Tag: araucária

  • Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    O município de Cunha (SP) recebe, na quinta-feira (30), o Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades, evento que reúne produtores, pesquisadores, extensionistas e gestores públicos para discutir o futuro da cadeia produtiva do pinhão e a conservação da araucária no estado.

    Organizado pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e parceiros, o encontro apresenta resultados inéditos de uma pesquisa sobre a produção local e propõe estratégias para fortalecer a sociobiodiversidade, ampliar políticas públicas e impulsionar o desenvolvimento rural sustentável.

    Pesquisa aponta desafios da cadeia do pinhão em SP

    Durante o seminário, a engenheira agrônoma Priscilla Menezes de Souza, da Casa da Agricultura de Cunha, apresenta o estudo sobre os principais gargalos da atividade no município — responsável pela maior produção de pinhão do estado, com cerca de 350 toneladas anuais.

    Segundo a pesquisadora, os desafios incluem:

    • Falta de planejamento no plantio e manejo da araucária
    • Envelhecimento das famílias coletoras
    • Redução da sucessão rural
    • Dificuldades de comercialização
    • Necessidade de políticas públicas integradas

    O estudo também reforça a urgência de ações para conservar a Araucaria angustifolia, espécie símbolo da Mata Atlântica e ameaçada de extinção.

    Araucária tem papel econômico e cultural em Cunha

    Em Cunha, a araucária vai além do valor ambiental. A espécie sustenta práticas tradicionais de coleta, fortalece a identidade cultural local e contribui para a segurança alimentar e a geração de renda.

    Imagem: Divulgação

    O seminário busca integrar conhecimento científico, extensão rural e saberes tradicionais, promovendo diálogo entre universidades, agricultores e instituições públicas.

    Projeto Pinhão SP impulsiona cadeia produtiva

    O evento integra as ações do Projeto Pinhão SP, iniciativa da CATI vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). O projeto incentiva a produção sustentável, valoriza comunidades tradicionais e fomenta políticas públicas voltadas à conservação da araucária.

    De acordo com o engenheiro agrônomo César Frizo, o pinhão surge como alternativa econômica viável para áreas de relevo acidentado e clima frio, comuns na Serra da Bocaina. A proposta também reduz a pressão sobre remanescentes nativos.

    Assistência técnica fortalece produção sustentável

    A Casa da Agricultura de Cunha atua diretamente com produtores e famílias coletoras, oferecendo assistência técnica, articulação institucional e apoio à conservação ambiental.

    Segundo Osmar Felipe, da CATI Regional Guaratinguetá, a integração entre produtores, universidades e instituições tem ampliado o diálogo entre ciência e tradição, fortalecendo a governança territorial e gerando oportunidades no campo.

    O seminário pretende estruturar uma rede colaborativa em torno da cadeia do pinhão paulista. As propostas discutidas serão consolidadas em um fórum até o fim do ano, com diretrizes técnicas e organizacionais para fortalecer a atividade e conservar a araucária.

    Serviço

    Evento: Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades

    • Data: 30 de julho de 2026
    • Horário: 9h às 18h
    • Local: Auditório da Câmara Municipal de Cunha
    • Endereço: Rua Dom Lino, 73, Centro, Cunha (SP)
    • Informações: (12) 99676-4130 (WhatsApp)

     

  • Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.

    A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.

    Sapecada

    Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.

    Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.

    “O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.

    A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul

    Na mesa do povo

    Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.

    Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.

    “O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.

    Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação

    A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.

    Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.

    Embrapa Florestas

    Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.

    A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.


    Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa

    O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.

    Agroindústria

    No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.

    “Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.

    Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.

  • Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    A queda da quarta maior araucária do Brasil, na Estação Experimental da Embrapa em Caçador (SC), disparou uma operação de resgate genético contra o relógio. Uma equipe da Embrapa Florestas viajou até o município para coletar material genético e tentar clonar o exemplar. Ele era apelidado carinhosamente de “Pinheirão” por pesquisadores que conviveram com ele por décadas.

    Com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito (DAP), o espécime era o quarto maior da espécie Araucaria angustifolia no país, segundo levantamentos do professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A queda ocorreu nas últimas semanas, mas não há confirmação da data exata.

    A corrida contra o tempo

    Após chegar ao local, a equipe avaliou as condições das brotações na copa do Pinheirão. “O ideal é que a coleta deste tipo de material ocorra entre cinco e dez dias após a queda. No entanto, a equipe encontrou brotações ainda viáveis”, explica o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas.

    O material coletado seguiu para enxertia em laboratório. Os pesquisadores devem confirmar o sucesso do procedimento em cerca de 100 dias. A altura do Pinheirão, que por décadas impediu qualquer intervenção no topo da árvore, só se tornou acessível com o tombamento. “Esse material se encontra no alto, na copa da árvore e, em virtude de sua altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável nesta árvore, ou, infelizmente, com seu tombamento”, explica Paulo César, bolsista da equipe.

    Equipe da Embrapa Florestas se mobilizou para coleta de material genético e tentativa de clonagem da árvore. Foto: Katia Pichelli / Embrapa Florestas

    A iniciativa busca preservar características genéticas raras da espécie, incluindo altura e longevidade excepcionais.

    Vínculo científico e emocional

    Para Anderson Feltrim, gerente da Estação Experimental da Epagri em Caçador, a mobilização vai além do interesse científico. “A mobilização atual reflete não apenas o valor científico da árvore, mas também o vínculo ao longo dos anos de todos nós que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a Embrapa, pois entendemos o valor científico de estudá-la”, afirmou.

    A Embrapa Florestas já tem experiência nesse tipo de operação. Em Cruz Machado (PR), a instituição conduziu a clonagem de outra araucária de grande porte após queda semelhante. Um caso que serve de referência técnica para o trabalho atual.

    Uma idade ainda desconhecida

    O Pinheirão nunca revelou sua idade com precisão. O tronco oco inviabilizava a dendrocronologia, técnica que determina a idade de uma árvore pela contagem dos anéis de crescimento no interior do tronco. Em árvores em pé e íntegras, a leitura se faz com um trado que extrai uma amostra de madeira a partir da altura do peito, onde os anéis costumam ser mais regulares e representativos. Com o tombamento, tornou-se possível retirar discos do tronco para contagem direta.

    A equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares da Embrapa Florestas, pretende coletar discos em uma região onde a madeira permanece íntegra, por volta dos cinco metros de altura. A contagem, porém, indicará apenas uma idade mínima: os anos iniciais de crescimento, anteriores ao momento em que o tronco atingiu aquela altura, ficam fora do registro.

    A pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot, do Laboratório de Monitoramento da Embrapa Florestas, acompanhou o Pinheirão desde 2003. Foi quando a equipe instalou experimentos na estação em parceria com professores e alunos da UFPR. “Devido à fragilidade observada no tronco, optou-se por não se proceder a nenhuma investigação para determinar sua idade, mas certamente esta árvore serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos”, conta.

    Além disso, o exemplar também figurava na agenda de visitantes internacionais, como pesquisadores da FAO, da Universidade Politécnica de Madri, do Centro Agronômico de Investigação e Ensino (CATIE, Costa Rica) e da Rede Internacional de Bosques Modelo (Canadá).

    Os últimos registros em vida

    Em novembro de 2025, o fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca foram os últimos profissionais a documentar o Pinheirão ainda em pé. A dupla estava em Caçador para o projeto “Reinvenção da Natureza”, do SESC, que mapeou 12 árvores gigantes do Sul do Brasil com base no trabalho do prof. Scipioni.

    “É muito forte a sensação de sermos os últimos fotógrafos documentando essa árvore tão impressionante, sentir a força da natureza, mas também o impacto de ver a finitude da vida e que a vida está sempre se renovando”, disse Paiva.

    Últimos registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pé foram feitos em novembro de 2025. Foto: Zé Paiva/Vista Imagens

    O projeto resultará em uma exposição artística multimídia, com vídeos e experiência imersiva sobre a Floresta Ombrófila Mista. A mostra deve estrear no primeiro semestre na galeria do SESC Concórdia e, no segundo semestre, no SESC Itajaí. Acompanhe o perfil @zepaivaphoto para mais informações.

    Scipioni coordena um dos principais levantamentos de árvores gigantes do Sul do Brasil, mapeando exemplares com mais de 1,5 metro de diâmetro, hoje cada vez mais escassos. Além disso, o trabalho envolve expedições a campo, análise de anéis de crescimento e estudo de araucárias e imbuias de grande porte. E tem foco em ecologia, conservação e importância ambiental.

    Clima extremo derruba gigantes

    Em estudo recente, Scipioni investigou a relação entre mudanças climáticas e a queda de árvores monumentais no Sul do Brasil. A pesquisa analisou eventos de 2023 e concluiu que o fator determinante para o tombamento não é o vento, mas a saturação do solo, que perde resistência e compromete a ancoragem das raízes.

    “O peso elevado e as copas largas dessas árvores centenárias as tornam particularmente vulneráveis a essas mudanças climáticas induzidas pelo El Niño”, explica o professor. O aumento das chuvas extremas transforma terrenos argilosos em superfícies instáveis para árvores de grande porte. O que exige, portanto, estratégias urgentes de conservação e monitoramento proativo para proteger esse patrimônio ecológico e cultural.

  • Araucária em risco: SP libera até R$ 36 mil para produtores que preservarem a espécie

    Araucária em risco: SP libera até R$ 36 mil para produtores que preservarem a espécie

    O pinheiro-brasileiro, símbolo da nossa paisagem, enfrenta um risco silencioso de desaparecer. Agora, o Governo de São Paulo coloca uma cifra direta nessa urgência: produtores rurais podem receber até R$ 36 mil para garantir a sobrevivência dessas árvores. É uma tentativa clara de transformar a conservação em um ativo econômico real para o campo.

    O custo do risco de extinção

    A araucária sofre com a combinação perigosa da extração ilegal e do avanço das mudanças climáticas. Especialistas alertam que a espécie pode perder seu habitat natural até 2070 se nada mudar agora. O edital inédito, batizado de PSA Araucária, tenta quebrar esse ciclo de degradação oferecendo um incentivo financeiro direto. A estratégia é simples: remunerar quem protege a árvore em pé.

    Como funciona o pagamento

    O programa prevê repasses de até R$ 36 mil por produtor rural e até R$ 250 mil para organizações da sociedade civil. O edital foca em ações práticas, como a proteção de exemplares existentes, o plantio de novas mudas e a recuperação de áreas que já sofreram algum tipo de degradação. “Este edital reforça o compromisso do Governo de São Paulo com soluções inovadoras de conservação, que integram proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e geram valor de mercado e renda no território”, destaca Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.

    Conectando conservação e rentabilidade

    O PSA Araucária não chega sozinho. Ele se insere em uma estratégia maior de bioeconomia que pretende fortalecer a cadeia produtiva do pinhão, especialmente no Vale do Paraíba. A ideia central é transformar produtos florestais e serviços ecossistêmicos em fontes legítimas de renda para as comunidades locais. Dessa forma, a floresta deixa de ser vista apenas como um custo ou uma área travada e passa a atuar como uma peça produtiva dentro da propriedade rural.

    Próximo passo para o produtor

    Se você busca viabilizar essa conservação na sua terra, o acompanhamento do edital é o caminho imediato. A Fundação Florestal coordena o processo e busca parceiros que queiram unir a preservação ambiental à gestão eficiente da propriedade. A iniciativa coloca em teste se o mercado de serviços ambientais consegue, de fato, frear o risco de extinção dessa árvore icônica enquanto coloca dinheiro no bolso do produtor que cuida do que é nosso.

  • 260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    A Fundação CERTI concluiu a primeira fase do projeto “Mais Floresta com Araucária”, restaurando 262 hectares de Mata Atlântica nas regiões da Serra e Meio Oeste de Santa Catarina. A iniciativa foifinanciada pelo BNDES por meio do edital Restauração Ecológica. E recuperou uma área equivalente a mais de 260 campos de futebol, com o plantio de cerca de 40 mil mudas de espécies nativas, incluindo a emblemática araucária (Araucaria angustifolia).

    O projeto  contou com a participação de mais de 100 agricultores locais e apoio técnico das universidades UDESC, UFSC e IFSC. E visa fortalecer a biodiversidade e promover a sustentabilidade econômica por meio da valorização de espécies como a erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca d’anta. As araucárias, além de símbolo do ecossistema local, contribuem para a produção do pinhão, importante fonte de alimento e renda para comunidades da região.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    Segundo Victor Augusto Moreira, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, a restauração da Mata Atlântica traz benefícios ambientais como regulação climática, preservação de recursos hídricos e provisão de alimentos, além de impulsionar a economia local. “Nossa intenção foi contribuir para esse ecossistema tão importante, hoje reduzido a menos de 3% da cobertura original”, afirma Moreira.

    Além do reflorestamento, o projeto implantou módulos de sistemas agroflorestais em assentamentos da reforma agrária. E também promoveu capacitações em práticas agrícolas sustentáveis, ampliando as oportunidades para agricultores familiares. A rede de parceiros também viabilizou a criação de viveiros florestais, garantindo infraestrutura para futuras ações de restauração e conservação.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    A restauração abrangeu Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) e áreas de Reserva Legal, consolidando um modelo viável de recuperação ambiental que alia conservação da biodiversidade, geração de renda e bem-estar para as comunidades rurais catarinenses.

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  • Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconheceu, em 21 de maio, o cultivo de erva-mate sombreada nas florestas de araucárias do Paraná como Patrimônio de Sistemas Agrícolas de Importância Global (Giahs). Esse título destaca sistemas produtivos sustentáveis que valorizam o conhecimento tradicional e a agrobiodiversidade. Além de reforçar o papel da FAO no combate à fome, melhoria da nutrição e promoção da segurança alimentar mundial.

    O Paraná lidera a produção nacional de erva-mate, envolvendo cerca de 30 mil famílias e movimentando aproximadamente R$ 1,3 bilhão por ano, conforme dados do Valor Bruto da Produção (VBP) de 2023. Estimativas apontam que 70% da área de cultivo no estado utiliza a técnica sombreada, que preserva a biodiversidade e mantém a qualidade da planta.

    O cultivo sombreado ocorre sob florestas nativas, principalmente de araucárias, o que proporciona uma incidência de luz diferenciada. Essa prática resulta em folhas com maior concentração de taurina e teobromina, componentes valorizados pelas indústrias de chás, energéticos e cosméticos. O engenheiro florestal Avner Paes Gomes, do IDR-Paraná, destaca que o sistema funciona como um consórcio floresta. Ou seja, ele integra a produção de erva-mate com a preservação de outras espécies nativas, o que agrega valor ao produto para o mercado internacional.

    Esse reconhecimento da FAO representa apenas o segundo título Giahs concedido ao Brasil. O outro foi para os apanhadores de flores sempre-vivas da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. No mundo, 95 sistemas agrícolas de 28 países possuem esse status.

    Tradição

    A tradição do cultivo sombreado de erva-mate no Paraná tem raízes em práticas desenvolvidas por povos indígenas e comunidades tradicionais. O sistema garante renda para milhares de famílias, especialmente na região Centro-Sul do estado, onde a topografia dificulta outras formas de agricultura.

    O Estado investe em capacitação dos produtores por meio do IDR-Paraná, que oferece assistência técnica desde a seleção das mudas até a colheita e o controle de pragas. O programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), da Invest Paraná, também promove oficinas para profissionalizar a cadeia produtiva e conquistar novos mercados.

    Além disso, a erva-mate de São Mateus do Sul, na Região Sul, possui desde 2017 o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhecendo a tradição e a qualidade do produto local.

    O Paraná se destaca ainda por iniciativas de sustentabilidade, como a redução de 64% do desmatamento ilegal da Mata Atlântica entre 2023 e 2024. Além do aumento de 13% das matas ciliares, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. O estado lidera o ranking de sustentabilidade do Brasil, segundo o Centro de Liderança Pública (CLP). Isso graças a políticas de reciclagem, coleta seletiva e recuperação de áreas degradadas.

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  • Embrapa clona araucária centenária que tombou no Paraná

    Embrapa clona araucária centenária que tombou no Paraná

    Pesquisadores da Embrapa Florestas alcançaram um marco na ciência brasileira: a clonagem bem-sucedida de uma araucária (Araucaria angustifolia) de aproximadamente 700 anos, que tombou após um temporal no Paraná. A árvore, com 42 metros de altura e considerada a maior do estado em sua espécie, agora vive através de mudas clonadas plantadas em Cruz Machado, cidade onde a original estava. O feito inédito abre caminho para a conservação genética de árvores centenárias e destaca o potencial econômico do pinhão para agricultores.

    https://www.youtube.com/watch?v=XLchi15e9Ws&t=11s

    A clonagem de uma araucária tão antiga exigiu superar obstáculos técnicos. “A regeneração de tecidos em árvores idosas é limitada devido à redução da capacidade de multiplicação celular”, explica Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa e líder do projeto. A solução foi a técnica de enxertia: brotos coletados do tronco da árvore tombada foram unidos a mudas jovens, preservando o DNA original. Quatro mudas foram produzidas, duas já plantadas em locais simbólicos.

    Benefícios para agricultura: pinhão precoce e renda sustentável

    As mudas clonadas herdam características únicas da matriz:

    • Produção antecipada de pinhão (alimento tradicional com valor comercial crescente);
    • Porte menor (facilita o manejo e o cultivo consorciado, como com erva-mate);
    • Resistência genética (herdada da árvore original, que sobreviveu séculos).

    “Essas mudas podem ser uma fonte de renda adicional para agricultores, aliando preservação e economia”, destaca Wendling. Porém, os clones requerem cuidados especiais nos primeiros anos, como irrigação e controle de pragas.

    Legado histórico e educação ambiental

    Terezinha Wrubleski replantou uma das mudas na propriedade rural onde a araucária original cresceu. “É como ter uma filha da antiga árvore, que sempre foi parte da nossa família”, emociona-se. A outra foi levada ao Colégio Agrícola de Cruz Machado. E servirá como ferramenta educacional.

    Clonagem foi um desafio devido à idade avançada da árvore, que tinha mais de 700 anos e 42 metros de altura, até então, a mais alta do Paraná. Foto: Kátia Pichelli/Embrapa

    “Os alunos aprenderão a cultivar araucárias de forma sustentável, integrando-as a sistemas produtivos”, afirma Anderson Kaziuk, diretor pedagógico. Estudantes como Reginaldo Litka já planejam acompanhar o crescimento da muda: “Daqui a alguns anos, quero colher pinhões dela”.

    Técnica revolucionária: entenda a clonagem por enxertia

    A enxertia permitiu criar dois tipos de araucárias clonadas:

    • De tronco: Crescem como árvores convencionais (até 30 metros), mas com produção antecipada de pinhão.
    • De galho: Formam “mini araucárias” (3-5 metros), ideais para pequenas propriedades.

    Ambas mantêm a mesma idade ontogenética (genética) da planta original, mas “renascem” com idade fisiológica zero. “É como reiniciar o ciclo de vida de um DNA centenário”, resume Wendling.

    Terezinha Wrubleski e Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa e líder do projeto. Foto:Kátia Pichelli/Embrapa

    A Embrapa destinará uma muda ao Governo do Paraná e incluirá outra em seu banco genético. O objetivo é estudar a resistência da espécie e replicar a técnica em outras árvores ameaçadas. “Esse DNA único pode esconder segredos para a sobrevivência da araucária”, finaliza Wendling.

    Impacto Local: Para o prefeito Carlos Novak, o projeto resgata a identidade cultural: “A araucária é parte da nossa história, e agora também do nosso futuro sustentável”.

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