Tag: Associação Brasileira de Cafés Especiais

  • R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

    R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

    Um microlote de apenas 100 gramas de café arábica da variedade geisha acaba de escrever um capítulo inédito na história da cafeicultura brasileira. Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote foi arrematado por R$ 10 mil em um leilão de 24 horas realizado nas redes sociais nesta sexta-feira (8), estabelecendo o maior preço já pago por uma xícara de café no Brasil, R$ 1.400 por uma dose de 200 ml.

    O cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho selecionou manualmente o produto, avaliado com 92 pontos na escala sensorial, fermentou os grãos por sete dias a frio e realizou o processamento. A exportadora Coffee Senses e a corretora Tribo da Cafeína realizaram a compra em conjunto, com 50% do lote raro para cada empresa.

    Por que esse café vale tanto?

    A variedade geisha é reconhecida internacionalmente como uma das mais complexas e raras do mercado. Aliada ao processo de fermentação a frio por sete dias e à seleção manual dos grãos, a bebida resultante coloca o produto brasileiro em patamar comparável aos melhores vinhos do mundo, referência feita pelo próprio produtor.

    “Certamente esse é um preço recorde pago por uma xícara de café no Brasil, quiçá globalmente”, afirma Luiz Paulo. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE) reconhecem o produtor como a primeira lenda mundial do café especial do país.

    Quem comprou e o que dizem os arrematantes

    Para Ana Flávia Fernandes, diretora comercial da Coffee Senses, o investimento vai além do produto em si. Segundo ela, valorizar cafés como o de Luiz Paulo é fundamental para promover a cafeicultura de excelência no Brasil. “A dedicação e o trabalho dele deveriam ser fonte de inspiração para todos nós”, destaca.

    Já Fábio Ruellas, sócio e cofundador da Tribo da Cafeína, reforça que a busca por cafés raros, de altíssima pontuação e com identidade própria é a essência do negócio. Para ele, o café produzido na Fazenda Rarus não deixa nada a dever a nenhum grande café do mundo. “São cafés que mostram a força, a sofisticação e o potencial extraordinário que o Brasil tem na produção de grãos especiais”, afirma.

    O “winemaker” do café brasileiro

    Luiz Paulo se autodenomina um coffee maker, referência direta aos winemakers do universo vinícola. Por meio do Projeto Rarus, ele pretende cultivar, colher e processar micro e nanolotes de cafés cada vez mais raros, voltados a um público consumidor que, segundo ele, cresce junto com a exigência por excelência, elegância e qualidade.

    Luiz Paulo com o café geisha fermentado que produziu, processou e leiloou por R$ 10 mil. Foto: Divulgação

    Os 100 gramas do lote adquirido permitem o preparo de aproximadamente 1,4 litro de bebida, portanto, o equivalente a sete xícaras de 200 ml. Com o valor pago, cada xícara ultrapassa a casa dos R$ 1.400, consolidando o café brasileiro no mapa do luxo global.

  • Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Duas empresas brasileiras do setor de cafés especiais chegaram à fase final do Sustainability Awards 2026. O prêmio é promovido pela Specialty Coffee Association (SCA). E busca reconhecer organizações inovadoras com impacto positivo em toda a cadeia produtiva do café. A Fazenda Califórnia, de Jacarezinho (PR), e a SMC Specialty Coffees, divisão de cafés especiais da Cooxupé, de Guaxupé (MG), ambas associadas à Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), concorrem na categoria “For-Profit”.

    A SCA destaca que os finalistas não apenas enfrentam os grandes desafios da indústria, mas também colaboram além de fronteiras geográficas, culturas e funções dentro da cadeia do café, compartilhando aprendizados em benefício de todo o setor.

    Quem mais disputa o prêmio

    Na categoria “For-Profit”, as brasileiras concorrem com outras cinco organizações: Amavida Coffee & Trading Company, Coffee Circle, Paramount Coffee, Collab Coffee – Co-Roasting® e Mai Shayi Coffee Roasters Ltd.

    Na categoria “Non-Profit”, os finalistas são: Smithsonian Bird Friendly, TechnoServe, Slow Food Coffee Coalition, The Coffee Coalition for Racial Equity, Bean Voyage e Jamaican F&B Training Center – USAID.

    Como funciona a avaliação

    O processo ocorre em duas etapas. Na primeira, já concluída, uma equipe da SCA analisa todas as inscrições que atendem aos critérios do prêmio e seleciona os finalistas. Agora, um corpo de jurados formado por vencedores anteriores do Sustainability Awards avalia os finalistas e define os campeões.

    O anúncio dos vencedores acontece nas próximas semanas. A cerimônia de premiação ocorre em abril, durante a World of Coffee San Diego, nos Estados Unidos.

  • BSCA elege nova presidência de Conselho para o biênio 2026/27

    BSCA elege nova presidência de Conselho para o biênio 2026/27

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) tem nova presidência para o biênio 2026/2027. Em eleição realizada pelo conselho em dezembro, com registro oficial concluído em 30 de janeiro, Luiz Roberto Saldanha foi confirmado no cargo. Ele será acompanhado pelo vice-presidente Wellington Carlos Pereira, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), e pelo diretor executivo Vinicius Estrela.

    Vice-presidente Wellington Carlos Pereira. Foto: DIvulgação BSCA

    A missão declarada da nova gestão é dar continuidade ao trabalho de transformar o Brasil em uma referência global sustentável no setor. O foco permanecerá nos pilares de educação, qualidade, rastreabilidade, inovação e sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.

    Continuidade e fortalecimento estratégico

    Em seu primeiro discurso como presidente, Saldanha, que tem a BSCA como sua “escola” desde o início da carreira, destacou a honra em comandar a entidade em seus 35 anos de história. Ele afirmou que a gestão será de continuidade, mas com intensificação de esforços estratégicos.

    “Pretendemos auxiliar no desenvolvimento contínuo da Associação como gestora da comunidade brasileira de cafés especiais”, explicou Saldanha. “A BSCA seguirá construindo parcerias, fomentando a comunidade e contribuindo com a formação de uma nova geração de profissionais.”

    BSCA Academy e parcerias no centro da gestão

    Um dos eixos principais do planejamento é a BSCA Academy, plataforma de formação profissional da associação. O objetivo é intensificar sua atuação e buscar parcerias estratégicas para oferecer capacitação de classe mundial em diferentes regiões do país.

    Diretor executivo Vinicius Estrela. Foto: DIvulgação BSCA

    “A Academy buscará ampliar as fronteiras do conhecimento em café especial brasileiro”, destacou o presidente. Além disso, a entidade manterá a realização dos tradicionais concursos de qualidade e campeonatos de barismo, reforçando a promoção dos produtos nacionais nos mercados interno e externo.

    Perfil

    Luiz Saldanha traz um currículo robusto para a presidência da BSCA. Engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP, com pós-graduações em gestão e cafeicultura, ele é proprietário da Fazenda Califórnia (PR), fundador da exportadora Capricornio Coffees e da Synapses Coffee Education.

    Luiz Roberto Saldanha é o novo presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais. Foto: Divulgação BSCA

    Com mais de 20 anos de atuação no setor, Saldanha é juiz do Cup of Excellence, instrutor certificado pela Specialty Coffee Association (SCA) e pelo Coffee Quality Institute, e já ministrou cursos em nove países. Sua experiência abrange desde a produção sustentável e pós-colheita até a comercialização e educação.

    Além da presidência da BSCA, ele também atua como diretor no conselho da SCA Global, contribuindo para o desenvolvimento de padrões internacionais do setor. Nacionalmente, teve papel fundamental no reconhecimento da Indicação Geográfica do café do Norte Pioneiro do Paraná.

    A nova diretoria assume com o desafio de consolidar a posição de excelência do café especial brasileiro, conectando todos os elos da cadeia, do produtor ao consumidor final, e distribuindo valor por meio da qualidade e da singularidade dos atributos dos cafés nacionais.

  • Cafés do Cerrado Mineiro ganham avaliação inédita

    Cafés do Cerrado Mineiro ganham avaliação inédita

    O 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro marca um momento histórico para o setor cafeeiro brasileiro ao se tornar o primeiro concurso de qualidade a adotar o Coffee Value Assessment (CVA) como ferramenta principal de avaliação. A iniciativa posiciona o Brasil na vanguarda da inovação em análise sensorial de cafés especiais.

    A implementação do novo protocolo acontece por meio de parceria entre a região produtora e a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), In-Country Partner oficial da Specialty Coffee Association (SCA) no Brasil. O objetivo é valorizar a característica mais marcante dos cafés do Cerrado Mineiro: a doçura.

    CVA: o novo padrão para avaliar cafés especiais

    “Presentear quem faz Cerrado com cara de Cerrado” é como Maryana Castro, coordenadora de Qualidade da Região do Cerrado Mineiro, define o propósito da mudança. Segundo ela, a adoção do sistema CVA coloca o concurso como o maior evento mundial a utilizar a metodologia desenvolvida pela SCA.

    “A escolha foi motivada pela necessidade de medir objetivamente a intensidade da doçura, critério central da competição e legado histórico dos cafés brasileiros. O CVA foi selecionado por ser o primeiro protocolo desenvolvido especificamente para essa finalidade”, explica a coordenadora.

    Brasil lidera inovação em cafés especiais

    A chegada do sistema CVA ao Brasil foi oficializada em abril, quando BSCA e SCA assinaram um memorando de entendimento durante a Specialty Coffee Expo, em Houston (EUA). O acordo consolidou o país como líder global em inovação no setor de café especial e estabeleceu um novo modelo nacional para avaliação de qualidade.

    Como In-Country Partner da SCA, a BSCA assumiu a missão de promover, gerenciar e capacitar a comunidade brasileira de cafés especiais, adotando o CVA como protocolo oficial para avaliação dos cafés do país.

    “Em termos de volume, o concurso do Cerrado Mineiro se torna o maior global a utilizar o CVA até o momento. Reforçando nossa posição como líder na aplicação de ferramentas inovadoras. E nosso papel em ditar tendências para a comunidade mundial”, afirma Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA.

    Categoria “Doce Cerrado Mineiro” em destaque

    O protocolo CVA será aplicado exclusivamente na categoria “Doce Cerrado Mineiro”, uma das quatro do Prêmio. Criada para identificar e premiar os cafés mais doces da região na safra 2025/26, a categoria valoriza características sensoriais típicas como notas de chocolate, caramelo, amêndoas e acidez cítrica.

    Os produtores devem processar os cafés concorrentes pelo método natural, colhendo e secando os grãos com casca, técnica que potencializa a doçura e a complexidade sensorial.

    A cerimônia de divulgação dos vencedores do 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro está prevista para 19 de novembro de 2025, em Patrocínio (MG). O concurso encontra-se em fase final de análise das amostras inscritas.

    O Cerrado Mineiro é reconhecido mundialmente pela qualidade de seus cafés. A região é a primeira do Brasil a receber Denominação de Origem. E é conhecida pela produção de grãos com alta doçura e perfil sensorial marcante.

  • Café brasileiro – 40 amostras disputam prêmio internacional de qualidade

    Café brasileiro – 40 amostras disputam prêmio internacional de qualidade

    O Cup of Excellence (CoE), principal concurso global de qualidade de cafés especiais, já definiu as 40 amostras brasileiras que avançam para a Fase Internacional. Em sua edição de 25 anos, o evento selecionou amostras de 40 produtores de 33 municípios, abrangendo 10 regiões cafeeiras de quatro estados. O anúncio dos vencedores será em 2 de novembro.

    Concurso com juízes de 10 países

    Até lá, 22 juízes internacionais de 10 países avaliam os lotes na sede da Alta Mogiana Specialty Coffees (AMSC), em Franca (SP). O concurso é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence (ACE). Em resumo, a competição inclui cafés que passaram por processos de fermentação induzida na categoria Experimental, além de lotes das categorias Via Seca e Via Úmida.

    Categorias do concurso

    A categoria Experimental, com 12 finalistas, reúne cafés de Café da Canastra (MG), Cerrado Mineiro (MG), Chapada Diamantina (BA), Mantiqueira de Minas (MG) e Região Vulcânica (SP). Já a Via Seca, que premia cafés naturais, conta com 14 finalistas de Café da Canastra, Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Matas de Minas (MG), Região Vulcânica e Sul de Minas. A Via Úmida, com 14 amostras, inclui produções das regiões Café da Canastra, Campo das Vertentes (MG), Cerrado Mineiro, Chapada de Minas (MG), Chapada Diamantina, Matas de Minas e Montanhas do Espírito Santo (ES).

    O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, ressalta a contribuição do CoE na valorização dos cafés especiais brasileiros e na descoberta de novas regiões produtoras. “O Cup of Excellence revelou a diversidade do café brasileiro e incentivou a modernização da produção”, destaca.

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    Valorização do grão

    Em 2023, o leilão dos vencedores do CoE registrou o maior lance médio da história. Ou seja, ele alcançou US$ 19,99 por libra-peso, gerando uma arrecadação de R$ 1,5 milhão por 30 amostras. A empresa japonesa Sarutahiko Coffee adquiriu o café campeão da categoria Via Seca, produzido na Fazenda Rainha, em São Sebastião da Grama (SP), por R$ 84,5 mil a saca.

    As amostras que obtiverem pontuação igual ou superior a 87 pontos entrarão na lista dos melhores cafés do Brasil e participarão de um leilão virtual em 10 de dezembro. Amostras com pontuação acima de 86 pontos, mas fora das 30 principais, estarão à venda entre 2 e 12 de dezembro.

    Com o apoio do projeto “Brazil. The Coffee Nation”, uma parceria entre BSCA e ApexBrasil, o Cup of Excellence contribui para o fortalecimento do mercado internacional de cafés especiais brasileiros. Além disso, o projeto promove qualificação e sustentabilidade no setor. Ou seja, ele visa ainda fortalecer a presença feminina na produção, com ações voltadas para produtoras e provadoras profissionais. Em resumo, ele focará em países como África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, entre outros.

    A cerimônia de premiação será realizada em 2 de novembro, na Alta Mogiana. A exportadora Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (COCAPIL) será a responsável pela exportação dos lotes campeões.