Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.
Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.
“O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.
Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.
A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.
Próximas etapas e tramitação
O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.
A Seara apresentou, durante a Gulfood 2026, sua nova identidade visual e um reposicionamento estratégico voltado ao público do Oriente Médio e Norte da África (MENA). A feira, realizada em Dubai, é considerada o principal evento global da indústria de alimentos e bebidas, reunindo marcas que definem tendências de consumo e parcerias estratégicas em mercados em expansão.
Além da Seara, o estande da JBS contou com novidades de outras marcas do grupo, como Friboi, Swift, 1855, Imperial American Wagyu Beef, Blue Ribbon e Pilgrim’s, reforçando a presença global da companhia na cadeia de proteínas.
Durante o evento, a Seara apresentou embalagens renovadas para todo o portfólio. O novo design destaca a tradicional cor laranja, símbolo da marca desde 2016. E introduz uma hierarquia visual mais clara, facilitando a escolha nas gôndolas e fortalecendo o reconhecimento da marca entre os consumidores da região. A atualização visual celebra o sucesso da trajetória da Seara na Arábia Saudita, impulsionada por investimentos contínuos em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia.
A marca também lançou um novo posicionamento regional, batizado de “Go Tastier”, acompanhado da campanha “Seara – ou você ama, ou nunca experimentou”. O projeto tem como embaixadora a estrela de TV Joelle Mardinian, e reforça o compromisso da empresa em oferecer produtos de sabor superior, conquistando a confiança das famílias árabes.
Conexão emocional
Para Monique Oliveira, diretora de Marketing da Seara MENA, o novo conceito eleva o desejo e a conexão emocional da marca com os consumidores. “Com o ‘Go Tastier’, buscamos refletir o estilo de vida local e transformar cada refeição em uma experiência marcante de sabor e qualidade”, afirma.
Como parte da estratégia de fortalecimento da marca, a Seara firmou patrocínio ao programa The Voice: Ahla Sawt. Exibido pelo canal MBC1, é o mais popular da região MENA. Durante toda a temporada, um food truck da Seara oferece refeições para participantes e equipes do programa, reforçando o vínculo da marca com o entretenimento e o público local.
A Seara também aproveitou o evento para anunciar o lançamento de sua linha de Frangos Inteiros (Griller) e Cortes de Frango na Arábia Saudita. A iniciativa resulta da parceria com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (ENTAJ), líder em produção avícola no país. A colaboração combina a escala global e expertise técnica da JBS com o profundo conhecimento regulatório e produtivo da empresa saudita.
O movimento se alinha ao plano de expansão da JBS na região. E que inclui a inauguração recente de uma planta industrial de 41 mil metros quadrados na Arábia Saudita. O investimento, de aproximadamente US$ 85 milhões, deve duplicar a capacidade produtiva local para 30 mil toneladas até o final de 2026. Reforçando a segurança alimentar nacional e o papel do país como hub global de alimentos halal.
A JBS ampliou sua atuação no Oriente Médio com a inauguração de uma nova fábrica em Jeddah. O investimento de US$ 85 milhões faz parte da estratégia da companhia de consolidar a Arábia Saudita como um centro global de produção e exportação de alimentos halal, atendendo à demanda crescente do Oriente Médio, Sudeste Asiático e outros mercados internacionais.
A expansão é resultado de uma parceria entre a Seara, marca da JBS no país, e a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (Entaj). Juntas, as empresas lançam uma nova linha de frangos inteiros e cortes de aves, reforçando a oferta de produtos processados localmente.
Com o novo projeto, a planta de Jeddah, em operação desde 2025, vai dobrar sua capacidade de produção até o final de 2026, exportando já para Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. A iniciativa está alinhada ao programa Visão Saudita 2030, que busca fortalecer a produção nacional, garantir segurança alimentar e diversificar as exportações do país.
A ampliação também traz impactos diretos no mercado de trabalho local, com a criação de 500 novos empregos. Assim. elevando o total de colaboradores da JBS na Arábia Saudita para cerca de 950 profissionais.
Mercado prioritário
“A Arábia Saudita é um mercado prioritário para a Seara”, afirmou o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni. “Ao investir na produção local, fortalecemos a segurança alimentar e ampliamos a capacidade halal. E também apoiamos a Visão 2030 com cadeias de abastecimento resilientes e o desenvolvimento de talentos locais.”
Segundo João Campos, presidente da Seara, a nova parceria reforça a presença global da empresa. “A operação saudita representa um hub estratégico para a produção halal, aumentando a resiliência da cadeia de suprimentos e expandindo nossa atuação em todo o Oriente Médio, Norte da África e Ásia”, destacou.
Atuando na Arábia Saudita há mais de 30 anos, a JBS exporta produtos de frango e bovinos seguindo rígidos padrões de qualidade e certificação halal. O complexo de Dammam concentra-se em carnes, linguiças, salsichas e mortadela. Enquanto Jeddah expande o portfólio com itens de valor agregado, voltados ao mercado local e à exportação.
Com a expansão, a JBS alcança o terceiro lugar no market share de frango congelado da região, com 93% de reconhecimento de marca (awareness) no segmento de alimentos congelados no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, alta de 1,91% frente ao ano anterior, segundo a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O resultado marca o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco formado por 22 nações.
Egito e Arábia Saudita continuaram como principais destinos da proteína, com aumentos de 24,53% e 29,90%, respectivamente. A Argélia também ganhou destaque, intensificando compras desde 2024 e alcançando US$ 286,58 milhões em 2025, avanço de 40,56%.
Segundo o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o desempenho reflete tanto o aumento da oferta brasileira quanto a estratégia dos países árabes de reforçar estoques de alimentos em meio à instabilidade global. “O Brasil foi beneficiado pela disponibilidade do produto e pela necessidade do bloco de se precaver contra riscos de desabastecimento. Mesmo com quedas em outras categorias, tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial”, afirmou Mourad.
Apesar do bom desempenho da carne bovina, o total exportado pelo Brasil aos países árabes caiu 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões — após crescer 22% em 2024. A retração está relacionada à queda nos preços das commodities e aos impactos da gripe aviária no Rio Grande do Sul, que reduziu o volume de embarques de frango.
Os principais itens exportados foram açúcar (US$ 4,63 bilhões, -29,89%), carne de frango (US$ 3,34 bilhões, -6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, +24,94%) e minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%). Entre os parceiros, destacaram-se Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bilhões), Egito (US$ 3,73 bilhões) e Arábia Saudita (US$ 3,13 bilhões).
Agronegócio mantém liderança nas exportações
O agronegócio respondeu por 72,5% das exportações ao bloco em 2025, totalizando US$ 15,91 bilhões, queda de 11,19% sobre 2024. Mesmo com os incentivos à produção local nos países árabes, a proteína brasileira manteve espaço no mercado regional.
Foto: divulgação – Terminal de Contêineres de Paranaguá
A Arábia Saudita, por exemplo, aumentou em 15,14% as compras de frango brasileiro, para US$ 942,39 milhões, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantiveram importações próximas a US$ 937 milhões, quase estáveis frente ao ano anterior.
Insumos para proteínas animais também ganham espaço
As vendas de gado vivo para abate cresceram 18,10%, somando US$ 695,09 milhões, e o milho destinado à criação de aves aumentou 24,93%, alcançando US$ 3,07 bilhões. Esses resultados reforçam a importância do Brasil como fornecedor estratégico de insumos e alimentos para a segurança alimentar árabe.
Mourad acredita que o comércio entre Brasil e países árabes deve se recuperar em 2026. No último trimestre de 2025, as exportações já mostraram reação, com alta de 8,2% frente ao mesmo período de 2024.
“O Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, impulsionou o aumento dos embarques no fim de 2025. Esse movimento indica tanto a formação de estoques para o período sagrado como a normalização gradual do comércio após o tarifaço americano”, analisa o executivo.
A MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, expandiram sua joint venture e criaram a Sadia Halal, nova potência multiproteína no mercado halal global. A transação alcançou US$ 2,07 bilhões e consolida as operações da MBRF no Oriente Médio.
O acordo reúne as fábricas e centros de distribuição da MBRF localizados na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além das empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã. A transação também inclui o negócio de exportações diretas de aves, bovinos e produtos processados para clientes da região MENA (Oriente Médio e Norte da África).
Os ativos geraram receita líquida de US$ 2,1 bilhões nos últimos 12 meses até junho de 2025, o equivalente a 7,3% da receita consolidada da MBRF. O EBITDA alcançou US$ 230 milhões, resultando em múltiplo implícito de 9x. Os ativos da Turquia não integram a operação.
A nova configuração também engloba a fábrica de processados e o centro de inovações em construção em Jeddah, além da participação na Addoha Poultry Company, produtora local de frango resfriado em Dammam. Esses ativos já faziam parte da joint venture original.
MBRF reforça presença em mercado estratégico
“A expansão da parceria com a HPDC visa reforçar a presença regional da MBRF em um dos mercados mais lucrativos e influentes do mundo, aproximando cada vez mais nossas marcas dos consumidores locais e assegurando a presença permanente na agenda de segurança alimentar do país. Além disso, a operação abre a possibilidade para um IPO a partir de 2027”, afirma Marcos Molina, chairman e controlador da MBRF.
A MBRF atua no mercado halal há mais de 50 anos. A marca Sadia lidera o setor nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), com 36,2% de market share. A companhia realiza cerca de 111 mil entregas mensais para mais de 17 mil pontos de venda na região.
“O movimento está em linha com a estratégia da MBRF de fortalecimento de suas operações no mercado Halal, onde a empresa está presente há mais de 50 anos e lidera o mercado com Sadia, a marca preferida dos consumidores”, destaca Marquinhos Molina, Chairman da Sadia Halal e CEO para a Arábia Saudita.
Acordo de fornecimento de 10 anos com a MBRF
A parceria prevê acordo de fornecimento de produtos de frango e bovino por 10 anos renováveis. A MBRF fornecerá os produtos para a Sadia Halal a partir de fábricas brasileiras. A precificação seguirá metodologia de custo total (cost plus +5%), conforme regras de preços de transferência.
“A Sadia Halal continuará potencializando a base de ativos da MBRF no Brasil, com competitividade global e habilitações para exportações para os principais mercados Halal”, explica Fábio Mariano, Vice-presidente da MBRF para o mercado Halal e CEO da Sadia Halal.
Mariano ressalta que o fortalecimento da parceria com a HPDC abre possibilidade de expansão na região, ampliando a base produtiva. O portfólio inclui a marca de bovinos Sadia Bassi.
HPDC planeja aumentar participação para 30%
No fechamento da operação, a HPDC deterá 10% da Sadia Halal, com planos de alcançar 30% e direito de atingir até 40%. O aumento de participação ocorrerá via aporte de capital, dividido igualmente entre recursos primários e secundários.
“Este movimento está totalmente alinhado com os objetivos de diversificação econômica estabelecidos na Visão 2030 da Arábia Saudita, acelerando a transformação sustentável da região em um centro global de produtos Halal. Por isso, estamos planejando aumentar a nossa participação para atingir 30%”, afirma Fahad AlNuhait, CEO da HPDC.
A transação marca o primeiro passo para um IPO da Sadia Halal a partir de 2027, sujeito a condições de mercado e aprovações regulatórias. A nova empresa adotará altos padrões de governança e práticas ESG, segundo os executivos.
A operação aguarda aprovação dos órgãos regulatórios competentes.
Mercado halal movimenta US$ 2 trilhões ao ano
O mercado halal global movimenta mais de US$ 2 trilhões anualmente, com a proteína animal representando o principal segmento. Projeções indicam que o consumo de alimentos halal ultrapassará US$ 1,5 trilhão até 2027.
A população muçulmana, que ultrapassa 1,9 bilhão de pessoas, cresce em média duas vezes mais rápido que a população global. Esse crescimento garante demanda estável e crescente por proteínas halal.
A demanda por produtos halal vai além dos países de maioria islâmica. O setor alcança regiões com grandes comunidades muçulmanas e mercados que valorizam os padrões de segurança alimentar. A certificação halal, que garante cumprimento das normas islâmicas, também funciona como selo de alta qualidade, higiene e produção ética, atraindo consumidores não muçulmanos.
Executivo da MBRF celebra relação de cinco décadas com mundo muçulmano
O vice-presidente de bovinos da MBRF, Alisson Navarro, celebrou o fato de a marca Sadia ter completado 50 anos de presença no mundo muçulmano, em fala na manhã de hoje (27), durante o Global Halal Brazil Business Forum 2025, realizado na cidade de São Paulo até amanhã.
Vice-presidente de bovinos da MBRF, Alisson Navarro. Foto: Divulgação
Segundo o executivo, após cinco décadas na região, a Sadia consolidou tanto a liderança de mercado, como a preferência do consumidor. “Desde então mantemos uma trajetória contínua de colaboração. Que reflete […] cuidado em compreender e atender as preferências culturais e padrões […] que definem o consumo halal”, afirmou Navarro, sobre o cuidado da empresa de disponibilizar produtos em conformidade com o islã, segundo exigência do consumidor.
Na região, a empresa vende derivados de aves e bovinos com certificação halal, que atesta produção em respeito a tradições religiosas e culturais do islamismo. No caso da proteína animal, essas tradições incluem, por exemplo, o abate segundo o rito isâmico, além de medidas para evitar contaminação cruzada com substâncias proibidas ao muçulmano, como derivados suínos e álcool.
Para Navarro, ao mesmo tempo que zela pela tradição, o mercado halal é um ecossistema dinâmico marcado pela inovação contínua. Que gera inovações em tecnologia, sustentabilidade e eficiência produtiva. “Trata-se de uma relação que valoriza não apenas o produto, mas também os princípios e os valores que orientam cada etapa da produção”, afirmou em discurso.
Chile, Namíbia, Macedônia do Norte e Arábia Saudita anunciaram a retirada das restrições temporárias à importação da carne de aves do Brasil. A decisão ocorre após a confirmação do encerramento do foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) registrado em Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Com essa recente atualização, o Brasil mantém autorização para exportar carne de aves a mais de 40 países, entre eles África do Sul, Argentina, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, México, Reino Unido e Vietnã.
No entanto, alguns países continuam com suspensão total das importações brasileiras, como Canadá, China, União Europeia e Malásia. Já países como Japão e Rússia adotaram suspensões específicas, limitadas a zonas ou estados determinados, conforme o sistema de regionalização previsto pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Essa flexibilização nas restrições fortalece a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de carne de aves, garantindo o acesso a mercados importantes e demonstrando o controle efetivo sobre a Influenza Aviária no país.
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apresentou ao governo federal um plano para ampliar as exportações brasileiras nos países árabes. O objetivo é redirecionar os produtos afetados pelo tarifaço americano para novos mercados.
O plano recomenda ações conjuntas, como visitas oficiais à região, missões empresariais a feiras, rodadas de negócios entre empresas brasileiras e árabes, e a aceleração de acordos de livre comércio. Sugere também facilitar a obtenção de vistos para empresários.
O documento foi entregue ao secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Marcel Moreira, e ao diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, embaixador Alex Giacomelli. Parlamentares e embaixadores árabes em Brasília também participaram da apresentação.
Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, destaca o potencial da região. “Queremos trabalhar com governo, parlamentares, embaixadas, entidades e empresas para minimizar o tarifaço. Os países árabes podem absorver parte dos produtos sobretaxados. Há demanda, e o Brasil pode ampliar sua inserção”, afirmou. Em 2024, as exportações brasileiras para os 22 países árabes alcançaram recorde de US$ 23,68 bilhões.
Plano
O plano inclui 13 produtos com potencial para o mercado árabe, identificados em estudo da entidade. Entre eles estão semimanufaturados de aço e ferro, café, petróleo refinado, carne bovina congelada, ligas de aço, bulldozers, pás-carregadeiras, açúcar e diversos produtos de madeira.
O estudo não detalha as quantidades que o mercado árabe pode absorver, mas aponta países prioritários que ampliam a importação desses itens. No caso do café, por exemplo, Arábia Saudita, Egito e Argélia importaram US$ 905,48 milhões no ano passado, cerca da metade das vendas brasileiras para os EUA. Porém, o Brasil participou com apenas 13,42% dessas compras. Mourad enfatiza o potencial de crescimento do café brasileiro em eventos na região MENA (Oriente Médio e Norte da África).
A carne bovina congelada também tem espaço de crescimento, sobretudo no Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Juntos, esses países importaram US$ 2,26 bilhões do produto, dos quais 42,78% foram do Brasil. A entidade acredita em maior aproveitamento nesses mercados, que são grandes consumidores e reexportadores da carne brasileira.
O estudo releva que os países árabes aplicam alíquotas de importação que variam de zero a 30%, mas a maioria taxa produtos entre 5% e 6%. A Câmara Árabe acredita que novas parcerias comerciais podem reduzir essas tarifas. Atualmente, o único acordo em vigor é o Mercosul-Egito.
Como prioridade, a entidade destaca negociações com os Emirados Árabes Unidos — em fase final — e a retomada ou aceleração de acordos com o Conselho de Cooperação do Golfo, Marrocos, Palestina e Líbano.
O plano da Câmara Árabe indica que os países árabes têm população jovem e crescimento econômico acima da média mundial. O Brasil figura como importante fornecedor para a segurança alimentar da região. O redirecionamento das exportações pode minimizar os impactos das sobretaxas dos EUA e fortalecer os laços comerciais entre o Brasil e o mundo árabe.
A BRF vai construir uma nova fábrica de alimentos processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita. A unidade será fruto de uma parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), empresa vinculada ao fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF).
O investimento total será de US$ 160 milhões, aplicados por meio da joint venture BRF Arabia Holding Company. Em resumo, a BRF arcará com 70% dos recursos, enquanto a HPDC responderá pelos 30% restantes. Segundo o cronograma, cerca de US$ 63 milhões serão desembolsados em 2025. Já os US$ 98 milhões restantes estão previstos para 2026. A nova unidade deve entrar em operação a partir de meados de 2026. Além disso, a empresa ainda estuda a origem dos recursos. As opções incluem capital próprio ou financiamento.
Estratégia global e segurança alimentar
O presidente do conselho de administração da BRF, Marcos Molina, destacou o avanço da estratégia global da companhia. “Esse investimento reforça nossa presença em um mercado estratégico e fortalece nossa parceria com o reino saudita”, afirmou Molina.
De acordo com Fahad Alnuhait, CEO da HPDC, a fábrica atenderá à demanda crescente por produtos processados no país. Ele ressaltou que o projeto reduz a dependência de importações. “A iniciativa apoia o desenvolvimento do ecossistema halal e posiciona o reino como centro global de produtos halal”, afirmou Alnuhait.
Capacidade inicial e possibilidade de expansão
A fábrica terá capacidade inicial para produzir cerca de 40 mil toneladas por ano e pode ter futuras expansões. Segundo Igor Marti, vice-presidente da BRF para o mercado halal, o projeto pode mais que dobrar de tamanho. “A produção vai acompanhar a demanda. Podemos expandir conforme o consumo exigir”, afirmou. Inicialmente, o foco principal da produção será o mercado saudita. No entanto, a BRF avalia exportar para outros países da região.
Frango halal será enviado do Brasil e da Addoha
Grande parte da matéria-prima virá do Brasil. Outra parte será fornecida pela Addoha Poultry Company, produtora saudita de frangos. A BRF adquiriu recentemente 26% de participação na empresa. “A fábrica terá sinergia com a Addoha, que fornece granja, abate e frango resfriado”, explicou Marti. “Vamos usar parte dessa produção na nova unidade.”
Jeddah: localização estratégica
A cidade de Jeddah tem localização estratégica. Além disso, é a segunda maior cidade da Arábia Saudita e está próxima a projetos de crescimento populacional. Ao mesmo tempo, também oferece fácil acesso a rotas de importação de insumos vindos do Brasil.
O investimento da BRF ocorre em um momento em que o governo saudita estimula a entrada de empresas estrangeiras. Em geral, o país também busca ampliar a segurança alimentar e oferece incentivos para novos projetos. Portanto, segundo Marti, os termos do acordo entre a BRF e o governo saudita são estratégicos e não podem ser divulgados.
Em outubro, o Brasil obteve o segundo maior resultado histórico na abertura de mercados para produtos agrícolas. No mês, o país criou 34 novas oportunidades de exportação em 12 países, quase igualando as 35 aberturas registradas durante todo o ano de 2019. Portanto, esse desempenho ficou atrás apenas de setembro deste ano, que bateu recorde com 55 novos mercados em 14 países.
Principais destinos
Entre os principais destinos de outubro, destacam-se a Arábia Saudita, que passou a receber algodão em pluma e caroço. Já o Gabão, com sementes de milho, sorgo, soja e braquiária; e a Colômbia, com sementes de setária. Outros produtos que ganharam novos mercados incluem amêndoas de cacau e erva-mate para países da União Eurasiática (como Rússia e Armênia). Além disso, sêmen e embriões de ovinos e caprinos para Cuba, frutos secos de macadâmia para o Japão e carne de ovinos e caprinos para o Catar.
Segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil abriu 192 mercados em 48 destinos nos últimos 10 meses. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula, em 2023, e da gestão do ministro Carlos Fávaro no Mapa, o total subiu para 270 mercados em 61 países.
“O avanço na abertura de mercados comprova que o Brasil oferece atributos essenciais atualmente, como sanidade, sustentabilidade e competitividade. Esse resultado é fruto do trabalho conjunto liderado pelos ministros Carlos Fávaro e Mauro Vieira e do apoio dos adidos agrícolas nas negociações comerciais”, afirmou o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua. Ele destacou que mais de 65% das aberturas ocorreram em postos com adidos agrícolas. Em resumo, a expansão dessas representações de 29 para 40 postos deverá impulsionar novos recordes.
Fortalecimento das exportações
A abertura de novos mercados vem fortalecendo as exportações brasileiras. Em setembro, as vendas externas do agronegócio atingiram o recorde de US$ 14,19 bilhões, um aumento de 3,6% em comparação ao mesmo mês de 2023. No acumulado dos últimos 12 meses, as exportações do setor somaram US$ 166,19 bilhões. Ou seja, uma alta de 1,8% sobre os US$ 163,19 bilhões do período anterior.
Governo publica a Portaria Interministerial Mapa/MRE nº 18, que oficializa a criação de 11 novos postos de adidos agrícolas em representações diplomáticas brasileiras no exterior. Os novos escritórios serão estabelecidos na Argélia, Bangladesh, Chile, Costa Rica, Emirados Árabes Unidos, Etiópia (abrangendo também a União Africana, Djibuti e Sudão do Sul), Filipinas (incluindo Ilhas Marshall, Micronésia e Palau), Irã, Malásia (com Brunei), Nigéria e Turquia.
Com essa expansão, o Brasil passará a contar com sete adidos agrícolas na África, fortalecendo laços com parceiros econômicos estratégicos e abrindo portas para mercados potenciais. Essa medida visa ampliar as oportunidades para o agronegócio brasileiro em mercados internacionais.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a relevância desse avanço. “As novas adidâncias refletem o reconhecimento da importância do agronegócio e sua maior inserção no mercado internacional. Com esses novos postos, iremos maximizar as oportunidades para o setor, gerando empregos e renda para os brasileiros, especialmente com a abertura de novos mercados.”
Foi a maior expansão desde a criação da função, em 2008
Em julho, o Governo Federal já havia autorizado, por meio de Decreto presidencial, a ampliação de 29 para 40 postos de adidos agrícolas. Foi a maior expansão desde a criação da função, em 2008. A ampliação visa atender à crescente demanda do setor por representação em mercados estratégicos.
A importância dos adidos agrícolas
Os adidos agrícolas são responsáveis por assessorar as representações diplomáticas, promovendo o agronegócio brasileiro. Eles identificam oportunidades de comércio, investimentos e cooperação, além de estabelecerem diálogos com atores do setor público e privado, academia e sociedade civil.
Atualmente, o Brasil possui adidos agrícolas em países como África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido, Rússia, entre outros. Com as novas adições, o Brasil reforça sua presença global no agronegócio, buscando expandir sua influência em mercados estratégicos e fortalecer a competitividade do setor.