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  • STF valida Moratória da Soja e mantém acordo contra desmatamento

    STF valida Moratória da Soja e mantém acordo contra desmatamento

    A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (12) validar a Moratória da Soja. O acordo reúne empresas do setor há 20 anos para impedir compras de soja produzida em áreas desmatadas. Por maioria, o plenário considerou o pacto privado compatível com a Constituição e favorável à preservação ambiental.

    Além disso, o STF determinou o arquivamento de processos administrativos em tramitação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).As ações questionavam a validade da Moratória da Soja e também pediam indenizações.

    O caso chegou ao Supremo após ação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade questionou uma lei de Mato Grosso que restringiu benefícios fiscais para empresas participantes desses acordos.

    A legislação estadual limita incentivos para companhias que adotam compromissos capazes de restringir a expansão agropecuária. O PCdoB também contestou uma lei de Rondônia com regras semelhantes.

    Voto de Flávio Dino

    O ministro Flávio Dino apresentou o voto condutor do julgamento. Segundo Dino, leis estaduais podem restringir benefícios fiscais e a Moratória da Soja é constitucional. Para o ministro, empresas privadas podem estabelecer regras comerciais próprias para suas relações de compra e venda. “A Moratória da Soja existe e amanhã pode continuar a existir”, afirmou Dino durante o julgamento.

    Como ficou a votação

    Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes acompanharam o voto vencedor. Já Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça ficaram parcialmente vencidos. Os três ministros entenderam que o STF não deveria analisar a validade da Moratória da Soja. Na avaliação deles, caberia ao Cade analisar a questão.

    Aprosoja critica efeitos da decisão

    A Aprosoja Mato Grosso afirmou que respeita integralmente a decisão do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a entidade informou que avaliará medidas jurídicas para tentar revisar esse ponto específico. A associação também pretende buscar mecanismos para garantir reparação aos produtores eventualmente prejudicados.

    Segundo a Aprosoja Mato Grosso, o julgamento não muda a realidade jurídica e econômica relacionada à interrupção da Moratória. A entidade destacou que as leis estaduais consideradas constitucionais continuam em vigor. Por isso, os efeitos dessas normas podem atingir pessoas e empresas que pratiquem as condutas previstas.

    A Aprosoja Brasil também informou que continuará acompanhando o tema. A entidade pretende combater novas restrições semelhantes por meio de acordos, compromissos ou políticas empresariais. Segundo a associação, essas medidas serão questionadas caso reproduzam critérios uniformes e restrições consideradas extralegais.

    A entidade afirmou ainda que usará instrumentos políticos, administrativos e judiciais disponíveis. Para a Aprosoja Brasil, a defesa dos direitos dos produtores associados permanece como prioridade.

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  • Projeto de proteção ao produtor rural divide agronegócio

    Projeto de proteção ao produtor rural divide agronegócio

    O Projeto de Lei 4588/21, que institui a Política Nacional de Proteção ao Produtor Rural, provocou divergências entre representantes do agronegócio nesta terça-feira (30). A proposta já passou pela Comissão de Agricultura e segue em análise na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, que realizou audiência pública para discutir o tema.

    Entidades ligadas aos produtores rurais defendem o texto e apontam avanços na correção de falhas da legislação atual. Já representantes da indústria e do sistema financeiro alertam para impactos negativos no crédito rural e no ambiente jurídico.

    Apoio de produtores e entidades do agro

    O consultor jurídico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Kaufmann, afirmou que o projeto fortalece a segurança jurídica e melhora as relações contratuais no campo.

    Segundo ele, a proposta garante mais transparência nas informações, facilita o acesso ao crédito e amplia a eficiência do seguro rural.

    A Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja) também manifestou apoio. A entidade destacou a atualização das faixas de faturamento como um avanço importante para enquadrar produtores em políticas públicas.

    Para Marcelo Lara, diretor de agronegócio da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (PA), o projeto equilibra as negociações no mercado.

    Ele afirma que a proposta reduz a dependência dos produtores em relação às grandes tradings e assegura o direito de recorrer à Justiça em disputas comerciais.

    Críticas apontam riscos ao crédito rural

    A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa exportadores de grãos, lidera as críticas ao projeto. O presidente da entidade, André Nassar, destacou o alto nível de endividamento no setor e alertou para possíveis efeitos negativos.

    Presidente da Abiove, André Nassar. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Segundo Nassar, o texto pode aumentar a incerteza entre compradores e reduzir o interesse em investir no setor produtivo.

    A Abiove apresentou 11 pontos de preocupação, entre eles:

    • Impactos no Orçamento federal
    • Interferência na atuação do Judiciário e do Ministério Público
    • Imposições às Defensorias Públicas
    • Riscos de fiscalização e punições consideradas arbitrárias

    A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também demonstrou preocupação. A entidade relaciona o aumento da inadimplência no campo ao crescimento dos pedidos de recuperação judicial.

    O diretor de produtos da Febraban, Rafael Baldi, afirmou que o projeto tende a elevar o risco de crédito, o que pode encarecer financiamentos e limitar o acesso dos produtores aos recursos.

    Debate jurídico e próximos passos

    O presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), Renato Buranello, questionou a necessidade de uma nova legislação. Para ele, o país já dispõe de um conjunto robusto de normas para proteger o produtor rural.

    Deputado Henderson Pinto (União/PA). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O relator do projeto na comissão, deputado Henderson Pinto (União-PA), afirmou que vai considerar as contribuições apresentadas para aprimorar o texto.

    Segundo ele, o objetivo é equilibrar interesses sem perder o foco na proteção do produtor rural, especialmente diante de prejuízos causados por fatores como eventos climáticos.

    O projeto segue em tramitação na Câmara dos Deputados.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Mato Grosso consolidou sua posição como o maior produtor de grãos do Brasil, mas a infraestrutura de armazenagem não acompanhou o crescimento das lavouras. O estado consegue estocar apenas 50% da própria produção. E esse gargalo cobra um preço alto dos produtores rurais, que acabam vendendo no pior momento, pressionados pelo calendário da colheita e pela falta de alternativas.

    O diagnóstico é da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Para a entidade, o déficit de armazenagem representa hoje um dos principais entraves ao desenvolvimento do agronegócio estadual e nacional.

    “Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada. O restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, afirmou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso. “Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação.”

    O produtor vende na hora errada e perde dinheiro

    Sem capacidade própria de armazenagem, o produtor perde autonomia sobre o momento de vender a produção. Durante a colheita, a oferta elevada pressiona os preços para baixo, e quem não tem onde guardar os grãos precisa negociar sob pressão. Quase sempre aceitando condições desfavoráveis impostas por compradores e tradings.

    Vinicius Baldo, produtor do núcleo de Água Boa, vive esse cenário na prática. Ele tem armazém, mas a capacidade é insuficiente para separar adequadamente os grãos e aproveitar janelas de venda mais vantajosas. “A falta de armazenamento impacta bastante, principalmente com a questão de grão avariado, ardido. A gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, poderíamos programar melhor as vendas e retirar a soja com mais tempo”, relata Baldo. Para ele, as principais barreiras ao investimento em infraestrutura são o crédito limitado e os juros altos.

    Anos chuvosos ampliam o problema

    Em safras com muita chuva, como a atual, o impacto do déficit de armazenagem se intensifica. Produtores sem armazém próprio precisam colher dentro de parâmetros rígidos de umidade para evitar descontos aplicados pelos compradores. O que reduz a flexibilidade operacional e pode gerar perdas adicionais.

    Josenei Zemolin, produtor do núcleo de Gaúcha do Norte, explica como a falta de estrutura afeta diretamente as decisões durante a colheita. “Em um ano chuvoso como esse, quem tem armazém pode entrar colhendo com umidade bem alta, bem mais cedo. O custo para secar a soja é só lenha e energia. Mas quem entrega nas tradings perde muito, porque elas descontam mais do que o normal”, diz Zemolin. “Se houvesse capacidade de armazenagem suficiente, a gente poderia se programar melhor, fazer a venda futura para pagar os custos e entregar num caminhão próprio.”

    Vale do Araguaia concentra o problema

    O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, aponta que o gargalo afeta todo o estado, mas se agrava nas regiões de expansão agrícola mais recente. Especialmente no Vale do Araguaia, onde silos e armazéns não acompanharam o avanço da produção.

    “Todo o Mato Grosso sofre com a falta de armazenagem. O produtor enfrenta filas e dificuldade de entregar o produto. Existem linhas de crédito, como o FCO Armazenagem e o PCA, disponíveis para o produtor, mas constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, destaca Bier.

    Além da escassez de crédito, ele aponta outro obstáculo pouco discutido: a qualidade da energia elétrica no interior do estado.

    “Um armazém precisa funcionar com gerador de energia, e aí vem o problema do custo com o óleo diesel. A energia elétrica de Mato Grosso é precária. Vários municípios têm energia de má qualidade, e outros sequer têm fornecimento suficiente para ampliar novos armazéns”, afirma Bier.

    Crédito existe, mas não chega

    Linhas de financiamento voltadas à construção de silos e armazéns existem no Brasil, mas os recursos disponíveis ficam aquém da demanda. Além da escassez, os juros pouco atrativos e as exigências de garantias restringem o acesso. Especialmente para produtores de médio porte, que mais precisariam da estrutura.

    Para a Aprosoja MT, o caminho passa pela ampliação de políticas públicas e instrumentos financeiros que estimulem o investimento em infraestrutura nas propriedades. A entidade argumenta que armazenar a própria produção fortalece a posição do produtor no mercado, melhora a eficiência logística e contribui para a estabilidade do abastecimento nacional.

    O que está em jogo vai além da fazenda

    O déficit de armazenagem em Mato Grosso não é apenas um problema do produtor rural. Ele afeta a cadeia inteira, do transporte à comercialização, e enfraquece a posição do Brasil frente a mercados importadores que conhecem e exploram esse gargalo.

    Em um estado que lidera a produção nacional de grãos, guardar a própria safra tornou-se, cada vez mais, uma condição para preservar renda, reduzir perdas e sustentar o avanço do agronegócio brasileiro.

  • MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    Mato Grosso do Sul enfrenta uma crise silenciosa que corrói a rentabilidade do agronegócio: a falta de silos e armazéns para estocar a produção recorde de grãos. O déficit de armazenagem ultrapassou 11 milhões de toneladas no estado, obrigando produtores a venderem suas safras imediatamente após a colheita, sem condições de esperar por melhores preços.

    Os dados, revelados em estudo da Aprosoja/MS com base em informações da Conab e do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA/MS), expõem um gargalo que compromete a competitividade de um dos maiores produtores de soja e milho do país.

    Capacidade instalada não acompanha produção

    Com produção média superior a 22 milhões de toneladas nos últimos cinco anos, MS conta com apenas 16,4 milhões de toneladas em capacidade de armazenamento. Pela metodologia da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o estado precisaria de 27,5 milhões de toneladas de capacidade instalada.

    O resultado é uma defasagem de 67,8% que transforma oportunidade em prejuízo para milhares de produtores rurais.

    Crescimento desequilibrado agrava problema

    A análise da série histórica entre 2014 e 2025 revela o descompasso entre produção e infraestrutura:

    • Capacidade de armazenagem: cresceu 82% (de 9,01 para 16,39 milhões de toneladas)
    • Produção de grãos: saltou 69% (de 17,23 para 29,11 milhões de toneladas)
    • Déficit: aumentou 54% (de 8,25 para 12,72 milhões de toneladas)

    O pior cenário ocorreu em 2023, quando o déficit atingiu 21,23 milhões de toneladas após uma safra excepcional.

    Governo aposta no FCO para reverter cenário

    O secretário estadual de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, avalia que os números representam uma oportunidade para investimentos.

    “O Governo de Mato Grosso do Sul tem direcionado esforços para estimular a armazenagem em propriedades rurais, especialmente por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), que oferece prazos mais longos e taxas de juros competitivas”, explica Verruck.

    O secretário defende ainda a ampliação de linhas de crédito específicas. “Atualmente, a construção de armazéns com recursos baseados na taxa Selic inviabiliza economicamente o empreendimento”, afirma.

    Concentração regional agrava desigualdade

    O levantamento aponta que 73 dos 78 municípios analisados apresentam déficit de armazenagem. Maracaju, o maior produtor estadual, registra déficit de 1,32 milhão de toneladas.

    Dourados destaca-se como exceção, com superávit e capacidade instalada de 2,35 milhões de toneladas.

    Outro dado preocupante: apenas cinco municípios concentram 49% da capacidade total de armazenamento, mas respondem por apenas 38% da produção estadual.

    Projeções indicam agravamento do problema

    A safra nacional de grãos deve atingir 350,2 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior. Para MS, isso significa que o déficit tende a aumentar sem novos investimentos massivos em infraestrutura.

    “É fundamental fomentar o apoio aos produtores por meio do acesso ao FCO. Essa medida tem potencial para aprimorar significativamente a formação de preços no estado”, pontua Verruck.

    A falta de armazéns adequados aumenta riscos de perdas pós-colheita, eleva custos logísticos e pressiona o escoamento da produção. A dependência do modal rodoviário, especialmente ao longo da BR-163, cria gargalos que encarecem o transporte.

    “A ausência de capacidade adequada impede o produtor de obter preços mais vantajosos. A falta de espaço força a venda rápida, muitas vezes a preços menos favoráveis”, admite o secretário.

    Estratégias para enfrentamento

    O governo estadual aposta em diversas frentes para reverter o quadro:

    • Apoio ao produtor via FCO
    • Suporte às cooperativas pelo Procoop
    • Reativação da malha ferroviária
    • Expansão do uso da hidrovia do Rio Paraguai
    • Implementação da Rota Bioceânica

    Verruck destaca ainda a necessidade de diversificação da infraestrutura. “É preciso expandir a capacidade de armazenagem segregada para diferentes culturas, além de soja e milho. O sorgo, por exemplo, requer soluções específicas. A utilização dos mesmos armazéns para diferentes grãos limita o escoamento da produção”, conclui o secretário.

  • Cade mantém suspensão da Moratória da Soja a partir de janeiro de 2026

    Cade mantém suspensão da Moratória da Soja a partir de janeiro de 2026

    O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu manter, nesta terça-feira (30/9), a medida preventiva contra a Moratória da Soja, mas estabeleceu que os efeitos começam apenas em 1º de janeiro de 2026. O órgão analisou o caso durante a 255ª Sessão Ordinária de Julgamento.

    A determinação do Cade proíbe as empresas exportadoras e entidades do Grupo de Trabalho da Soja de coletar, armazenar, compartilhar ou disseminar informações comerciais sobre venda, produção ou aquisição de soja. A restrição abrange dados de preços, volumes e origem do produto comercializado por produtores rurais e empresas exportadoras.

    A Superintendência-Geral do Cade adotou a medida preventiva em agosto deste ano durante investigação sobre possíveis condutas anticompetitivas no mercado nacional de soja. O órgão investiga se a troca sistemática de informações sensíveis prejudica a concorrência no setor.

    Investigação começou após denúncia da Câmara dos Deputados

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados encaminhou a representação que originou a investigação. O documento apontava que os signatários da Moratória da Soja estabeleceram acordo para não adquirir grãos cultivados em áreas desmatadas do bioma amazônico após 2008.

    A investigação da Superintendência-Geral identificou que empresas concorrentes criaram o Grupo de Trabalho da Soja para monitorar o mercado e estabelecer condições para a compra da commodity no país. O órgão considera essa prática um acordo anticompetitivo que prejudica a exportação de soja brasileira.

    Tribunal analisa recursos e prorroga prazo para adequação

    As entidades envolvidas no processo apresentaram recursos voluntários solicitando a suspensão da medida preventiva. O conselheiro-relator Carlos Jacques votou pela manutenção integral da medida, argumentando que informações sobre fornecedores e volumes de compra reduzem a competitividade mesmo quando não envolvem preços diretamente.

    O conselheiro José Levi apresentou voto divergente e propôs suspender a eficácia da medida até 31 de dezembro de 2025. Segundo o conselheiro, o período permitiria diálogo entre agentes públicos e privados. O Tribunal acatou por maioria o voto de José Levi e suspendeu os efeitos até o fim de 2025.

    CNA e Aprosoja comemoram decisão do Cade

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou no início do ano representação contra a Moratória da Soja. A entidade argumentou que a prática causa prejuízos aos produtores rurais e consumidores. Para a CNA, a decisão do Cade reconhece os efeitos nocivos da Moratória para o mercado.

    A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) divulgou nota oficial celebrando a decisão. A entidade destaca que o fim da moratória representa marco histórico na defesa da livre concorrência e devolve segurança jurídica aos produtores que atuam conforme o Código Florestal.

    A Aprosoja MT criticou o acordo privado que, segundo a entidade, impõe barreiras comerciais injustas aos produtores, especialmente pequenos e médios. A associação argumenta que o acordo impede a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas, mesmo quando os produtores respeitam as leis ambientais brasileiras.

  • Plantio de soja em MS tem expectativa de crescimento na produção

    Plantio de soja em MS tem expectativa de crescimento na produção

    O plantio da safra de soja 2025/2026 em Mato Grosso do Sul foi liberado a partir desta semana, após o fim do vazio sanitário que se encerrou na segunda-feira (15). Portanto, com o início autorizado, os agricultores já podem dar início à semeadura do grão, impulsionando a expectativa de crescimento no setor agrícola do Estado.

    Projeções da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) apontam para uma expansão de 5,9% na área cultivada, que deve atingir 4,79 milhões de hectares, frente aos 4,59 milhões da safra anterior.

    A produção estimada também está em alta, com previsão de 15,2 milhões de toneladas, um aumento de 8,1% em relação ao ciclo 2024/2025, quando foram colhidas 14,06 milhões de toneladas. A produtividade média projetada é de 52,8 sacas por hectare, 2% superior ao registrado anteriormente.

    Rogério Beretta, secretário-executivo de Desenvolvimento Sustentável da Semadesc, destaca que o plantio deve seguir o planejamento dos produtores. Que precisam acompanhar as condições climáticas para evitar falhas na germinação por falta de chuva no início da safra. Além disso, ele ressalta a importância do cuidado para garantir o sucesso do ciclo.

    Otimismo

    Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o início da semeadura representa um cenário de otimismo, mas há necessidade de cautela diante das incertezas climáticas e econômicas. Ele aponta a expansão consistente da soja em Mato Grosso do Sul, sustentada pela tecnologia e dedicação dos produtores, mas reforça que o clima será decisivo para o resultado final.

    Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS, reforça a resiliência dos agricultores do Estado. Destacando que a estimativa de 15,2 milhões de toneladas sinaliza uma recuperação após oscilações recentes, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis.

    Além disso, Mato Grosso do Sul será palco da Abertura Nacional do Plantio da Safra de Soja 2025/2026 no dia 3 de outubro. O evento começa às 9h (horário de Brasília), na Fazenda Recanto, em Sidrolândia. E será coordenado pela Aprosoja Brasil e Aprosoja/MS, com outros parceiros. E reunirá autoridades, produtores e especialistas para discutir o mercado, clima e cenários geopolíticos que impactam o agronegócio.

    Beretta enfatiza a importância do lançamento nacional sediado no Estado, ressaltando o papel da soja na economia regional. E também a necessidade do planejamento e uso de tecnologias para assegurar a segurança dos produtores sul-mato-grossenses.

  • Produção de milho em MS cresce 68% e ultrapassa 14 milhões de toneladas

    Produção de milho em MS cresce 68% e ultrapassa 14 milhões de toneladas

    Mato Grosso do Sul atingiu um recorde histórico na produção de milho, superando 14 milhões de toneladas. O Projeto SIGA-MS, divulgado em 2 de setembro, indica que a produção saiu da previsão inicial de 10,1 milhões para 14,2 milhões de toneladas, avanço de 68,2% em relação à safra anterior.

    Mesmo com a área cultivada praticamente estável, cerca de 2,1 milhões de hectares, a produtividade média cresceu para 112,7 sacas por hectare. Esse aumento de 68,1% resultou da combinação entre boas condições climáticas, janela de plantio adequada, avanços tecnológicos e práticas agrícolas eficientes.

    A maior parte da semeadura ocorreu entre fevereiro e março. Em abril, o volume ideal de chuvas favoreceu o desenvolvimento das plantas. Segundo o relatório, 78,1% das lavouras estão classificadas como boas, 15,3% como regulares e apenas 6,6% como ruins.

    Cautela ainda é recomendado

    Apesar das projeções positivas, especialistas recomendam cautela, pois a colheita ainda não terminou. Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS, ressalta a importância de acompanhar os próximos passos da safra.

    Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, atribui o crescimento à expansão da área plantada e às condições climáticas favoráveis. “Superamos 14 milhões de toneladas de milho. Isso atende a alta demanda interna, atrai investimentos no etanol de milho e fortalece o setor de proteína animal, que consome mais grãos”, destacou o secretário.

    Segundo Verruck, o milho ocupa cerca de 45% da área antes destinada à soja, abrindo oportunidades para diversificação das culturas e atração de novos investimentos, especialmente no setor de etanol.

    Impactos econômicos do crescimento na produção de milho

    O aumento da produção deve impulsionar a economia regional. Jean Américo, analista econômico da Famasul, explica que o crescimento da produtividade melhora a renda dos agricultores e a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense.

    “O avanço da produção fortalece o potencial exportador do Estado, amplia o superávit comercial e atrai investimentos em tecnologia e infraestrutura. O milho se consolida como motor do desenvolvimento econômico regional”, afirmou.

    Ranking de produtividade por município (sacas por hectare):

    • Chapadão do Sul: 173,3
    • Alcinópolis: 160,0
    • Sonora: 152,5
    • São Gabriel do Oeste: 147,1
    • Brasilândia: 145,8

    Municípios com menor produtividade:

    • Ivinhema: 57,8
    • Rochedo: 50,7
    • Aparecida do Taboado: 35,0
    • Nova Andradina: 31,0
    • Aquidauana: 19,1
  • Aprosoja orienta produtores sobre cláusula da UE na Lei do Desmatamento

    Aprosoja orienta produtores sobre cláusula da UE na Lei do Desmatamento

    A Aprosoja Brasil recomendou que produtores não aceitem cláusulas contratuais que exigem o cumprimento da Lei Antidesmatamento da União Europeia (UE). A entidade argumenta que a legislação ambiental brasileira já garante a preservação das propriedades rurais.

    A associação recebeu relatos de que tradings tentaram incluir essa exigência em contratos com produtores de Goiás. Diante disso, alertou agricultores de outros estados sobre a tentativa de imposição de regras estrangeiras. Segundo a Aprosoja, o Brasil tem sua própria legislação ambiental, que deve ser respeitada.

    Lei Antidesmatamento da UE

    A União Europeia adiou a implementação da Lei Antidesmatamento para o final deste ano. A pressão da indústria e os pedidos de mais tempo para adaptação levaram à extensão do prazo. Em resumo, a norma prevê multas pesadas para comerciantes que negociarem soja cultivada em áreas desmatadas após 2020.

    A União Europeia é o principal destino do farelo de soja do Brasil, comprando quase metade das exportações brasileiras do produto. Ao mesmo tempo, o bloco também importa volumes significativos de soja em grão.

    Legislação ambiental brasileira

    Para a Aprosoja, a legislação ambiental brasileira já impõe regras rigorosas. O Código Florestal exige que produtores preservem parte de suas propriedades, com percentuais que variam conforme o bioma. Na Amazônia, por exemplo, 80% da área deve ser preservada.

    A entidade critica o que considera um viés protecionista da UE. “Apesar do empenho europeu em criar normas restritivas para outros países, não há o mesmo esforço para aplicar partes do Código Florestal brasileiro no bloco. Lá, não há obrigatoriedade de áreas de preservação permanente ou reserva legal mínima”, afirmou a Aprosoja.

    A associação também reforça que a expansão da soja não ameaça o meio ambiente. Ou seja, segundo a entidade, as áreas disponíveis para cultivo não justificam a imposição da Lei Antidesmatamento nem a Moratória da Soja. O pacto, firmado em 2008, impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia após esse ano.

    Como o Brasil sediará a COP deste ano, a Aprosoja defende que o Código Florestal sirva de modelo global para preservação ambiental. “Todos os países deveriam adotar a legislação brasileira como referência”, destacou a entidade.

    A única exceção para a adoção da Lei Antidesmatamento seria a existência de um prêmio no mercado para produtores que cultivam soja em áreas não desmatadas após 2020. Ou seja, segundo a Aprosoja, esse pagamento adicional compensaria possíveis perdas financeiras dos agricultores.

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  • Pesquisa aponta como melhorar o solo com calcário

    Pesquisa aponta como melhorar o solo com calcário

    A utilização de altas doses de calcário no cultivo de soja da primeira safra na região do Matopiba pode aumentar a produtividade em até 30%, superando as recomendações dos documentos oficiais. Essa prática, embora possa reduzir os nutrientes do solo, não desbalanceia a fertilidade e pode ser corrigida com adubação. A Embrapa Meio-Norte realiza estudos sobre o tema desde 2019 nos estados do Piauí, Maranhão e Pará.

    As pesquisas foram iniciadas a pedido da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja-Piauí). E observou que alguns produtores estavam utilizando doses mais elevadas de calcário. O pesquisador da Embrapa, Henrique Antunes, explica que essa abordagem se deve ao valor crescente da soja. “Os produtores têm aberto novas áreas com doses mais altas de calcário, o que gera um retorno financeiro”, afirma.

    Antunes ressalta que a falta de respaldo técnico-científico para essa prática dificulta o acesso dos agricultores ao crédito bancário. Ele destaca que pesquisadores elaboraram muitos documentos sobre fertilidade do solo nas décadas de 1980 e 1990, enquanto os agricultores atuais utilizam cultivares com demandas nutricionais diferentes e sistemas de manejo mais intensivos. “Isso justifica, aliás, a necessidade de revisar as diretrizes oficiais, especialmente em regiões agrícolas com características específicas”, defende.

    Estudo em parceria

    O primeiro estudo da Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) avaliou os efeitos da aplicação de altas quantidades de calcário e gesso na fertilidade do solo e na produtividade da soja no Cerrado piauiense. O experimento foi realizado durante duas safras (2019/2020 e 2020/2021) com a cultivar BRS 9180, testando cinco doses de calcário e quatro de gesso.

    Os resultados mostraram, portanto, que doses entre 10 e 15 toneladas por hectare aumentaram as concentrações de fósforo e potássio. Enquanto quantidades superiores a 15 toneladas reduziram esses nutrientes e causaram perda na produtividade dos grãos. O engenheiro-agrônomo Doze Batista de Oliveira, que desenvolveu sua tese com base nesses resultados, observou aumentos significativos na produtividade da soja com a aplicação de 10 toneladas de calcário por hectare.

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    Antunes continua a conduzir pesquisas na região do Matopiba e no Pará, apoiado pela Rede FertBrasil e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Dados recentes mostram que a produção de soja aumentou em até 30% nas áreas que receberam altas doses de calcário e gesso.

    Ele explica que a correção das características do solo permite que as raízes das plantas explorem melhor as camadas mais profundas, onde encontram água e nutrientes, reduzindo o estresse hídrico durante períodos secos. No entanto, Antunes alerta para a necessidade de adubação adequada para corrigir as deficiências nutricionais causadas pelo uso excessivo de calcário.

    Resultados positivos

    Consultores e agricultores da região têm relatado resultados positivos ao adotar essas práticas. Diógenes Brandalize, que gerencia uma propriedade no Piauí, viu um aumento de 20% na produtividade após utilizar doses mais elevadas. Outros agricultores ainda aguardam os resultados definitivos das pesquisas antes de mudar suas práticas.

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    O engenheiro-agrônomo Christofer Andre Garanhani destaca que os estudos ajudam os produtores a decidir o volume adequado de calcário para utilizar.Portanto, apesar dos desafios financeiros enfrentados pelos agricultores em regiões agrícolas emergentes como o Matopiba, há uma crescente adoção das novas práticas recomendadas pelas pesquisas.

  • Soja pode ter pior safra dos últimos anos

    Soja pode ter pior safra dos últimos anos

    A atual safra de soja em Mato Grosso, que já mostrava sinais de atraso até meados de outubro, ganhou fôlego com o esforço dos agricultores. Eles expandiram rapidamente a área plantada de 8,8% para 25% em apenas uma semana, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

    Esse avanço busca evitar que o plantio da segunda safra de milho seja empurrado para uma janela de menor produtividade em março. Isso  limitaria a cobertura do seguro agrícola, conforme as diretrizes do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

    No entanto, o fenômeno La Niña traz novas preocupações. Segundo previsões da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), fortes chuvas são esperadas para janeiro e fevereiro, período crítico para a colheita da soja. A situação remete ao ciclo 2020/21, quando a precipitação elevada causou perdas substanciais em várias regiões do estado, atrasos no escoamento da produção e descontos severos na qualidade dos grãos.

    Safra soja 2020/2021

    Estudo do IMEA indica que, entre o final de outubro e início de novembro, os produtores concentrarão mais de 83% da semeadura. Isso supera a marca de 2020/21, que registrou 80% da área plantada em período similar. Esse ritmo acelerado, embora positivo para a segunda safra, preocupa em razão da pressão que a colheita concentrada poderá exercer sobre a logística e a capacidade de recebimento.

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    Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, alerta para um cenário semelhante ao de 2020. Neste ano, as dificuldades no escoamento resultaram em cargas deterioradas e descontos de qualidade que, em casos extremos, chegaram a 90%. “Precisamos de planejamento eficaz por parte das tradings, incluindo a extensão de turnos e investimentos na infraestrutura de recebimento, para que não se repitam perdas evitáveis.”

    A Aprosoja MT orienta os produtores a estarem atentos às negociações com compradores e lembra que o Programa Classificador Legal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está disponível para mediações em casos de litígios sobre a qualidade dos grãos.