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  • Extrato Pirolenhoso – fumaça vira ouro no agronegócio

    Extrato Pirolenhoso – fumaça vira ouro no agronegócio

    Produtores rurais brasileiros descobriram uma mina de ouro escondida na fumaça. O que antes representava descarte e poluição agora gera receitas extras que chegam a superar o valor dos produtos principais, especialmente no setor de cana-de-açúcar e carvoarias.

    A transformação acontece através do aproveitamento da fumaça como subproduto comercial, criando uma nova cadeia de valor que combina sustentabilidade com lucratividade. Essa inovação ganha força especialmente após os prejuízos bilionários causados pelos recentes incêndios nas lavouras, forçando o setor a buscar alternativas de diversificação de renda.

    Carvoarias descobrem negócio milionário na fumaça líquida

    As carvoarias lideram essa revolução ao transformar fumaça em extrato pirolenhoso, conhecido como fumaça líquida. O processo captura mais de 95% da fumaça que normalmente seria liberada na atmosfera, gerando múltiplos benefícios financeiros e ambientais.

    “Um único ciclo de produção em forno comercial produz cerca de 450 litros de fumaça líquida, que vendemos a R$ 5 por litro, gerando receita extra de mais de R$ 2 mil”, explica especialista do setor. O extrato pirolenhoso encontra amplo mercado no agronegócio, servindo como adubo foliar e outros insumos agrícolas.

    Além da nova fonte de receita, as carvoarias registram aumento de 10% a 15% na produtividade do carvão. O controle rigoroso da queima e temperatura dos fornos resulta em carvão mais denso e de qualidade superior, agregando valor ao produto principal.

    Usinas de cana transformam bagaço em receita extra sustentável

    No setor sucroenergético, usinas aproveitam a fumaça gerada pela queima do bagaço da cana para criar novos fluxos de receita. Essa estratégia se consolida como ferramenta essencial para maximizar o aproveitamento da biomassa e reduzir desperdícios operacionais.

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    A prática ganha relevância diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva da cana, incluindo flutuações de preços e pressões ambientais. Usinas que adotam o aproveitamento integral dos subprodutos conseguem manter competitividade mesmo em cenários adversos.

    Tecnologia aumenta produtividade do carvão em 15% e protege trabalhadores

    A implementação da tecnologia de captação de fumaça traz benefícios que vão além do financeiro. Trabalhadores das carvoarias não ficam mais expostos à fumaça tóxica, melhorando significativamente as condições de trabalho e reduzindo riscos à saúde ocupacional.

    Empresas que adotam o sistema conquistam diferencial competitivo ao rotular seus produtos como ecológicos, atendendo à crescente demanda por soluções sustentáveis. Essa certificação ambiental agrega valor comercial e facilita acesso a mercados mais exigentes.

    Em São Paulo, onde exigências ambientais são rigorosas para emissão de poluentes, a captação da fumaça deixou de ser opção para se tornar necessidade regulatória. Carvoarias que implementam a tecnologia conseguem manter operações legais enquanto aumentam rentabilidade.

    Mercado em expansão atrai novos investidores

    O mercado de subprodutos agrícolas mostra sinais de crescimento acelerado, impulsionado pela demanda por soluções sustentáveis e pela necessidade de diversificação de receitas no agronegócio. Proprietários rurais que investem nessas tecnologias posicionam-se estrategicamente para capturar essa oportunidade.

    A transformação de resíduos em insumos valiosos representa mudança de paradigma no setor, onde sustentabilidade e inovação convergem para gerar vantagem competitiva. Produtores que dominam essas técnicas conseguem transformar custos operacionais em fontes consistentes de receita.

    Para propriedades rurais interessadas em diversificar receitas, o aproveitamento da fumaça oferece modelo de negócio comprovado, com retorno sobre investimento atrativo e benefícios ambientais mensuráveis. A tecnologia disponível permite implementação gradual, adequando-se a diferentes escalas produtivas.

    Investir no aproveitamento de subprodutos agrícolas representa oportunidade concreta para aumentar lucratividade enquanto contribui para práticas mais sustentáveis no agronegócio brasileiro.

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  • Bagaço de cana vira embalagem que protege chips e semicondutores

    Bagaço de cana vira embalagem que protege chips e semicondutores

    Pesquisadores do CNPEM desenvolveram uma embalagem antiestática feita com bagaço de cana-de-açúcar e negro de fumo. O material protege componentes eletrônicos sensíveis, como chips e semicondutores, contra descargas eletrostáticas.

    Esses dispositivos estão em celulares, computadores, televisores e automóveis. Como têm alto valor, exigem embalagens especiais para evitar danos durante o transporte e armazenamento.

    Criogel condutivo

    Foto: Divulgação – CNPEM / Gabriele Polezi

     

    A nova tecnologia, chamada de criogel condutivo, combina celulose vegetal com negro de fumo. Essa união forma um composto leve, poroso e com alta resistência mecânica. A inovação oferece proteção sem agredir o meio ambiente.

    O criogel é uma alternativa às espumas plásticas derivadas do petróleo. Atualmente, essas espumas são amplamente usadas para proteger eletrônicos contra cargas eletrostáticas. Com a nova proposta, os pesquisadores buscam substituir os plásticos por um material sustentável e eficiente.

    A revista Advanced Sustainable Systems publicou o estudo. A Fapesp financiou o projeto e os pesquisadores do LNNano, o Laboratório Nacional de Nanotecnologia do CNPEM, conduziram os estudos.

    As autoras do projeto são Gabriele Polezi, Elisa Ferreira e Juliana da Silva Bernardes, com colaboração do pesquisador Diego Nascimento. O grupo já depositou a patente e busca parcerias com empresas para produção em escala industrial.

    Sustentável e ajustável

    Foto: Divulgação – CNPEM / Gabriele Polezi

     

    Além de sustentável, o material tem outra vantagem: sua condutividade elétrica pode ser ajustada. Com baixa concentração de negro de fumo (1% a 5%), o criogel dissipa lentamente cargas eletrostáticas. Em concentrações acima de 10%, torna-se condutor eficiente, ideal para proteger componentes altamente sensíveis.

    Segundo a pesquisadora Juliana Bernardes, coordenadora do projeto, o objetivo é substituir materiais plásticos por soluções menos poluentes. “Queremos oferecer uma alternativa sustentável para a indústria de embalagens eletrônicas”, afirma.

    O criogel ainda não tem custo de produção definido, mas apresenta diversas vantagens competitivas. Entre elas estão a resistência ao fogo, a versatilidade e o uso de matérias-primas renováveis e abundantes.

    A celulose pode vir de resíduos como palha de milho, cavacos de eucalipto e, principalmente, do bagaço da cana-de-açúcar. Já o negro de fumo, usado na produção de pneus, também tem histórico milenar em tintas e impressões.

    Com o avanço da tecnologia, o uso de embalagens seguras e sustentáveis se torna cada vez mais necessário. De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, o mercado global de embalagens contra descargas eletrostáticas deve alcançar US$ 5,1 bilhões até 2026.

    Sobre o CNPEM

    O CNPEM é uma organização social supervisionada pelo MCTI. Atua em saúde, energia, sustentabilidade e materiais renováveis. É responsável pelo Sirius, o maior equipamento científico construído no Brasil.

    O centro também lidera o Projeto Orion, voltado à pesquisa de patógenos. As atividades técnico-científicas são realizadas pelos Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR).

    Além disso, o CNPEM mantém a Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do MEC.

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  • Biocarvão de bagaço de laranja remove poluentes da água

    Biocarvão de bagaço de laranja remove poluentes da água

    Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram que o biocarvão produzido a partir do bagaço de laranja pode purificar a água. Em geral, o material apresentou alta eficiência na remoção de poluentes e bactérias, tornando-se uma alternativa sustentável e econômica para o reuso agrícola.

    A produção de suco de laranja gera grande volume de resíduos. O processamento da laranja gera bagaço, que  representa cerca de 50% da fruta. A indústria descarta a maior parte e usa apenas uma fração como fibra na ração animal.

    A safra 2024/25 deve alcançar 228,52 milhões de caixas de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Esse volume resultará em cerca de 1 milhão de toneladas de suco concentrado e congelado.

    Diante desse cenário, pesquisadores da UFSCar produziram biocarvão a partir do bagaço entre 2021 e 2024. O estudo revelou propriedades filtrantes capazes de remover contaminantes da água, tornando-a própria para reuso na agricultura.

    Filtragem eficiente

    Os pesquisadores aquecem o bagaço em um compartimento fechado, com pouco ou nenhum oxigênio, a temperaturas entre 300°C e 800°C para obter o biocarvão.

    Os testes mostraram que o material reduz macronutrientes como fósforo e magnésio e elimina de 60% a 70% das bactérias presentes na água.

    Os cientistas usaram amostras de um tanque séptico da estação experimental da UFSCar, que recebe resíduos de banheiros e refeitórios. Segundo a engenheira química Mariana Paola Cabrini, uma das autoras do estudo, o biocarvão não substitui materiais filtrantes já existentes, mas pode ser uma alternativa viável.

    “Ele pode substituir o carvão ativado em alguns sistemas, mas a ideia é oferecer uma solução sustentável para o tratamento de águas residuais”, explica Mariana. O material pode ser produzido em pequenas empresas ou até mesmo em casa. No entanto, os pesquisadores ainda precisam estudar a viabilidade comercial.

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