Tag: avicultura

  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    Frango perde força e reduz poder de compra do avicultor

    O poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja recua em agosto. Este é o segundo mês consecutivo de queda. Segundo o Cepea, o movimento ocorre devido à desvalorização do frango vivo e à alta dos principais insumos.

    No início de agosto, a oferta interna elevada de frango vivo pressionou as cotações. Entretanto, os preços começaram a se estabilizar com a redução do excedente. Enquanto isso, os preços do milho e do farelo de soja avançaram no mercado.

    Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o farelo apresentou a alta mais expressiva. O movimento reflete a maior disputa entre consumidores internos e externos. Além disso, a valorização do dólar frente ao real influenciou os preços.

    Ovos recuam na segunda quinzena de agosto

    Após permanecerem estáveis na primeira quinzena, os preços dos ovos recuaram na segunda metade de agosto. A desaceleração das vendas, típica deste período, pressionou as cotações. Com a demanda mais fraca, atacadistas e varejistas aumentaram a pressão por descontos.

    Diante desse cenário, produtores reduziram os preços nas negociações para garantir o giro dos estoques nas granjas. No entanto, a oferta controlada em diversas praças limitou as quedas em algumas regiões. O Cepea também registrou recuos nas regiões produtoras e nos atacados dos principais centros consumidores.

  • JBS faz lance alto em compra de ações da Pilgrim’s

    JBS faz lance alto em compra de ações da Pilgrim’s

    A JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir as ações da Pilgrim’s Pride (PPC) que ainda estão nas mãos de acionistas minoritários. A companhia já controla aproximadamente 82% da produtora de alimentos, com forte atuação no mercado de carne de frango.

    Se a operação for aprovada e concluída, a JBS passará a controlar integralmente a Pilgrim’s e as ações da empresa americana poderão deixar de ser negociadas na Nasdaq.

    A proposta prevê a troca de cada ação ordinária da Pilgrim’s por 2,086 ações Classe A da JBS.

    A relação foi calculada considerando os preços de fechamento de 18 de agosto de 2026: US$ 13,66 por ação da JBS e US$ 28,49 por ação da Pilgrim’s Pride.

    JBS busca adquirir participação restante da Pilgrim’s

    Jeremiah O’Callaghan, presidente do conselho de administração da JBS, afirmou que as duas empresas trabalham juntas há mais de 16 anos, período em que a Pilgrim’s ampliou suas operações e presença internacional.

    “Por mais de 16 anos, a JBS e a PPC trabalharam juntas enquanto a PPC expandia suas operações, fortalecia sua presença global e crescia significativamente sua receita”, afirmou.

    Segundo O’Callaghan, a proposta permitiria que os atuais acionistas da Pilgrim’s continuassem expostos ao desempenho da companhia por meio da participação na JBS.

    “Nós acreditamos que esta proposta ofereça aos acionistas da PPC a oportunidade de continuar a participar do desempenho futuro da PPC por meio da detenção de ações da JBS, com exposição a um negócio maior e mais diversificado globalmente”, declarou.

    O executivo acrescentou que o relacionamento entre as empresas e o conhecimento das operações da Pilgrim’s devem contribuir para a continuidade das relações com empregados, clientes e parceiros comerciais durante o processo.

    O que precisa acontecer para a operação avançar

    A proposta não significa que a aquisição já foi concluída.

    Antes disso, a operação deverá passar por diferentes etapas de análise e aprovação.

    Entre elas estão:

    • avaliação por um comitê especial independente da Pilgrim’s Pride;
    • análise com apoio de consultores financeiros e jurídicos;
    • aprovação das instâncias competentes da companhia;
    • voto favorável da maioria exigida entre os acionistas da Pilgrim’s que não são ligados à JBS;
    • cumprimento das demais condições previstas para a conclusão da transação.

    A JBS informou que a proposta não exige aprovação de seus próprios acionistas.

    Caso todas as condições sejam atendidas e a transação seja concluída, as ações ordinárias da Pilgrim’s Pride poderão ser retiradas do registro e deixar de ser negociadas na Nasdaq.

  • Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    Aquisição de leite cresce no Brasil e chega a 6,61 bilhões de litros

    A aquisição de leite cru por estabelecimentos que operam sob algum tipo de inspeção sanitária chegou a 6,61 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026.

    O volume representa uma alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Produção Animal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A pesquisa considera estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal.

    Apesar do crescimento na comparação anual, o resultado foi menor do que o observado nos três primeiros meses deste ano.

    Aquisição de leite recua frente ao primeiro trimestre

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a aquisição de leite apresentou queda de 2,5%.

    Nos primeiros três meses do ano, o IBGE havia registrado aquisição de aproximadamente 6,78 bilhões de litros de leite cru por estabelecimentos inspecionados.

    A diferença entre as duas comparações é importante: enquanto o setor apresentou crescimento em relação ao segundo trimestre do ano passado, houve redução na passagem de um trimestre para o outro.

    Os números fazem parte das pesquisas do IBGE sobre abate de animais, leite, couro e produção de ovos de galinha, que acompanham trimestralmente alguns dos principais segmentos da produção pecuária brasileira.

    Produção de ovos chega a 1,25 bilhão de dúzias

    A produção de ovos de galinha também apresentou crescimento no segundo trimestre de 2026.

    Segundo o IBGE, foram produzidas 1,25 bilhão de dúzias de ovos no período. O resultado corresponde a uma alta de 0,3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

    Na comparação com os três primeiros meses de 2026, o crescimento foi mais expressivo, de 2,6%.

    No primeiro trimestre, a produção havia alcançado cerca de 1,21 bilhão de dúzias, segundo os dados divulgados anteriormente pelo instituto.

    Os resultados são preliminares e integram o acompanhamento trimestral realizado pelo IBGE sobre a atividade pecuária brasileira.

  • ABPA diz que Brasil construiu liderança em proteína animal “com décadas de trabalho”, não por herança

    ABPA diz que Brasil construiu liderança em proteína animal “com décadas de trabalho”, não por herança

    O Brasil abriu nesta terça-feira (4) a maior edição da história do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo. O evento reúne mais de 400 empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países até quinta-feira (6/8) e consolidou-se como o principal ponto de encontro das cadeias produtivas de aves, suínos e ovos no país.

    Autoridades durante a abertura oficial do SIAVS 2026. Foto: Alf Ribeiro | ABPA

    Durante o discurso de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, atribuiu a liderança brasileira no setor a décadas de investimentos contínuos, e não a uma vantagem natural do país. “Isso mostra que a nossa liderança não foi herdada. Mas construída por gerações de produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais que fizeram da produção de alimentos uma missão para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

    Genética, sanidade e inovação sustentam a posição do Brasil

    Santin listou os pilares que, segundo ele, garantiram ao país a posição de destaque global: investimentos em genética, sanidade animal, tecnologia, inovação e integração entre produtores e agroindústrias. Essas atividades já geram milhões de empregos e movimentam mais de US$ 33 bilhões em exportações, de acordo com a entidade.

    O dirigente também relacionou o cenário internacional à relevância crescente do Brasil no fornecimento de alimentos. “Diante de um cenário internacional marcado por conflitos, barreiras comerciais e insegurança alimentar, o Brasil se tornou um dos poucos países capazes de garantir oferta contínua de proteína animal para os mercados interno e externo”, declarou.

    Governo federal aposta na expansão da liderança brasileira

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também discursou na cerimônia e reforçou o papel estratégico da proteína animal para a economia nacional. Segundo ele, o crescimento do agronegócio impulsiona diretamente a geração de empregos, renda e oportunidades em todo o país.

    De Paula parabenizou a ABPA pela realização da maior edição do evento. E destacou que o SIAVS passou a reunir toda a cadeia produtiva; produtores, indústrias, pesquisadores, investidores, compradores internacionais e representantes do poder público. “O Brasil possui todas as condições para ampliar ainda mais sua liderança global na produção de proteína animal, apoiado em inovação, tecnologia, ciência, genética, sustentabilidade e credibilidade internacional”, afirmou.

    O ministro citou ainda os esforços do governo para enfrentar novas exigências regulatórias dos mercados internacionais. E preservar o reconhecimento do sistema brasileiro de defesa agropecuária. “O Brasil assumiu com responsabilidade a missão de alimentar o mundo. A grandeza de um país se mede pela sua capacidade de gerar oportunidades, produzir conhecimento e contribuir para a segurança alimentar global”, completou.

    Parlamentares defendem ambiente regulatório favorável ao setor

    A senadora Tereza Cristina também participou da abertura e elogiou a condução da ABPA sob a liderança de Ricardo Santin. A parlamentar destacou o esforço diário dos produtores rurais e defendeu que o poder público deve criar condições favoráveis para sustentar o crescimento do setor. “A produção de proteína animal transforma a realidade dos municípios brasileiros, promovendo geração de empregos, renda e melhoria dos indicadores de desenvolvimento”, disse.

    O deputado federal Pedro Lupion Mello, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representante do Paraná, reforçou o papel das cadeias de avicultura, suinocultura e pescado no desenvolvimento regional. Segundo ele, a FPA trabalha para reduzir entraves burocráticos e garantir um ambiente regulatório que preserve a competitividade dos produtores brasileiros de todos os portes. “Nosso papel é garantir que a legislação não impeça quem produz de continuar gerando empregos, renda e alimentos para o Brasil e para o mundo”, declarou.

    Produtividade baixa ainda limita o crescimento da economia brasileira

    Na conferência magna do evento, o professor do Insper Fernando Schuler apontou a baixa produtividade como o principal entrave estrutural do país. Ele citou a cadeia de proteína animal como um exemplo de eficiência, já que o setor combina investimento contínuo em tecnologia, inovação e gestão com abertura à competição internacional.

    Foto: Alf Ribeiro | ABPA

    Schuler alertou ainda para os riscos da dívida pública, do alto custo do crédito e da perda de credibilidade fiscal sobre os investimentos produtivos. Para o professor, reformas administrativa, previdenciária e fiscal são essenciais para sustentar as contas públicas. Além de criar espaço para a expansão da atividade econômica, com o agronegócio como referência de geração de riqueza.

    Simpósio discute expansão do consumo e exportação de ovos

    O primeiro dia do SIAVS também recebeu o Simpósio Ovos Brasil, que reuniu especialistas, produtores e empresas para debater o crescimento do consumo interno de ovos, a abertura de novos mercados internacionais e as estratégias de agregação de valor aos produtos.

    A coordenadora técnica da ABPA, Tabatha Lacerda, explicou que a programação buscou oferecer um panorama amplo sobre o futuro da avicultura de postura. “O setor precisa estar preparado para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, afirmou.

    O SIAVS 2026 segue em São Paulo até quinta-feira (6/8), com programação voltada às cadeias de aves, suínos, ovos e pescado.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Menino de sete anos vende ovos para pagar escola

    Uma conversa difícil dentro de casa acabou despertando uma atitude surpreendente de um menino de apenas sete anos. Morador de Gaspar, em Santa Catarina, José Pedro Pereira decidiu criar um pequeno negócio para vender ovos e ajudar a família a pagar a mensalidade da escola onde estuda.

    A iniciativa nasceu depois que os pais explicaram que, por causa das dificuldades financeiras, talvez fosse necessário transferi-lo da escola particular. Sem querer deixar o colégio, José perguntou se poderia fazer alguma coisa para ajudar.

    A ideia surgiu dentro da própria família

    Segundo a mãe, Vamila Pereira, José Pedro sempre demonstrou muito interesse pelos estudos e ficou bastante abalado com a possibilidade de mudar de escola.

    Na época, ele tinha apenas seis anos e insistia em encontrar uma forma de contribuir financeiramente.

    Durante uma conversa em família, o menino lembrou que a avó criava galinhas no sítio e costumava vender os ovos excedentes para vizinhos. Foi então que surgiu uma pergunta inesperada: por que ele também não poderia vender ovos?

    A ideia foi aprovada pelos pais e deu início a um pequeno empreendimento rural.

    Pequena criação virou fonte de renda

    O que começou com apenas 15 galinhas cresceu rapidamente.

    Hoje, a família mantém cerca de 80 aves, entre galinhas caipiras e brancas, que produzem aproximadamente 60 ovos por dia.

    No início, a renda obtida com as vendas era suficiente para pagar entre 40% e 50% da mensalidade escolar, já que parte do dinheiro era reinvestida na compra de ração, novas aves e na construção de outro galinheiro.

    Atualmente, a comercialização dos ovos já cobre cerca de 85% da mensalidade.

    O sucesso chamou atenção dos clientes

    Com a divulgação da história, a procura pelos ovos aumentou significativamente.

    As dúzias são vendidas por R$ 15 e chegaram a formar fila de espera entre os compradores.

    O sucesso também rendeu um apelido ao garoto: “Zé dos Ovos”.

    Além de participar das decisões, ele ajuda diariamente na alimentação das aves e na coleta dos ovos.

    Família pretende manter a produção

    Apesar da boa repercussão, a família prefere manter o negócio no tamanho atual.

    Segundo Vamila, ampliar a produção exigiria novos investimentos e elevaria os custos da criação.

    Por enquanto, o objetivo permanece o mesmo: utilizar a renda obtida com a venda dos ovos para garantir que José Pedro continue estudando na escola que tanto gosta.

    A história do menino mostra como uma iniciativa simples, ligada à avicultura e à agricultura familiar, pode gerar renda, incentivar o empreendedorismo desde cedo e reforçar a importância do agronegócio na vida de milhares de famílias brasileiras.

  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Menino troca carrinhos por garnizés e hoje cuida de mais de 20 aves

    Menino troca carrinhos por garnizés e hoje cuida de mais de 20 aves

    Enquanto muitas crianças passam o tempo brincando com carrinhos, videogames ou bola, Luiz Miguel Nohatto Lorenzetti, de apenas sete anos, encontrou sua diversão no campo.

    Morador de Santa Terezinha do Progresso, em Santa Catarina, ele trocou a coleção de carrinhos pela criação de garnizés e hoje ajuda a cuidar de mais de 20 aves na propriedade da família.

    Como começou a paixão pelos garnizés

    Segundo a mãe, Karine Nohatto, Luiz Miguel sempre teve contato com animais, principalmente cavalos. Porém, a paixão pelos garnizés surgiu por volta dos três anos.

    Inicialmente, ele ganhou um galo de porte maior como presente. Como a ave era grande para a idade do garoto, um amigo da família resolveu presenteá-lo com um casal de garnizés. Desde então, a criação só aumentou.

    Atualmente, o galinheiro da propriedade reúne mais de 20 aves, todas acompanhadas de perto pelo menino.

    https://www.instagram.com/reel/DZBY1y7vMuq/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Rotina no campo faz parte da infância

    Quando não está na escola, Luiz Miguel participa dos cuidados diários com os animais.

    Com a orientação da família, ele prepara a alimentação das aves, cuida da água, recolhe ovos e acompanha a criação dos garnizés.

    Além das responsabilidades, as aves também fazem parte das brincadeiras. Soltas ao redor da propriedade, elas acompanham o garoto em sua tradicional “fazendinha”, onde ele monta pequenas estruturas e cria cenários inspirados na vida no campo.

    “Piá do Garnizé” virou sucesso nas redes sociais

    A rotina simples da família também conquistou espaço nas redes sociais.

    Conhecido como “Piá do Garnizé”, Luiz Miguel costuma aparecer em vídeos mostrando o dia a dia da criação e até leva uma das aves para eventos de cavalgada.

    Segundo Karine, o conteúdo retrata exatamente a realidade da família.

    “Não imaginávamos que teria uma repercussão tão grande e que tantas pessoas se encantariam com a história e com a relação dele com os animais.”

    Sonho é seguir carreira no agronegócio

    Apesar da pouca idade, Luiz Miguel já faz planos para o futuro.

    De acordo com a mãe, ele deseja cursar Medicina Veterinária, ampliar a criação de aves da propriedade e também se tornar fazendeiro.

    O garoto sonha em criar garnizés de diferentes tamanhos, cores e raças, além de continuar convivendo com os cavalos, outra grande paixão desde a infância.

    A dedicação aos animais também se reflete nos momentos de lazer. Quando usa a internet ou assiste à televisão, Luiz Miguel prefere conteúdos relacionados à criação de aves, cuidados com os animais e curiosidades sobre o universo rural.

    A história do menino mostra como a convivência com o campo e a agricultura familiar pode despertar responsabilidades desde cedo e fortalecer o vínculo das novas gerações com o agronegócio brasileiro.

  • Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Um simples gesto pode fazer diferença na criação de aves. Um estudo realizado pela Universidade de Bristol revelou que o contato humano gentil reduz o medo dos pintinhos e estimula emoções positivas, contribuindo para o bem-estar dos animais nas granjas.

    Segundo os pesquisadores, pequenas mudanças na rotina de manejo já são suficientes para gerar resultados significativos. Falar em tom calmo, manipular os filhotes com cuidado e evitar movimentos bruscos ajudam a tornar o ambiente menos estressante.

    Pesquisa observou mudanças no comportamento dos pintinhos

    Os cientistas avaliaram como os animais reagiam a diferentes formas de interação humana.

    Durante o experimento, os pintinhos foram apresentados a dois ambientes distintos.

    Em um deles, uma pessoa permanecia em silêncio e sem qualquer contato com as aves.

    No outro, os animais recebiam carinho, eram manuseados cuidadosamente e ouviam uma voz tranquila.

    Depois dessa etapa, os pesquisadores permitiram que os pintinhos escolhessem livremente onde permanecer.

    O resultado chamou atenção: a maioria retornou ao ambiente associado ao contato gentil.

    Segundo os autores do estudo, essa escolha indica que os animais desenvolveram uma preferência positiva pelo espaço onde receberam uma interação cuidadosa.

    O que a descoberta representa para a avicultura

    Os resultados mostram que o comportamento dos trabalhadores influencia diretamente a percepção dos animais sobre o ambiente de criação.

    Com um manejo mais tranquilo, é possível reduzir situações de estresse e favorecer melhores condições de bem-estar durante o desenvolvimento dos pintinhos.

    Além dos benefícios para os animais, práticas de manejo mais cuidadosas podem contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e alinhados às exigências atuais da avicultura.

    Bem-estar animal vai além da ausência de sofrimento

    A pesquisa reforça um conceito cada vez mais presente na produção animal moderna.

    Hoje, especialistas defendem que garantir o bem-estar não significa apenas evitar dor ou sofrimento, mas também proporcionar experiências positivas durante a criação.

    Nesse contexto, atitudes simples dos profissionais que trabalham nas granjas podem fazer parte de uma estratégia de melhoria contínua na produção.