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  • Queijo artesanal em São Paulo cresce 490%

    Queijo artesanal em São Paulo cresce 490%

    A produção de queijo artesanal em São Paulo avança de forma consistente e conquista reconhecimento institucional com a criação do Dia Estadual do Queijo Artesanal e Autoral Paulista. A nova data reforça a expansão do setor, impulsionada por políticas públicas, inovação no campo e valorização dos produtores.

    A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou o Projeto de Lei nº 276/2026, de autoria do deputado Itamar Borges. A proposta institui o dia 17 de setembro como data oficial para celebrar a produção artesanal paulista. A escolha homenageia a criação da Associação dos Queijeiros Artesanais Paulistas (AQPA), considerada um marco na organização da cadeia produtiva.

    Nos últimos anos, o estado registrou crescimento acelerado no número de queijarias formalizadas e ampliou a presença de seus produtos em premiações nacionais e internacionais. Esse avanço resulta, em grande parte, das ações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), com destaque para a modernização do Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP).

    Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, o apoio ao produtor artesanal fortalece a renda no campo, preserva tradições regionais e agrega valor à produção. “O queijo artesanal carrega identidade, história e qualidade, e nosso papel é garantir condições para que esses produtores cresçam com segurança e acesso ao mercado”, afirma.

    Formalização impulsiona setor

    São Paulo conta atualmente com 113 queijarias artesanais registradas no SISP Artesanal, que somam 1.006 produtos cadastrados entre queijos e derivados lácteos. O crescimento ganhou força a partir de 2023, após a criação de equipes especializadas e a simplificação do processo de registro.

    Em 2016, o estado tinha apenas 19 queijarias formalizadas. Hoje, o número chegou a 113, um avanço superior a 490% em dez anos. O resultado reflete políticas de incentivo, modernização da inspeção sanitária e ampliação do acesso à certificação para pequenos produtores.

    O setor também se destacou no Mundial do Queijo Brasil 2026, realizado em São Paulo. Ao todo, 47 queijarias registradas no SISP conquistaram premiações, incluindo um prêmio especial, sete medalhas super ouro, 14 ouros, 12 pratas e 14 bronzes.

    A digitalização dos processos contribuiu para esse cenário. O cadastro de produtores agora ocorre pelo sistema GEDAVE, que oferece mais agilidade e acompanhamento técnico.

    Além da formalização, o Projeto CATI Leite fortalece a base produtiva ao oferecer assistência técnica contínua. Inspirado no programa Balde Cheio, da Embrapa, o projeto orienta produtores sobre manejo de pastagens, nutrição animal, qualidade do leite e gestão da propriedade, fatores essenciais para a produção de queijos artesanais de maior valor agregado.

    Turismo rural e qualificação

    O queijo artesanal também ganha espaço no turismo rural paulista com as Rotas do Queijo Paulista. A iniciativa reúne mais de 100 propriedades e integra produção, gastronomia e cultura local, ampliando mercados e gerando renda.

    Foto: Sec. Agricultura SP

    Na área de capacitação, o estado iniciou a implantação dos Centros de Referência em Queijos Especiais (CRQE), em parceria com a Embaixada da França no Brasil. O projeto envolve instituições como APTA Regional, Ital, Instituto de Zootecnia, Defesa Agropecuária e Centro Paula Souza, além do apoio da Ocesp e especialistas franceses.

    A iniciativa forma produtores, técnicos e multiplicadores, com foco em boas práticas, segurança alimentar, inovação e desenvolvimento de novos produtos.

    Paralelamente, instituições como Ital e IZ desenvolvem pesquisas voltadas à qualidade do leite, sanidade animal e tecnologia de alimentos, fortalecendo toda a cadeia produtiva.

    A criação do Dia Estadual do Queijo Artesanal e Autoral Paulista ocorre em um momento de expansão do setor. Combinando tradição, inovação e apoio institucional, os produtores paulistas transformam o queijo artesanal em símbolo de identidade regional, turismo e geração de renda.

  • Festival do Queijo Artesanal em BH destaca liderança feminina

    Festival do Queijo Artesanal em BH destaca liderança feminina

    Belo Horizonte recebe a 8ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas entre os dias 4 e 6 de junho, no Parque da Gameleira. Este ano, o evento dá voz às mulheres que lideram a produção queijeira no estado, com uma programação dedicada a debater liderança, comunicação e valorização feminina no setor.

    Foto: Divulgação FQAM

    No dia 4 de junho, das 14h às 16h, a Sala Minas Gerais recebe a terceira edição do Encontro das Mulheres do Queijo. O Sistema Faemg Senar e o Sebrae Minas organizam a iniciativa para valorizar as produtoras rurais e discutir sua representatividade no agronegócio.

    A organização espera reunir mais de 100 mulheres que atuam na cadeia produtiva do leite e do queijo artesanal. Segundo Silvana Novais, gerente no Sistema Faemg Senar, o debate deste ano foca no fortalecimento dos negócios familiares e na promoção dos territórios produtores mineiros.

    Comunicação e mercado como ferramentas de sucesso

    A programação foca no desenvolvimento profissional das participantes. O evento oferece uma palestra sobre comunicação pessoal e posicionamento de mercado, além de um painel com representantes de diversas regiões produtoras de Minas Gerais.

    Foto: Divulgação FQAM

    Silvana Novais explica que o objetivo é ensinar as produtoras a apresentarem melhor seus produtos e falarem com mais propriedade. “Queremos valorizar a pessoa produtora e mostrar a importância dela no mercado de queijos. Essa valorização impacta não apenas a mulher, mas todo o negócio da família”, destaca a gerente.

    Crescimento feminino no campo

    O protagonismo das mineiras reflete uma tendência nacional. Dados do Censo Agropecuário do IBGE confirmam o aumento de mulheres na gestão de propriedades rurais no Brasil. No setor do queijo artesanal, essa presença fortalece a tradição familiar e garante a transmissão de saberes entre gerações.

    Foto: Divulgação FQAM

    Além do encontro voltado para as mulheres, o festival oferece ao público:

    • Exposição e venda de queijos artesanais de várias regiões.
    • Cozinha show e oficinas gastronômicas.
    • Palestras técnicas e harmonizações.
    • Programação cultural completa.

    Serviço

    8º Festival do Queijo Artesanal de Minas

    • Data: 4 a 6 de junho de 2026.
    • Local: Parque da Gameleira – Belo Horizonte.
    • Entrada: Gratuita (mediante credenciamento online).

    3º Encontro das Mulheres do Queijo

    • Data: 4 de junho.
    • Horário: 14h às 16h.
    • Local: Sala Minas Gerais (Parque da Gameleira).
    • Participação: Gratuita.
  • Da cozinha da roça para a feira: projeto alavanca produção artesanal

    Da cozinha da roça para a feira: projeto alavanca produção artesanal

    Uma paixão pela panificação se transformou na principal fonte de renda da família de Maria de Fátima Nascimento dos Santos e Celino Lino da Silva, moradores da comunidade rural São Domingos, em Janiópolis (PR). Após problemas de saúde do marido afetarem a estabilidade financeira da casa, Maria de Fátima encontrou nos pães e bolachas artesanais um caminho promissor. No entanto, equipamentos profissionais seguiam um sonho distante, até a família conhecer o projeto Renda Agricultor Familiar.

    Foto: Divulgação

    A iniciativa, que completa uma década em 2025, alia assistência técnica especializada a investimentos financeiros para estruturar unidades produtivas familiares no campo. O objetivo central é gerar renda e melhorar a segurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade social.

    Sonho equipado: do cilindro ao forno industrial

    Com o apoio do extensionista do IDR-Paraná em Janiópolis, José Carlos Denck, a família elaborou um plano de investimento para a pequena panificação. Os recursos do projeto permitiram a aquisição de um cilindro de massas e uma amassadeira industrial. Uma segunda parcela, somada a economias próprias, viabilizou a compra de um forno refratário industrial.

    “As condições financeiras da família não permitiam realizar esse sonho sozinhos”, conta Maria de Fátima. “O projeto foi a realização de algo maravilhoso. Agora, tenho mais velocidade, praticidade, higiene e qualidade nos meus produtos”, celebra a produtora.

    Os resultados chegaram rapidamente. Apenas no primeiro mês utilizando os novos equipamentos, em dezembro de 2025, as vendas cresceram entre 10% e 15% em relação a novembro. O próximo passo, com apoio técnico contínuo, é mapear os custos reais de produção e elaborar um plano de negócios para expandir as vendas, inclusive para o mercado da merenda escolar.

    Como o projeto renda agricultor familiar funciona

    O Renda Agricultor Familiar atua em três frentes principais para fortalecer as famílias no campo:

    • Saneamento Básico: melhoria de banheiros, proteção de fontes de água e destinação adequada de resíduos.
    • Produção para Autoconsumo: incentivo a hortas, pomares e criação de pequenos animais para a própria alimentação.
    • Geração de Renda: apoio a atividades agrícolas e não-agrícolas, como artesanato, pequenos comércios e serviços.

    “A ideia é promover qualquer atividade que melhore a vida das pessoas e ajude a mantê-las no meio rural”, explica Jefferson Meister, coordenador estadual do programa. Um extensionista do IDR-Paraná trabalha em conjunto com cada família para construir um projeto personalizado.

    Impacto coletivo e inclusão produtiva

    Em dez anos, o projeto já alcançou mais de 11 mil beneficiários em todo o Paraná, sendo 90% deles mulheres. Os investimentos somam quase R$ 34 milhões, provenientes do Tesouro do Estado, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop).

    A iniciativa atende produtores com renda familiar per capita de até meio salário mínimo, incluindo agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. Jovens acima de 18 anos que cursam colégios agrícolas também podem participar com projetos em áreas cedidas pelos pais.

    Para José Carlos Denck, o extensionista que acompanha a família de Janiópolis, o resultado positivo traz realização profissional. “Saber que o IDR-Paraná colabora para melhorar a renda e a qualidade de vida dos agricultores e suas famílias é muito gratificante”, afirma.

    A história de Maria de Fátima e Celino ilustra como o projeto vai além do acesso a recursos. A iniciativa promove dignidade, fortalece a economia local e impulsiona o desenvolvimento sustentável no campo paranaense, transformando sonhos individuais em realidade produtiva.