Tag: bambu

  • Cultivo sustentável de bambu segue sem regulamentação

    Cultivo sustentável de bambu segue sem regulamentação

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados cobrou do governo federal a regulamentação da Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentável e ao Cultivo do Bambu (Lei 12.484/11). Aprovada há 13 anos, a norma ainda aguarda decreto que permita acesso a linhas de crédito, assistência técnica e incentivos fiscais para produtores e indústrias do setor.

    Durante audiência pública, parlamentares e representantes da cadeia produtiva afirmaram que a falta de regras impede o crescimento de uma atividade com alto potencial econômico, ambiental e social.

    Setor pode impulsionar descarbonização e agricultura familiar

    O autor do requerimento, deputado Giovani Cherini (PL-RS), destacou que o bambu pode contribuir para a descarbonização da economia. Além do fortalecimento da agricultura familiar, mas enfrenta entraves burocráticos.

    “Essa lacuna normativa trava o avanço de uma cadeia com grande potencial econômico, social e ambiental”, afirmou.

    Giovani Cherini: lacuna normativa tem dificultado o avanço de uma cadeia produtiva com grande potencial. Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

    Conhecido pela alta capacidade de sequestro de carbono e regeneração de solos degradados, o bambu movimenta milhões de trabalhadores no Brasil, da produção de fibras naturais ao uso industrial e energético.

    Produtores pedem segurança jurídica

    O presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Produtores de Bambu e de Fibras Naturais (Abafibras), Guilherme Corte, lembrou que o país abriga o maior plantio contínuo de bambu do mundo para fins energéticos, localizado em Mato Grosso.

    Segundo ele, a regulamentação é essencial para dar segurança jurídica e clareza sobre o enquadramento ambiental da planta.

    “A legislação ainda gera dúvidas se o bambu é espécie invasora, o que impede créditos de carbono para florestas de bambu no país”, disse.

    Governo avalia mecanismos de crédito e incentivo

    O secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Wanderlei Ziger, afirmou que já existem linhas de crédito compatíveis com o setor, como o Pronaf Floresta, com juros de 3% ao ano.

    “O bambu é alimento, energia, infraestrutura e ferramenta de regeneração de áreas degradadas. Precisamos apenas ajustar a comunicação com os agentes financeiros”, explicou.

    Ciência e tecnologia reforçam inovação na cadeia do bambu

    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informou ter investido cerca de R$ 44 milhões entre 2024 e 2025 em pesquisas sobre cadeias da sociobiodiversidade, incluindo o bambu.

    Pesquisadores da Embrapa pediram mais recursos para desenvolvimento de tecnologia nacional e redução da dependência de insumos importados, especialmente da China.

    No Acre, por exemplo, as reservas nativas de bambu abrangem 18 milhões de hectares. E com potencial para gerar bilhões de reais se manejadas de forma sustentável.

    Propostas do debate

    O encontro resultou em três encaminhamentos principais:

    • Criação de grupo interministerial entre os ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia.
    • Ampliação do acesso ao crédito, com diálogo junto ao Banco do Brasil e outras instituições financeiras.
    • Estruturação de incentivos fiscais para impulsionar a cadeia produtiva — do campo à indústria.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Espécie de bambu da Amazônia é descoberta e já corre risco de extinção

    Espécie de bambu da Amazônia é descoberta e já corre risco de extinção

    Uma nova espécie de bambu, batizada Merostachys tonicoi, foi identificada na Amazônia, mas já enfrenta ameaças críticas devido ao desmatamento e a projetos de infraestrutura. A descoberta, publicada na revista científica Phytotaxa, foi realizada por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Brasília (UnB) e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    Classificada como “em perigo” pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a planta só foi registrada em cinco locais na região do Rio Madeira (RO). Duas populações estão dentro do Parque Nacional Mapinguari, mas outras três foram impactadas pela usina hidrelétrica de Jirau e pelo avanço da devastação na margem direita do rio.

    “O desmatamento acelerado pode extinguir essa espécie antes mesmo que entendamos seu papel ecológico”, alerta Marcelo Simon, pesquisador da Embrapa e coautor do estudo.

    Projeto revela biodiversidade Amazônica sob pressão

    A descoberta faz parte de um projeto de conservação vinculado à construção da usina de Jirau, iniciado em 2009. Foram coletadas mais de 5 mil amostras de plantas, identificando cerca de 1.500 espécies ao longo de 100 km do Rio Madeira. Além do bambu, o estudo revelou novas espécies de peroba e de um parente da goiabeira.

    “Essa região era pouco conhecida cientificamente. O levantamento mostrou uma biodiversidade única, mas frágil”, explica Simon. Paralelamente, um monitoramento de 11 anos em 26 hectares de floresta analisou os impactos do reservatório da hidrelétrica sobre a vegetação.

    “Sem medidas efetivas, espécies como a Merostachys tonicoi podem desaparecer antes de revelarem seus segredos”, reforça Simon.

    Homenagem a Tonico: o parabotânico que escalava árvores pela ciência

    A espécie homenageia Antônio José Barreto dos Santos, o Tonico, parabotânico reconhecido por seu conhecimento da flora amazônica. Morador de um seringal no Acre, Tonico aprendeu a identificar árvores durante a coleta de látex e tornou-se especialista em levantamentos florestais.

    “Ele memorizava centenas de nomes científicos e escalava árvores com maestria. Sua morte, em 2024, foi uma perda irreparável”, lamenta Simon. Tonico participou de dezenas de expedições, incluindo o projeto no Rio Madeira, e faleceu aos 59 anos vítima de um câncer no cérebro.

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