Tag: árvores

  • Quer atrair pássaros? Plante essa árvore e transforme seu quintal

    Quer atrair pássaros? Plante essa árvore e transforme seu quintal

    Uma árvore que cresce rápido, atrai dezenas de espécies de animais e ainda ajuda a recuperar a natureza. A embaúba vem ganhando destaque entre especialistas por seu papel essencial na biodiversidade, embora ainda seja pouco valorizada no paisagismo urbano.

    O paisagista e botânico Ricardo Cardim chama atenção para a espécie ao relatar uma experiência pessoal curiosa. Segundo ele, uma embaúba surgiu espontaneamente em seu quintal, plantada por um morcego, e em pouco tempo já ultrapassava a altura da casa.

    “Quero falar hoje de uma árvore que tenho no quintal e está mais alta que a casa, e foi plantada por um morcego há dois anos atrás”, conta.

    Uma árvore que atrai vida

    A embaúba é considerada uma planta-chave para os ecossistemas brasileiros. Isso porque seus frutos, conhecidos como “bananinhas”, são produzidos praticamente o ano todo, garantindo alimento constante para a fauna.

    https://www.instagram.com/reel/DWRX0pwhUEN/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Entre os principais visitantes estão aves como tucanos, araçaris e sanhaçus, que encontram na árvore uma fonte rica de energia. Além disso, essas aves ajudam a dispersar sementes, contribuindo diretamente para a regeneração das florestas.

    “A gente tem várias espécies nos biomas brasileiros e ela é uma planta-chave para biodiversidade nativa. Seus frutos alimentam mais de 100 animais nativos. É lindíssima. Folhas lindíssimas. Atrai pássaros, tucanos, araçaris”, destaca o especialista.

    Muito além das aves

    Embora seja conhecida por atrair pássaros, a embaúba também desempenha um papel fundamental para outros grupos de animais.

    Mamíferos como preguiças utilizam a árvore como abrigo e fonte de alimento, o que explica um de seus nomes populares: “árvore-da-preguiça”. Primatas, como bugios, também consomem seus frutos, enquanto morcegos atuam como importantes dispersores de sementes.

    Além disso, a espécie mantém uma relação fascinante com formigas do gênero Azteca. Essas formigas vivem no interior oco da árvore e atuam como uma verdadeira defesa natural, protegendo a planta contra predadores em troca de alimento.

    Aliada na recuperação ambiental

    Outro ponto que chama atenção é o papel da embaúba na recuperação de áreas degradadas. Por crescer rapidamente e servir como poleiro natural, ela facilita a chegada de outras espécies vegetais.

    Na prática, isso acelera a regeneração da vegetação nativa. Ao atrair animais, a árvore contribui para espalhar sementes de diferentes plantas, ampliando a diversidade do ambiente.

    Ainda pouco valorizada nas cidades

    Apesar de todos esses benefícios, a embaúba ainda é rara no paisagismo urbano. Para Ricardo Cardim, isso revela um problema maior: o desconhecimento sobre a flora brasileira.

    “A embaúba deveria estar em todos os lugares, mas é raríssimo de encontrar no paisagismo das cidades brasileiras”, afirma. Segundo ele, valorizar espécies nativas é fundamental não apenas pela estética, mas também pelo impacto ambiental positivo.

    Pequena ação, grande impacto

    Plantar uma embaúba pode parecer um gesto simples. No entanto, seus efeitos vão muito além. A árvore ajuda a alimentar animais, restaurar ecossistemas e aumentar a biodiversidade local.

    Assim, em um momento em que cidades buscam soluções sustentáveis, a espécie surge como uma alternativa prática e eficiente.

  • A “árvore milagrosa” que se tornou uma inimiga da biodiversidade brasileira

    A “árvore milagrosa” que se tornou uma inimiga da biodiversidade brasileira

    Ela chegou ao Brasil como uma promessa: crescia rápido, sobrevivia em solos pobres, alimentava o gado e ainda ajudava a recuperar áreas degradadas. A Leucena (Leucaena leucocephala), uma leguminosa arbórea nativa do México e da América Central, foi por década chamada de “árvore milagrosa”.

    No entanto, o que era solução se transformou em problema. A mesma rusticidade que a tornou atraente a converteu em uma das espécies exóticas invasoras mais daninhas do mundo, capaz de formar “desertos verdes” e dizimar a biodiversidade nativa em vários biomas brasileiros.

    A confirmação dessa transformação de herói para vilão ecológico não é apenas uma percepção isolada. Ela é atestada por estudos científicos, listas internacionais de espécies invasoras e uma onda recente de leis municipais que determinam sua erradicação e substituição por árvores nativas.

    O percurso de uma invasora

    A tabela abaixo resume a trajetória da leucena no Brasil, desde sua introdução até os esforços atuais para controlá-la:

    A ameaça ecológica na prática

    A agressividade da leucena não é um exagero. Especialistas explicam que a planta age por meio de uma estratégia dupla e avassaladora.

    • Efeito Alelopático: a leucena libera no solo uma substância química chamada mimosina, que age como um herbicida natural, inibindo a germinação e o crescimento de outras plantas ao seu redor. É uma forma de guerra química que elimina a concorrência.
    • Dominação por monopólio: com crescimento extremamente rápido e uma capacidade prolífica de produzir sementes, a leucena rapidamente forma densos aglomerados onde apenas ela prospera. Essas formações são chamadas de “desertos verdes” ou “florestas mono-dominantes”. A paisagem parece verdejante, mas é ecologicamente pobre, composta por uma única espécie.

    O impacto disso é profundo. Em Fernando de Noronha, a leucena, lá conhecida como linhaça, está presente em 60% das áreas com vegetação e é a planta mais comum do arquipélago. Pesquisas mostraram que onde ela ocorre, a riqueza de espécies nativas diminui em cerca de 70% . Esse fenômeno se repete no Cerrado, na Mata Atlântica e em restingas, ameaçando a fauna que depende das plantas nativas para alimento e abrigo.

    O combate se organiza pelo Brasil

    Diante da evidência dos fatos, a resposta de gestores públicos tem ganhado força. O ano de 2025 foi marcante para essa guinada política:

    • Em Campo Grande (MS), a prefeitura sancionou uma lei que prevê a erradicação e substituição das leucenas na cidade. A legislação proíbe o plantio, comércio e transporte da espécie e estabelece multa de R$ 1.000 para quem descumpri-la .
    Foto: Mauro Halpern/Flickr
    • Em Sumaré (SP), a Câmara Municipal aprovou em setembro de 2025 um projeto de lei que reconhece a leucena como invasora e determina sua supressão em áreas públicas, com remoção gradual e substituição por nativas .
    • Cidades como Sorocaba (SP) também discutem projetos de lei para simplificar a remoção da árvore, enquanto Florianópolis (SC) e Alto Paraíso (GO) já realizam ações pontuais de controle .

    E o uso na alimentação?

    A pergunta que fica é: ainda há espaço para o uso controlado da leucena, especialmente na alimentação animal, sua aplicação original? A busca por respostas revela um cenário de precaução.

    Artigos especializados ainda reconhecem seu valor forrageiro, destacando sua tolerância à seca e capacidade de ser uma fonte de proteína para o gado em períodos de estiagem . No entanto, a própria engenheira florestal Silvia Ziller, fundadora do Instituto Hórus, faz um alerta: “Se ainda for necessário usar a leucena, que se faça o controle ao redor das áreas de cultivo para evitar sua dispersão. Mas a recomendação é clara: se não há necessidade real, não plante. Os impactos são sérios”.

    Há, inclusive, registros de que as sementes da leucena são comestíveis para humanos. Sendo utilizadas na culinária mexicana tradicional, onde a planta é conhecida como guaje. No entanto, é crucial notar que esse uso culinário se refere a variedades específicas e não isenta a espécie dos riscos de se tornar invasora em outros ecossistemas.

    A história da leucena no Brasil é um caso paradigmático de como boas intenções, sem uma avaliação ecológica de longo prazo, podem gerar graves desequilíbrios ambientais. A “árvore milagrosa” mostrou que seu milagre tinha um custo proibitivo para a biodiversidade nativa.

    A posição da ciência e da gestão ambiental contemporânea é clara: não há mais espaço para o culto a essa espécie. O consenso, reforçado pelas recentes leis municipais, é de que o caminho agora é o controle, a erradicação onde possível e a substituição por espécies nativas diversas e adaptadas. O milagre, afinal, estava o tempo todo na resiliência dos ecossistemas originais do Brasil, que agora precisam de proteção contra essa invasora agressiva.

  • Árvores ajudam a neutralizar metano de bovinos

    Árvores ajudam a neutralizar metano de bovinos

    Um sistema silvipastoril com eucaliptos neutralizou o metano emitido por mais de dois bovinos por hectare. A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), e publicada na revista internacional Agricultural Systems.

    Os pesquisadores avaliaram a emissão de metano entérico de bovinos de corte e o sequestro de carbono feito pelas árvores. O estudo considerou o carbono armazenado apenas nos troncos destinados à produção de móveis e materiais de maior valor agregado.

    Esse modelo superou a média brasileira, que permite apenas um bovino adulto por hectare. Com árvores integradas à pastagem, o sistema suportou mais que o dobro da lotação padrão no país.

    Integração silvipastoril dobra a lotação por hectare

    O experimento comparou uma área com capim-piatã e eucaliptos à sombra com outra exposta ao sol. A medição de metano seguiu o padrão do IPCC. Já o carbono fixado pelas árvores foi calculado com base na altura e no diâmetro dos troncos.

    O metano, liberado durante a digestão dos bovinos, é um dos principais gases de efeito estufa (GEE). Ele responde por 65% das emissões agropecuárias, em CO₂ equivalente. Embora tenha vida mais curta na atmosfera que o CO₂, o metano aquece 27 vezes mais.

    Eucaliptos sequestram carbono e aliviam o calor

    As árvores realizam fotossíntese e capturam CO₂ da atmosfera, armazenando-o na biomassa. No estudo, os cientistas consideraram apenas o carbono dos troncos, mais estável e com uso industrial prolongado. A metodologia seguiu o protocolo Neutral Carbon Brazilian Beef (NCBB).

    Mesmo com lotação 256% maior que a média nacional, o sistema apresentou saldo positivo. Segundo o pesquisador José Ricardo Pezzopane, o balanço líquido foi de -14,28 Mg CO₂ eq. por hectare ao ano.

    “O sistema não só neutralizou o metano emitido pelos bovinos, como sequestrou carbono em grande volume”, afirmou Pezzopane.

    Além disso, os animais criados no sistema sombreado demonstraram maior conforto térmico. A sombra das árvores reduziu o calor, elevando o bem-estar e potencialmente a produtividade.

    “Os SSPs mitigam os efeitos climáticos ao sequestrar carbono e ajudam na adaptação ao calor, proporcionando sombra ao rebanho”, destacou Pezzopane.

    Produção sustentável com menor pegada de carbono

    Foto: Divulgação – Embrapa /Juliana Sussai

    A adoção do sistema silvipastoril pode contribuir com as metas de descarbonização da agropecuária brasileira. Também responde às exigências dos consumidores por alimentos com menor impacto ambiental.

    Mesmo com menor produção de forragem em algumas estações, o desempenho animal foi mantido. Isso se deu graças ao uso de suplementação alimentar.

    Os pesquisadores implantaram o sistema em 2011 com eucaliptos plantados a cada 2 metros em linhas com 15 metros de espaçamento. Em 2016, o desbaste aumentou o espaçamento entre árvores para 4 metros, reduzindo a densidade de 333 para 167 árvores por hectare.

    Com essa configuração, os pesquisadores estimaram que o sistema compensou 77% da emissão de metano. Isso equivale às emissões de 2,3 bovinos adultos por hectare. A lotação real registrada foi de 3,01 bovinos adultos por hectare.

    Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

    A pesquisa atende diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 13, de combate às mudanças climáticas. Também contribui para o ODS 12, ao incentivar práticas de consumo e produção responsáveis. Além disso, reforça o ODS 2, ao propor uma pecuária mais sustentável.

    Diante do aumento das temperaturas globais, garantir o conforto térmico dos animais será essencial. A presença de árvores nos pastos pode ser a solução ideal, principalmente nas horas mais quentes do dia, em regiões tropicais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Importações de trigo atingem maior nível desde 2001

    + Agro em Campo: Inteligência Artificial impulsiona agronegócio brasileiro