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  • Guoxin: China usa navio fazenda de peixes com inteligência artificial

    Guoxin: China usa navio fazenda de peixes com inteligência artificial

    A China entregou no ano passado o Guoxin 1 2-1, primeiro navio de aquicultura inteligente de 150 mil toneladas do mundo, desenvolvido pelo grupo estatal Qingdao Guoxin. A embarcação transforma aquicultura marinha em operação industrial móvel, capaz de se deslocar para regiões com temperatura, correntes e qualidade de água ideais para criação de peixes de alto valor comercial.

    Mobilidade permite acompanhar melhores condições oceânicas. Foto: Xinhua/Li Ziheng

    Atualmente ancorado nas águas de Zhoushan, na província de Zhejiang, o navio recebeu mais de 1 milhão de juvenis de corvina-amarela no início de maio e registrou captura única superior a 46 mil peixes adultos em novembro de 2025, consolidando o modelo como plataforma industrial viável.

    Investimento e capacidade produtiva

    O projeto custou 610 milhões de yuans (US$ 84,3 milhões) e foi construído pela Beihai Shipbuilding, subsidiária da China State Shipbuilding Corporation. A embarcação mede 244,9 metros de comprimento e 45 metros de largura, com capacidade anual de produção estimada em 3.600 toneladas de peixes premium.

    O navio conta com 15 tanques padrão para criação comercial, quatro tanques circulares de exercício e 22 tanques experimentais, totalizando 96 mil metros cúbicos de água. Apesar do volume, apenas 35 tripulantes operam toda a estrutura, sendo 16 dedicados diretamente às atividades de aquicultura.

    Tecnologia: mais de 200 câmeras e 2 mil sensores monitoram produção

    O Guoxin 1 2-1 incorpora mais de 160 inovações tecnológicas em layout funcional, sistemas de criação, uso de energia renovável e integração de informações. A rede de monitoramento inteligente utiliza mais de 200 câmeras e 2 mil sensores que acompanham velocidade da água, níveis de oxigênio, temperatura e volume de alimentação em tempo real.

    Na sala de controle, uma tela eletrônica centraliza todas as leituras e permite que a equipe técnica ajuste parâmetros operacionais remotamente. O índice de mecanização ultrapassa 90%, com automação 45% superior ao navio anterior Guoxin 1, lançado em 2022.

    Inteligência artificial toma 30% das decisões

    O sistema inteligente responde por aproximadamente 30% das decisões agrícolas, ajustando automaticamente ciclos de alimentação, distribuição de oxigênio e circulação de água. Essa automação reduz custos de mão de obra em cerca de 20% e libera profissionais para supervisão e análise de dados.

    O navio exige entre 1 e 1,5 tonelada de ração por tanque diariamente. O sistema automatizado de alimentação, com carregamento automático, carrinhos guiados por trilhos e silos de armazenamento a bordo, permite que apenas dois funcionários alimentem todos os tanques, mantendo consistência de volumes e horários.

    Segundo Sun Linlin, diretor de produção, a lógica operacional se assemelha à de pastores nômades que buscam novas fontes de água. “Vamos sempre onde a água está melhor”, explica. A mobilidade mantém os peixes em ambiente natural adequado, reduzindo choques térmicos e flutuações de oxigênio.

    Logística expressa: peixe fresco chega aos mercados em até 6 horas

    O modelo integra produção e distribuição, encurtando drasticamente o tempo entre captura e venda. A estrutura atual entrega peixe fresco aos mercados chineses em até seis horas para distâncias de até 500 quilômetros e em até 15 horas para distâncias de até 1 mil quilômetros.

    Após processamento inicial a bordo, a produção segue para diferentes linhas de valor: peixe fresco inteiro, porções cortadas e refeições pré-cozidas. O objetivo é atender desde mercados tradicionais até redes de varejo e canais de conveniência.

    Expansão da frota: próximo navio foca em salmão e trutas

    O navio irmão Guoxin 1 2-2 entrou em operação comercial em novembro de 2025, dedicado a salmão, truta e outras espécies de água fria de alto valor. Quando os três navios da série Guoxin 1 operarem em plena capacidade, a produção anual combinada deve superar 10 mil toneladas.

    Inteligência artificial toma 30% das decisões operacionais. Foto: Qingdao Guoxin Group

    O Guoxin 1 2-1 representa versão aprimorada do Guoxin 1 original de 100 mil toneladas, lançado em 2022, e marca o início da aquicultura offshore industrializada em escala na China.

    A linha de produtos Yuxianfang do Grupo Guoxin recebeu certificações ASC, HACCP e FDA, sendo exportada para Singapura, Coreia do Sul, Estados Unidos e Canadá.

    “Celeiro azul”: China aposta em aquicultura de alto-mar

    Sun Linlin defende que a aquicultura industrializada em alto-mar aumenta eficiência no uso de recursos naturais e transforma o oceano em “celeiro azul” sustentável. “Esses navios libertam a aquicultura das incertezas do mar e permitem flexibilidade sazonal sem precedentes. Podemos criar espécies do sul em águas do norte e vice-versa”, afirma.

    A estratégia chinesa visa criar cluster industrial de aquicultura em ambientes de águas profundas, afastando-se dos modelos tradicionais de tanques fixos próximos à costa. O projeto se alinha ao 14º Plano Quinquenal da China e à estratégia do governo municipal de Qingdao para transformar a região em hub nacional da indústria marinha.