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  • Cooperativismo revoluciona economia na Roliúde Nordestina

    Cooperativismo revoluciona economia na Roliúde Nordestina

    No coração do Cariri paraibano, a pequena Cabaceiras, conhecida como “Roliúde Nordestina”, revela uma história que vai muito além dos cenários de cinema. O portal Agro em Campo acompanhou de perto a rotina da Cooperativa Arteza que encontrou, no couro, na união e na persistência de um povo, a força que mudou o destino de uma cidade inteira. Nesse contexto, o cooperativismo em Cabaceiras se consolida como motor de desenvolvimento.

    Com cerca de 5.500 habitantes, o município, marcado pelo clima seco e pela escassez de chuvas, viu no cooperativismo uma alternativa concreta para enfrentar dificuldades históricas. Assim, construiu um novo caminho de desenvolvimento baseado na coletividade.

    Carlinhos, fundador da Arteza – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    À frente dessa transformação está José Carlos Castro, o Carlinhos, hoje com 70 anos. A trajetória dele se confunde com a própria história da Arteza. Aos 15 anos, após perder o pai em um acidente de moto, assumiu uma pequena produção de chapéus de couro com apenas oito homens. Desde então, iniciou um processo persistente de articulação coletiva. Foram dez anos insistindo na ideia de união até que, em 31 de julho de 1998, a cooperativa saiu do papel com 28 famílias.

    “Graças ao bode, ao couro do bode conseguimos sobreviver e viver bem”, resume.

    Cooperativismo em Cabaceiras transforma o couro em renda

    Antes da organização, o trabalho com couro enfrentava preconceito. A produção acontecia de forma rudimentar, às margens do rio Taperoá, com baixa qualidade e forte odor, o que afastava compradores. Ao mesmo tempo, a falta de chuva castigava lavouras como milho e alho. Por isso, muitos moradores deixavam a cidade em busca de sobrevivência.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Diante desse cenário, Carlinhos decidiu agir. Foi buscar capacitação em Campina Grande e voltou com uma solução prática: eliminar o cheiro do couro e melhorar sua qualidade. Como resultado, em poucos meses, a procura pelos produtos aumentou.

    Ainda assim, convencer outros produtores não foi simples. “O individualismo estava acabando com cada curtume”, relembra.

    A virada ocorreu quando ele passou a compartilhar conhecimento e estabelecer regras claras, como preço único e respeito entre os trabalhadores. Dessa forma, a padronização trouxe força ao grupo e estabilidade ao mercado. Em cerca de seis meses, os resultados já eram visíveis.

    Uma nova realidade no semiárido

    Com o avanço da organização, o impacto foi direto. Se antes as pessoas deixavam Cabaceiras, o movimento começou a se inverter. Aos poucos, o trabalho passou a gerar renda e perspectiva dentro da própria cidade.

    Atualmente, a Arteza reúne mais de 80 cooperados e movimenta uma cadeia que ultrapassa 500 postos de trabalho. A produção, que antes era de 600 peles por mês, alcançou 26 mil peles de cabra e 45 mil quilos de couro bovino mensalmente.

    Além disso, a matéria-prima chega de três estados — Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Depois do curtimento, o couro segue para artesãos locais. Cada profissional desenvolve um tipo de produto, que é comercializado na loja da cooperativa e também pela internet para todo o Brasil.

    O faturamento mensal gira em torno de R$ 700 mil. Consequentemente, o impacto na economia local é significativo. A renda média dos trabalhadores chega a cerca de três salários mínimos.

    Mais do que números, o que se observa é transformação social. “A atividade mudou a nossa realidade”, afirma Carlinhos.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Tradição, sustentabilidade e futuro

    O processo produtivo preserva raízes e respeita o meio ambiente. O curtimento não utiliza produtos químicos. Em vez disso, usa o angico como insumo natural, técnica tradicional da região. Além disso, os resíduos são reaproveitados como fertilizantes, reforçando práticas sustentáveis.

    Com o apoio do Sistema OCB, a cooperativa avançou em gestão, organização e precificação. A partir dessas consultorias, os cooperados passaram a entender melhor o valor do produto. Assim, o modelo evita concorrência interna e fortalece o posicionamento no mercado.

    “O cooperativismo é a junção de pessoas. Nosso maior patrimônio são os associados”, destaca.

    Hoje, a Arteza também incorpora práticas alinhadas a ESG, mantendo viva a cultura local enquanto gera desenvolvimento econômico. Nesse sentido, o cooperativismo em Cabaceiras mostra que valor vai além do dinheiro.

    No fim, o que se encontra na cidade não é apenas uma cooperativa. É a prova de que, mesmo em um território marcado pela seca, a união transforma escassez em oportunidade, trabalho em dignidade e tradição em futuro.

  • Força do cooperativismo transforma economia e comunidades no Brasil

    Força do cooperativismo transforma economia e comunidades no Brasil

    Unir para fortalecer. Esse é o princípio que guia o cooperativismo brasileiro, um modelo socioeconômico que vem transformando comunidades em todas as regiões do país. Com mais de 25,8 milhões de cooperados e a geração de 578 mil empregos diretos, o setor demonstra força ao combinar crescimento econômico, inclusão social e impacto comunitário.

    Segundo o presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Márcio Lopes de Freitas, os resultados comprovam a resiliência do modelo. “Chegamos a um crescimento de 66% no número de cooperados desde 2019. Mais do que números, entregamos dignidade, renda e desenvolvimento sustentável”, afirmou. Em 2024, as cooperativas brasileiras movimentaram R$ 757,9 bilhões, com expansão de 9,5% em relação ao ano anterior.

    Modelo centrado em pessoas

    O cooperativismo se diferencia por colocar os associados no centro do negócio. Cada cooperado é, ao mesmo tempo, dono e participante ativo das decisões. “Nossa governança é democrática: cada pessoa tem direito a um voto, independente do quanto investe. Não falamos em lucro, mas em sobras, que são reinvestidas na própria cooperativa ou na comunidade”, explicou Samara Araujo, gerente de Marketing e Comunicação do Sistema OCB.

    Samara Araujo, gerente de Marketing e Comunicação do Sistema OCB – Foto: Pedro H. Lopes/Agro Em Campo

    Esse modelo gera impacto direto nas regiões em que atua. Em muitas localidades, as sobras são revertidas em melhorias nas escolas, infraestrutura e programas sociais. Além das cooperativas de crédito, destacam-se iniciativas ligadas ao artesanato, reciclagem, turismo, agricultura e meliponicultura, que têm impulsionado cadeias produtivas e promovido inclusão econômica.

    Exemplos da Amazônia

    No Pará, duas experiências demonstram como o cooperativismo atua na prática. Em Santarém, a Cooperativa Turiarte, localizada na comunidade do Anã, fortalece o turismo de base comunitária e o artesanato local, garantindo renda para dezenas de famílias. A iniciativa valoriza a cultura amazônica e atrai visitantes interessados em vivências sustentáveis.

    Já em Tomé-Açu, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) é referência em produção agrícola sustentável. Com forte atuação na diversificação de culturas e no uso de sistemas agroflorestais, a cooperativa combina geração de renda com preservação ambiental, transformando o município em um polo de inovação no agronegócio.

    Esses exemplos regionais reforçam o caráter plural do cooperativismo, capaz de unir tradição e modernidade, pequenas comunidades e grandes cadeias produtivas.

    Estrutura de apoio e capilaridade nacional

    Criado em 1969, durante o IV Congresso Brasileiro do Cooperativismo, o Sistema OCB unificou a representação nacional e hoje atua em três frentes:

    Organização das Cooperativas Brasileiras  – OCB – responsável pela representação política junto ao Executivo, Legislativo e Judiciário;

    Confederação Nacional das Cooperativas – CNCoop – entidade sindical de grau máximo, que defende os interesses das cooperativas;

    Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop – braço de formação e capacitação, voltado ao desenvolvimento humano, gestão e promoção social.

    Esse tripé garante que as cooperativas recebam suporte em inteligência de dados, capacitação, inovação, ESG, comunicação e negócios. “Levamos tecnologia e assistência técnica até os cooperados no interior do país, ajudando a fortalecer sua competitividade”, reforçou Samara.

    Futuro sustentável e reconhecimento internacional

    O ano de 2025 marca um momento simbólico: a ONU destacou o cooperativismo como modelo essencial para um futuro mais justo e sustentável. Para o presidente da OCB, o reconhecimento fortalece a posição do setor no Brasil e no mundo. “Distribuímos R$ 51,4 bilhões em sobras em 2024, que retornam para as comunidades e alimentam novos sonhos. O cooperativismo é um ciclo virtuoso de prosperidade compartilhada”, disse.

    Com presença em todos os estados, o movimento segue em expansão e incorporando novas práticas. Hoje, 52% da força de trabalho do setor é feminina, e cresce o número de jovens interessados em integrar cooperativas, principalmente em áreas ligadas à inovação e à economia verde.

    Em síntese, o cooperativismo se consolida como uma alternativa concreta frente aos desafios sociais, econômicos e ambientais. Mais do que números, representa a força da união coletiva para transformar realidades. Como resume o lema do Sistema OCB: unidos somos mais fortes e vamos mais longe.

  • Mateiros é declarada a Capital Nacional do Capim Dourado

    Mateiros é declarada a Capital Nacional do Capim Dourado

    A Lei 15.050/24, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em dezembro, reconhece Mateiros, no Tocantins, como a Capital Nacional do Capim Dourado. O deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO) propôs o Projeto de Lei 3.356/2021, que recebeu aprovação da Comissão de Educação do Senado.

    O senador Irajá (PSD-TO), relator do projeto, destacou que Mateiros é amplamente reconhecida pela produção e pelo artesanato de capim dourado. “O artesanato de capim dourado não é apenas uma atividade econômica vital para a comunidade local, mas também um símbolo cultural que representa a identidade e a tradição do povo de Mateiros e das comunidades vizinhas”, afirmou.

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    Com a nova designação, espera-se que Mateiros atraia mais visitantes e investidores interessados na cultura do capim dourado. A oficialização como Capital Nacional do Capim Dourado pode impulsionar o turismo e promover o desenvolvimento econômico da região.

    O que é o capim dourado?

    O capim dourado (Syngonanthus nitens) é uma planta endêmica da região do Jalapão, conhecida por suas características únicas, incluindo sua coloração dourada e brilho natural. Artesãos utilizam amplamente esta planta para produzir bijuterias, bolsas, chapéus e outros artigos decorativos, comercializados no Brasil e no exterior.

    O capim dourado é uma planta rara, encontrada em poucos lugares no Brasil. Divulgação – Governo de Tocantins

    A medida não apenas valoriza o trabalho dos artesãos locais, mas também contribui para a preservação das tradições culturais associadas ao capim dourado. Com isso, Mateiros se estabelece como um importante centro para a valorização e comercialização desse recurso natural único.

    A declaração de Mateiros como a Capital Nacional do Capim Dourado representa um reconhecimento significativo para o município e seus habitantes. A combinação entre cultura, economia e sustentabilidade promete fortalecer ainda mais a identidade local e promover o crescimento da comunidade em torno dessa planta tão especial.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias