Tag: Antônio Fagundes

  • Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Na última quinta-feira (28), a novela “Quem Ama Cuida” ganhou forte repercussão na programação da Globo. A obra atingiu momentos de alta tensão entre os personagens Otoniel e Arthur Brandão, interpretados por Tony Ramos e Antonio Fagundes.

    A  produção alcançou 22,9 pontos de audiência na Grande São Paulo, registrando seu melhor desempenho semanal até o momento.

    No entanto, o que pouca gente sabe, é que o protagonista da trama também tem um “pézinho” no agro. Antonio Fagundes é proprietário de uma fazenda no interior paulista, onde atua no cultivo de soja e milho, dois pilares fundamentais do agronegócio nacional.

    Fazenda Fama I

    A participação do ator no setor rural ocorre através da Fazenda Fama I, localizada entre os municípios de Ourinhos e Salto Grande.

    Antonio afirma exercer posse mansa, pacífica e contínua da propriedade desde 1998. Coincidentemente, esse mesmo período marcou sua atuação na icônica novela “O Rei do Gado”, o que reforça ainda mais sua associação simbólica com o universo rural.

    Imagens aéreas da ‘Fazenda Fama I’ — Foto: Reprodução/Youtube

    Diante do uso produtivo constante da terra e da ausência de contestação, Fagundes ingressou com uma ação de usucapião extraordinária para regularizar o registro oficial do imóvel. O processo ganhou repercussão quando veio a público em 2023.

    Eterno ‘Rei do Gado’ 

    A relação do ator com o universo rural já é antiga. Antonio Fagundes foi protagonista da novela “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, uma das obras mais marcantes da teledramaturgia brasileira.

    Na trama, ele interpretou duas fases do personagem Antonio Mezenga e, posteriormente, seu neto Bruno Mezenga, figura central do enredo.

    Antonio Fagundes como Bruno Mezenga em ‘O Rei do Gado’ (1996) — Foto: Globo

    Além disso, o próprio ator reconhece o impacto duradouro da produção em sua carreira.

    “Eu sou ‘o rei do gado’ para muita gente, ainda hoje. A novela me marcou pelo resto da vida”, afirmou o veterano.

  • Fazenda Santa Clara: maior construção rural da América Latina é brasileira

    Fazenda Santa Clara: maior construção rural da América Latina é brasileira

    No interior de Minas Gerais, cercada por colinas verdes e rios que refletem o tempo, está a Fazenda Santa Clara. Uma construção tão imponente que parece desafiar a passagem dos séculos. São seis mil metros quadrados, 365 janelas, 52 quartos e 12 salões. Dizem que é uma janela para cada dia do ano, um quarto para cada semana e um salão para cada mês. E o simbolismo não é coincidência: tudo ali foi feito para impressionar.

    Localizada em Santa Rita de Jacutinga, a Santa Clara é considerada a maior construção rural da América Latina. A Fazenda Santa Clara é um pedaço de alma do Brasil rural, um templo erguido pela força do campo, pela lembrança da escravidão e pelo perfume do café que marcou uma era.

    Um casarão que nasceu para ser eterno

    A história da Fazenda Santa Clara começa entre 1760 e 1780, quando o fazendeiro Francisco Tereziano Fortes de Bustamante decidiu erguer um símbolo de poder. Com paredes de taipa e pedra e estrutura em madeira de lei, o casarão foi construído por centenas de pessoas escravizadas.

    Foto: Reprodução – Redes Sociais

    A grandiosidade impressiona até hoje. De longe, a casa parece um palácio. De perto, revela o espírito de uma época em que o poder se media pela extensão das terras e pela altura dos alpendres.

    Cada parede guarda o som dos sinos da capela e o murmúrio dos que viveram e trabalharam ali. É impossível caminhar por Santa Clara sem sentir que o tempo, de alguma forma, ficou preso entre as janelas.

    O tempo do café e o auge da fazenda

    No século 19, o café se tornou o ouro verde do Brasil. E a Fazenda Santa Clara estava no centro desse ciclo. Com terreiros de secagem, senzalas, tulhas e uma capela, a propriedade produzia grãos de qualidade, exportados para a Europa.

    Estima-se que cerca de 2.800 pessoas escravizadas viveram na fazenda durante seu auge. Elas cultivavam, colhiam e processavam o café que fez da Santa Clara uma das propriedades mais prósperas de Minas.

    Nos salões, a elite rural celebrava conquistas ao som de pianos franceses. Do lado de fora, o ritmo era outro: o som das enxadas, o estalar dos grãos secando ao sol e a esperança silenciosa de quem sonhava com liberdade.

    A fazenda, com toda sua riqueza e contradição, acabou se tornando símbolo do Brasil rural — poderoso, desigual e profundamente humano.

    Cenário da novela Terra Nostra

    Mais de duzentos anos depois, a Fazenda Santa Clara voltou a viver um novo auge, desta vez nas telas. Em 1999, o casarão foi escolhido pela Rede Globo para ser o cenário principal da novela Terra Nostra, escrita por Benedito Ruy Barbosa.

    Imagem: Divulgação – Globo

    Na trama, a propriedade representava a fazenda do Coronel Gumercindo Telles de Aranha, interpretado por Antônio Fagundes, o barão do café mais imponente da ficção brasileira. Orgulhoso e autoritário, Gumercindo simbolizava o poder dos grandes fazendeiros do final do século 19.

    As cenas gravadas em Santa Clara mostravam os jantares da elite cafeeira, os encontros políticos, os conflitos familiares e o trabalho dos imigrantes italianos, liderados por Matteo Batistela (Thiago Lacerda) e Rosana Telles (Carolina Kasting).

    O contraste entre o luxo da casa grande e a dureza das plantações deu ainda mais autenticidade à novela, fazendo com que o público se conectasse com a história e reforçando a força simbólica da Fazenda Santa Clara. Por isso, o casarão acabou eternizado na memória dos brasileiros, tornando-se, pouco a pouco, um verdadeiro ícone da teledramaturgia nacional.

    Desde então, o local passou a atrair visitantes de todo o país e se transformou em um dos pontos turísticos mais conhecidos de Minas Gerais. Ano após ano, turistas de diferentes regiões viajam até Santa Rita de Jacutinga para ver de perto a fazenda de Terra Nostra, onde, um dia, Antônio Fagundes, Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio viveram cenas marcantes da TV brasileira.

    Imagem: Divulgação – Globo

    Assim, a ficção se misturou à realidade, fazendo com que o antigo casarão voltasse a respirar, agora, como um patrimônio vivo da cultura rural e da memória do Brasil.

    Entre a glória e o esquecimento

    Com o fim do ciclo do café e, sobretudo, após a abolição da escravidão, a Fazenda Santa Clara perdeu parte de seu brilho. Aos poucos, o movimento dos terreiros silenciou, e o casarão, antes repleto de vida, mergulhou em um longo período de esquecimento. Durante décadas, o tempo agiu sem pressa. Enquanto as janelas se fechavam, a umidade corroía as paredes, ao mesmo tempo em que os cupins devoravam a madeira e o silêncio passava a dominar os corredores.

    Somente em 2014, o governo de Minas Gerais decidiu intervir e tombou o conjunto como Patrimônio Arquitetônico e Paisagístico, garantindo, assim, sua preservação. Desde então, o casarão respira um pouco mais seguro. Hoje, é possível visitar o exterior da fazenda, observar sua fachada monumental e, ao mesmo tempo, imaginar como era a vida ali, quando ainda o aroma do café perfumava o ar e o campo vibrava de movimento.

    Foto: Reprodução – Redes Sociais

    Mesmo desgastada, a Santa Clara continua imponente. De longe, o casarão parece respirar. É como se cada janela contasse uma história que o tempo ainda não teve coragem de apagar.

    Uma janela aberta para o Brasil

    Visitar a Fazenda Santa Clara é mais do que uma viagem no tempo. É mergulhar nas origens do Brasil rural, no ciclo do café e nas contradições que moldaram o país.

    Cada azulejo é uma lembrança. Cada corredor, um eco do passado. Entre a glória e a dor, a Santa Clara segue firme como um retrato do Brasil em carne, pedra e café.

    Com suas 365 janelas abertas para o passado, a maior fazenda da América Latina continua a nos lembrar que o tempo passa, mas a história não se fecha.