Tag: azeite Virgem

  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Entenda as diferenças entre os tipos de azeites

    Entenda as diferenças entre os tipos de azeites

    O azeite de oliva é um dos ingredientes mais valorizados na gastronomia mundial, mas nem todos conhecem as diferenças entre os tipos mais comuns de azeites: azeite virgem, extra virgem e outros tipos refinados.

    Entender essas diferenças é essencial para escolher o produto certo de acordo com suas necessidades culinárias e preferências de sabor e qualidade.

    Azeite extra virgem

    O azeite extra virgem é considerado a mais alta categoria de azeite de oliva. Ele é obtido diretamente das azeitonas e exclusivamente por processos mecânicos, sem a utilização de produtos químicos ou tratamentos de calor.

    Para ser classificado como extra virgem, o azeite deve ter uma acidez livre (expressa em ácido oleico) de até 0,8% e passar em rigorosos testes sensoriais que garantam a ausência de defeitos e a presença de aromas e sabores frutados. Esse tipo de azeite é ideal para temperar saladas, pães e finalizar pratos, oferecendo um sabor fresco e complexo.

    Azeite virgem

    O azeite virgem também é produzido por métodos mecânicos e é menos processado que as versões refinadas. Sua acidez pode chegar até 2%, e ele pode ter leves imperfeições sensoriais, embora mantenha boa parte das propriedades saudáveis e do sabor das azeitonas. O azeite virgem é uma opção mais acessível que o extra virgem. Ele pode ser usado tanto em cozimentos de baixa temperatura quanto em preparos frios.

    Azeites refinados e azeite comum

    Os azeites refinados passam por um processo de tratamento químico e térmico para remover impurezas e defeitos sensoriais. Por isso, eles têm uma acidez praticamente nula (geralmente inferior a 0,3%), mas também perdem uma parte significativa de seu sabor e benefícios nutricionais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Conheça as carnes mais caras do mundo
    + Agro em Campo: Saiba como evitar azeite falso

    Esses azeites são frequentemente misturados com azeites virgens para melhorar seu sabor e cor, originando o azeite comum ou “azeite de oliva”, que costuma ser mais acessível e é indicado principalmente para cozimentos e frituras.

    Como não ser enganado

    Para evitar ser enganado na hora de escolher entre um dos vários tipos de azeites, é importante ficar atento a alguns aspectos:

    • Rotulagem: Verifique o rótulo do produto. Um azeite extra virgem legítimo terá informações claras sobre sua acidez (deve ser inferior a 0,8%) e a origem. Certifique-se de que o produto realmente traz essa classificação e não apenas a palavra “virgem” ou “puro”, que podem indicar misturas.
    • Acidez: A acidez não é algo perceptível ao paladar, mas sim um indicador de qualidade que pode ser verificado na embalagem. Azeites extra virgens têm acidez máxima de 0,8%, enquanto os virgens podem ter até 2%.
    • Data de colheita e validade: Um bom azeite deve indicar a data de colheita das azeitonas. Quanto mais recente, melhor o sabor e a qualidade. Além disso, preste atenção na data de validade para garantir que o azeite esteja fresco.
    • Cor e embalagem: A cor do azeite pode variar do verde intenso ao amarelo dourado, mas não indica qualidade. Já a embalagem é importante: prefira azeites em garrafas escuras, que protegem o produto da luz e preservam melhor suas propriedades.
    • Sabor e aroma: Se possível, experimente o azeite. O extra virgem tem sabor e aroma mais frutados, levemente picantes e amargos, indicativos de maior frescor e qualidade.
    • Preço: Azeites de qualidade, especialmente os extra virgens, tendem a ter um preço mais elevado devido ao processo de produção mais rigoroso. Desconfie de produtos com preços muito baixos para a categoria “extra virgem”.

    Com essas dicas, enfim, é possível escolher o azeite que realmente corresponde à sua classificação e qualidade esperada, evitando fraudes e garantindo que você tenha um produto autêntico na sua mesa.

    Como escolher o melhor azeite

    Para escolher o azeite ideal, leve em consideração o uso pretendido. O extra virgem é perfeito para pratos que exijam mais sabor e qualidade, enquanto o virgem é uma boa opção intermediária. Para cozimentos que requerem altas temperaturas, os azeites refinados podem ser mais adequados.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Parlamento Europeu adia lei antidesmatamento por 1 ano
    + Agro em Campo: Brasil registra recorde de exportação de café em outubro

    Os azeites extra virgem e virgem contêm antioxidantes naturais, como polifenóis, que ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares e têm propriedades anti-inflamatórias. Os azeites refinados, por outro lado, apresentam uma menor quantidade desses compostos devido ao processo de refino.

    Sendo assim, conhecer essas diferenças ajuda a aproveitar melhor as qualidades de cada tipo de azeite, destacando suas características e otimizando suas aplicações na cozinha.