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  • El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    O alerta começa no prato. Arroz, óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e até o café podem entrar no radar de pressão nos preços caso o El Niño se confirme nos próximos meses.

    O Banco Mundial estima uma probabilidade de 61% a 87% de formação do fenômeno entre meados de 2026 e 2027, com risco direto para a produção agrícola em áreas sensíveis da Ásia, da África e de parte do Leste Asiático.

    O dado mais preocupante envolve o arroz. Segundo o Banco Mundial, a produção pode cair de 20% a 50% nas regiões mais afetadas pelo fenômeno. Isso acende um sinal amarelo para países dependentes do cereal e também para o mercado internacional de alimentos.

    Quais alimentos podem ficar mais caros

    O arroz aparece como o alimento mais vulnerável no alerta do Banco Mundial. A razão é simples: boa parte da produção mundial depende de regimes de chuva regulares, especialmente na Ásia. Quando o El Niño altera esse equilíbrio, algumas regiões enfrentam seca, enquanto outras sofrem com chuvas fora de hora.

    Foto: Seapa/MG

    Além do arroz, outros produtos também podem sentir os efeitos do fenômeno. Óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e café entram no radar porque dependem de clima estável em fases decisivas da lavoura.

    Uma seca no momento errado, por exemplo, pode reduzir a produtividade. Chuva excessiva na colheita também pode comprometer qualidade e oferta.

    No caso do açúcar, o risco passa por países importantes na produção de cana. Já os óleos vegetais dependem fortemente da oferta de palma, soja e outras oleaginosas. Por isso, qualquer quebra relevante em países produtores pode mexer com os preços globais.

    Por que o Banco Mundial acendeu o alerta

    O El Niño não age sozinho. Esse é o ponto central do alerta.

    O Banco Mundial afirma que o risco climático aparece em um momento de custos ainda elevados para o produtor. Na atualização mais recente sobre segurança alimentar, a instituição informou que os preços dos fertilizantes subiram 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com algum alívio nas últimas semanas, o mercado ainda não se estabilizou.

    Foto: Divulgação AGCO

    Na prática, isso significa que muitos agricultores entram na temporada com menos margem para reagir. Se o fertilizante fica caro, parte dos produtores reduz a aplicação. Quando isso se soma a seca, calor ou excesso de chuva, o impacto aparece mais tarde, na colheita.

    Além disso, conflitos geopolíticos, custos de energia e gargalos logísticos continuam pressionando o mercado global de alimentos. Por isso, uma nova rodada de El Niño pode atingir um sistema que já opera sob tensão.

    O que é o El Niño

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa mudança altera a circulação dos ventos e mexe com o regime de chuvas em várias partes do planeta.

    Em algumas regiões, o fenômeno aumenta o risco de seca. Em outras, provoca chuva excessiva. Para a agricultura, o problema está justamente nessa quebra de padrão.

    A lavoura precisa de água no momento certo. Também precisa de temperatura adequada durante florescimento, enchimento de grãos e colheita. Quando o clima foge do roteiro, o produtor perde previsibilidade.

    Como isso pode afetar o Brasil

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O Brasil não aparece como o centro do alerta do Banco Mundial, mas não fica fora da conta.

    Em anos de El Niño, o país costuma registrar mudanças importantes no clima. O Sul tende a enfrentar mais chuva, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem sofrer com calor e seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e a época do ano.

    Para o agro brasileiro, isso pode afetar soja, milho, café, cana, arroz e pecuária. O impacto não é automático, mas o risco aumenta quando o fenômeno coincide com fases sensíveis da safra.

    No café, por exemplo, calor intenso e irregularidade nas chuvas podem prejudicar florada e formação dos grãos. No milho, a falta de água durante o desenvolvimento reduz produtividade. Já no arroz, excesso ou falta de chuva pode comprometer plantio, manejo e colheita.

    O bolso sente antes da estatística

    O consumidor normalmente percebe a crise climática quando ela chega ao supermercado.

    Primeiro, o produtor enfrenta perda de produtividade. Depois, a indústria paga mais pela matéria-prima. Em seguida, o varejo repassa parte desse aumento. Nem sempre o movimento é imediato, mas ele costuma aparecer quando a quebra de safra atinge produtos básicos ou cadeias muito dependentes de importação.

    Por enquanto, o mercado global ainda tem algum alívio em grãos como milho e trigo, favorecidos por boas safras em algumas regiões. Mesmo assim, o Banco Mundial afirma que os riscos seguem inclinados para novas pressões, principalmente se o El Niño se confirmar e afetar países produtores ao mesmo tempo.

    O alimento mais sensível é o arroz

    Entre todos os produtos citados, o arroz merece atenção especial.

    O cereal é base alimentar em países populosos da Ásia e da África. Também tem forte peso social, porque qualquer alta costuma atingir diretamente famílias de menor renda. Se a produção cair nas regiões mais expostas, governos podem restringir exportações para proteger o mercado interno.

    Quando isso acontece, o preço internacional sobe. Foi assim em outras crises recentes de alimentos. O país produtor tenta segurar oferta doméstica, mas o mercado global sente a redução do volume disponível.

    É por isso que o alerta do Banco Mundial sobre queda potencial de 20% a 50% na produção de arroz em áreas afetadas chama tanta atenção. Não se trata apenas de uma estatística agrícola. É um risco para a segurança alimentar.

    O que observar nos próximos meses

    Infográfico sobre efeitos no El nino nos proximos meses

    Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno e seus impactos sobre as safras.

    Se o El Niño ganhar força, o mercado deve acompanhar de perto a produção de arroz na Ásia, o comportamento das monções, a oferta de óleos vegetais, a safra de cana em países relevantes e o desenvolvimento de culturas como milho, trigo e café.

    No Brasil, o produtor também terá de olhar para o céu com mais cuidado. O país tem tecnologia, escala e experiência para lidar com variações climáticas. Ainda assim, quando o clima muda rápido demais, até sistemas bem preparados sentem o baque.

    O alerta do Banco Mundial não significa que todos esses alimentos vão subir ao mesmo tempo. Mas mostra que o risco aumentou. E, quando o clima mexe com arroz, grãos, açúcar e óleos vegetais, o impacto raramente fica restrito ao campo.

  • Mato Grosso lança programa para fortalecer agricultura familiar

    Mato Grosso lança programa para fortalecer agricultura familiar

    O estado de Mato Grosso lançou nesta quinta-feira (6) o Programa MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, iniciativa inovadora para o fortalecimento da agricultura familiar no estado. O evento de lançamento acontece às 14h, na Sala de Reuniões Garcia Neto, no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, com participação de representantes do Banco Mundial (BIRD), parceiros e autoridades locais.

    O programa, que será executado entre 2025 e 2030, é coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e conta com um investimento total de US$ 100 milhões. Desse valor, US$ 80 milhões são financiados pelo Banco Mundial, enquanto o Governo de Mato Grosso aporta contrapartida de US$ 20 milhões.

    O MT Produtivo tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, aumentar a geração de renda, promover a segurança alimentar e ampliar o acesso dos pequenos produtores aos mercados. O projeto beneficiará cerca de 15 mil famílias rurais em todo o estado.

    Entre as ações previstas estão o financiamento de planos de negócios para associações e cooperativas, a regularização fundiária e ambiental dos estabelecimentos rurais, além do incentivo à adoção de práticas agrícolas sustentáveis e adaptadas às mudanças climáticas.

  • Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Um estudo pioneiro conduzido pela Embrapa em parceria com o Banco Mundial acaba de comprovar o que muitos especialistas já suspeitavam: os sistemas sustentáveis de produção não apenas preservam o meio ambiente, como também são significativamente mais lucrativos que os métodos tradicionais.

    A pesquisa analisou a viabilidade econômica dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) na Amazônia e no Cerrado, revelando ganhos impressionantes em produtividade e rentabilidade.

    Os números apresentados no estudo são surpreendentes. No Cerrado, o sistema ILPF-C demonstrou ser 41 vezes mais lucrativo que a pecuária extensiva tradicional e 13 vezes mais rentável que a agricultura convencional. Para cada dólar investido, o retorno chegou a US$ 1,36, enquanto a pecuária extensiva gerou apenas dois centavos de lucro por dólar aplicado.

    “Os sistemas de ILPF são mais resilientes, reduzem os custos unitários de produção e promovem o uso mais eficiente dos recursos ambientais”, explica Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Cerrados e responsável pelo trabalho.

    SAFs: a alternativa perfeita para agricultura familiar

    Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) se mostraram especialmente adequados para a agricultura familiar, apresentando retornos de até US$ 9,20 para cada dólar investido. O estudo analisou quatro modelos diferentes em Rondônia e Pará, todos capazes de cobrir os custos de produção nos períodos avaliados.

    Arte: Wellington Cavalcanti/Embrapa

    Os SAFs com cultivos de maior valor agregado, como açaí e cacau, apresentaram os melhores resultados financeiros. Em Tomé-Açu (PA), um dos sistemas avaliados gerou lucro anual de mais de US$ 1.800 por hectare, demonstrando o potencial desses modelos para transformar a realidade dos pequenos produtores.

    Benefícios além do lucro

    Além dos ganhos financeiros, os sistemas sustentáveis oferecem múltiplos benefícios:

    • Segurança alimentar: Diversificação da produção reduz riscos
    • Conservação ambiental: Menor necessidade de abertura de novas áreas
    • Resiliência climática: Sistemas mais resistentes a variações climáticas
    • Geração de empregos: Maior demanda por mão de obra especializada

    “Se em um ano uma lavoura apresenta um preço ruim, há um segundo produto que pode ter um preço melhor. Isso aumenta a resiliência do produtor”, destaca Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre.

    Apesar dos resultados positivos, apenas 7% da área ocupada pela agropecuária brasileira utiliza sistemas de ILPF. O estudo identificou diversas barreiras que impedem uma adoção mais ampla:

    Financeiras:

    • Políticas de crédito focadas em resultados anuais
    • Necessidade de períodos de carência mais longos para SAFs

    Técnicas:

    • Falta de assistência técnica especializada
    • Disponibilidade limitada de mão de obra qualificada

    Infraestrutura:

    • Ausência de infraestrutura em regiões distantes
    • Necessidade de investimentos em ferrovias e hidrovias

    Impacto nas políticas públicas

    Leonardo Bichara Rocha, economista agrícola sênior do Banco Mundial em Brasília, enfatiza a importância do estudo para orientar políticas públicas: “O trabalho traz evidências importantes para instrumentos financeiros que promovam o uso mais inclusivo, intensivo e ambientalmente sustentável da terra”.

    As informações coletadas servirão de subsídio para políticas do Banco Mundial e podem contribuir para a inclusão desses sistemas nas políticas nacionais de crédito, como o Plano Safra da Agricultura Familiar.

    O futuro da agricultura brasileira

    Com 60% do território nacional localizado na Amazônia, o potencial de expansão dos sistemas sustentáveis é imenso. No entanto, os pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos e dados sistematizados.

    “Conseguimos avaliar cinco sistemas que possuíam dados sistematizados, mas isso representa apenas uma pequena amostra da diversidade ambiental, social e econômica da Amazônia”, observa Valentim.

    O estudo representa um marco importante na colaboração entre Embrapa e Banco Mundial, assinada em 2024, e aponta para um futuro em que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas no agronegócio brasileiro.

    Os pesquisadores esperam que esta síntese estimule uma agenda de pesquisa mais ampla, levando à construção de um banco de dados robusto sobre sistemas sustentáveis no Brasil. O objetivo é fornecer bases sólidas para a implementação de políticas públicas de crédito rural, especialmente voltadas para a produção familiar na Amazônia.

    A mensagem é clara: o futuro da agricultura brasileira está nos sistemas sustentáveis, que oferecem a combinação perfeita entre prosperidade econômica e preservação ambiental.

  • São Paulo recebe R$ 1,1 bilhão do Banco Mundial para agricultura sustentável

    São Paulo recebe R$ 1,1 bilhão do Banco Mundial para agricultura sustentável

    O Governo de São Paulo conquistou um investimento de R$ 1,1 bilhão para fortalecer a agricultura sustentável no estado. O Banco Mundial financiará R$ 800 milhões do montante total. O Tesouro Estadual complementará o restante.

    A Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX) oficializou a aprovação do Projeto Agro Paulista Mais Verde – Microbacias III. O programa representa um dos maiores investimentos em desenvolvimento rural sustentável já realizados em São Paulo.

    O projeto beneficiará mais de 120 mil produtores rurais durante seis anos de execução. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento coordenará as ações por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

    A iniciativa priorizará o aumento do valor de venda dos produtos da agricultura familiar. O programa investirá na infraestrutura produtiva de agroindústrias, cooperativas e associações rurais.

    “Em 2024, apresentamos ao Banco Mundial o potencial do agro paulista em tecnologia, sustentabilidade e segurança alimentar”, declarou Guilherme Piai, secretário de Agricultura e Abastecimento. “Vamos transformar a realidade dos produtores e fortalecer as propriedades rurais paulistas.”

    Metas ambiciosas para sustentabilidade

    O Microbacias III estabeleceu objetivos ousados para os próximos anos. O programa recuperará 1 milhão de hectares com sistemas produtivos sustentáveis. A iniciativa ampliará a conectividade e geolocalização no campo.

    O projeto investirá em infraestrutura hídrica e saneamento rural em 500 propriedades. Capacitará 15 mil produtores para uso de tecnologias sustentáveis. Apoiará a gestão econômica e ambiental de 20 mil propriedades rurais.

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    A iniciativa fortalecerá 420 associações e cooperativas. Promoverá a inclusão produtiva de 5 mil mulheres e jovens. Apoiará 80 projetos comunitários de povos tradicionais.

    Capacitação e desenvolvimento técnico

    O programa capacitará 400 extensionistas rurais. Elaborará 200 planos de negócio coletivos e 200 individuais. Formará 300 redes de comunidade solidária.

    A CATI liderará a implementação do projeto. Contará com apoio da Diretoria de Defesa Agropecuária e da Fundação Instituto de Terras (Itesp).

    “Obtivemos uma aprovação grandiosa no mês em que a CATI completa 58 anos”, celebrou Ricardo Pereira, diretor da coordenadoria. “Continuamos transformando vidas e caminhando com as famílias rurais paulistas.”

    Histórico de sucesso

    O Microbacias III representa a terceira fase de um programa consolidado. A primeira fase durou de 2000 a 2008. Envolveu quase 70 mil produtores em ações de conservação ambiental. Abrangeu 970 microbacias em 514 municípios.

    A segunda fase ocorreu entre 2011 e 2018. Focou no acesso ao mercado. Beneficiou 293 organizações e executou 355 projetos estruturantes. Modernizou a própria CATI e recuperou estradas rurais estratégicas.

    “A iniciativa representa um impulso transformador”, avaliou João Brunelli Júnior, responsável técnico do projeto. “Integra tecnologia, sustentabilidade e organização social para dinamizar economias regionais.”

    O programa seguirá as normas do Banco Mundial. Garantirá rigor técnico e transparência na execução. Promete impacto duradouro na agricultura paulista.

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