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  • Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) criticou a manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos. Segundo a entidade, as restrições propostas podem atrasar investimentos, aumentar a insegurança jurídica e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Antaq encaminhou sua manifestação à Casa Civil em 2 de julho. No entanto, o posicionamento diverge da orientação apresentada pelo governo federal. A Casa Civil defendeu um modelo com ampla participação no certame, desde que o vencedor assumisse compromisso de desinvestimento caso já possuísse ativos portuários na região. Além disso, o governo sugeriu elevar o valor mínimo de outorga para R$ 1,044 bilhão.

    Cecafé questiona falta de embasamento técnico

    Na avaliação do Cecafé, a Antaq manteve a proposta de realizar o leilão em duas fases e restringiu, na etapa inicial, a participação de armadores que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos. Para a entidade, a agência não apresentou estudos técnicos, indicadores ou análises econômicas que comprovem a necessidade dessa medida.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a decisão não traz evidências suficientes para justificar as restrições. Segundo ele, estudos produzidos pela própria Antaq e pela unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam conclusões diferentes das adotadas pela agência reguladora. Dessa forma, o Cecafé considera que a medida carece de fundamentação técnica consistente.

    Entidade alerta para impactos no agronegócio

    O Cecafé afirma que as restrições podem agravar problemas já enfrentados pelas cargas conteinerizadas no Porto de Santos. Atualmente, exportadores e importadores convivem com limitações de capacidade, congestionamentos operacionais e altos custos logísticos. Como consequência, a competitividade das exportações brasileiras pode diminuir.

    Além disso, a entidade acredita que o modelo escolhido pela Antaq aumenta o risco de judicialização. Caso isso aconteça, novos processos judiciais podem atrasar um projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura portuária do país.

    Segundo Eduardo Heron, esses atrasos afetam diretamente os usuários do porto e toda a cadeia produtiva. Por isso, ele afirma que o aumento dos custos logísticos tende a refletir tanto na competitividade das exportações quanto no preço final dos produtos consumidos pela população.

    Agência deve atuar com critérios técnicos, diz Cecafé

    Na avaliação do diretor técnico do Cecafé, a Antaq deve exercer seu papel regulador com base em critérios objetivos, evidências concretas e análises técnicas. Além disso, a agência precisa garantir segurança regulatória, previsibilidade e eficiência para o setor portuário.

    Heron defende que a Antaq não deve restringir previamente a participação de empresas sem apresentar justificativas robustas. Segundo ele, esse tipo de decisão amplia a insegurança jurídica e reduz a confiança dos investidores.

    O diretor também lembra que a missão institucional da Antaq consiste em regular, supervisionar e fiscalizar os serviços e a infraestrutura aquaviária. Portanto, ao adotar restrições sem demonstrar claramente seus fundamentos técnicos, a agência acaba entrando em um debate concorrencial que já conta com órgãos específicos para esse tipo de análise.

    Casa Civil adotou entendimento diferente

    O Cecafé destaca que a própria Casa Civil recomendou retirar as restrições à participação na primeira fase do leilão. Ao mesmo tempo, o governo sugeriu manter mecanismos de desinvestimento para tratar eventuais questões concorrenciais.

    Apesar dessa orientação, a Antaq decidiu preservar seu entendimento original após meses de análise. Assim, manteve o modelo de licitação dividido em duas etapas.

    Comparação com o terminal de Itajaí

    O Cecafé também compara o caso do Tecon Santos 10 com o processo de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, em Itajaí (SC). Na avaliação da entidade, o modelo adotado naquele certame permitiu ampla participação dos interessados e limitou apenas determinadas composições societárias.

    Segundo Eduardo Heron, decisões diferentes para situações semelhantes aumentam a insegurança jurídica quando não apresentam justificativas técnicas claras. Além disso, esse cenário fortalece a percepção de tratamento desigual entre os agentes econômicos.

    Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade

    Para o Cecafé, o Porto de Santos precisa avançar rapidamente em uma agenda de expansão logística. A entidade afirma que o Tecon Santos 10 representa apenas uma das iniciativas necessárias. Também considera fundamentais o aprofundamento do canal de navegação, a construção de novos acessos rodoviários e a ampliação das melhorias ferroviárias.

    Na avaliação do conselho, esses investimentos aumentarão a capacidade operacional do principal porto brasileiro. Consequentemente, o país poderá reduzir gargalos logísticos e fortalecer a competitividade do comércio exterior.

    Projeto acumula mais de 13 anos de espera

    O Cecafé lembra que o leilão do Tecon Santos 10 aguarda realização há mais de 13 anos e sofreu diversos adiamentos ao longo desse período.

    Para a entidade, insistir em um modelo que restringe participantes sem comprovação técnica favorece novas disputas judiciais. Como resultado, o cronograma de investimentos pode sofrer novos atrasos. Dessa maneira, exportadores, importadores e toda a cadeia produtiva continuarão enfrentando limitações provocadas pela atual infraestrutura portuária. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro seguirá convivendo com custos elevados e perda de competitividade no mercado internacional.

  • Portos do Sudeste movimentam 575,5 milhões de toneladas e registram crescimento de 4,97% em 2025

    Portos do Sudeste movimentam 575,5 milhões de toneladas e registram crescimento de 4,97% em 2025

    Os portos da região Sudeste movimentaram 575,5 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O resultado representa crescimento de 4,97% em relação ao mesmo período de 2024 e consolida a região como principal eixo logístico do país.

    A Antaq registrou desempenho positivo em todas as principais categorias de carga. Os granéis sólidos lideraram o volume total com 299,7 milhões de toneladas, alta de 4,20% na comparação anual. Os granéis líquidos alcançaram 187,3 milhões de toneladas e cresceram 7,74%, impulsionados pela movimentação de petróleo e derivados. As cargas em contêineres somaram 60 milhões de toneladas, expansão de 2,17%, enquanto a carga geral atingiu 28,6 milhões de toneladas, avanço de 1,60%.

    Sudeste concentra principais terminais portuários do Brasil

    “O Sudeste segue como o principal corredor logístico do país, sustentado pela diversidade de cargas, pela integração entre portos públicos e terminais privados e por uma agenda contínua de investimentos em infraestrutura”, afirma o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

    O Porto de Santos (SP) lidera a movimentação regional com 119,4 milhões de toneladas, crescimento de 1,05% frente a 2024. O maior terminal do país responde por 20,8% de toda a carga movimentada no Sudeste até outubro. O Terminal de Tubarão (ES) aparece na segunda posição com 70,4 milhões de toneladas, alta de 9,12%, seguido pelo Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ), que movimentou 57,9 milhões de toneladas e registrou crescimento de 8,26%.

    O Porto de Itaguaí (RJ) mantém papel estratégico no escoamento de minério de ferro com 51,7 milhões de toneladas movimentadas. Já o Terminal de Petróleo TPE/TOIL (SP) registrou 49,6 milhões de toneladas, expressivo crescimento de 15,43%, e reforça a relevância da região na logística energética nacional.

    Minério de ferro lidera ranking de mercadorias

    O minério de ferro permanece como principal mercadoria da região e representa 33,7% do total movimentado. O levantamento da Antaq aponta 194,2 milhões de toneladas do produto, crescimento de 7,46%, consolidando o Sudeste como base do escoamento mineral brasileiro.

    O petróleo e derivados (óleo bruto) alcançaram 152,2 milhões de toneladas, alta de 10,35%, refletindo a força do setor energético. As cargas em contêineres somaram 60 milhões de toneladas, avanço de 2,17%. A soja movimentou 37,3 milhões de toneladas, expressivo crescimento de 16,47%, impulsionada pelo agronegócio. Os derivados de petróleo (sem óleo bruto) totalizaram 27,2 milhões de toneladas e mantiveram volumes relevantes na matriz regional.

    Navegação de longo curso cresce 5,23%

    A navegação de longo curso, que conecta o Brasil a outros países, movimentou 435,6 milhões de toneladas nos portos do Sudeste. O modal registrou crescimento de 5,23% em relação a 2024 e demonstra o fortalecimento da integração da região com mercados internacionais.

    A cabotagem, transporte de cargas entre portos brasileiros, somou 114,1 milhões de toneladas no período, alta de 5,25% na comparação anual. A modalidade é fundamental para a logística nacional, pois permite o deslocamento de grandes volumes de mercadorias ao longo da costa, reduz custos e complementa o transporte rodoviário.

    Exportações crescem 6,63% enquanto importações recuam

    Os dados da Antaq indicam que as exportações pelos portos do Sudeste cresceram 6,63%, enquanto as importações registraram leve retração de 2,41%. O movimento indica ajustes pontuais no volume de mercadorias que entram e saem do país pela região.

    Costa Filho destaca que a concentração de grandes terminais é um diferencial competitivo. “Estamos falando de portos que operam em alta escala, com vocações bem definidas, o que garante eficiência, previsibilidade e competitividade ao comércio exterior brasileiro”, conclui o ministro.

  • Portos brasileiros quebram recorde histórico no 3º trimestre de 2025

    Portos brasileiros quebram recorde histórico no 3º trimestre de 2025

    Os portos brasileiros registraram um recorde histórico de movimentação no terceiro trimestre de 2025. Entre julho e setembro, os terminais movimentaram 378,2 milhões de toneladas de produtos, um aumento de 6% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

    A carga de contêineres puxou parte desse crescimento, com alta de 6,5% no trimestre, somando 42,5 milhões de toneladas.

    O ministro do MPor, Silvio Costa Filho, atribuiu o resultado aos investimentos em modernização e às práticas sustentáveis adotadas pelo setor. Ele destacou que a pasta lançou recentemente o Diagnóstico de Sustentabilidade, que mapeia ações de ESG das empresas portuárias, e que apresentará a agenda ambiental do ministério durante a COP30, em Belém.

    “A modernização dos portos, aliada a práticas sustentáveis, aumenta a eficiência das operações com responsabilidade ambiental”, afirmou o ministro.

    Acumulado do ano também é recorde

    Considerando os nove primeiros meses de 2025, a movimentação portuária total já alcançou 1,04 bilhão de toneladas – outro recorde para o período. O volume representa uma alta de 3,25% frente a igual intervalo de 2024.

    Apenas em setembro, o setor movimentou 4,84% a mais que no mesmo mês do ano anterior.

    O mês de setembro teve a movimentação de contêineres como um dos principais motores do crescimento, com alta de 7,12% e 14,1 milhões de toneladas movimentadas.

    Em volume, os granéis sólidos lideraram, com 72,8 milhões de toneladas – aumento de 4,72%. A soja se destacou, registrando crescimento expressivo de 46,89% e totalizando 7,9 milhões de toneladas transportadas somente no mês.

  • TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    TCU classifica como ilegal restrições no leilão do Tecon Santos 10

    O leilão do novo terminal de contêineres no Porto de Santos (Tecon Santos 10) está no centro de uma disputa que pode custar bilhões ao Brasil. Entidades representativas de exportadores e importadores cobram a realização de um certame aberto e sem restrições, alertando que o formato proposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é ilegal e pode resultar em judicialização do processo.

    Em relatório de 203 páginas, a Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia) do Tribunal de Contas da União classificou como “ilegal” o modelo de leilão em duas fases proposto pela ANTAQ, que veta a participação de operadores já atuantes no Porto de Santos.

    A análise técnica do TCU rejeitou os argumentos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da ANTAQ, considerando-os “poucos argumentos novos” e “incapazes de alterar o encaminhamento sugerido”. Segundo o relatório, a decisão da agência reguladora desrespeita princípios constitucionais da ampla concorrência e proporcionalidade, baseando-se em “riscos e premissas hipotéticas”.

    Setores produtivos alertam para prejuízos bilionários

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Logística Brasil manifestaram publicamente apoio à instrução do TCU. As entidades representam diversos segmentos do agronegócio que dependem da logística portuária, incluindo exportadores de café, açúcar, algodão e celulose.

    “Esse é um tema de interesse de todos os exportadores brasileiros que precisam de logística eficiente e infraestrutura adequada para destravar o Porto de Santos”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé. Ele destaca que o esgotamento da infraestrutura portuária já causa prejuízos acumulados aos embarcadores.

    Restrições podem reduzir arrecadação em R$ 1 bilhão

    André de Seixas, diretor-presidente da Associação Logística Brasil, questiona a lógica econômica das restrições propostas. “O que notamos é a sanha para se ter um leilão custando cerca de R$ 1 bilhão a menos, a partir do momento em que se excluiu empresas que têm apetite de competir”, critica.

    Para Seixas, o processo sofreu “diversos atropelos procedimentais” dentro da ANTAQ, com interferência política sobrepondo-se aos aspectos técnicos. “O que não se pode aceitar é a política interferir na parte técnica, criando um ambiente conflituoso”, alerta.

    Risco de judicialização e mais atrasos

    As entidades temem que a manutenção do formato restritivo leve à judicialização do leilão, postergando ainda mais a ampliação da capacidade portuária. O certame já deveria ter ocorrido, mas foi adiado devido a questionamentos sobre o modelo proposto.

    “Já vislumbramos atrasos e mais prejuízos aos usuários e à sociedade, a partir do iminente risco de judicialização deste leilão, algo totalmente desnecessário”, conclui Seixas.

    CADE já afastou premissas da ANTAQ

    O relatório do TCU reforça que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já afastou, em inquéritos administrativos, muitas das premissas hipotéticas utilizadas pela ANTAQ para justificar as restrições. Segundo a auditoria, “a adoção de medidas restritivas deve estar ancorada em um juízo de razoável certeza sobre sua efetividade e não apenas em cenários hipotéticos ou especulativos”.

    Eduardo Heron, do Cecafé, contesta a narrativa de “defesa do interesse público” utilizada para justificar as restrições. “As transações comerciais geradas pelo comércio exterior brasileiro também são de interesse do país, pois geram riqueza, renda e emprego em todos os setores da economia”, argumenta.

    O executivo questiona: “Por que a autoridade pública se propõe a restringir a participação no leilão de empresas experientes e interessadas no certame, renunciando o grande potencial arrecadatório, quando se busca aumentar as arrecadações do país?”

    Investimentos da Autoridade Portuária são reconhecidos

    Apesar das críticas ao modelo de leilão, o Cecafé reconhece os esforços da Autoridade Portuária de Santos (APS) em outros projetos, como a contratação para aprofundamento do calado, a proposta de terceira via de descida da Rodovia dos Imigrantes e a implementação da segunda alça de acesso ao embarcadouro.

    As entidades defendem a realização do leilão do Tecon Santos 10 ainda em 2025, em formato irrestrito e em fase única, conforme recomendação da Unidade Técnica do TCU. A expectativa é que operadores portuários experientes, incluindo grandes empresas internacionais, possam participar livremente do certame, garantindo maior competitividade e investimentos robustos no Porto de Santos.

  • Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Exportadores de café perdem R$ 5,9 Milhões em um mês com gargalos logísticos

    Os exportadores brasileiros de café enfrentam uma crise logística que resultou em prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas no mês de agosto. A defasagem da infraestrutura portuária impediu o embarque de 624.766 sacas do produto. Isso é equivalente a 1.893 contêineres, gerando custos extras com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions.

    Os dados foram levantados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto aos seus associados. E revelam um cenário alarmante para o setor cafeeiro nacional, que vê seu potencial de crescimento limitado por gargalos estruturais.

    Impacto cambial chega a R$ 1,2 bilhão

    Além dos prejuízos diretos com custos logísticos, o não embarque desse volume impediu que o Brasil recebesse US$ 221,28 milhões em receitas cambiais. Isso representa R$ 1,205 bilhão considerando a cotação média do dólar em agosto (R$ 5,4463) e o preço médio FOB de exportação de US$ 354,18 por saca de café verde.

    O problema se intensifica justamente no momento em que as exportações aumentam com a entrada do café arábica da nova safra no mercado. Evidenciando a incapacidade da infraestrutura atual de absorver a demanda crescente do agronegócio brasileiro.

    “Cenário tende a piorar”, alerta Cecafé

    Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, manifesta preocupação com a tendência de agravamento da situação nos próximos meses e anos. “É um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar se não houver investimentos rápidos nos portos do Brasil para aumentar a oferta de capacidade de pátio e berço”, lamenta o executivo.

    Segundo Heron, o agronegócio brasileiro cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária não acompanha essa evolução. Portanto, gerando prejuízos constantes especialmente aos exportadores que dependem de contêineres. “Sem investimentos, veremos cada vez mais portos lotados e atrasos constantes nas embarcações. A estrutura atual está esgotada”, alerta.

    Polêmica no leilão do Tecon Santos 10

    O diretor técnico do Cecafé critica especialmente o imbróglio no processo do leilão do Tecon Santos 10, causado pelas restrições propostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que limitam a participação de empresas no processo licitatório.

    “A morosidade e a restrição de empresas ao certame, deliberadas pelo colegiado da ANTAQ, incorrerão na judicialização do processo e atrasarão ainda mais a oferta de capacidade aos usuários do Porto de Santos, ampliando os prejuízos ao comércio exterior brasileiro”, afirma Heron.

    O executivo destaca que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já se manifestou favorável à remoção de restrições no leilão durante painel promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sugerindo “remédios” mais adequados para coibir eventuais concentrações de mercado.

    Mobilização por novo marco regulatório

    O Cecafé vem intensificando ações junto ao governo, parlamentares e entidades representativas para buscar melhorias na infraestrutura portuária. Em setembro, a entidade se reuniu com o deputado federal Arthur Maia, relator do Projeto de Lei 733/2025, que propõe um novo marco regulatório para o Sistema Portuário Brasileiro.

    Na ocasião, a entidade defendeu a manutenção da garantia de modicidade e publicidade das tarifas portuárias, previstas na Lei nº 12.815/2013. E ressaltou a importância de uma legislação moderna que aumente a competitividade do comércio exterior sem elevar custos aos usuários de carga.

    O Cecafé também propôs melhorias na governança e composição do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), incluindo participação dos usuários de carga para debater temas como poligonais, dragagem e integração entre diferentes modais de transporte.

    Audiência pública deve debater crise portuária

    Em contato com o deputado federal Evair de Melo, o Cecafé apresentou requerimento para realização de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O objetivo é debater os impactos do esgotamento da infraestrutura portuária e os entraves impostos pela ANTAQ, além da urgência do leilão do Tecon Santos 10.

    “O deputado Evair compreendeu a importância do tema e demonstrou interesse em apoiar os exportadores. Colocando-se à disposição para protocolar nosso pedido de audiência pública, que deverá ser agendada em breve”, relata Heron.

    O Cecafé também tem promovido reuniões com outras entidades vinculadas à exportação, apresentando dados do Boletim Detention Zero (DTZ) para buscar sinergia na apresentação de demandas às autoridades portuárias. A mais recente foi com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde se propôs união de esforços para agilizar o leilão do Tecon Santos 10.

    Números revelam caos nos principais portos

    O Boletim DTZ foi elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. E revela que em agosto de 2025, metade dos navios (168 de 335 embarcações) tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos brasileiros.

    No Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto, o índice de atrasos ou alterações chegou a 67%, afetando 122 dos 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera registrado foi de 47 dias.

    Apenas 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto no porto santista. Enquanto 59% ficaram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

    O complexo portuário do Rio de Janeiro é o segundo maior exportador de café brasileiro com 15,8% de participação. E registrou índice de atrasos de 38%, com o maior intervalo chegando a 36 dias. Neste porto, 44% dos procedimentos tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto, 37% entre três e quatro dias, e 19% menos de dois dias.

    Setor pede indicadores e planejamento

    O diretor técnico do Cecafé enfatiza a importância de a nova lei de portos contemplar a criação de indicadores logísticos para avaliar o desempenho portuário de forma transparente. “É necessário que os investimentos e a ampliação da capacidade em infraestrutura portuária antecipem a demanda, deixando de ser pautados apenas por narrativas”, defende.

    Segundo Heron, as autoridades públicas têm dificuldade para enxergar gargalos logísticos diante das consecutivas quebras de recordes do comércio exterior brasileiro. “O Cecafé e outras entidades entendem a necessidade de ampliar a infraestrutura portuária. E devido à complexidade da matéria, estamos unindo esforços para buscar medidas que possam mitigar os riscos dos desafios logísticos e portuários do país”, conclui.

  • Cecafé e Logística Brasil buscam alternativas para fortalecimento da Antaq

    Cecafé e Logística Brasil buscam alternativas para fortalecimento da Antaq

    O Cecafé e a Logística Brasil se reuniram com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para propor ações que ampliem a autonomia técnica e financeira da agência. O encontro ocorreu em 28 de abril, em Brasília. Participaram o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron; o presidente da Logística Brasil, André de Seixas; e o diretor de Transportes Marítimos da entidade, Abrahão Salomão, também CEO da Posidonia Shipping. Eles foram recebidos pelo diretor-geral substituto da Antaq, Caio César Farias Leôncio, e por seu chefe de gabinete, Pedro Neto.

    Modernização

    Durante a reunião, as entidades destacaram a importância da Antaq, mas defenderam a necessidade de modernizar suas normas e fortalecer sua atuação. Com esse objetivo, os representantes propuseram apoio no Congresso Nacional aos projetos de lei que ampliam a autonomia das agências reguladoras federais.

    Foram discutidos o Projeto de Lei Complementar nº 73/2025 e o Projeto de Lei nº 1.374/2025. Ambos tratam de alterações legais que permitiriam mais liberdade orçamentária e administrativa à Antaq. Segundo Eduardo Heron, a proposta busca ampliar os recursos financeiros da agência por meio da criação de um fundo específico. O objetivo é melhorar a capacidade humana e tecnológica da Antaq. A modernização, segundo ele, permitiria o aprimoramento das normas e da fiscalização, além da criação de indicadores logísticos para o setor portuário.

    Grupo de trabalho

    Como encaminhamento, os participantes decidiram pela criação de um grupo de trabalho. Esse grupo vai analisar formas de viabilizar os recursos previstos no Projeto de Lei Complementar nº 73.

    “O Cecafé entende que a Antaq precisa de estrutura adequada para atuar com eficiência. É fundamental garantir os direitos dos usuários e coibir cobranças abusivas”, afirmou Heron. Além disso, ele também reforçou a importância de acelerar o leilão do terminal Tecon Santos 10. Heron demonstrou preocupação com as restrições impostas à participação de investidores no certame. “A carga está pagando a conta da falta de infraestrutura portuária. Precisamos ampliar a oferta para o setor de contêineres com urgência”, declarou.

    Além disso, o diretor do Cecafé também citou os prejuízos acumulados pelos exportadores de café. De junho de 2024 a março deste ano, as perdas somaram R$ 66 milhões. Heron questionou a limitação da concorrência no leilão, mesmo após o aval do Cade para fusões no setor, como CMA-CGM com Santos Brasil e MSC com Wilson Sons.

    Para André de Seixas, a falta de recursos da Antaq impacta negativamente toda a sociedade. “Faltam investimentos em pessoal, inteligência e estrutura. Isso prejudica o país”, afirmou. O presidente da Logística Brasil destacou ainda que a parceria com o Cecafé segue firme na defesa dos direitos dos usuários e da eficiência logística.

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  • Movimentação na Barra Norte do Amazonas atinge 49,7 milhões de toneladas em 2024

    Movimentação na Barra Norte do Amazonas atinge 49,7 milhões de toneladas em 2024

    A Barra Norte do Rio Amazonas registrou 49,7 milhões de toneladas movimentadas em 2024, alta de 4,4% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP). Os Terminais de Uso Privado (TUPs) responderam por 77,2% desse volume, consolidando o setor privado como motor da infraestrutura portuária na região.

    Entre os produtos escoados destacam-se soja, milho e bauxita. Os grãos agrícolas, originários do Mato Grosso, têm como principal destino a China, enquanto a bauxita, extraída pela Mineração Rio do Norte (MRN) em Oriximiná (PA), é exportada para Canadá e Irlanda.

    A ATP tem impulsionado a eficiência do corredor por meio de três eixos:

    • Testes de calado: Navios já operaram com até 11,85 metros de calado, após autorização da Marinha (Portaria 07/2022-Com4ºDN).
    • Levantamentos hidrográficos: Estudos atualizaram a carta náutica da região, identificando maior amplitude de marés para ampliar janelas de operação.
    • Concessão do canal: Proposta em análise pelo MPor e Antaq busca transferir à iniciativa privada a gestão de manutenção, tráfego e sinalização náutica. Garantindo previsibilidade e segurança.

    Contexto estratégico

    A Barra Norte integra o Plano Geral de Outorgas Hidroviário, priorizado pelo governo federal, com investimentos previstos de R$ 500 milhões até 2024. O projeto faz parte de um pacote que inclui hidrovias como o Rio Madeira e o Rio Paraguai, com leilões previstos para 2025.

    Segundo Murillo Barbosa, presidente da ATP, os avanços posicionam a região como “um dos principais corredores logísticos do país”. E isso é essencial para a competitividade do agronegócio e mineração no mercado global.

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