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  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Como a alimentação artificial no inverno salva abelhas

    Como a alimentação artificial no inverno salva abelhas

    O inverno exige cuidados especiais dos apicultores com as colmeias. Com a queda das temperaturas, as flores desaparecem, reduzindo o néctar e o pólen disponíveis para as abelhas. Sem alimento suficiente, os enxames podem enfraquecer ou até morrer.

    Rodrigo Durieux Cunha, chefe da Divisão de Estudos Apícolas da Epagri, explica que as abelhas ficam menos ativas no frio. Elas se agrupam dentro das caixas para manter o calor e saem pouco em busca de comida.

    “Se os estoques de mel e pólen forem baixos, o apicultor precisa fornecer alimentação artificial. Caso contrário, a colônia pode não resistir até a primavera”, alerta Rodrigo.

    Alimentação energética e proteica é a solução

    A suplementação ajuda a repor o que as abelhas não conseguem coletar no inverno. Se faltar mel, o apicultor deve oferecer xarope de açúcar (alimento energético). Se o pólen estiver escasso, é necessário fornecer suplemento proteico.

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    O alimento deve ser colocado dentro da colmeia, em recipientes próprios, para evitar desperdício e ataques de outros insetos. Apesar da eficácia da alimentação artificial, o especialista reforça: o melhor alimento sempre será o néctar e o pólen das flores.

    Cuidados no inverno garantem produtividade na primavera

    Enxames bem nutridos no inverno se recuperam mais rápido quando as flores voltam. Isso garante maior produção de mel e outros derivados na próxima estação.

    Para evitar perdas, os apicultores devem monitorar as reservas das colmeias antes do frio e iniciar a suplementação assim que necessário. O manejo correto no inverno é decisivo para uma apicultura lucrativa e sustentável.

    Confira algumas receitas de alimentação para as abelhas no inverno:

    Alimentação protéica – para suprir a falta de pólen 

    Fórula ração protéica – EPAGRI

    • 5kg de açúcar cristal moído ou açúcar refinado
    • 4kg de proteína de soja texturizada fina e sem corante
    • 1kg de levedura inativada de cerveja ou cana de açúcar
    • 5ml de extrato de própolis por Kg de alimento
    • Mel ou xarope grosso até dar o ponto de pasta mole

    Ou

    •  5kg de açúcar cristal moído ou açúcar refinado
    •  2,5kg de proteína de soja
    •  2,5kg de levedura inativada de cerveja ou cana
    •  5ml de extrato de própolis para cada 1 kg de pasta pronta
    •  Mel ou xarope grosso até dar o ponto de pasta mole

    Fórmula (Robson Raad) para a fabricação de 5 kg de bife de proteína

    Bife de proteína leva soja, levedura de cerveja e óleo de girassol, entre ouros ingredientes (Foto: Divulgação / Epagri)
    • 750g de proteína de soja
    • 750g de levedura de cerveja
    • 1,425g mel ou gludex (açúcar invertido líquido)
    • 1,650g  de açúcar
    • 250ml de óleo de girassol
    • 50g de aminomix (Haras)
    • 25ml de extrato de própolis
    • 100g de sal
    • água (o necessário até ficar no ponto de pasta)

    Modo de preparo e fornecimento:

    • Misturar bem os ingredientes secos, em seguida adicionar os ingredientes úmidos aos poucos e mexer até formar uma pasta mole porém que não escorra entre os dedos;
    • Separar em porções em forma de bife de 150 a 400 gramas, dependo do tamanho das colônias que serão alimentadas a cada 15 dias;
    • Os bifes que não serão utilizados imediatamente poderão ser envoltos em plástico e armazenados no freezer.
    • Obs. Pode-se substituir a levedura de cerveja por proteína de soja, porém a ração perderá um pouco em qualidade.

    O bife de proteína deve ser colocado sobre os quadros de cria. Ali se encontram as abelhas nutrizes que são as que fazem melhor aproveitamento dos suplementos.

    Alimentação Energética – para suprir a falta de mel

    Fórmula de xarope para manutenção

    Xarope leva poucos ingredientes e é fácil de fazer
    • 5 kg de açúcar
    • 2 litros de água
    • 300ml de suco de limão sem sementes
    • 5ml de extrato de própolis para cada litro de xarope pronto
    Modo de preparo

    Misturar o açúcar com água, aquecer até começar a levantar a fervura, desligar o fogo e adicionar o suco de limão e a própolis.

    Observação: Em substituição ao xarope de açúcar pode ser utilizado o açúcar VHP. O açúcar VHP é mais prático para ser fornecido, pois não precisa diluir, e tem mostrado ótimos resultados, exceto em colmeias fracas ou novas, com menos de 4 quadros cobertos com abelhas.

    Fornecimento

    Faltando mel, fornecer 2 litros de xarope a cada 7 dias ou de 2 a 6kg de açúcar VHP, quantidade suficiente para um período de 15 a 40 dias

    “Tijolinho” de açucar

    – Açúcar fino (quanto mais fino é melhor, moer numa forrageira até virar pó. Se não conseguir moer, use açúcar refinado mesmo).

    Adicionar ao açúcar:

    – 2% de amido de milho em relação ao peso do açúcar

    – 0,5% de sal fino

    – Água não clorada

    – Mel para melhor aceitação

    Modo de preparo:

    – Misture bem os ingredientes secos, adicione água misturada com o mel, mexendo bem, até o ponto de massa, sem desmanchar.

    – Faça blocos de mais ou menos 800g e coloque em pacotes de papel, usando um pacote por colmeia, no alimentador de teto. Fure o pacote para dar acesso às abelhas. Monitore as colmeias a cada 15 a 20 dias para avaliar o consumo, e se necessário repetir.

    Essa receita é para ser utilizada em enxames fracos e para formação de núcleos

    Consumo médio por colmeia com alta produtividade

    – 1 a 1,5Kg de proteína de soja e/ou levedura de cerveja ao ano

    – 8 a 10Kg de açúcar cristal, açúcar VHP ou glucomel (frutose de cana de açúcar) ao ano.

    *Observar cuidados na apicultura orgânica

    Nesta época, lembrar também  de fazer a termorregulação, através da instalação do alvado invertido, entretampa ou poncho, e também fazer o diagnóstico da infestação de varroa no final do inverno e se necessário controlar.

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