Tag: apicultura sustentável

  • Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    A apicultura paulista cresceu 22% em 2024, atingindo 6.772 toneladas de mel produzidas no estado. Por trás desse número, histórias como a de Celso Ribeiro Cavalcanti de Souza ajudam a explicar por que o setor virou estratégico para o desenvolvimento rural de São Paulo. Fundador da Estação do Mel, em Pindamonhangaba, ele construiu um modelo de negócio que une pesquisa de ponta, agronegócio e experiência ao consumidor.

    Foto: Divulgação

    A relação de Celso com as abelhas começou aos 10 anos, quando manejava uma pequena colmeia de abelhas sem ferrão no quintal de casa. Criado em uma região vizinha ao atual Instituto Biológico, antes chamado de Centro de Apicultura Tropical, ele transformou a curiosidade infantil em carreira. Formou-se técnico em agropecuária pelo Colégio Agrícola de Jacareí e, mais tarde, graduou-se em Biologia e Farmácia.

    O diferencial de Celso foi circular entre dois mundos que raramente se encontram: a pesquisa acadêmica e o trabalho braçal no campo. Durante 14 anos, ele atuou na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), conduzindo o plantel de seleção genética de abelhas rainhas.

    “Trabalhei na prática como produtor e, simultaneamente, dentro do maior centro de pesquisa de abelhas africanizadas do mundo”, conta Celso. Enquanto avançava na ciência apícola, ele estruturava seus próprios apiários, chegando a manejar 1.200 colmeias com tecnologia de ponta.

    Estação do Mel: verticalização, turismo e inovação

    Localizada próxima ao eixo turístico de Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, a Estação do Mel não se limita à produção de mel, pólen e própolis. A empresa aposta no turismo de experiência: visitantes participam de “um dia de apicultor”, com cafés da manhã temáticos e dias de campo.

    Foto: Divulgação

    Com a formação farmacêutica como trunfo, Celso desenvolveu linhas exclusivas de bebidas, vinho, cachaça e vinagre de mel, cosméticos como shampoos, cremes e sabonetes à base de produtos da colmeia, e tratamentos de apiterapia, que incluem ingestão de própolis, inalação do ar da colmeia e massagens detox com mel.

    São Paulo lidera, biodiversidade agradece

    Dados do Instituto de Economia Agrícola e da Defesa Agropecuária, da Secretaria de Agricultura, apontam mais de 235 mil colmeias de abelhas africanizadas distribuídas em 1.926 apiários, com produção anual de 5,15 mil toneladas. As abelhas nativas somam mais de 30 mil colmeias em mais de 3 mil meliponários.

    Para Carolina Matos, especialista ambiental da CATI, o avanço do setor combina geração de renda e conservação: “São Paulo vem mostrando que é possível crescer com responsabilidade ambiental. A apicultura e a meliponicultura geram emprego no campo, fortalecem a economia local e contribuem diretamente para a conservação ambiental, por meio da polinização e da preservação da biodiversidade.”

    Aos 56 anos, Celso não reduz o ritmo. “O futuro é transformar isso em uma grande empresa em nível mundial”, projeta. Sua trajetória comprova que o agronegócio paulista ganha força quando a ciência de laboratório encontra o suor do produtor rural . E quando um biólogo decide, desde criança, escutar o zumbido das abelhas.

  • Da medicina para apicultura: casal muda de vida no Vale do Jequitinhonha

    Da medicina para apicultura: casal muda de vida no Vale do Jequitinhonha

    Gilberto Souza trocou a indústria de equipamentos médicos pela apicultura em 2018. O produtor rural de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, conheceu as abelhas Apis mellifera através de um cunhado apicultor e decidiu investir no setor. Hoje, ao lado da esposa Natália Lacerda Magalhães, ele produz uma tonelada de mel por ano.

    Foto: Emater-MG

    “Fui me identificando com o ramo e decidi montar o apiário junto com meu cunhado. Eu e Natália fizemos diversos cursos sobre manejo das abelhas e extração do mel. A nossa vontade era sempre melhorar”, conta Gilberto.

    Do começo artesanal à profissionalização

    O casal enfrentou dificuldades no início. A produção artesanal gerava baixo retorno financeiro e não cobria os investimentos. Para manter a atividade, Gilberto voltou ao setor industrial enquanto Natália cuidava do apiário.

    A virada aconteceu em 2024. Gilberto se aposentou e retornou à apicultura com todo o conhecimento adquirido em cursos e sua experiência administrativa na indústria. Ele encerrou a sociedade com o cunhado e formou parceria exclusiva com Natália.

    Certificações garantem qualidade e abrem mercados

    O casal reformou um pequeno espaço na fazenda Córrego Seco e criou a Taia e Gil Apicultura. A busca por qualidade levou os produtores a investir em certificações e manejo sustentável.

    “Enfrentamos muitas dificuldades, mas não desistimos. Cumprimos todas as exigências do Consórcio Intermunicipal e Multifinalitário do Baixo Jequitinhonha (Cimbaje). Com minha formação em Processos Químicos, assumi a responsabilidade técnica da empresa”, explica Gilberto.

    A Taia e Gil Apicultura conquistou a certificação de extensão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e aguarda o certificado do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi).

    A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) auxiliou o casal no cadastramento no Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    Vendas crescem com demanda por alimentos saudáveis

    A busca por alimentos saudáveis e sem aditivos químicos impulsiona o crescimento da apicultura. Gilberto e Natália comercializam mel, extrato de própolis e hidromel em lojas especializadas e nas redes sociais.

    Foto: Emater-MG

    “Aguardamos visita técnica para vender pela plataforma ÉdoCampo, da Emater-MG, e negociamos participação na feira mensal da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte”, revela o produtor.

    Propriedade vira referência para novos apicultores

    A persistência do casal chamou a atenção dos extensionistas da Emater-MG. Miguel Ferreira Morais e Gilson Rodrigues escolheram a propriedade para treinar jovens apicultores do programa Futuro no Campo.

    “A iniciativa reforça o compromisso da Emater-MG em capacitar novas gerações, promover a sucessão rural e fortalecer a apicultura como atividade econômica sustentável e de alta qualidade em Minas Gerais”, afirma Miguel Ferreira.

    A trajetória da Taia e Gil Apicultura mostra que dedicação, capacitação técnica e apoio institucional transformam desafios em oportunidades no campo.