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  • Murici, babaçu e camu-camu: ingredientes amazônicos conquistam a indústria brasileira

    Murici, babaçu e camu-camu: ingredientes amazônicos conquistam a indústria brasileira

    Murici, bacaba, camu-camu, taperebá e bacuri. Ingredientes amazônicos até pouco tempo ignorados pelo mercado nacional avançam sobre prateleiras e formulações da indústria brasileira. O movimento ganha força com o apoio da Plataforma Digital da Floresta, desenvolvida pelo Instituto CERTI Amazônia, que conecta empresas a fornecedores de mais de 30 cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica.

    Murici, também conhecido como Muruci. Foto: Divulgação

    Além de produtos já consolidados, como açaí e cacau, a plataforma reúne ingredientes ainda pouco explorados comercialmente, como vinagreira, taioba e taperebá. O interesse vem crescendo nos setores de alimentação, cosméticos e farmacêutico. Áreas que buscam insumos naturais diante de uma demanda global por sustentabilidade.

    Babaçu surpreende e lidera procura em 2025

    Entre os destaques de 2025, o babaçu registrou uma procura acima do esperado. A plataforma viabiliza a comercialização direta entre produtores e indústrias, oferece rastreabilidade dos produtos e aplica inteligência de dados à bioeconomia. O sistema analisa variáveis como produção, clima e disponibilidade de insumos para melhorar o planejamento das cadeias produtivas e aumentar a previsibilidade das safras.

    A Natura é uma das empresas que já utiliza essa tecnologia. A plataforma apoia a previsão de safras de castanha usadas nos produtos da companhia.

    Marco Giagio, diretor do Instituto CERTI Amazônia, apresentando a Plataforma Digital da Floresta. Foto: Divulgação

    “Isso garante maior estabilidade econômica às comunidades extrativistas e segurança de fornecimento para a indústria. Ao utilizar inteligência de dados aplicada à bioeconomia, conseguimos melhorar a organização da cadeia produtiva”, afirma Marco Giagio, diretor do Instituto CERTI Amazônia.

    Plataforma reúne três ferramentas e expande para o Sul e Sudeste

    A Plataforma Digital da Floresta opera com três soluções integradas: o Bioconex, hub de marketplaces para negociações entre produtores e compradores; o Vem de Onde, que garante a rastreabilidade dos produtos; e o BI da Floresta, responsável pela análise de dados e geração de inteligência para a tomada de decisões.

    Nos últimos anos, a plataforma passou a concentrar ofertas de dezenas de cadeias produtivas, permitindo que empresas identifiquem fornecedores, visualizem a origem dos produtos e negociem diretamente com produtores, cooperativas e associações da região. Provas de conceito realizadas em 2025 avaliaram a capacidade de fornecimento para mercados do Sul e Sudeste, abrindo caminho para ampliar a comercialização em outras regiões do país.

    “Ao estruturar essas conexões, a iniciativa fortalece as cadeias produtivas amazônicas e amplia a geração de renda para comunidades extrativistas, ao mesmo tempo em que facilita o acesso da indústria a novos insumos”, conclui Giagio.

  • Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    O mercado internacional de cacau permanece sob forte volatilidade em 2025. Os preços da commodity atingiram patamares historicamente altos devido à quebra de safra nos principais países produtores da África Ocidental, região responsável por quase 70% da produção mundial. A escassez de oferta e as incertezas climáticas têm elevado o risco de um novo déficit no balanço global. E podem configurar o quarto ano consecutivo de saldo negativo.

    A safra 2024/25 na Costa do Marfim e em Gana, líderes globais na produção de cacau, foi impactada por condições climáticas adversas, resultando na menor oferta dos últimos oito anos. Estimativas apontam que a produção marfinense deve ficar entre 1,75 e 1,80 milhão de toneladas, patamar semelhante ao ciclo anterior e bem abaixo dos recordes históricos. O clima seco e as chuvas insuficientes limitaram o desenvolvimento das lavouras, frustrando expectativas de recuperação para a safra intermediária de 2025.

    Com a oferta restrita, os preços futuros do cacau dispararam. Ele chegou a  superar US$ 11 mil por tonelada em 2024 e permanecendo acima de US$ 8 mil em 2025, um aumento de 180% em dois anos. Apesar de uma leve queda recente, as cotações seguem significativamente acima da média histórica, pressionando a indústria global de chocolates e derivados.

    Novos players ganham espaço, mas não compensam queda africana

    A alta nos preços tem estimulado o crescimento da produção em países como Equador, Indonésia e Nigéria, que apresentam exportações mais robustas em 2025. No entanto, o avanço desses mercados ainda não é suficiente para suprir a lacuna deixada pela queda africana, mantendo o cenário global de oferta apertada.

    Outro fator de instabilidade é o ritmo mais lento das vendas antecipadas da safra 2025/26 por parte das entidades estatais de comercialização da Costa do Marfim e Gana, fundamentais para a definição de preços ao produtor e para sinalizar expectativas de produção. O atraso nas negociações reforça a percepção de risco sobre a próxima colheita.

    Apesar de alguns indicadores climáticos apontarem chuvas próximas à normalidade para o início da nova safra, analistas recomendam cautela. Caso o clima favorável se mantenha e os preços elevados incentivem investimentos em manejo, há potencial para recuperação. Mas ainda é cedo para prever uma reversão do quadro atual.

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  • Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    O bacuri (Platonia insignis) é uma das joias da biodiversidade brasileira, uma fruta que encanta pelo sabor único e pelos inúmeros benefícios à saúde. Nativa da região amazônica, especialmente do Pará, Maranhão e Piauí, essa fruta de polpa cremosa e sabor agridoce vai muito além da culinária – é um símbolo cultural, um aliado da medicina tradicional e um recurso econômico vital para comunidades locais.

    O bacuri é um superalimento rico em nutrientes essenciais, como:

    • Vitaminas (A, B1, B2, B3 e C) – fortalecem o sistema imunológico e a saúde da pele.
    • Minerais (potássio, fósforo, cálcio e ferro) – ajudam no controle da pressão arterial e na saúde óssea.
    • Fibras – melhoram a digestão, combatem a prisão de ventre e promovem saciedade.
    • Antioxidantes (flavonoides, betacaroteno e vitamina C) – combatem radicais livres, retardam o envelhecimento e previnem doenças crônicas.

    Além disso, o óleo de bacuri, extraído de suas sementes, é amplamente utilizado na indústria cosmética por suas propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e hidratantes, sendo um ingrediente-chave em cremes, shampoos e sabonetes.

    A árvore que “nasce até dentro de casa”

    A árvore do bacuri, conhecida como bacurizeiro, é uma gigante da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura e viver mais de 100 anos. Algumas curiosidades fascinantes sobre ela incluem:

    • Nome indígena: a palavra “bacuri” vem do tupi e significa “cai logo”, referindo-se ao fato de o fruto se desprender da árvore quando maduro.
    • Reprodução peculiar: o bacurizeiro se reproduz tanto por sementes quanto por brotamentos das raízes, o que faz com que surjam novas árvores até mesmo perto de residências – daí o ditado popular: “O bacurizeiro nasce até dentro de casa”.
    • Safra sazonal: os frutos amadurecem entre janeiro e junho, sendo colhidos principalmente no Norte do Brasil.

    O bacuri na vida das comunidades amazônicas

    Para os povos tradicionais da Amazônia, o bacuri vai muito além de uma simples fruta – é fonte de renda, alimento e medicina.

    Economia local: a coleta e venda do bacuri sustentam famílias inteiras, especialmente em feiras livres do Pará e Maranhão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empoderamento feminino: muitas cooperativas de mulheres trabalham no processamento artesanal da fruta, produzindo doces, geleias e cosméticos, fortalecendo a economia regional.

    Uso medicinal: na medicina tradicional, o bacuri é usado para tratar dores de ouvido, inflamações na pele e até picadas de cobras e aranhas.

    Como consumir bacuri?

    A versatilidade do bacuri na culinária é impressionante. Confira algumas formas de incluí-lo na dieta:

    In natura: a polpa cremosa pode ser consumida diretamente da fruta.

    Sucos e smoothies: bata a polpa com água ou leite para uma bebida refrescante.

    Sobremesas: sorvetes, mousses, bolos e geleias são preparações tradicionais.

    Pratos salgados: molhos à base de bacuri combinam bem com peixes e carnes.

    Um futuro verde

    A produção sustentável do bacuri é essencial para a preservação da Amazônia. Empresas como a MAHTA e a feito brasil investem em sistemas agroflorestais que respeitam o ciclo natural da floresta, garantindo renda para comunidades locais e protegendo o meio ambiente.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O bacuri é muito mais que uma fruta – é um símbolo da riqueza amazônica, um aliado da saúde e um motor econômico para comunidades tradicionais.

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  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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