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  • Fiscalização apreende 368 toneladas de sementes irregulares

    Fiscalização apreende 368 toneladas de sementes irregulares

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu 368 toneladas de sementes irregulares de azevém durante uma operação conjunta realizada em Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul. A ação, que contou com o apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e da Polícia Civil do RS, identificou irregularidades documentais e operacionais em quatro empresas fiscalizadas.

    Foto: MAPA

    Durante a vistoria, duas produtoras de sementes forrageiras de clima temperado e duas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades detectadas resultaram na autuação dos responsáveis e na apreensão dos produtos, avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.

    Segundo o Mapa, a apreensão foi motivada pela falta de comprovação de origem e procedência das sementes e pela prestação irregular de serviços de beneficiamento. Por não apresentarem condições de regularização imediata, os produtos permanecerão apreendidos até a conclusão do processo administrativo. Caso as infrações sejam confirmadas, as sementes poderão ser condenadas e inutilizadas.

    As equipes conduziram a ação com o suporte das Delegacias Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete e reforçaram o compromisso dos órgãos de fiscalização no combate à fraude e a irregularidades no setor agropecuário gaúcho.

  • Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido

    Área cultivada com azevém no Brasil tem crescido

    O azevém (Lolium multiflorum) tem se consolidado como uma das principais forrageiras de inverno no Brasil. Especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde sua produção é fundamental para a suplementação alimentar de rebanhos. De acordo com dados da Embrapa, a área cultivada com azevém no Brasil tem crescido, refletindo a demanda por forragem de alta qualidade durante os meses mais frios do ano.

    No inverno de 2023, foram cultivados aproximadamente 32.500 hectares de azevém na região dos Campos Gerais do Paraná, uma área significativa que demonstra a importância dessa cultura para a produção de leite e carne. A produtividade média do azevém pode variar entre 6 a 8 toneladas por hectare, dependendo das condições climáticas e do manejo adotado. Estudos indicam que a produção total de massa seca pode alcançar até 8.544 kg/ha em condições ideai. Isso destaca o potencial dessa forrageira para atender as necessidades nutricionais dos rebanhos durante o inverno.

    Lucratividade e rentabilidade

    A rentabilidade do cultivo de azevém é influenciada por diversos fatores, incluindo os custos de produção e o preço do leite ou da carne no mercado. Segundo especialistas, o uso adequado de insumos, como fertilizantes nitrogenados, pode aumentar significativamente a produção. Para cada quilo de nitrogênio aplicado, observa-se um aumento linear de aproximadamente 2,82 kg/ha na massa de forragem, o que pode resultar em maior lucratividade para os produtores.

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    Além disso, a adoção de novas cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Integração, que apresenta um ciclo precoce e uma produtividade superior em até 5%, também contribui para melhorar a rentabilidade dos produtores. Essa cultivar permite que os agricultores realizem a ressemeadura natural antes do preparo das áreas para culturas de verão, como soja e milho.

    Desafios e oportunidades

    Apesar dos benefícios, o cultivo de azevém enfrenta desafios relacionados à necessidade de manejo adequado e às condições climáticas. A cultura é exigente em termos de solo e umidade, o que requer atenção especial por parte dos produtores. No entanto, as condições edafoclimáticas favoráveis nos Campos Gerais do Paraná têm proporcionado um ambiente propício para a produção eficiente dessa forrageira.

    Em resumo, o azevém se destaca como uma cultura estratégica para o agronegócio brasileiro, especialmente na suplementação alimentar durante o inverno. Com dados positivos sobre sua produtividade e rentabilidade, além das inovações no melhoramento genético das cultivares, espera-se que o cultivo continue a crescer. Contribuindo desta forma significativamente para a economia rural do país.

  • Satélites impulsionam monitoramento de sistemas de integração lavoura-pecuária

    Satélites impulsionam monitoramento de sistemas de integração lavoura-pecuária

    Um estudo realizado pela Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), demonstrou o potencial do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI) no monitoramento de sistemas agrícolas integrados, utilizando dados da constelação de satélites Sentinel-2.

    A pesquisa analisou dois ciclos completos do sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que combina o cultivo de soja no verão e azevém no inverno, destacando a correlação entre o NDVI, a produtividade da soja e as condições climáticas.

    O estudo utilizou 72 imagens livres de nuvens de um total de 288 passagens de satélites, com uma taxa de aproveitamento de 25%. As imagens foram obtidas da plataforma EarthExplorer, do Serviço Geológico dos EUA (USGS), e processadas automaticamente com Python e o software QGIS. A análise gerou mapas NDVI para cada passagem, que permitiram avaliar o vigor da vegetação e a variabilidade espacial das culturas.

    NDVI e sua aplicação no monitoramento agrícola

    De acordo com o pesquisador Marcos Neves, da Embrapa Meio Ambiente, o NDVI se mostrou uma ferramenta eficaz para acompanhar o desenvolvimento das culturas em diferentes condições climáticas. No primeiro ciclo de soja, marcado por baixa precipitação (160,1 mm nos 90 dias após a semeadura), o NDVI registrou descontinuidade no crescimento. Isso refletindo em uma produtividade de 1,04 t/ha em 2018. Já no segundo ciclo, com chuvas de 649 mm, o NDVI atingiu picos mais altos e constantes, resultando em uma produtividade de 2,81 t/ha em 2019.

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    O monitoramento por satélites também revelou que o azevém apresentou desenvolvimento mais homogêneo, com picos de NDVI de 0,94 e 0,93 nos dois ciclos avaliados. Essa estabilidade foi atribuída à maior disponibilidade hídrica durante o período frio, favorecendo a cultura e reduzindo a variabilidade espacial.

    Desafios e perspectivas para o monitoramento por satélite

    Embora o Sentinel-2 ofereça alta resolução espacial (10 metros) e frequência de revisita de dois a três dias em latitudes médias, a presença frequente de nuvens ainda é um desafio. Segundo Neves, a alta frequência de revisita e a gratuidade dos dados do Sentinel-2 representam vantagens significativas para o uso do NDVI na agricultura de precisão.

    “Apesar das limitações, o NDVI tem se mostrado uma ferramenta valiosa para estimar vigor e produtividade das culturas. Especialmente em sistemas integrados como a ILP”, afirma Alfredo Luiz, também pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. O estudo ainda destacou a importância de maiores taxas de revisita para fornecer dados cruciais em momentos decisivos do manejo agrícola.

    O futuro do NDVI na gestão agrícola

    A pesquisa abre caminho para novas aplicações do NDVI, como a estimativa de biomassa em sistemas de integração lavoura-pecuária, ajudando a determinar a taxa de lotação ideal nas pastagens. Os pesquisadores planejam aprofundar os estudos, relacionando os mapas de produtividade com os índices NDVI em diferentes estágios fenológicos.

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    A integração de tecnologias de sensoriamento remoto e o processamento eficiente de dados têm o potencial de revolucionar a gestão agrícola. Além disso, combinadas, essas ferramentas prometem avanços significativos na agricultura de precisão. Permitindo uma tomada de decisão mais estratégica e sustentável, alinhada às necessidades do agronegócio brasileiro.