Pesquisadores registraram pela primeira vez na costa leste da Austrália, golfinhos usando grandes conchas como ferramenta para capturar peixes. O comportamento foi observado no Great Sandy Marine Park, em Queensland.
A técnica consiste em perseguir um peixe até que ele entre em uma concha vazia no fundo do mar. Em seguida, o golfinho leva o objeto até a superfície e o sacode para retirar a água. Com o movimento, o peixe desliza para dentro da boca do animal.
Os registros foram feitos entre julho e outubro de 2025 por pesquisadores da University of the Sunshine Coast. O estudo foi publicado na revista científica Marine Mammal Science em agosto de 2026.
O comportamento, conhecido como shelling, já havia sido observado em golfinhos da costa oeste da Austrália.
No novo registro, os pesquisadores identificaram a mesma estratégia na costa leste do país. O fato chama atenção porque indica que populações de golfinhos em regiões diferentes podem ter desenvolvido técnicas semelhantes de maneira independente.
A bióloga Alexis Levengood, especialista em comportamento animal e mamíferos marinhos da UniSC e autora principal do estudo, presenciou o primeiro caso durante uma saída de barco para pesquisa.
“Eu vi um golfinho levando um objeto grande para fora da água e percebi que se tratava de uma concha.”
Filhote pode ter aprendido a técnica com a mãe
O segundo registro foi considerado ainda mais relevante pelos pesquisadores.
Uma fêmea adulta foi observada emergindo da água com uma concha na boca. O peixe conseguiu escapar e o animal abandonou o objeto para continuar a perseguição.
Poucos minutos depois, o filhote pegou a mesma concha e a segurou de maneira semelhante à observada na mãe.
Para os pesquisadores, a cena representa uma possível evidência de aprendizagem social entre mãe e filhote
A observação, por si só, não permite afirmar que houve ensino deliberado. No entanto, o comportamento é interpretado como um possível caso de transmissão social porque o filhote teve contato direto com a ação realizada pela mãe.
O Zoológico de São Paulo ganhou uma nova atração: o filhote de canguru-vermelho (Osphranter rufus) da fêmea Theca já foi flagrado colocando a cabeça para fora da bolsa marsupial da mãe. O momento, raro e encantador, surpreende visitantes e antecipa uma das fases mais curiosas do desenvolvimento dessa espécie australiana.
Foto: Divulgação Zoo SP
Ao contrário da maioria dos mamíferos, os filhotes de canguru nascem em estágio inicial de formação, com apenas 28 a 40 dias de gestação. E continuam se desenvolvendo dentro do marsúpio, a bolsa localizada no abdômen da fêmea. Lá dentro, ficam agarrados a um mamilo por meses, alimentando-se exclusivamente do leite materno.
O bebê de Theca já concluiu a fase intrauterina e está próximo de deixar a bolsa pela primeira vez. O que deve acontecer nas próximas semanas, segundo a equipe do zoo.
Maior espécie de canguru do mundo, o canguru-vermelho habita regiões áridas e savanas da Austrália. Os machos podem atingir 1,5 metro de altura e pesar até 92 quilos; as fêmeas são menores e chegam a cerca de 39 quilos. Conhecidos pelos saltos de longa distância, com até oito metros em um único impulso, esses animais usam a cauda musculosa tanto para o equilíbrio durante o movimento quanto para apoio no repouso.
Os exemplares chegaram ao Zoo São Paulo em março deste ano para integrar ações de educação ambiental e apresentar ao público a fauna da Oceania, o menor continente do planeta.
Programação especial de Dia das Mães
O zoo preparou um fim de semana recheado de atividades. Nos dias 9 e 10 de maio, o público poderá acompanhar momentos de enriquecimento ambiental com a girafa Mel e seu filhote Melman, com apresentações nos horários das 11h e das 15h, mediadas por educadores ambientais.
As ações envolvem cenários montados com elementos naturais e alimentos da dieta das girafas, estimulando sentidos, cognição e comportamentos naturais dos animais. Ao longo da semana, outras famílias do zoo também participaram de atividades semelhantes, entre elas os chimpanzés Tina e o bebê Pepito, a leoa Erindi com suas quatro filhas e os sauins-de-coleira, que recentemente ganharam dois filhotes.
Mães entram de graça e há combos com desconto
No mês de maio, a campanha Mãe não Paga oferece ingresso gratuito para mães em compras antecipadas. Confira os valores:
Zoológico de São Paulo: R$ 99,90 (antecipado) ou R$ 119,90 (no dia); cortesia para a mãe na compra antecipada
Jardim Botânico: R$ 39,90 com cortesia para a mãe na compra antecipada
Simba Safari: R$ 99,90 (antecipado) ou R$ 119,90 (no dia); cortesia para a mãe na compra antecipada
Combo com 5 atrações (Zoo SP, Jardim Botânico, Simba Safari, Mundo Dino e Acqua Zoo): de R$ 379,50 por R$ 169,90 na compra antecipada (R$ 189,90 no dia), com cortesia para a mãe
Funcionamento dos parques
Zoo São Paulo: segunda a sexta, das 9h às 16h (visitação até 17h); sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 17h (visitação até 18h)
Jardim Botânico: segunda a sexta, das 9h às 16h (visitação até 17h); sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h (visitação até 18h)
Simba Safari: segunda a sexta, das 9h às 17h (visitação até 18h); sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 17h (visitação até 18h)
Ingressos podem ser adquiridos antecipadamente pelo site do Zoo SP e do Simba Safari.
Endereços
Zoológico de São Paulo: Av. Miguel Estéfano, 4.241 – Água Funda, São Paulo
Jardim Botânico de São Paulo: Av. Miguel Estéfano, 3.031 – Água Funda, São Paulo
O aumento de 50% na tarifa de exportação para os Estados Unidos, imposto pelo governo de Donald Trump em agosto de 2024, travou as vendas de açaí para o mercado norte-americano. Produtores e cooperativas agora correm contra o tempo para encontrar novos destinos e evitar prejuízos que ameaçam milhares de empregos na Amazônia.
A cooperativa Amazonbai, que reúne 161 ribeirinhos produtores de açaí do Amapá, cancelou o envio de polpa para os Estados Unidos. A decisão deixou 20 toneladas do produto paradas, sem destinação para venda.
“O cliente disse que não arcaria com o custo adicional. Para não perder a carga e ter um prejuízo maior, conseguimos enviar para outro cliente em Portugal”, relata Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa.
Segundo Picanço, a Amazonbai também encontrou alternativas no mercado interno, em Santa Catarina e Brasília. “Mas ainda é pouco. Os EUA compravam 60% da nossa produção”, afirma.
Cooperativas negociam com China e buscam reduzir dependência dos EUA
A estratégia da Amazonbai agora passa pela abertura de novos mercados internacionais. Com apoio da Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Amapá, a cooperativa já negocia com duas empresas da China.
“Esperamos que, daqui a três ou quatro meses, estejamos aptos para vender para lá. Não podemos ficar dependentes do mercado norte-americano”, diz Picanço.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Os produtores do Pará, que detém cerca de 95% da produção nacional de açaí, enfrentam a mesma situação. Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará), projeta retração de até 20,1% no volume total exportado aos EUA, com 8% concentrados apenas no açaí.
Queda nas exportações ameaça 20 mil empregos na cadeia produtiva
Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações de açaí do Pará, com mais de 75% do total exportado. De janeiro a junho de 2025, o valor enviado ao mercado norte-americano alcançou US$ 43,6 milhões, crescimento de 59,34% em relação ao mesmo período de 2024.
“Esse cenário compromete a competitividade do fruto, reduz a produtividade e ameaça milhares de empregos. Também atinge comunidades amazônicas que dependem da coleta, transporte e beneficiamento do açaí”, afirma Carvalho.
Para Nazareno Alves, presidente da Amaçaí (Associação de Produtores de Açaí da Amazônia) e proprietário do restaurante Point do Açaí, em Belém, exportar açaí para os Estados Unidos tornou-se inviável. “Os empresários estão buscando outros mercados porque a conta não fecha”, diz.
Alves ressalta que outros mercados “importam muito pouco em comparação com os EUA”.
Impacto atinge toda a cadeia: da coleta ao beneficiamento
O presidente da Fiepa destaca que o impacto não se restringe às indústrias exportadoras. A medida afeta toda a cadeia do açaí, desde a coleta até o beneficiamento, atingindo milhares de famílias amazônicas, incluindo agricultores familiares, cooperativas e ribeirinhos.
No auge da safra, a colheita de açaí pode movimentar de R$ 15 a R$ 20 milhões por dia, com cerca de 250 mil latas produzidas diariamente. Esse ciclo virtuoso de emprego e renda beneficia barqueiros, carregadores e trabalhadores da floresta.
“A retração nas exportações ameaça diretamente essa rede socioeconômica, pressionando para baixo os preços pagos ao produtor e comprometendo a renda de comunidades que têm no açaí uma das principais fontes de subsistência”, alerta Carvalho.
O açaí gera cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e 15 mil indiretos, que podem ser comprometidos pela queda nas exportações. Sem contar os milhares de trabalhadores informais envolvidos nas etapas de coleta, transporte e beneficiamento do fruto na floresta.
Para Carvalho, a medida ameaça ainda o modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que combina geração de renda, inclusão produtiva e conservação da floresta.
Mercados alternativos crescem, mas ainda não compensam perda
Jhoy Gerald Silva, conhecido como Rochinha Jr., diretor de comunicação da Acpab (Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém), acredita que o tarifaço não afetará tanto os produtores e exportadores do fruto.
“Com o aumento da demanda interna e a pouca produção nas áreas ribeirinhas, devido às mudanças climáticas, de dois anos para cá, acho que o impacto será mínimo”, avalia.
Para ele, há uma sobrevalorização do mercado norte-americano. “Temos o Japão, a Europa, Portugal, Emirados Árabes Unidos. Além disso, com mais de 140 países vindo para a COP 30, que vão conhecer o açaí, a tendência é que novos mercados sejam criados”, argumenta.
Rochinha Jr. é parceiro comercial da empresa Maná Açaí, que exportava cerca de 2% de açaí congelado para os Estados Unidos. “A maior parte da nossa produção vai para outros estados do Brasil, cerca de 75%, além de 12% para Portugal e o resto para o mercado paraense”, detalha.
Ele também acredita que o programa anunciado em agosto pelo governo federal, de compra de açaí diretamente de produtores afetados pelo tarifaço, vai ajudar a aliviar os efeitos da interrupção da exportação para os EUA.
Austrália e Holanda registram crescimento explosivo nas importações
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) revelam que mercados como Austrália e Holanda vêm exibindo crescimento expressivo no interesse pelo açaí amazônico.
Os Estados Unidos ainda lideram, com 58% do volume exportado. A Austrália responde por 15,6% do total, a Holanda aparece com 12,7% e o Japão com 11,2%.
De janeiro a agosto de 2025, a Austrália importou 2.111 toneladas, ante 1.493 toneladas no mesmo período de 2024 — aumento de 41%. A Holanda apresentou alta ainda maior, passando de 260 toneladas para 1.726 toneladas no primeiro semestre — crescimento de 565%. O Japão também registrou variação de 563%, pulando de 229 para 1.515 toneladas.
Na Austrália, o açaí tem sido consumido com toppings como granola, chocolate, frutas, Nutella, pistache e mel — bem diferente do hábito paraense. Holandeses relatam que, quando o produto chega ao mercado, o estoque esgota rapidamente, mesmo distribuído para vários supermercados.
China e Rússia entram na disputa pelo superfruit amazônico
Dados do Comex Stat mostram crescimento consistente das exportações de açaí para a China e Rússia no último ano. O volume movimentado ultrapassa toneladas mensais, sinalizando mudanças importantes na pauta exportadora brasileira.
Mercados asiáticos mostram apetite crescente por produtos funcionais. O açaí compete diretamente com outras superfrutas globais, como blueberry e mirtilo, mas ganha destaque pelo apelo sustentável e pela rica identidade cultural da Amazônia.
Transportar o açaí para longas distâncias exige rigor no controle de temperatura e um cronograma preciso desde o processamento até a entrega no destino final. Produtores investem em soluções inovadoras, como ultracongelamento e embalagens biodegradáveis, para preservar sabor e propriedades até o consumidor final.
Mudanças climáticas reduzem produção em até 90% em comunidades
Mudanças climáticas têm impacto direto na produção de açaí. Rochinha Jr. relata queda de cerca de 30% em relação ao ano passado. “O fruto está escasso. Os ribeirinhos estão perdendo muito devido à estiagem, porque não há irrigação, e porque não fazem o remanejo de terreno”, afirma.
Na comunidade de Itacoan Miri, no município paraense de Acará, o açaí sustenta cerca de 600 famílias, segundo o produtor quilombola Adelino Cardoso. Com a estiagem do ano passado, ele estima queda de 90% na produção do fruto. “Tive que fazer praticamente uma nova plantação, com um novo sistema de irrigação”, conta.
Nazareno Alves, da Amaçaí, também aponta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Para produzir bem o açaí, não pode ter nem muito sol nem muita chuva. Mas quando chega o inverno amazônico, são pancadas gigantes de água, o primeiro semestre todo. E no verão, é sol que não acaba mais”, explica.
Setor articula com governo federal alternativas ao mercado americano
Alex Carvalho, da Fiepa, diz que a instituição tem atuado de forma institucional e diplomática, articulando-se com o governo do Pará, o governo federal e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para dialogar com autoridades norte-americanas e buscar alternativas que preservem a competitividade do açaí amazônico.
A federação analisa medidas de apoio, como linhas de financiamento específicas, seguro de crédito à exportação e incentivos à abertura de novos mercados.
“No entanto, a diversificação exige tempo, já que envolve barreiras sanitárias, certificações, custos logísticos e negociações contratuais. Ainda assim, trata-se de uma prioridade para reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a resiliência da bioeconomia regional”, afirma.
O governo do Pará tem investido em modernização — da produção à logística — além de incentivar a certificação por Indicação Geográfica (IG) para valorizar o açaí paraense. Apesar do crescimento da exportação, 90% do açaí produzido permanece no Brasil.
A tendência é que produtos como mix de açaí (mistura com frutas, granola etc.) e polpa em pó ganhem espaço, pois diminuem custos de transporte e permitem explorar novos nichos de mercado.
Uma conjuntura inédita no mercado global de proteína animal está em formação e promete redefinir os fluxos de exportação e os preços da carne bovina nos próximos anos. Pela primeira vez na história moderna, os três maiores exportadores mundiais, Brasil, Estados Unidos e Austrália, estão movendo-se em sincronia dentro do ciclo de produção pecuária, um fenômeno que especialistas alertam para uma significativa contração da oferta global a partir de 2025, com pico de pressão sobre os preços em 2026.
O que é o ciclo da pecuária?
Para entender o impacto, é crucial compreender o chamado “ciclo da pecuária”. É um movimento natural de oferta e demanda dentro da cadeia. Quando os preços estão altos e há expectativa de lucro, os pecuaristas retêm fêmeas (vacas e novilhas) para reproduzir e expandir o rebanho futuro. Essa retenção momentânea retira animais do ciclo de abate (já que essas fêmeas não viram carne imediatamente), reduzindo a oferta disponível no curto prazo e mantendo os preços elevados.
Anos depois, com o rebanho ampliado, há um aumento natural na oferta de animais para abate, o que tende a pressionar os preços para baixo. O que torna o momento atual extraordinário é que essa fase de retenção de fêmeas está ocorrendo simultaneamente nas três principais potências exportadoras.
Um fenômeno de causas múltiplas e simultâneas
O alinhamento atual não é uma coincidência. Mas o reflexo de condições de mercado favoráveis e de eventos climáticos que afetaram os três países quase ao mesmo tempo.
Brasil: após um período de liquidação de rebanho, impulsionado por altos preços internacionais e pela recuperação de pastagens após secas severas, o produtor brasileiro iniciou um forte processo de retenção de matrizes. A perspectiva de valorização futura e a demanda internacional aquecida são os principais motores.
Estados Unidos: o país vem registrando um encolhimento histórico de seu rebanho, o menor em décadas. Secas prolongadas em importantes estados pecuaristas forçaram o abate de milhares de matrizes. Agora, com a melhora nas condições climáticas e preços recordes no varejo, os produtores norte-americanos iniciaram a reconstrução de seus plantéis, retendo cada vez mais fêmeas.
Austrália: após anos de abate intensivo devido a secas devastadoras, o retorno das chuvas e a recomposição das pastagens permitiram que os australianos também entrassem em um ciclo de retenção de fêmeas para reconstruir seus rebanhos, que haviam chegado a mínimas históricas.
O impacto no mercado global: oferta apertada e preços em alta
A análise do renomado analista de mercado norte-americano Dennis Smith, da Archer Financials, publicada no Beef Magazine, é clara. O efeito imediato dessa sincronia global será a redução progressiva da oferta exportável de carne bovina.
“Quando essas três potências decidem segurar fêmeas ao mesmo tempo, a quantidade de carne disponível no mercado internacional encolhe drasticamente. É uma equação simples de oferta e demanda”, explica o analista.
A consequência direta será uma pressão ascendente adicional nos preços internacionais, que já operam em patamares elevados. Especialistas do setor projetam que o ápice desse movimento deve ser sentido em 2026, quando a escassez de produto para exportação estará mais evidente.
Importadores tradicionais, como China, Chile, Egito e países do Sudeste Asiático, poderão enfrentar um cenário de competição ainda mais acirrada por volumes limitados de carne, o que tende a inflacionar ainda mais as cotações.
E no longo prazo?
O ciclo é dinâmico. A retenção atual significa que, no médio prazo (a partir de 2027/2028), esses rebanhos expandidos começarão a gerar uma maior oferta de animais terminados. O que poderá levar a um aumento na produção de carne e uma eventual moderação nos preços. No entanto, o período até lá promete ser de volatilidade e altas significativas, marcando uma nova era para o comércio global de carne bovina.
Em uma descoberta que une sustentabilidade e inovação, pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram um método revolucionário para transformar borra de café – resíduo globalmente abundante – em um componente que fortalece o concreto em 30%. A técnica promete reduzir o acúmulo de lixo orgânico em aterros e diminuir a extração de areia, recurso ameaçado pela indústria da construção.
Como a borra de café virou aliada da engenharia
Todos os anos, 10 bilhões de quilos de borra de café são descartados no mundo, volume suficiente para encher 4,3 mil piscinas olímpicas. Enquanto isso, a construção civil consome 50 bilhões de toneladas de areia/ano, causando erosão de rios e perda de biodiversidade. A solução da RMIT conecta esses dois problemas:
Processo de Pirólise: a borra é aquecida a 350°C sem oxigênio, transformando-a em um carvão poroso que se integra ao cimento.
Substituição de Areia: o produto ocupa parte do espaço da areia na mistura do concreto, mantendo a resistência e reduzindo o uso de recursos naturais.
“É uma vitória dupla: desviamos resíduos de aterros e poupamos ecossistemas fluviais”, explica Rajeev Roychand, engenheiro líder do estudo.
Vantagens da tecnologia: do ambiental ao econômico
Redução de emissões: evita a liberação de metano e CO₂ da decomposição do café em aterros.
Custo baixo: a pirólise em baixa energia torna o processo viável para escala industrial.
Fortalecimento do concreto: testes preliminares mostraram aumento de 30% na resistência comparado ao concreto tradicional.
A equipe ressalta, porém, que o produto produzido a 500°C teve desempenho inferior, indicando que a temperatura ideal é crucial.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores buscam respostas para:
Resistência a intempéries: como o material reage a ciclos de congelamento/descongelamento e absorção de água?
Aplicação em grande escala: será possível replicar a técnica globalmente?
Enquanto isso, a RMIT já testa biochar de outros resíduos orgânicos, como madeira e restos de alimentos, para expandir a tecnologia.
Países produtores de café podem liderar revolução
Nações como Brasil, Vietnã e Colômbia – que estão entre os maiores produtores de café do mundo – poderiam reciclar até 30% de sua borra diretamente na construção civil. “É uma oportunidade para aliar produção agrícola e sustentabilidade urbana”, destaca Shannon Kilmartin-Lynch, coautora do estudo.
Kilmartin-Lynch reforça que a motivação do projeto vem do conceito indígena de “Cuidar da Terra”: “Precisamos garantir ciclos de vida sustentáveis para todos os materiais, evitando que virem lixo”, afirma.
Desde dezembro do ano passado, a Austrália acrescentou uma nova lista, a CSOL, com mais de 450 profissões em demanda no país, voltada para quem deseja ser patrocinado por empresas locais. O setor de agropecuária segue em destaque nessa lista de profissões qualificadas para a migração com novas ocupações sendo reconhecidas e incluídas. Essa atualização reflete a crescente demanda por profissões especializadas em diversas áreas do agronegócio, ampliando as oportunidades para quem deseja atuar na Austrália.
Anteriormente a Austrália dividia as profissões em três listas. A primeira era voltada para áreas rurais e regiões afastadas dos centros urbanos, que necessitavam de algumas profissões específicas. A segunda abrangia as profissões em demanda na Austrália como um todo, mas dentro de cada estado e a curto prazo. Já a terceira reunia as profissões de altíssima demanda, essenciais para o país a médio e longo prazo.
Com essa estrutura, era possível identificar quais profissionais tinham um caminho mais claro para a residência permanente, ou seja, a possibilidade de morar no país como residente permanente e, depois, tornar-se cidadão australiano. Agora, com a nova atualização na legislação, a Austrália ampliou as oportunidades para quem deseja trabalhar no país. Há uma grande necessidade de profissionais de diversas áreas, tornando este um ótimo momento importante para dar o próximo passo.
Possibilidades
Com as mudanças, há um leque ainda maior de possibilidades para aqueles que desejam construir uma carreira sólida e contribuir para o crescimento do agronegócio no país.
Michelle Helou, advogada e agente de migração referência na Austrália
Entre as profissões adicionadas no setor de agro na lista de demandas estão pesquisadores e técnicos focados em agricultura, aquicultura e manejo de recursos naturais. Isso incluí também cientistas especializados em pesquisa agropecuária, agrônomos, técnicos em agritech, além de especialistas em irrigação e manejo de árvores.
Outros cargos que estão com alta demanda são cientista de pesquisa agrícola, agronomista, técnico em zootecnia, técnico de irrigação, entomologista, entre outros. Essa expansão reforça a importância de inovação e sustentabilidade no setor.
Além das novas inclusões, algumas profissões já estavam previamente em alta demanda, como consultores e cientistas agrícolas, gestores florestais, veterinários, silvicultor, consultor agrícola, cientista agrícola. Isso mostra que a Austrália continua valorizando profissionais com expertise no desenvolvimento e gestão do setor agropecuário.
Os dingos (Canis lupus dingo), considerados os maiores predadores terrestres da Austrália, são uma espécie que desperta tanto admiração quanto controvérsia. Esses canídeos selvagens, que chegaram ao continente há milhares de anos, desempenham um papel vital no ecossistema australiano, mas sua presença também gera debates acalorados entre conservacionistas e agricultores.
Acredita-se que os dingos não sejam nativos da Austrália, tendo sido introduzidos há cerca de 4.000 a 8.000 anos, possivelmente por navegadores asiáticos. Adaptando-se rapidamente ao ambiente hostil do continente, eles se tornaram os principais predadores na cadeia alimentar. Com pelagem que varia do dourado ao avermelhado e uma estrutura física ágil, os dingos são caçadores habilidosos, capazes de sobreviver em alguns dos habitats mais inóspitos da Austrália.
Papel ecológico e conflitos
Como predadores de topo, os dingos têm um impacto significativo no controle das populações de herbívoros, como cangurus. Sua presença ajuda a manter o equilíbrio ecológico, prevenindo a superpopulação de espécies que poderiam devastar a vegetação nativa. Estudos indicam que em áreas onde os dingos estão presentes, a biodiversidade é maior, pois eles também controlam populações de espécies invasoras, como raposas e gatos selvagens.
A relação entre dingos e humanos é complexa. Muitos agricultores acusam os dingos de atacarem rebanhos de ovelhas e gado, resultando em prejuízos significativos. Em resposta, muitos recorrem ao controle populacional dos dingos, utilizando cercas como a famosa Dingo Fence, que se estende por mais de 5.600 km, ou até mesmo a caça. Essas práticas geram intensos debates sobre o equilíbrio entre a proteção dos rebanhos e a preservação do ecossistema.
Atualmente, os dingos são considerados uma espécie vulnerável em algumas regiões da Austrália devido à hibridização com cães domésticos e à perseguição humana. Organizações ambientalistas trabalham para promover a coexistência pacífica entre humanos e dingos. Sempre sugerindo medidas como o uso de cães de guarda para proteger rebanhos e a criação de zonas de conservação.
Fascínio científico
Os dingos continuam a fascinar cientistas e entusiastas da natureza. Sua inteligência e adaptabilidade fazem deles uma peça fundamental na história natural da Austrália. Assim, o desafio reside em encontrar um equilíbrio que permita a sobrevivência desses icônicos predadores sem comprometer os meios de subsistência das comunidades rurais.
Os dingos são mais do que apenas predadores; eles são um componente essencial do ecossistema australiano. Compreender seu papel ecológico e as complexidades de sua interação com humanos é crucial para garantir um futuro sustentável tanto para as comunidades locais quanto para essa espécie emblemática. Portanto, a proteção dos dingos não só preserva a biodiversidade australiana, mas também contribui para um manejo responsável das terras agrícolas.
A criação de emus, aves nativas da Austrália, vem ganhando espaço no Brasil nos últimos anos, atraindo a atenção de criadores interessados em explorar o potencial econômico dessa espécie. Com características únicas e uma demanda crescente por seus produtos, os emus oferecem oportunidades interessantes para os empreendedores do setor agropecuário.
Os custos iniciais para a criação de emus podem variar significativamente. O preço de um emu adulto pode oscilar entre R$ 2.500 e R$ 15.000, dependendo da idade e da linhagem. Para aqueles que optam por iniciar a criação a partir de ovos, os preços dos ovos férteis variam entre R$ 510 e R$ 800 cada. Além disso, é necessário considerar os investimentos em infraestrutura, como cercas, abrigos e equipamentos de alimentação, que são essenciais para o bem-estar das aves.
Um investimento inicial estimado para começar a criação com um macho e duas fêmeas gira em torno de R$ 11 mil. Esse valor inclui a compra das aves e a instalação das estruturas necessárias para garantir um ambiente seguro e adequado.
Lucratividade
A lucratividade na criação de emus pode ser bastante atrativa. Os criadores podem obter retorno financeiro não apenas pela venda das aves, mas também por produtos derivados, como carne e óleo. A carne de emu é considerada uma alternativa saudável e possui um mercado crescente devido à sua baixa gordura e alto teor proteico. Além disso, as penas e ovos também podem ser comercializados.
Os emus têm um ciclo reprodutivo que permite aos criadores iniciar a produção de filhotes após o período de reprodução, que ocorre geralmente entre fevereiro e março. A demanda por filhotes saudáveis é alta, especialmente entre criadores que buscam diversificar suas atividades.
Mercado em expansão
O mercado para emus no Brasil está se expandindo à medida que mais criadores se interessam por essa ave exótica. A conscientização sobre a sustentabilidade na criação de aves também tem impulsionado o interesse, já que os emus ajudam na regeneração do solo e na dispersão de sementes.
Embora o número de criadores qualificados ainda seja reduzido, a popularidade do emu australiano está crescendo. Criadores especializados estão surgindo em várias regiões do país, oferecendo suporte técnico e garantias sobre a saúde dos animais.
Criar emus pode se revelar uma atividade lucrativa e sustentável, desde que os investidores estejam dispostos a planejar cuidadosamente seus custos iniciais e a infraestrutura necessária. Com o aumento do interesse por produtos derivados do emu e as oportunidades no mercado nacional e internacional, essa ave exótica promete ser uma opção viável para diversificação na agropecuária brasileira.
À medida que o setor continua a se desenvolver, é essencial que os criadores busquem informações sobre manejo adequado e práticas sustentáveis. Garantindo assim o sucesso a longo prazo na criação de emus no Brasil.
Governo publica a Portaria Interministerial Mapa/MRE nº 18, que oficializa a criação de 11 novos postos de adidos agrícolas em representações diplomáticas brasileiras no exterior. Os novos escritórios serão estabelecidos na Argélia, Bangladesh, Chile, Costa Rica, Emirados Árabes Unidos, Etiópia (abrangendo também a União Africana, Djibuti e Sudão do Sul), Filipinas (incluindo Ilhas Marshall, Micronésia e Palau), Irã, Malásia (com Brunei), Nigéria e Turquia.
Com essa expansão, o Brasil passará a contar com sete adidos agrícolas na África, fortalecendo laços com parceiros econômicos estratégicos e abrindo portas para mercados potenciais. Essa medida visa ampliar as oportunidades para o agronegócio brasileiro em mercados internacionais.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a relevância desse avanço. “As novas adidâncias refletem o reconhecimento da importância do agronegócio e sua maior inserção no mercado internacional. Com esses novos postos, iremos maximizar as oportunidades para o setor, gerando empregos e renda para os brasileiros, especialmente com a abertura de novos mercados.”
Foi a maior expansão desde a criação da função, em 2008
Em julho, o Governo Federal já havia autorizado, por meio de Decreto presidencial, a ampliação de 29 para 40 postos de adidos agrícolas. Foi a maior expansão desde a criação da função, em 2008. A ampliação visa atender à crescente demanda do setor por representação em mercados estratégicos.
A importância dos adidos agrícolas
Os adidos agrícolas são responsáveis por assessorar as representações diplomáticas, promovendo o agronegócio brasileiro. Eles identificam oportunidades de comércio, investimentos e cooperação, além de estabelecerem diálogos com atores do setor público e privado, academia e sociedade civil.
Atualmente, o Brasil possui adidos agrícolas em países como África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido, Rússia, entre outros. Com as novas adições, o Brasil reforça sua presença global no agronegócio, buscando expandir sua influência em mercados estratégicos e fortalecer a competitividade do setor.
A JBS anunciou um investimento de 110 milhões de dólares australianos, equivalente a mais de R$ 400 milhões. O objetivo é impulsionar o cultivo de salmão na unidade da Huon Aquaculture, localizada em Whale Point, na Tasmânia.
Esse aporte financeiro visa a construção de um incubatório capaz de produzir mais de 7 milhões de peixes. As obras estão programadas para iniciar em 2025 e conclusão prevista para 2027.
Com essa expansão, por exemplo, a Huon poderá prolongar o cultivo de peixes em tanques terrestres. Ou seja, isso permitirá que os salmões sejam enviados ao mar em um tamanho maior, reduzindo o tempo que passam no ambiente marinho.
A Huon se destacou na Tasmânia ao inaugurar seu primeiro berçário em Whale Point em 2019, liderando a implementação de instalações desse tipo na região.
Henrique Batista, CEO da Huon, destacou que “o projeto reforça o perfil inovador e pioneiro da Huon. O salmão vai passar a maior parte do seu ciclo produtivo em terra, graças ao fortalecimento da nossa capacidade instalada. O investimento também aumenta o índice de reuso de água na unidade, que agora chega a 99%. O percentual restante é utilizado em outras etapas da produção: os resíduos são tratados e aplicados como adubo na produção de cereja por agricultores locais.”
Novos empregos
Durante a construção do novo espaço, a Huon gerará 150 empregos, adicionando-se aos mais de 1.000 colaboradores que a empresa já emprega na Austrália.
A companhia, desse modo, prioriza a economia circular. Por exemplo, ela transforma resíduos do processamento em rações, petiscos para animais de estimação e compostagem, que depois se tornam base para fertilizantes.
Além disso, a Huon destaca-se pelo rigoroso monitoramento das atividades em seus locais de produção. Afinal assegura práticas sustentáveis e inovadoras na região.