Tag: azeite extravirgem

  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    Da azeitona à garrafa: como nasce um bom azeite

    O rótulo promete “extra virgem” e “extração a frio”, mas poucos consumidores sabem o que essas palavras realmente significam. Entre a colheita da azeitona e o momento em que o azeite chega à mesa, o fruto passa por um processo rápido, mecânico e extremamente sensível à temperatura. Um atraso de poucas horas ou um aumento de poucos graus já compromete o sabor, o aroma e os benefícios nutricionais do produto final.

    azeite sendo derrubado em uma vasilha
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    No Brasil, regiões como a Serra da Mantiqueira (MG/SP) e o Rio Grande do Sul lideram essa produção em expansão. Aline Coquieri Belli, responsável pela produção de azeite da Vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal (SP), e Cláudia Santos, sommelière de azeites e mestra de lagar da Fazenda Serra dos Tapes, em Canguçu (RS), acompanham de perto cada etapa desse processo. A seguir, entenda o caminho que a azeitona percorre até virar azeite.

    A colheita: o relógio começa a contar

    Tudo começa no momento exato da colheita, geralmente feita à mão ou com auxílio de maquinário, nas primeiras horas da manhã, quando a fruta atinge o ponto ideal de maturação. A partir daqui, a azeitona entra em uma corrida contra o tempo: quanto mais cedo ela chegar ao lagar, o local onde acontece o processamento, melhor.

    Segundo Aline Coquieri Belli, o transporte rápido das azeitonas até o lagar evita a fermentação e a oxidação da fruta, dois processos que aumentam a acidez e derrubam a qualidade do azeite. Na avaliação da especialista, o ideal é que toda essa etapa, da colheita ao início do processamento, leve no máximo um dia. Algumas produtoras, como a própria Fazenda Serra dos Tapes, mantêm o lagar junto ao olival justamente para reduzir essa distância ao mínimo.

    Lavagem e moagem: a fruta vira pasta

    No lagar, as azeitonas passam primeiro por uma lavagem, que remove folhas, gravetos e impurezas. Em seguida, entram na moedora, que tritura o fruto inteiro, incluindo o caroço, até formar uma massa espessa e homogênea, conhecida como pasta de azeitona ou pasta de oliva.

    colheita de azeitonas
    Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Essa etapa precisa acontecer logo depois da colheita. Quanto mais tempo a azeitona espera antes da moagem, maior o risco de fermentação, o que prejudica diretamente o sabor e a acidez do azeite.

    Malaxagem: a etapa que decide a qualidade

    Depois de moída, a pasta segue para a malaxagem (também chamada de batedura), um processo de mistura lenta e contínua que dura, em média, entre 30 e 60 minutos. A função dessa etapa é unir as pequenas gotículas de azeite espalhadas pela pasta, formando gotas maiores que a centrífuga consegue separar com mais eficiência depois.

    É exatamente aqui que mora o segredo da “extração a frio”: durante toda a malaxagem, a temperatura da pasta não pode ultrapassar 27°C. Acima desse limite, as reações químicas de oxidação se aceleram, e o azeite perde polifenóis, vitamina E e os compostos voláteis responsáveis pelo aroma. O calor até aumenta o volume de óleo extraído, mas reduz a qualidade sensorial e nutricional do produto. Uma troca que os bons produtores evitam.

    Na Fazenda Serra dos Tapes, batedeiras equipadas com sistema de refrigeração mantêm essa temperatura sob controle constante durante todo o processo, segundo explica Cláudia Santos. A especialista lembra ainda que o termo “prensado a frio”, comum em rótulos antigos, descreve um método já praticamente abandonado pela indústria: hoje, a extração não usa mais prensas mecânicas, e sim centrífugas, o que torna “extraído a frio” a expressão tecnicamente correta.

    Centrifugação: o fim das prensas tradicionais

    Até algumas décadas atrás, a separação do azeite acontecia por meio de prensas hidráulicas, que pressionavam fisicamente a pasta entre discos de fibra. O método funcionava, mas expunha o azeite a mais oxigênio e oferecia menos controle de higiene e eficiência.

    Os lagares modernos substituíram as prensas por decantadores centrífugos, equipamentos que giram a alta velocidade e separam o azeite da água de vegetação e do bagaço (a parte sólida da azeitona) em um processo contínuo, rápido e muito mais preciso. Essa centrifugação acontece, também, dentro do limite de temperatura da extração a frio.

    Decantação, filtragem e engarrafamento

    Depois de separado, o azeite ainda carrega pequenas partículas sólidas em suspensão. Algumas produtoras deixam o líquido em repouso por um período curto, permitindo que essas impurezas decantem naturalmente. Outras optam pela filtragem, que retira até os últimos resíduos e deixa o azeite mais límpido. Essa é apenas uma escolha estética, já que o azeite turvo (não filtrado) não perde qualidade por isso.

    A etapa final é o envase. As garrafas costumam ser de vidro escuro, e o motivo é técnico, não apenas estético: a luz acelera a oxidação do azeite e degrada seus compostos com a mesma rapidez que o calor. Embalagens escuras, frascos metálicos ou caixas protegem o produto até a abertura.

    Como saber se um azeite é mesmo de qualidade

    Os rótulos trazem alguns números que ajudam o consumidor a avaliar o que está comprando. A acidez, expressa em ácido oleico, não pode ultrapassar 0,8% para um azeite ser classificado como extravirgem. Porém, os de altíssima qualidade costumam ficar abaixo de 0,2%. Já o índice de peróxidos mede o grau de oxidação do produto: quanto mais baixo, mais fresca foi a azeitona e mais cuidadoso foi o processo de extração.

    Cláudia Santos destaca outro diferencial dos azeites brasileiros: por chegarem às prateleiras logo após a produção, eles preservam frescor e sabor que muitos importados, depois de meses em trânsito, já não conseguem manter.

    O Brasil entrando na rota do azeite extravirgem

    A olivicultura nacional é recente, mas cresce rápido. Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é considerada o berço do azeite brasileiro. A cidade recebeu as primeiras mudas de oliveira na década de 1930, trazidas por um imigrante português que notou semelhanças entre o clima local e o de sua terra natal. Décadas depois, em 2008, pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) resultaram na primeira extração de azeite extravirgem do país.

    produtor de azeite colhendo azeitonas
    Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir, durante a colheita da safra 2026. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Hoje, regiões como a Serra da Mantiqueira e o interior do Rio Grande do Sul reúnem produtores que aplicam tecnologia de ponta na produção. E seguem rigorosamente o controle de temperatura da extração a frio, para colocar o azeite brasileiro no mesmo patamar dos grandes produtores internacionais.

  • Quantos dos melhores azeites do mundo estão no Brasil? País já tem 9 rótulos entre os principais do planeta

    Quantos dos melhores azeites do mundo estão no Brasil? País já tem 9 rótulos entre os principais do planeta

    O Brasil vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional de azeites premium. Atualmente, o país possui nove azeites reconhecidos entre os 500 melhores do mundo no tradicional guia italiano Flos Olei, considerado a principal referência global do setor.

    Os rótulos brasileiros têm chamado atenção principalmente pela qualidade, frescor e baixa acidez. Grande parte da produção premiada está concentrada no Rio Grande do Sul, mas Minas Gerais e a Serra da Mantiqueira também aparecem entre os destaques.

    Confira os azeites brasileiros presentes no ranking internacional:

    • Fazenda do Azeite Sabiá (RS/SP) – 98 pontos
    • Prosperato (RS) – 97 pontos
    • Lagar H (RS) – 93 pontos
    • Estância das Oliveiras (RS) – 93 pontos
    • Capela de Santana (RS) – 90 pontos
    • Azeite Bem Te Vi (RS) – 89 pontos
    • Al-Zait & Co. (RS) – 87 pontos
    • Azeite Verolí (MG) – 86 pontos
    • Borriello (MG) – 81 pontos

    A maior pontuação já alcançada pelo Brasil no Flos Olei pertence à Fazenda do Azeite Sabiá, que recebeu 98 pontos.

    Azeite brasileiro também acumula premiações internacionais

    Além do reconhecimento no guia italiano, produtores nacionais seguem colecionando medalhas em algumas das principais competições do mundo.

    Um dos destaques recentes foi o azeite Estância das Oliveiras Frantoio, produzido em Viamão (RS). O rótulo recebeu nota máxima, 100 de 100, e conquistou o prêmio “Best in Show” no European International Olive Oil Competition (EIOOC), realizado na Suíça.

    Outras marcas brasileiras, como Prosperato, Lagar H e Azeite Sabiá, também aparecem frequentemente entre os vencedores de concursos internacionais.

    Azeite extravirgem brasileiro se destaca internacionalmente pelo frescor, baixa acidez e aromas intensos — Foto: MAPA

    Frescor brasileiro

    Especialistas apontam que um dos principais diferenciais do azeite brasileiro é o frescor.

    Como a colheita ocorre no outono do Hemisfério Sul, os produtos nacionais chegam ao mercado meses antes da nova safra europeia. Isso ajuda a preservar aromas, antioxidantes e níveis mais baixos de acidez.

    Além do Sul do país, produtores da Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, também vêm se consolidando no segmento de azeites premium, com marcas reconhecidas internacionalmente.

  • MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    MAPA apreende azeite falso e alerta consumidores; entenda os motivos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta aos consumidores após identificar irregularidades em um lote de azeite de oliva extravirgem da marca San Paolo. Segundo o órgão, o produto do lote 260289 foi considerado impróprio para consumo humano depois de análises realizadas pela fiscalização federal.

    A investigação foi conduzida pela Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo (SFA-SP). Durante a operação, os fiscais recolheram amostras do produto, que passaram por testes no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Goiás. Os exames confirmaram a presença de mistura de outros óleos vegetais, prática que caracteriza fraude contra o consumidor.

    Diante do resultado, o Mapa determinou o recolhimento imediato do lote adulterado.

    Além da irregularidade na composição do alimento, os fiscais encontraram problemas cadastrais considerados graves. O CNPJ e o endereço informados nos rótulos e nas notas fiscais não foram localizados pelas autoridades. Ainda conforme o ministério, a empresa responsável pela importação e comercialização do azeite foi notificada, porém não respondeu ao chamado e deverá sofrer sanções administrativas.

    Azeite da marca San Paolo

    O governo federal também alertou os estabelecimentos comerciais. Isso porque manter o produto à venda, mesmo após a determinação de recolhimento, pode gerar responsabilização e punições.

    Enquanto isso, consumidores que compraram o azeite devem interromper o uso imediatamente e solicitar a substituição do produto, direito previsto no Código de Defesa do Consumidor. Denúncias sobre a venda irregular podem ser registradas na plataforma Fala.BR.

    Como identificar um azeite verdadeiro?

    Grande parte das apreensões feitas pelo Mapa ocorre por causa da descaracterização do produto, especialmente quando há mistura de óleos vegetais mais baratos. Por isso, entender as diferenças entre as categorias ajuda o consumidor a evitar fraudes.

    Azeite extravirgem

    É produzido apenas com azeitonas e extraído por processos mecânicos, sem alterações químicas. Além disso, possui a menor acidez entre as categorias. Para ser considerado extravirgem, o produto deve apresentar:

    • Acidez menor que 0,8%
    • Índice de peróxidos menor ou igual a 20 meq O2/kg

    Azeite virgem

    Também é obtido exclusivamente de azeitonas e por processos mecânicos. No entanto, possui acidez um pouco maior. Os limites permitidos são:

    • Acidez menor que 2,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 20 meq O2/kg

    Azeite de oliva tipo único

    Os produtos das categorias “azeite de oliva” e “azeite de oliva refinado” costumam ser mais indicados para preparações em altas temperaturas, como frituras. Nesses casos, os parâmetros devem ser:

    • Acidez menor que 1,0%
    • Índice de peróxidos igual ou inferior a 15 meq O2/kg

    O Mapa reforça que produtos com índices acima desses limites ou com mistura de óleos de sementes não podem ser comercializados legalmente como azeite.

  • Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    O Olivas de Gramado alcançou um marco histórico na safra de azeitonas de 2026 e consolidou o melhor desempenho desde o início da produção, em 2020. Em cerca de 60 dias de colheita, o empreendimento colheu aproximadamente 80 toneladas de azeitonas, cultivadas em mais de 12,6 mil oliveiras distribuídas em 29 hectares, na Serra Gaúcha.

    O volume representa um crescimento de 220% em relação à safra de 2025, quando a produção somou 25 mil quilos. O resultado garantiu a extração de mais de 10 mil litros de azeite extravirgem no lagar próprio, destinado às linhas especiais aromatizadas e ao rótulo Terroir Serrano, já reconhecido em mais de dez concursos internacionais.

    O avanço na produção reflete o manejo preciso dos olivais, aliado às condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo. A equipe técnica também contribuiu diretamente para o desempenho, ao manter padrões elevados nas etapas de colheita e extração.

    Segundo o CEO e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci, a safra representa uma recuperação importante após anos desafiadores. “Depois de duas safras impactadas pelo clima, 2026 trouxe um recorde absoluto na quantidade de frutos colhidos, tanto no Olivas de Gramado quanto na maior parte dos olivais do Rio Grande do Sul”, afirma.

    Bertolucci destaca ainda o impacto do crescimento para o mercado. “O aumento da produção abre espaço para novos mercados. E fortalece o azeite brasileiro, que já se destaca pela qualidade e agora alcança um número maior de consumidores”, completa.

    Premiações internacionais

    A safra 2026 já conquistou reconhecimento fora do país. O azeite produzido pelo Olivas de Gramado recebeu medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia, e no Masters of Olive Oil, em Monte Carlo.

    O rótulo Terroir Serrano ainda participará de outras competições relevantes ao longo do ano, como o EVOO IOOC, na Itália, e o London IOOC, na Inglaterra.

    Olivoturismo em expansão

    Pioneiro no olivoturismo no Brasil, o Olivas de Gramado amplia sua atuação ao integrar produção agrícola e experiência turística. Localizado na Linha Nova, marco zero do município, o parque ocupa uma área cercada por Mata Atlântica e formações naturais com cristais de quartzo.

    O empreendimento oferece atrações que combinam lazer, gastronomia e educação. Entre as experiências disponíveis estão visitas guiadas pelos olivais, degustações sensoriais de azeite, trilhas ecológicas e atividades interativas.

    A estrutura inclui trattoria, cafeteria, áreas para piquenique e espaços temáticos. Os visitantes também podem participar de experiências como a criação de blends personalizados de azeite e imersões sobre a história e cultura da olivicultura.

  • Azeite brasileiro vence concurso internacional na Espanha

    Azeite brasileiro vence concurso internacional na Espanha

    A Vinícola Essenza abriu a temporada internacional do azeite de oliva extravirgem com um resultado expressivo: dois ouros no CINVE 2026, o Concurso Internacional de Azeites de Oliva Virgem Extra realizado na Espanha. Os rótulos premiados são o Mantikir Summit Blend e o Mantikir Coratina, ambos da safra 2026. O resultado saiu nesta quinta-feira (9) e coloca a vinícola como a única representante da região Sudeste do Brasil entre os vencedores desta edição.

    Foto: Régis Silva/Divulgação

    O CINVE integra o EVOO World Ranking, um dos principais rankings globais do setor. A avaliação adota degustação às cegas, com jurados especializados que pontuam as amostras em escala de até 100 pontos. Nesta edição, o concurso recebeu quase 1.000 amostras de países como Espanha, Portugal, Itália, França, Grécia, Argentina, Austrália, México, Peru, Tunísia e Turquia. A cerimônia de entrega das medalhas acontece em jantar de gala no dia 21 de maio de 2026, no Hotel InterContinental, em Madri.

    O olival mais alto do mundo desafia um verão sem sol

    A Vinícola Essenza fica em Maria da Fé, no sul de Minas Gerais, onde mantém o que especialistas reconhecem como o olival mais alto do mundo, a 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira. Na safra 2026, as oliveiras enfrentaram um verão mais ameno e com menor incidência de radiação solar, condição que impacta diretamente o desenvolvimento dos frutos.

    “A safra exigiu acompanhamento técnico constante e tomada de decisão precisa no campo. Tivemos um verão com menos sol, o que impacta diretamente o desenvolvimento das azeitonas, mas o resultado mostra que o terroir de Maria da Fé responde com consistência mesmo em cenários mais desafiadores”, afirma Herbert Sales, proprietário da vinícola.

    Para ele, a dupla premiação logo na abertura do calendário internacional confirma que a qualidade se manteve mesmo diante das adversidades climáticas. “Receber duas medalhas de Ouro logo na primeira avaliação do calendário internacional dá um sinal claro sobre o comportamento da safra 2026. É um resultado que chega no início da temporada e mostra que, mesmo com um ciclo de menor incidência solar, o trabalho no campo conseguiu manter o padrão exigido nas avaliações internacionais”, comemora.

    Os dois rótulos premiados têm características bem diferentes entre si. O Mantikir Summit Blend, com acidez de apenas 0,09%, apresenta notas herbáceas, baixa intensidade de aroma frutado e equilíbrio entre picância e amargor. Já o Mantikir Coratina, com acidez de 0,1%, traz intensidade elevada de notas verdes, com referências a rúcula, couve e molho de tomate, um perfil marcante e de personalidade forte.

    Premiação chega na véspera do principal evento da olivicultura nacional

    O timing do anúncio não poderia ser mais estratégico. A premiação acontece um dia antes do Azeitech 2026, evento organizado pela EPAMIG em Maria da Fé que, em sua sexta edição, reúne produtores, pesquisadores e especialistas para debater avanços técnicos, promover degustações e harmonizações com a nova safra.

    “O Azeitech é um espaço onde o que acontece no campo entra em discussão com quem pesquisa e desenvolve a olivicultura no Brasil. Chegar nesse ambiente com a safra 2026 já reconhecida internacionalmente contribui para qualificar esse diálogo”, destaca Herbert.

    Mantikir chega ao mercado em maio e segue para novos concursos

    Com a colheita ainda em andamento, os azeites Mantikir têm previsão de chegada ao mercado a partir de maio. Simultaneamente, a marca avança para novas avaliações em concursos europeus, incluindo a Escuela Superior del Aceite de Oliva (ESAO) e o Evooleum Awards.

    Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir, durante a colheita da safra 2026. Foto: Régis Silva/Divulgação

    Herbert Sales vê nesse cruzamento entre produção e avaliação técnica uma bússola para o trabalho no campo. “Enquanto a colheita ainda está em andamento, os resultados já começam a indicar o comportamento dos azeites nas análises sensoriais. Esse cruzamento entre campo e avaliação técnica contribui para decisões mais precisas ao longo do processo”, conclui o produtor.

  • Azeitech 2026 reúne especialistas e produtores de azeite

    Azeitech 2026 reúne especialistas e produtores de azeite

    Maria da Fé, reconhecida como a capital mineira do azeite extravirgem, recebe em 10 de abril a 6ª edição do Azeitech 2026. Este é um dos principais eventos da olivicultura em Minas Gerais e no Brasil. Organizado pela Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), o encontro acontecerá das 7h30 às 17h no Campo Experimental de Maria da Fé, com acesso gratuito.

    A programação reúne o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica, ambos voltados à difusão de conhecimento e inovação na cadeia do azeite. O Dia de Campo contará com palestras sobre manejo de doenças, cultivo de oliveiras e boas práticas na produção de azeite. Paralelamente, empresas do setor apresentarão insumos, maquinários e produtos na Mostra Tecnológica.

    Debate técnico e panorama da olivicultura

    Durante a tarde, o Painel Técnico “Cenários e Inovações na Olivicultura” reunirá pesquisadores e representantes do setor para discutir desafios e oportunidades da cadeia produtiva. O diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, Trazilbo de Paula, apresentará o estudo “Diagnóstico das Cadeias Agropecuárias de Minas Gerais: desafios produtivos, estruturais e tecnológicos”, coordenado pela Epamig com apoio da Fapemig.

    Segundo Trazilbo, a olivicultura se consolida como uma cultura emergente em Minas Gerais, com potencial de expansão para além do Sul de Minas. “O objetivo é detalhar os resultados do levantamento e compartilhar tecnologias já desenvolvidas pela Epamig, além de apresentar novas frentes de pesquisa voltadas à superação dos gargalos do setor”, explica.

    O painel também discutirá temas como agregação de valor, rastreabilidade de azeites e aproveitamento de resíduos. Com participação de representantes da Câmara Técnica Setorial de Olivicultura e de associações de produtores. A moderação ficará a cargo de Pedro Moura, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, e da pesquisadora Carolina Zambon.

    Como participar

    A participação no Azeitech 2026 é gratuita e as inscrições podem ser feitas no local no dia do evento. Mais informações estão disponíveis nos canais oficiais da Epamig e no site do Azeitech.

    Empresas interessadas em expor na 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura podem solicitar espaço pelo e-mail [email protected].

  • Festival do Azeite Olivas de Gramado celebra safra 2026 com experiências sensoriais e imersivas

    Festival do Azeite Olivas de Gramado celebra safra 2026 com experiências sensoriais e imersivas

    O Olivas de Gramado, parque pioneiro em olivoturismo no Brasil, abriu a temporada de colheita de azeitonas com o 2º Festival do Azeite Nostra Oliva. O evento acontece em oito datas: 28 de fevereiro; 1º, 7 e 8; 14 e 15; 21 e 22 de março. E reúne experiências sensoriais, gastronômicas e educacionais voltadas ao universo do azeite de oliva extravirgem.

    Foto: Divulgação

    Durante o festival, os visitantes acompanham de perto o processo de produção do azeite — da colheita manual nos olivais à extração do azeite recém-prensado. Cada participante leva para casa um frasco de 100 ml de azeite novello, não filtrado e rico em polifenóis e antioxidantes naturais. Esse tipo de azeite é conhecido por seus benefícios à saúde e por preservar o sabor original das azeitonas.

    Entre as atrações mais procuradas está a Degustação Sensorial Harmonizada, conduzida por um sommelier especialista. A atividade aborda a história das oliveiras, os perfis das variedades, as combinações com doces e salgados e as notas olfativas e gustativas de cada blend.

    A Imersão 360° também promete encantar o público, com projeções que contam a trajetória das oliveiras desde a mitologia grega até o panorama atual da olivicultura brasileira. O passeio a bordo do Expresso Olivas completa o roteiro, levando os visitantes pelos cânions Pedra Branca, entre os 29 hectares de plantações do parque.

    Mistura gastrônomica

    A gastronomia ítalo-germânica ganha espaço com o Piquenique Toscano, servido ao ar livre. A mesa inclui queijos, pães artesanais, cucas, frutas e espumantes, além da linha de azeites e infusões aromáticas da casa. O cardápio apresenta ainda o primeiro chopp de oliva da América Latina.

    O encerramento ocorre no Olivas Sunset, evento com DJs e saxofonista ao vivo, que embalam o pôr do sol nos cânions, um dos pontos altos da experiência. Quem participar recebe uma ecobag exclusiva, com uma garrafa da nova Olivas Bier (cerveja de oliva), um frasco de azeite novello e brindes preparados pelos patrocinadores.

    Segundo o azeitólogo e mestre lagareiro André Bertolucci, o festival reforça a conexão entre a marca, o território e as origens da imigração italiana na Serra Gaúcha. “Queremos que o público participe da colheita e entenda de perto o valor do azeite feito em solo brasileiro, com qualidade reconhecida internacionalmente”, afirma.

    O Olivas de Gramado, inaugurado em 2018, ocupa 150 hectares. Sendo 29 dedicados ao cultivo de seis variedades de azeitonas; Arbequina, Manzanilla, Picual, Frantoio, Ascolana e Koroneiki. Seus azeites já receberam prêmios em concursos como Flos Olei, NY IOOC, EVOO IOOC Itália, Athenas IOOC e Terra Olivo Israel, consolidando a marca entre as melhores do mundo.

    Os ingressos antecipados estão disponíveis por R$ 269 (primeiro lote) no site olivasdegramado.com.br/nostraoliva ou na Central de Agendamentos do parque. O ticket inclui 11 experiências, como degustações, colheita manual, passeio no Expresso Olivas, acesso VIP ao Olivas Sunset e souvenirs exclusivos.

  • Descubra como o azeite transforma suas refeições

    Descubra como o azeite transforma suas refeições

    Um simples fio de azeite de oliva pode transformar completamente uma refeição. O ingrediente milenar, presente na mesa de milhões de brasileiros, intensifica aromas, realça texturas e revela camadas de sabor em preparos que vão desde o arroz do almoço até as celebrações de fim de ano.

    A versatilidade do azeite conquista cada vez mais espaço na cozinha brasileira. O produto finaliza saladas, potencializa grelhados, adiciona cremosidade às massas e dá brilho a receitas tradicionais como o bacalhau natalino.

    Transformação imediata com gestos simples

    Finalizar um prato com azeite de oliva extravirgem não exige técnica sofisticada nem tempo. A ação simples traz resultados imediatos: legumes assados ganham notas herbáceas, sopas e cremes adquirem brilho e profundidade, torradas substituem a manteiga com leveza.

    “Quando falamos de pratos que carregam memória afetiva, como o clássico bacalhau das festas, o azeite de oliva transforma o prato como um todo. Ele traz complexidade aromática e sensação de frescor”, explica a nutricionista Dra. Aline Maldonado, consultada pela Josapar.

    No bacalhau, o azeite envolve as lascas do peixe, complementa a doçura das cebolas, equilibra a intensidade das azeitonas e une todos os sabores em harmonia.

    Benefícios científicos vão além do paladar

    A inclusão do azeite de oliva extravirgem na rotina alimentar combina prazer gastronômico com cuidados à saúde. “O azeite contém gorduras monoinsaturadas que contribuem para a saúde cardiovascular. Ele também apresenta compostos antioxidantes, como os polifenóis, que ajudam na redução de processos inflamatórios e auxiliam na proteção das células”, afirma Dra. Aline.

    A especialista destaca que o azeite extravirgem lidera como melhor opção para consumo diário devido ao baixo nível de acidez e à preservação dos compostos naturais. “O produto pode entrar tanto no preparo quanto na finalização dos pratos. O importante é priorizar versões de boa qualidade, com sabor equilibrado e aroma fresco”, acrescenta.

    A nutricionista ressalta apenas um cuidado: em preparos que vão ao fogo, é necessário atenção ao ponto de fumaça do azeite, menor quando comparado a outros óleos vegetais.

    De acordo com Dra. Aline, adultos devem consumir de 1 a 2 colheres de sopa de azeite extravirgem por dia. “Essa quantidade permite aproveitar os benefícios sem exagerar nas calorias. A pessoa pode distribui-lo ao longo das refeições, em preparos quentes ou frios, sem prejuízo às propriedades nutricionais”, orienta.

  • Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    Estância das Oliveiras: fazenda gaúcha é referência mundial de azeite

    A história começa com um ato de teimosia. Daqueles que parecem exagero no início — mas que, mais tarde, ali adiante, revelam visão. Foi assim com o engenheiro agrônomo Lucídio Morsch Goelzer, descendente de alemães, que decidiu apostar onde quase ninguém apostava: produzir azeite de oliva extravirgem de padrão internacional em pleno Rio Grande do Sul. Em Viamão. A apenas 28 quilômetros de Porto Alegre. No coração do clima subtropical. Difícil? Sim. Impossível? Ele jurava que não. Assim nasceu a história da premiada Estância das Oliveiras.

    O projeto nasceu há pouco mais de uma década, meio silencioso, meio ousado.  E, no começo, tudo parecia improvável. Lucídio importou oliveiras, testou variedades, perdeu noites. “Vai dar errado”, diziam. Não deu. Pelo contrário. Pouco a pouco, a propriedade virou laboratório, escola e vitrine.

    Transformou também o estado. Onde antes havia ceticismo, surgiu um polo. E, logo depois, surgiu outro. Um novo endereço de azeites premium no país.

    A Estância das Oliveiras cresceu. Cresceu mesmo. E não cresceu só no campo. A fazenda virou um conjunto elegante, quase cinematográfico.

    Um casarão histórico de 600 metros quadrados, assinado pelo arquiteto uruguaio Alberto Brizolara, domina a paisagem. É grande, imponente. Ali ao lado, quase colado, um lagar moderno extrai o azeite com precisão cirúrgica.

    E, sob a sombra de uma figueira centenária, visitantes descansam, conversam, respiram o lugar. Assim, com o tempo, a estância virou turismo. Virou gastronomia. Virou experiência.

    Potência em azeite brasileiro

    Depois vieram os prêmios. E vieram rápido. De início, em 2024, o “Oscar dos azeites” — o Mario Solinas Quality Award — colocou o nome de Viamão no mapa mundial. Logo depois, no ano seguinte, a vitória no Anatolian International Olive Oil Contest, na Turquia, levou a Estância ao topo do Brasil e ainda arrancou um Best in Class. Um feito raro.

    E, por fim, hoje o produtor é o azeite mais premiado do país e aparece como a quinta marca mais laureada do mundo. Sim, do mundo.

    Mas a história não termina no brilho das medalhas. Pelo contrário. A Estância também virou referência em sustentabilidade e vida comunitária. Promove eventos, celebra a gastronomia gaúcha, estimula práticas ecológicas. A cada safra, atrai mais gente. E, em 2025, sete de seus azeites receberam o selo Produtos Premium Origem e Qualidade RS. Outro carimbo, por exemplo, importante.

    No fim, o que fica é simples. A Estância das Oliveiras não é só uma fazenda. Nem só um caso de sucesso. É, acima de tudo, uma narrativa de insistência e excelência que redesenha o mapa do azeite brasileiro. E faz de Viamão, antes discreta, um destino obrigatório para quem quer entender o novo rosto do agro gaúcho.