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  • Projeto de lei propõe anistia para multas ambientais de produtores rurais

    Projeto de lei propõe anistia para multas ambientais de produtores rurais

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode anistiar produtores rurais do Acre que receberam multas ambientais do Ibama e do ICMBio. A proposta (PL 2850/25) perdoa infrações aplicadas até dezembro de 2024 e estabelece critérios para a revisão das penalidades.

    Coronel Ulysses é um dos autores da proposta. Foto: Agência Câmara de Notícias

    Os deputados Coronel Ulysses (União-AC) e Rodolfo Nogueira (PL-MS) assinam a autoria do texto, que atualmente passa pela análise das comissões da Casa.

    Quem pode conseguir o benefício

    Para obter a anistia, o proprietário rural precisa cumprir três exigências:

    • Manter inscrição ativa no Cadastro Ambiental Rural (CAR)
    • Adotar o Programa de Regularização Ambiental (PRA) estadual ou federal
    • Assinar compromisso de recuperar a vegetação ou compensar o dano ambiental

    O que muda com a revisão das multas

    O projeto anula ou permite revisar multas classificadas como desproporcionais. A lei considera três aspectos para essa avaliação: a extensão do dano ambiental, o valor da propriedade e a capacidade econômica do produtor.

    Os órgãos ambientais terão 180 dias para reanalisar autos de infração com multas acima de 10 vezes o valor do imóvel ou que atinjam bens essenciais à produção, como rebanhos e maquinário agrícola.

    O texto também suspende medidas que impeçam a agropecuária de subsistência e restrições ao crédito rural durante o processo de adesão ao programa de regularização.

    Caso o produtor descumpra as obrigações assumidas, perde o benefício da anistia. Nessa situação, as sanções voltam a valer e ele pode responder nas esferas administrativa, civil e penal.

    O argumento dos parlamentares

    Os deputados justificam a proposta afirmando que milhares de produtores rurais do Acre sofreram ações ambientais aplicadas “em massa”, muitas vezes sem direito ao contraditório e à ampla defesa.

    Eles citam o município de Xapuri como exemplo crítico. Segundo os parlamentares, a cidade registrou apreensões de rebanhos e paralisação de atividades produtivas essenciais, o que comprometeu a subsistência local e a economia da região.

    “O projeto reestabelece a segurança jurídica, promove a justiça social e assegura a sustentabilidade da produção rural no Acre”, afirmam os autores na justificativa da proposta.

    As comissões de Agricultura, Meio Ambiente, Finanças e Constituição e Justiça analisarão o projeto em caráter conclusivo. Isso significa que o texto pode seguir para o Senado sem necessidade de votação em plenário, caso obtenha aprovação em todos os colegiados.