
Importância real, distância necessária
Reconhecer o papel ecológico das baratas não significa conviver com elas dentro de casa. As espécies urbanas circulam por esgotos, lixo e dejetos, carregando microrganismos que representam risco real de contaminação. Manter a higiene domiciliar, evitar o acúmulo de lixo e não deixar restos de comida expostos são os passos básicos recomendados pelos especialistas.
“As baratas existem por conta própria, sem razões utilitárias, e ocupam seus próprios nichos, se aproveitando, por vezes, do impacto que nosso sistema econômico gera no meio ambiente. Esses bichos surgiram naturalmente neste planeta e não evoluíram com o objetivo de satisfazer as necessidades humanas”, conclui D’Oran.
