Tag: assistência técnica rural

  • Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    Mexerica ponkan bate recorde de produção e de renda

    No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, município da Zona da Mata de Minas Gerais, os pés de mexerica ponkan estão carregados e prometem uma das melhores safras dos últimos anos. A colheita começa em abril, e a expectativa é que a produção do município chegue a 3 mil toneladas. Ou seja, até três vezes mais do que no ano anterior.

    O bom momento não é obra do acaso. Victor integra um grupo de 30 produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sindicato Rural de Tocantins. Desde 2023, o técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades mensalmente, orientando os agricultores em questões técnicas, de gestão e planejamento. Os resultados já aparecem nos números.

    Qualidade valoriza a fruta e eleva o preço pago ao produtor

    A melhoria nas práticas agrícolas foi determinante para o salto financeiro do grupo. Segundo Gil, os produtores passaram a fazer um controle mais rigoroso de mato, adubação e pulverização, com adoção crescente de calcário e adubos ricos em cálcio, insumos que aumentam a qualidade dos frutos.

    O efeito prático aparece na comparação entre os dois últimos anos: a renda coletiva do grupo saltou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%. O dado é ainda mais expressivo quando se observa que a produção caiu no mesmo período, de 989 mil quilos para 880 mil quilos. Uma variação considerada normal no ciclo da cultura de mexerica.

    Cooperativa nacional abre mercado mais lucrativo para os ponkaneiros

    A qualidade reconhecida abriu portas que antes estavam fechadas. Em 2024, os produtores de Tocantins firmaram contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas de ponkan. A parceria trouxe um diferencial competitivo importante. Enquanto o quilo da fruta era negociado a R$ 1,39 no Ceasa, a Unicafes pagou R$ 2,50/kg,um preço 80% superior.

    Outro ponto vantajoso foi a aceitação das frutas menores, que costumam ter pouca saída no mercado convencional, mas são preferidas no fornecimento para merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para 2026, a estimativa é vender mais de 10 mil caixas a R$ 2,60/kg.

    Associação reativada dobra número de produtores na venda coletiva

    A conquista da Unicafes como compradora só foi possível graças à retomada da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut), entidade que havia interrompido suas atividades. Victor Abrantes, atual presidente da associação, foi o responsável por mobilizar os colegas e demonstrar na prática os benefícios do trabalho coletivo: compra conjunta de insumos, acesso à assistência técnica e capacidade de abastecer grandes instituições.

    Para a safra de 2025, o grupo mais que dobrou o número de produtores participantes da venda para a Unicafes, de 23 para 54 agricultores. E com meta de comercializar 20 mil quilos. “Com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.

    A colheita da ponkan em Tocantins se estende de abril a agosto, com pico de produção em junho.

  • Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    Senar MT transforma pecuária com inseminação artificial gratuita e já registra taxa de prenhez de 44%

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.

    O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.

    Como funciona na prática 

    A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.

    “A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.

    Superação e resultados no campo

    Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.

    “De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.

    Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.

    Tecnologia acessível e gestão integrada

    Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.

    Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.

    Números e reconhecimento nacional

    Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.

    Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.

  • Embrapa lança plataforma digital para apoiar produtor rural

    Embrapa lança plataforma digital para apoiar produtor rural

    A Embrapa lançou a plataforma Ater+ Digital, que oferece informações sobre cadeias agropecuárias e temas transversais, visando apoiar serviços de assistência técnica e extensão rural de forma on-line. A plataforma disponibiliza vídeos, áudios, aplicativos, cartilhas, infográficos, cursos e outros conteúdos, facilitando ações remotas e presenciais de extensionistas.

    Inicialmente, os técnicos terão acesso a sete hubs virtuais temáticos: Apicultura, Caprinos e Ovinos, Feijão, Feijão-Caupi, Mudanças Climáticas, Nutrição e Saúde e Sistemas Agroflorestais. A criação dos conteúdos envolveu equipes da Embrapa e instituições parceiras, e novos hubs sobre outras cadeias produtivas estão em desenvolvimento.

    O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) visa aumentar a capilaridade dos serviços de assistência técnica. Atualmente eles atingem apenas 18,2% dos agricultores familiares brasileiros, segundo o Censo Agropecuário de 2017. “A plataforma Ater+ Digital supre um gargalo de produção de conteúdo para rápido compartilhamento com os agricultores”, afirma Luciano Nass, da Embrapa Meio Ambiente.

    Rodrigo Ferraz, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), destaca o potencial da plataforma em proporcionar a circulação de inovações e intercâmbios tecnológicos a baixo custo. “As ferramentas digitais permitem a interação entre técnico e produtor entre visitas, possibilitando a troca de informações e realização de tarefas”, acrescenta.

    A plataforma foi desenvolvida por profissionais de Pesquisa & Desenvolvimento, Transferência de Tecnologia, Comunicação e Tecnologia da Informação. Segundo Nass, “a oferta contínua de informações, cursos, materiais educativos e atividades informativas como webinars e lives amplia a abrangência das ações de Ater”.

    Vanessa Magalhães, da Embrapa Gado de Leite, ressalta a intenção da plataforma em aprimorar a comunicação e interação com o público-alvo, facilitando a disponibilização ágil de informações técnicas. “O objetivo é proporcionar inclusão, compreensão e adoção das tecnologias recomendadas pela Embrapa e seus parceiros”, conclui Magalhães.