Tag: armazenagem de grãos

  • Nova lei flexibiliza certificação de armazéns e pode reduzir déficit logístico no agro

    Nova lei flexibiliza certificação de armazéns e pode reduzir déficit logístico no agro

    O governo sancionou a Lei nº 15.429/2026 e tornou facultativa a certificação de armazéns de produtos agropecuários no Brasil. A norma, publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última semana, altera a Lei nº 9.973/2000 e elimina a obrigatoriedade do certificado para o funcionamento dessas unidades.

    Com a mudança, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) passa a ter maior flexibilidade para credenciar armazéns privados. Antes, a estatal só podia registrar unidades com certificação regular, o que limitava a ampliação da rede credenciada.

    A nova regra abre espaço para regularizar parte significativa do setor. Hoje, cerca de 83% dos armazéns brasileiros não possuem certificação. Agora, essas unidades podem operar legalmente, desde que cumpram as demais exigências legais e passem por vistoria e análise documental dos órgãos competentes.

    Segundo o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos, a lei reduz entraves burocráticos e deve estimular investimentos. Ele afirma que a obrigatoriedade da certificação elevava custos e dificultava a atuação da estatal, principalmente em regiões sem armazéns certificados. “A nova legislação simplifica o credenciamento, reduz custos e favorece a expansão da infraestrutura de armazenagem no país”, destaca.

    Despesas operacionais

    A flexibilização também tende a reduzir despesas operacionais. Até então, organismos privados acreditados pelo Inmetro realizavam a certificação, o que gerava custos adicionais para empresas e produtores. Com a mudança, o setor ganha autonomia para decidir sobre a certificação conforme estratégias comerciais e exigências de mercado.

    O cenário atual evidencia o gargalo logístico. Dados da Conab mostram que a produção de grãos cresceu, em média, 6,72% ao ano na última década, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,38%. Hoje, o Brasil consegue estocar entre 60% e 63% da produção anual, com déficit superior a 130 milhões de toneladas.

    A nova legislação busca ampliar a infraestrutura disponível sem comprometer os padrões de qualidade. As regras sanitárias, ambientais e fiscais permanecem em vigor, assim como os mecanismos de fiscalização e controle. Normas da própria Conab, padrões do Ministério da Agricultura e auditorias do setor continuam garantindo a qualidade dos produtos armazenados.

    A medida também não afeta as exportações brasileiras. O país mantém os requisitos sanitários e fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais. A certificação segue disponível para atender demandas específicas de clientes e parceiros comerciais.

  • Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    O milho safrinha 2025/2026 entra em uma fase decisiva no Sul de Minas Gerais, exigindo atenção redobrada dos produtores diante de desafios que podem impactar diretamente a produtividade das lavouras. A irregularidade das chuvas, o avanço de pragas e os reflexos do plantio realizado fora da janela ideal estão entre os principais fatores de preocupação nesta etapa do ciclo produtivo.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam expectativa de produção de 108,4 milhões de toneladas para a segunda safra de milho no Brasil. Na região sul-mineira, porém, o cenário apresenta diferentes realidades, com lavouras em estágios variados de desenvolvimento devido aos atrasos registrados na colheita da soja, que influenciaram o calendário de semeadura em diversas propriedades.

    Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa especializada em armazenagem e comercialização de grãos, o momento exige acompanhamento frequente das áreas cultivadas para evitar perdas e garantir melhores resultados na colheita.

    “Cada produtor vive uma realidade diferente nesta safrinha. Quem conseguiu semear dentro da janela adequada tem lavouras mais uniformes e com melhor potencial produtivo. Quem atrasou o plantio precisa estar ainda mais atento ao clima e ao avanço de pragas, porque qualquer descuido nessa fase pode comprometer o resultado final”, afirma.

    Clima e pragas aumentam preocupação no campo

    Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores está a instabilidade climática. A ocorrência irregular de chuvas durante fases importantes da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, pode reduzir significativamente o potencial produtivo, principalmente nas áreas semeadas mais tarde.

    Além disso, as condições de calor e umidade observadas em parte da região favorecem a proliferação de pragas. A lagarta-do-cartucho continua sendo uma das principais ameaças ao milho safrinha, exigindo monitoramento constante e rápida adoção de medidas de controle quando identificada nas lavouras.

    De acordo com Castelli, a combinação entre planejamento e acompanhamento técnico é fundamental para minimizar riscos ao longo do ciclo produtivo.

    “O milho é uma cultura com grande importância econômica para o Sul de Minas. Planejamento, acompanhamento constante e decisões rápidas no campo fazem diferença para que o produtor consiga aproveitar melhor o potencial da safra e as oportunidades de comercialização”, destaca.

    Mercado também requer atenção

    Além dos desafios agronômicos, os produtores acompanham com atenção o comportamento do mercado. A volatilidade dos preços do milho continua sendo influenciada pelo desempenho da segunda safra em âmbito nacional. Fator que pode alterar estratégias de comercialização ao longo dos próximos meses.

    Nesse contexto, especialistas recomendam que o produtor mantenha acompanhamento não apenas das condições das lavouras, mas também das cotações do cereal. A definição do melhor momento para negociar a produção pode contribuir para ampliar a rentabilidade e reduzir impactos provocados pelas oscilações do mercado.

    Com lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento e um cenário ainda dependente das condições climáticas das próximas semanas, a safrinha de milho no Sul de Minas segue cercada de desafios. O acompanhamento técnico permanente e a tomada de decisões rápidas serão determinantes para o desempenho da safra. E para os resultados econômicos obtidos pelos produtores da região.

  • MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    Mato Grosso do Sul enfrenta uma crise silenciosa que corrói a rentabilidade do agronegócio: a falta de silos e armazéns para estocar a produção recorde de grãos. O déficit de armazenagem ultrapassou 11 milhões de toneladas no estado, obrigando produtores a venderem suas safras imediatamente após a colheita, sem condições de esperar por melhores preços.

    Os dados, revelados em estudo da Aprosoja/MS com base em informações da Conab e do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA/MS), expõem um gargalo que compromete a competitividade de um dos maiores produtores de soja e milho do país.

    Capacidade instalada não acompanha produção

    Com produção média superior a 22 milhões de toneladas nos últimos cinco anos, MS conta com apenas 16,4 milhões de toneladas em capacidade de armazenamento. Pela metodologia da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o estado precisaria de 27,5 milhões de toneladas de capacidade instalada.

    O resultado é uma defasagem de 67,8% que transforma oportunidade em prejuízo para milhares de produtores rurais.

    Crescimento desequilibrado agrava problema

    A análise da série histórica entre 2014 e 2025 revela o descompasso entre produção e infraestrutura:

    • Capacidade de armazenagem: cresceu 82% (de 9,01 para 16,39 milhões de toneladas)
    • Produção de grãos: saltou 69% (de 17,23 para 29,11 milhões de toneladas)
    • Déficit: aumentou 54% (de 8,25 para 12,72 milhões de toneladas)

    O pior cenário ocorreu em 2023, quando o déficit atingiu 21,23 milhões de toneladas após uma safra excepcional.

    Governo aposta no FCO para reverter cenário

    O secretário estadual de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, avalia que os números representam uma oportunidade para investimentos.

    “O Governo de Mato Grosso do Sul tem direcionado esforços para estimular a armazenagem em propriedades rurais, especialmente por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), que oferece prazos mais longos e taxas de juros competitivas”, explica Verruck.

    O secretário defende ainda a ampliação de linhas de crédito específicas. “Atualmente, a construção de armazéns com recursos baseados na taxa Selic inviabiliza economicamente o empreendimento”, afirma.

    Concentração regional agrava desigualdade

    O levantamento aponta que 73 dos 78 municípios analisados apresentam déficit de armazenagem. Maracaju, o maior produtor estadual, registra déficit de 1,32 milhão de toneladas.

    Dourados destaca-se como exceção, com superávit e capacidade instalada de 2,35 milhões de toneladas.

    Outro dado preocupante: apenas cinco municípios concentram 49% da capacidade total de armazenamento, mas respondem por apenas 38% da produção estadual.

    Projeções indicam agravamento do problema

    A safra nacional de grãos deve atingir 350,2 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior. Para MS, isso significa que o déficit tende a aumentar sem novos investimentos massivos em infraestrutura.

    “É fundamental fomentar o apoio aos produtores por meio do acesso ao FCO. Essa medida tem potencial para aprimorar significativamente a formação de preços no estado”, pontua Verruck.

    A falta de armazéns adequados aumenta riscos de perdas pós-colheita, eleva custos logísticos e pressiona o escoamento da produção. A dependência do modal rodoviário, especialmente ao longo da BR-163, cria gargalos que encarecem o transporte.

    “A ausência de capacidade adequada impede o produtor de obter preços mais vantajosos. A falta de espaço força a venda rápida, muitas vezes a preços menos favoráveis”, admite o secretário.

    Estratégias para enfrentamento

    O governo estadual aposta em diversas frentes para reverter o quadro:

    • Apoio ao produtor via FCO
    • Suporte às cooperativas pelo Procoop
    • Reativação da malha ferroviária
    • Expansão do uso da hidrovia do Rio Paraguai
    • Implementação da Rota Bioceânica

    Verruck destaca ainda a necessidade de diversificação da infraestrutura. “É preciso expandir a capacidade de armazenagem segregada para diferentes culturas, além de soja e milho. O sorgo, por exemplo, requer soluções específicas. A utilização dos mesmos armazéns para diferentes grãos limita o escoamento da produção”, conclui o secretário.