Tag: Baixada Santista

  • Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    O Projeto Valoriza Pesca lançou uma plataforma digital aberta que reúne dados, pesquisas e conteúdos inéditos sobre a pesca artesanal na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. A iniciativa consolida quatro anos de estudos realizados desde 2022 e amplia o acesso público a informações estratégicas sobre o setor.

    O acervo inclui uma plataforma online, um painel interativo em Business Intelligence (BI), um documentário e publicações técnicas e culturais. O material apresenta indicadores da atividade pesqueira, registros das comunidades tradicionais e análises sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos que afetam a região.

    O projeto surgiu a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ele foi firmado entre empresas envolvidas no acidente do terminal do Grupo Ultracargo, em Santos (SP). O Instituto de Pesca (IP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, coordenou a iniciativa. Que contou com acompanhamento do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag).

    Documentário

    Entre os principais conteúdos, o documentário “Pesca em Cena” retrata o cotidiano de pescadores e pescadoras artesanais. E evidencia os impactos acumulados na atividade ao longo de décadas de intervenções na área portuária. Já o livro “Valoriza Pesca – Olhares sobre a Pesca Artesanal na Década do Oceano” integra conhecimento científico e saberes tradicionais, abordando temas como poluição marinha, segurança alimentar, economia do mar, resiliência e justiça socioambiental.

    A iniciativa também reúne uma série de livros dedicados às comunidades pesqueiras de Caruara, Ilha Diana, Monte Cabrão, Praia do Góes e Sítio Cachoeira. As publicações registram memórias, modos de vida, manifestações culturais e a identidade desses territórios.

    A coordenadora-geral do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva. Foto:
    Divulgação/Instituto de Pesca

    A plataforma digital concentra todo o conteúdo e oferece um painel interativo com gráficos e mapas sobre recursos naturais, perfil socioeconômico dos pescadores, dinâmica da atividade e fatores que interferem na pesca artesanal na Baixada Santista.

    Segundo a coordenadora-geral do Instituto de Pesca e do projeto, Cristiane Neiva, a iniciativa fortalece a valorização da pesca artesanal e contribui para o desenvolvimento sustentável da região. “O projeto amplia a visibilidade das comunidades pesqueiras e ajuda a construir caminhos mais justos e sustentáveis para esses territórios”, afirma.

  • Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    Ibama usa drones e inteligência artificial para conter avanço do mangue-maçã em SP

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou, na última semana, o monitoramento e o combate ao mangue-maçã (Sonneratia apetala), espécie exótica invasora que ameaça os ecossistemas costeiros de São Paulo. A ação ocorre em parceria com a Fundação Florestal e foca principalmente nos manguezais de Cubatão, na Baixada Santista.

    https://www.instagram.com/p/DXoYjwSlYZO/

    Originária da Ásia, a planta apresenta crescimento acelerado e alta capacidade de competir por recursos naturais, o que compromete o desenvolvimento de espécies nativas e o equilíbrio ambiental.

    Entre os dias 15 e 17 de abril, equipes técnicas realizaram uma nova etapa da operação com uso intensivo de tecnologia. Drones mapearam áreas estratégicas e geraram imagens em alta resolução, que passaram por análise de sensoriamento remoto e fotointerpretação. Em seguida, equipes em campo validaram as informações para orientar as próximas ações de remoção.

    A Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em São Paulo coordena as atividades, alinhadas à Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras. Como o mangue-maçã foi identificado apenas em Cubatão até o momento, especialistas avaliam que ainda há viabilidade de erradicação total, desde que as intervenções continuem em ritmo acelerado.

    Agentes do Ibama durante operação de combate e monitoramento do mangue-maçã. Foto: Divulgação/Ibama

    O trabalho conjunto já resultou na remoção de mais de 700 árvores da espécie invasora. Além da supressão, o Ibama também identifica novas áreas afetadas e testa o uso de inteligência artificial para ampliar a eficiência dos levantamentos.

    Portanto, a iniciativa busca evitar impactos irreversíveis à biodiversidade e proteger atividades econômicas locais, como a pesca, diretamente dependentes da saúde dos manguezais.

  • Mangue-maçã: espécie invasora ameaça manguezais da Baixada Santista

    Mangue-maçã: espécie invasora ameaça manguezais da Baixada Santista

    O Ibama e a Fundação Florestal de São Paulo intensificaram as ações para erradicar o mangue-maçã (Sonneratia apetala) dos manguezais da Baixada Santista. No dia 25 de fevereiro, analistas das duas instituições usaram drones para mapear, identificar e quantificar exemplares da espécie às margens do rio Perequê, em Cubatão (SP), combinando imagens aéreas com verificações em campo.

    O mangue-maçã é uma espécie originária do Sudeste Asiático com características de crescimento agressivo e alta capacidade de dispersão. A planta pode atingir alturas de 15 a 20 metros e diâmetros de 20 a 30 centímetros, o que lhe confere vantagens competitivas sobre as espécies nativas. Seus frutos são pequenas bagas arredondadas de coloração verde, que lembram uma maçã, daí o nome popular. A planta também possui pneumatóforos maiores e mais rígidos do que os das espécies nativas, podendo atingir até 90 cm de altura.

    Nativa da Índia, de Bangladesh, do Sri Lanka e de Mianmar, a espécie chegou à China em 1985 para uso na restauração de manguezais. Pesquisadores acreditam que ela chegou ao Brasil pela água de lastro de navios que viajavam da China ao porto de Santos, a apenas 2 quilômetros dos manguezais. Uma única árvore produz mais de 2 mil frutos semelhantes a maçãs, cada um contendo cerca de 60 sementes.

    Uma ameaça ao ecossistema

    Os manguezais prestam serviços ecossistêmicos fundamentais, como fixação de carbono, proteção contra erosão e função de berçário para espécies marinhas de interesse econômico. A chegada do mangue-maçã coloca tudo isso em risco.

    Nos manguezais de Cubatão, essas árvores chegam a quatro vezes a altura das espécies nativas. Especialistas alertam que a presença da planta provocará graves danos ambientais, tanto localmente quanto em outros manguezais. De acordo com o biólogo Geraldo Eysink, se a Sonneratia apetala vier a se espalhar, pode prejudicar a reprodução de peixes, caranguejos, ostras e mexilhões, afetando a vida de mais de 400 mil pescadores ao longo do litoral brasileiro.

    Na China, o histórico da espécie já preocupa: ela invadiu florestas naturais no sul do país, o que reforça sua classificação como espécie exótica invasora. Um estudo de 2023 concluiu que a espécie desloca manguezais e sufoca o crescimento das plantas nativas. Na baía de Hong Kong, o Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação já realiza remoções regulares para proteger os manguezais nativos.

    A resposta dos órgãos ambientais

    Desde março de 2024, o Ibama monitora o impacto da espécie na região. Em parceria com pesquisadores, o Instituto realizou vistorias em campo que constataram a gravidade da situação, levando à adoção de medidas de Detecção Precoce e Resposta Rápida (DPRR). O primeiro registro formal no Brasil contabilizou 86 indivíduos. Esse número já ultrapassa 250 exemplares identificados.

    A iniciativa integra a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras e os compromissos do Brasil na Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), cujo Marco Global de Kunming-Montreal estabelece a meta de reduzir a introdução de espécies invasoras em 50% até 2030.

    A erradicação ainda é possível por a espécie estar em fase inicial de bioinvasão. Para isso, o monitoramento contínuo e a capacitação de equipes para identificação precoce são considerados fundamentais.