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  • Método brasileiro identifica raça bovina e combate fraude na carne

    Método brasileiro identifica raça bovina e combate fraude na carne

    Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (MS), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram uma metodologia inédita para identificar carnes de diferentes espécies por meio da espectrometria de massas MALDI-TOF. A técnica também distingue amostras das raças bovinas Nelore e Angus, o que pode facilitar a certificação de produtos com maior valor de mercado.

    Embora cientistas já utilizem amplamente essa tecnologia em diversas áreas, incluindo o diagnóstico de doenças causadas por microrganismos na pecuária, pesquisadores brasileiros aplicam pela primeira vez a espectrometria de massas para diferenciar tecidos de bovinos, suínos, frangos e tilápias. Inclusive depois que o alimento passa por congelamento ou fritura.

    Como funciona a “impressão digital” da carne

    O método gera perfis de massa das proteínas presentes na carne, que funcionam como uma impressão digital molecular única para cada espécie ou raça animal. Assim, a equipe conseguiu construir um banco de dados com perfis de massa de diferentes carnes. O que permite avaliar a qualidade do produto ou realizar ações de fiscalização, explica Newton Verbisck, pesquisador da Embrapa que liderou o estudo.

    Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos.
    Pesquisador Newton Verbisck durante experimentos. Foto: Talita Barbosa / Embrapa

    Verbisck destaca que a espectrometria se firma como alternativa mais rápida e econômica para identificar fraudes, se comparada às análises genéticas tradicionais. A equipe também simplificou o protocolo de testes, o que agiliza o processo sem comprometer a precisão dos resultados. “Todo o processo dura, em média, 20 minutos. E diferentemente dos outros métodos disponíveis no exterior, que são um pouco mais demorados e têm um custo relativamente mais elevado”, afirma o pesquisador.

    Os resultados da pesquisa colocam a espectrometria de massas como ferramenta robusta para a rastreabilidade biológica e a proteção do consumidor contra substituições indevidas de produtos. Atualmente, a tecnologia opera apenas na Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul, mas pesquisadores já projetam sua aplicação em diversos setores. Do controle de qualidade da produção à fiscalização sanitária, passando pelo combate a fraudes e adulterações em derivados de carne.

    O que é a técnica MALDI-TOF

    A espectrometria de massas determina a massa de moléculas e substâncias com altíssima precisão, o que permite caracterizá-las e identificá-las quimicamente. Entre as técnicas avançadas dessa área, o MALDI-TOF (sigla em inglês para Matrix Assisted Laser Desorption Ionization – Time-Of-Flight, ou Desorção a Laser Assistida por Matriz com Análise por Tempo de Voo) se destaca como uma das mais utilizadas para analisar moléculas biológicas com rapidez e precisão.

    A sigla MALDI corresponde ao método de ionização. Os técnicos misturam a amostra a uma matriz química, que absorve a energia do laser e protege as moléculas, fazendo com que ganhem cargas elétricas sem se fragmentar ou alterar sua massa original. Nesse processo, as moléculas-alvo se transformam em íons, com cargas positivas ou negativas, e passam a ser analisadas sob a ação de um campo elétrico.

    Figorífico com Carne Bovina
    Foto: Divulgação – Instituto Mato-Grossense da Carne

    Já o Tempo de Voo corresponde ao método de análise: dentro de um tubo a vácuo, um campo de alta voltagem acelera os íons em direção a um detector. Esse “tempo de voo” indica quanto tempo cada molécula leva para percorrer o tubo até o detector. O que permite calcular seu valor de massa com precisão. Os íons menores chegam primeiro ao detector. À medida que os íons chegam, o sistema registra os tempos de voo e computa os valores de massa imediatamente.

    As cinco etapas da identificação de carnes

    Coleta da amostra: técnicos retiram pequenos fragmentos de carne fresca ou descongelada, do tamanho aproximado de um grão de arroz, da parte interna da peça, para evitar contaminações superficiais ou degradação.

    • Extração de proteínas: a equipe imerge a amostra em um pequeno volume de solvente composto por acetonitrila, água ultrapura e ácido trifluoroacético, dentro de um tubo de plástico. Em seguida, macera o material com um pilão de plástico e o centrifuga por dois minutos para depositar o tecido e coletar o extrato de proteínas.
    • Preparação e ionização: os técnicos misturam 1 microlitro do extrato protéico, equivalente a uma pequeníssima gota, com igual quantidade da matriz química sobre uma placa de metal. A matriz não reage com a amostra. Mas possibilita sua cristalização e facilita a transformação em íons pela ação de um laser, dentro do espectrômetro de massas.
    • Aquisição e análise de dados: o espectrômetro mede os tempos de voo dos íons e determina as massas das proteínas em poucos segundos por amostra.
    • Identificação e classificação: com o auxílio de ferramentas computacionais, o sistema registra os perfis de massa de proteínas de cada amostra em um banco de dados e, a partir daí, classifica e identifica as espécies de carne analisadas.
  • Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    Touros Angus passam por estudo para produção de carne mais macia

    A Associação Brasileira de Angus iniciará um estudo inédito para identificar quais touros da raça têm maior potencial para produzir animais cruzados de melhor qualidade com vacas zebuínas, principalmente Nelore.

    A iniciativa pretende aumentar a previsibilidade da qualidade da carne, elevar a eficiência da pecuária e ampliar o número de bovinos certificados pelo Programa Carne Angus.

    O projeto utilizará informações genéticas e dados de carcaça para entender como características desejáveis da raça Angus são transmitidas aos animais meio-sangue, hoje responsáveis pela maior parte dos abates certificados pelo programa.

    Pesquisa começa em julho

    A fase de campo terá início amanhã, 14 de julho, com a coleta de aproximadamente 6 mil amostras genéticas de fêmeas meio-sangue que passarão pela certificação.

    A expectativa da Associação Brasileira de Angus é divulgar uma primeira relação preliminar de touros melhoradores em 2027.

    Em uma etapa posterior, o projeto pretende ampliar as coletas para 10 mil animais e realizar análises físico-químicas em 3 mil amostras de carne.

    Segundo Carolina Silveira, assistente de fomento e coordenadora da Instituição Científica Tecnológica (ICT) da Associação Brasileira de Angus, o objetivo é entender como ocorre a transmissão das características da raça pura para os animais oriundos do cruzamento industrial.

    “Todas as informações de carcaça que temos hoje dentro da raça Angus foram desenvolvidas com base na raça pura. Queremos entender como essas características passam para os bezerros quando ocorre essa heterose.”

    Tecnologia inédita para coleta das amostras

    O estudo utilizará um protocolo desenvolvido a partir da tecnologia TSU, permitindo retirar amostras diretamente do tecido muscular das carcaças resfriadas.

    A metodologia adapta uma técnica antes utilizada apenas para coleta de cartilagem da orelha e conta com o apoio da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS).

    Novas ferramentas para o melhoramento genético

    A base de dados permitirá desenvolver novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs), indicadores utilizados para estimar o desempenho genético dos descendentes.

    Entre os objetivos futuros está a criação de uma DEP voltada especificamente para a maciez da carne.

    De acordo com Carolina Silveira, a demanda do consumidor por carnes mais macias, suculentas e padronizadas reforça a importância desse tipo de pesquisa.

    Ela destaca que já existem excelentes animais meio-sangue, mas a iniciativa fornecerá informações mais precisas para orientar a escolha dos reprodutores.

    Segundo a pesquisadora, essa padronização aumenta as chances de certificação dos animais nos programas de qualidade, o que pode elevar a remuneração recebida pelos pecuaristas.

    Benefícios também para a sustentabilidade

    Além do ganho em qualidade, o projeto também pode contribuir para uma produção mais sustentável.

    Animais geneticamente mais eficientes tendem a atingir o peso de abate mais cedo, reduzindo o consumo de insumos, produção de dejetos e emissão de gases.

    Programa Carne Angus busca reduzir desclassificações

    Em 2024, o Programa Carne Angus registrou 612,2 mil abates certificados, crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

    Apesar do avanço, cerca de um em cada quatro animais deixa de ser certificado por problemas relacionados ao acabamento de carcaça ou à idade.

    Segundo o gerente nacional do programa, Maychel Borges, identificar os touros com melhor desempenho no cruzamento com raças zebuínas permitirá aumentar tanto a qualidade quanto o número de animais certificados.

    “Com esses dados em mãos, nós conseguimos melhorar o jogo e trazer bons frutos ao produtor, que é o grande objetivo do programa”, resume Borges.

  • Exposição Nacional de Angus e Ultrablack premia animais em Vacaria (RS)

    Exposição Nacional de Angus e Ultrablack premia animais em Vacaria (RS)

    Vacaria (RS) recebeu pela primeira vez a Exposição Nacional das raças Angus e Ultrablack nesta sexta-feira (17), com 107 exemplares disputando o julgamento promovido pela Associação Brasileira de Angus. O jurado Mauricio Groppo, da Argentina, avaliou os animais, e as cabanhas Bortolozzo, Floripana, Conquista, Basso Pancotte e Rincon del Sarandy saíram como as grandes vencedoras do evento, realizado na região dos Campos de Cima da Serra.

    Na raça Angus, todos os animais premiados em campeonatos e grandes campeonatos garantiram um passaporte para o leilão do Secretariado Mundial Angus, que o Brasil sediará em 2027.

    Fêmeas Angus

    A terneira intermediária do Box 19 (TAT: IA79), da Cabanha Bortolozzo, de Vinícius Bortolozzo, de Antônio Prado (RS), conquistou o título de Grande Campeã Terneira Angus. A Reservada Grande Campeã Terneira ficou com o Box 4 (TAT: FIVG83), da Fazenda Basso Pancotte, representada pela Virbasp Transportes, Agricultura e Pecuária Ltda, de Soledade (RS). O Box 28 (TAT: 2531), da Genética AGP, de Leonardo Durigon, de Campos Novos (SC), levou o título de Terceira Melhor Terneira.

    A vaca adulta do Box 53 (TAT: FIV637), de Stephany Martins Melo dos Santos, da Cabanha Floripana, de Urubici (SC), conquistou o título de Grande Campeã Fêmea Angus.  O mesmo animal já havia vencido a Exposição Nacional de 2025, em Chapecó (SC), tornando-se bi-campeã nacional. A Reservada Grande Campeã foi a vaca adulta do Box 55 (TAT: TE3626), da Reconquista Agropecuária Ltda, de José Paulo Dornelles Cairoli, de Alegrete (RS). A Terceira Melhor Fêmea ficou com o Box 49 (TAT: 2404), também da Genética AGP, de Leonardo Durigon.

    Fêmeas Ultrablack

    Antônio Marcos Pagani de Souza dominou o Grande Campeonato de Fêmeas da raça Ultrablack. A vaca jovem do Box 7 (TAT: 355), da Fazenda da Conquista, de São Joaquim (SC), levou o título de Grande Campeã, e a novilha maior do Box 6 (TAT: 455), também de Pagani, ficou com a Reservada Grande Campeã. A Terceira Melhor Fêmea foi a terneira menor do Box 1 (TAT: UT206), de Nelson Antônio Serpa, da Fazenda Renascença, de Vargem (SC).

    Machos Ultrablack

    Pagani também dominou o Grande Campeonato de Machos da raça Ultrablack, com o touro jovem do Box 12 (TAT: 364) conquistando o título de Grande Campeão. O Reservado Grande Campeão ficou com o touro do Box 11 (TAT: UT169), de Nelson Antônio Serpa. O Terceiro Melhor Macho foi o touro do Box 10 (TAT: 450), também de Pagani.

    Machos Angus

    No Grande Campeonato de Terneiros Angus, o terneiro menor do Box 58 (TAT: FIVG73), da Fazenda Basso Pancotte (Virbasp), de Soledade (RS), venceu o Grande Campeonato. O Reservado Grande Campeão Terneiro foi o Box 56 (TAT: FIVG87), também da Basso Pancotte. O Terceiro Melhor Terneiro ficou com o Box 777 (TAT: 4028), de José Paulo Dornelles Cairoli, da Reconquista Agropecuária Ltda, de Alegrete (RS).

    Foto: Divulgação

    O título de Grande Campeão Angus foi para o touro jovem do Box 92 (TAT: TE4173), resultado de uma parceria entre Rincon del Sarandy, José Paulo Dornelles Cairoli, Élio Ottoni e Solução Genética, de Uruguaiana (RS). O Reservado Grande Campeão ficou com o touro dois anos do Box 93 (TAT: TE3844), de Cairoli. O Terceiro Melhor Macho foi o touro júnior do Box 83 (TAT: NORTON036), da Cabanha Vila Fertilitá, de Blumenau (SC).

    O que disseram os vencedores

    Vinícius Bortolozzo, da Cabanha Bortolozzo, celebrou a vitória em sua região natal. “É muito gratificante ganhar em casa, aqui nos Campos de Cima da Serra, com uma terneira de genética fechada nossa. Ela é filha de uma irmã inteira dos nossos touros que ganharam a Expointer no ano passado, o que mostra a consistência genética do nosso trabalho.”

    Oreste Melo Júnior, da Cabanha Floripana, destacou o caráter inédito do bicampeonato nacional. “É a primeira vez que somos bi-grande campeão nacional. Vencer com a mesma vaca demonstra consistência. E às vezes um animal pode vencer pelo momento, mas ela vem mostrando que não tem momento: é uma vaca muito consistente, desde terneira até adulta. É balanceada, feminina e, ao mesmo tempo, traz a potência, a carne e a posterior.”

    Marcos Pagani, da Fazenda da Conquista, comemorou a varredura nos resultados da raça Ultrablack. “Os quatro animais que trouxemos foram premiados. Isso mostra que o critério do nosso criatório está no rumo certo. A Fazenda da Conquista tem apenas 11 anos criando as raças Angus e Ultrablack e já prova que é possível competir com fazendas centenárias.”

    Pedro Gomes, da Fazenda Basso Pancotte, ressaltou a inovação genética por trás do Grande Campeão Terneiro. “É um terneiro com um pai inédito na raça no Brasil. Este touro nunca havia tido progênie no país. É a prova do que ele vinha imprimindo no Uruguai e na Argentina, com campeonatos em diversas exposições.”

    José Paulo Dornelles Cairoli, em parceria com a Cabanha Rincon del Sarandy, falou sobre o espírito colaborativo da pecuária de elite. “Na época que adquirimos este touro, acreditamos que seria um bom terneiro, de futuro, e ele está demonstrando isso. Essa integração com criadores é muito importante. Disputa-se na pista, mas fora dela todos são colegas, companheiros, amigos.”

  • Vacaria sedia pela primeira vez a Exposição Nacional das raças Angus e Ultrablack

    Vacaria sedia pela primeira vez a Exposição Nacional das raças Angus e Ultrablack

    Vacaria (RS) sedia, pela primeira vez, a Exposição Nacional de Buçal das raças Angus e Ultrablack, evento que reforça o protagonismo da região dos Campos de Cima da Serra na pecuária de corte. A competição ocorre nesta sexta-feira (17), no Parque Nicanor Kramer da Luz, reunindo 107 animais admitidos pela Associação Brasileira de Angus (ABA).

    A estreia da exposição em Vacaria é considerada um marco pela entidade, que destaca o potencial da região para o crescimento das raças britânicas. Segundo o presidente da ABA, José Paulo Dornelles Cairoli, a escolha do município é estratégica por concentrar núcleos de criadores jovens e pela proximidade com Santa Catarina, o que amplia a participação de expositores e visitantes.

    “As exposições são excelentes oportunidades de promover as raças Angus e Ultrablack, fortalecendo os criadores e ampliando a visibilidade genética. Nosso objetivo é reunir o maior número possível de participantes e exemplares de qualidade”, afirmou Cairoli.

    Nesta edição, um diferencial importante é que todos os campeões Angus receberão passaporte para o leilão do Secretariado Mundial Angus, programado para ocorrer no Brasil em 2027. Uma iniciativa que estimula a seleção de animais de alto desempenho reprodutivo e genético.

    Os bovinos começaram a chegar ao parque entre segunda e terça-feira e passaram pelo processo de admissão na quarta (16). Dos 107 exemplares admitidos, 95 são da raça Angus (54 fêmeas e 41 machos) e 12 pertencem à raça Ultrablack (sete fêmeas e cinco machos). O jurado argentino Mauricio Groppo conduzirá as avaliações, com início previsto para as 9h desta sexta-feira.

  • Selo inédito deve impulsionar carnes premium no Brasil

    Selo inédito deve impulsionar carnes premium no Brasil

    A Associação Brasileira de Angus lançou um selo inédito para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. O selo Beef on Dairy integra ciência e setor produtivo e contou com participação técnico-científica da Embrapa. A iniciativa estimula o cruzamento de vacas Holandesa e Jersey com touros da raça Angus. O objetivo é produzir carne diferenciada, já valorizada em mercados internacionais.

    Além disso, o selo amplia a oferta de cortes nobres no mercado brasileiro. A estratégia também diversifica a renda dos produtores de leite. Os pecuaristas passam a contar com nova alternativa de comercialização dos animais.

    Estratégia já consolidada no mercado internacional

    O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca o impacto do projeto.
    Segundo ele, a estratégia já funciona em outros países e agora chega ao Brasil. O país possui o maior rebanho comercial do mundo, o que amplia o potencial da iniciativa. Cairoli afirma que o cruzamento entre raças cria benefícios para produtores e consumidores. O consumidor, segundo ele, terá acesso a uma carne diferenciada e de alta qualidade.

    Base científica garante rigor e qualidade

    O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, ressalta a base científica do selo. De acordo com Cardoso, a Embrapa desenvolveu critérios técnicos e índices genéticos específicos. Esses parâmetros identificam os touros Angus mais indicados para o cruzamento. O trabalho considera precisão genética e rigor científico na seleção dos reprodutores. Segundo Cardoso, esse cuidado garante animais superiores para produção de carne premium.

    A Embrapa atuou por meio do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne, o Promebo. O programa deu segurança técnica ao setor para adotar a nova tecnologia. Para Cardoso, o selo agrega valor a toda a cadeia produtiva da carne.

    Critérios específicos para Jersey e Holandês

    A estratégia Beef on Dairy já é consolidada no cenário internacional. No Brasil, a proposta incentiva o uso de touros de corte em vacas leiteiras. Como raças leiteiras não são especializadas em carcaça, o selo orienta escolhas genéticas. Foram criados dois selos distintos, voltados às raças Jersey e Holandesa. No Jersey, o foco é reduzir riscos no parto, devido ao porte menor das vacas.No Holandês, o selo prioriza características que evitem animais excessivamente grandes.

    Promebo orienta seleção genética dos touros

    A Embrapa participa da implementação por meio do Promebo, gerenciado pela ANC. A instituição desenvolveu o índice técnico que orienta a seleção dos touros. O índice avalia crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça. Essas características são essenciais para melhorar o rendimento frigorífico.

    O selo também atende à demanda das centrais de inseminação artificial. Grande parte do uso dos touros ocorre por meio de sêmen certificado. Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e da ANC, o selo surgiu do setor. Segundo ele, o projeto cria parâmetros claros e oferece segurança aos produtores. Para o consumidor, o selo representa confiança e qualidade alimentar.

    Selo já está disponível para o mercado

    De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus, Mateus Pivato, o selo já está disponível.
    O Promebo disponibiliza o selo para centrais de sêmen e criadores habilitados. A lista dos reprodutores certificados está disponível no Sistema Origen da ANC.

  • Pecuária: concurso avalia número recorde de carcaças Angus

    Pecuária: concurso avalia número recorde de carcaças Angus

    A Minerva Foods, em parceria com a Associação Brasileira de Angus, acaba de concluir uma edição recorde do seu Concurso de Carcaças Angus. O evento técnico avaliou mais de 4.100 novilhas, o maior número desde o início da iniciativa. O projeto tem o objetivo de incentivar boas práticas pecuárias e elevar a qualidade da carne bovina nacional.

    As avaliações ocorreram entre outubro e dezembro, nos municípios de Barretos (SP), Bataguassu (MS), Rolim de Moura (RO), Palmeiras de Goiás (GO) e Tangará da Serra (MT). Essas cidades abrigam unidades operacionais da Minerva Foods, facilitando o processo para os produtores parceiros.

    Técnicos especializados analisaram cada animal com base em critérios rigorosos, como padrão racial, faixa etária e nível de acabamento da carcaça. A metodologia permite uma classificação precisa, calcula o desempenho médio dos lotes e identifica os melhores resultados para premiação.

    “O Concurso de Carcaças é uma ferramenta estratégica para fortalecer a pecuária de qualidade no Brasil. Ao incentivar boas práticas e reconhecer o trabalho dos produtores, criamos um ciclo que beneficia toda a cadeia e posiciona melhor nossa carne no mercado global,” afirmou Rostyner Costa, Gerente Executivo de Relacionamento com Pecuaristas da Minerva Foods.

    Recorde

    O número recorde de animais julgados reflete o crescente engajamento dos produtores e consolida o concurso como uma referência para o setor. Os vencedores de cada região receberam um troféu e um avental personalizado da Associação Brasileira de Angus como reconhecimento pela excelência.

    Além da competição, a Minerva Foods promoveu um jantar técnico em Rolim de Moura (RO) para 61 pecuaristas. O encontro serviu para detalhar o modelo de parceria da empresa e as oportunidades de bonificação ligadas à produção de Angus, reforçando o compromisso da companhia com o desenvolvimento contínuo do setor.

  • Exportação de Carne Angus Certificada do Brasil quase dobra

    Exportação de Carne Angus Certificada do Brasil quase dobra

    As exportações de Carne Angus Certificada do Brasil atingiram um novo recorde no primeiro semestre de 2025. Entre janeiro e junho, o país vendeu 2.648 toneladas ao exterior, um salto de 98,6% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, revelam uma mudança no cenário global: Israel assumiu a liderança como principal destino, com 35% do total, deixando a China em segundo lugar, com 31%.

    O presidente da associação, José Paulo Cairoli, afirma que os números confirmam as expectativas para o ano. “2025 será histórico. A demanda por carne de qualidade só aumenta, e nosso programa está alinhado com as exigências do mercado”, diz.

    Além do crescimento nas exportações, o setor registrou alta de 13,1% no volume de animais abatidos – 255.600 cabeças no semestre. O diretor do programa, Wilson Brochmann, atribui o desempenho à expansão da certificação. “Frigoríficos estão buscando nosso selo. O mercado quer carne certificada, e isso nos impulsiona”, explica.

    Israel substitui EUA e amplia compras do Brasil

    A ascensão de Israel como principal comprador marca uma virada. Tradicionalmente abastecido pelos Estados Unidos, o país migrou para o Brasil devido à redução do rebanho norte-americano. “Mercados exigentes, como Israel, encontraram em nosso programa a qualidade que buscavam”, destaca Maychel Borges, gerente do programa.

    Dados foram apresentados em coletiva em Porto Alegre. Foto: Divulgação/Critério

    Além de Israel e China, os maiores importadores foram Chile, Arábia Saudita, México e países do Oriente Médio. No total, 24 nações compraram a carne Angus brasileira no período.

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  • Bezerros geneticamente editados nascem no Brasil

    Bezerros geneticamente editados nascem no Brasil

    Pela primeira vez no Brasil e na América Latina, nasceram bezerros geneticamente editados a partir de embriões fecundados in vitro. A Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, anunciou o avanço histórico para a bovinocultura nacional. O projeto visa desenvolver bovinos mais resilientes às altas temperaturas e às mudanças climáticas, utilizando a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9.

    Entre o fim de março e o início de abril, cinco bezerros da raça Angus nasceram, e os primeiros resultados indicam sucesso na edição genética em pelo menos dois deles. O sequenciamento genético realizado pela Embrapa Gado de Leite (MG) confirmou que os animais carregam a característica desejada: pelos curtos e lisos, que proporcionam maior resiliência ao calor. Segundo o pesquisador da Embrapa Luiz Sérgio de Almeida Camargo, “os resultados obtidos já são suficientes para que os animais apresentem a característica desejada”. Destacando que “dois dos bezerros editados apresentam pelos curtos e lisos, resultado de mais de 90% de edição genética nos folículos pilosos”.

    Tecnologia CRISPR/Cas9: a tesoura genética

    A edição foi realizada com a técnica CRISPR/Cas9, chamada de “melhoramento genético de precisão”. Camargo explica que “o CRISPR/Cas9 funciona como uma espécie de tesoura genética, capaz de editar sequências no DNA de maneira precisa, e que pode ser usada para melhorar a saúde e o bem-estar animal bem como promover características de interesse econômico”. Essa tecnologia permite introduzir mutações benéficas diretamente nos embriões, evitando cruzamentos tradicionais que levariam gerações para fixar as características desejadas.

    Eletroporação de zigotos: método inovador e eficiente

    Pesquisadores aplicaram a edição genética em embriões utilizando a eletroporação de zigotos, processo que usa pulsos elétricos de curta duração para abrir temporariamente a membrana do zigoto e permitir a entrada das moléculas responsáveis pela edição. Camargo destaca que “essa técnica é considerada menos invasiva e mais prática do que outros métodos tradicionais usados para edição gênica”. E que os estudos conduzidos pela Embrapa indicam que ela pode ser “mais eficiente e menos custosa”.

    Pesquisas prosseguem para avaliar transmissão da característica para futuras gerações de Angus e outras raças bovinas.

    O objetivo da pesquisa é que os bovinos Angus sofram menos com o estresse térmico, resultando em melhor bem-estar e maior produtividade. Camargo reforça: “A capacidade de resistir melhor ao calor traz ganhos diretos para o bem-estar dos animais e também para a produtividade, beneficiando os produtores”. A adaptação ao clima tropical é cada vez mais necessária diante dos cenários de aquecimento global.

    Parcerias e futuro da pesquisa

    O nascimento dos bezerros geneticamente editados é fruto de uma ampla parceria entre Embrapa, Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, CNPq, Fapemig, Sebrae e Casa Branca Agropastoril. As pesquisas envolvem equipes das unidades Embrapa Gado de Leite (MG), Gado de Corte (MS) e Pecuária Sul (RS), com foco no desenvolvimento de novos animais e na avaliação da transmissão das características para futuras gerações.

    As próximas etapas incluem o acompanhamento do crescimento dos animais, avaliação de sua performance produtiva e reprodutiva e estudo da hereditariedade das edições no genoma. Com a comprovação da transmissão genética, a tecnologia poderá se disseminar naturalmente nos rebanhos, acelerando a adaptação ao clima tropical.

    Reconhecimento dos líderes do setor

    O diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, Mateus Pivato, comemora o avanço: “Trata-se de um projeto que coloca a pecuária brasileira na vanguarda da inovação genética. Estamos investindo em um futuro mais sustentável, com animais de alta qualidade que suportam melhor os desafios climáticos do País”. Ele ressalta ainda que “o mercado consumidor valoriza cada vez mais práticas que combinam produtividade com respeito ao bem-estar animal”.

    Para o presidente da Associação, José Paulo Cairoli, “gerar os primeiros animais melhorados via edição gênica é um marco na história da pecuária brasileira. E estamos muito felizes em poder protagonizar esse ineditismo”. Cairoli destaca que “todo passo dado pela Associação, nessa parceria tão importante com a Embrapa, demonstra o esforço que a entidade faz para valorizar a raça e quem aposta nela”.

    Com esse avanço, a pecuária brasileira dá um passo decisivo rumo ao futuro. Combinando inovação genética, sustentabilidade e qualidade produtiva para enfrentar os desafios climáticos e atender às demandas do mercado nacional e internacional.

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  • Angus se prepara para o nascimento dos primeiros animais de edição gênica

    Angus se prepara para o nascimento dos primeiros animais de edição gênica

    Entre o final de março e o início de abril, o projeto de edição gênica da raça Angus, liderado pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack em parceria com a Embrapa Gado de Leite, espera o nascimento de seus primeiros cinco exemplares. O processo busca gerar animais com maior tolerância ao calor e mais resistência a doenças comuns à espécie.

    O objetivo principal é produzir exemplares com características genéticas avançadas. Por exemplo, como maior tolerância ao calor e resistência ao carrapato, sem a introdução de DNA de outras espécies. Isso significa que os animais não se enquadram como transgênicos, pois as alterações genéticas podem surgir naturalmente por meio de cruzamentos.

    Processo de edição gênica

    O levantamento iniciou em 2024, com a seleção de reprodutores para doação de sêmen, produção e edição de embriões, seguida da transferência para receptoras. A equipe da Embrapa em Juiz de Fora (MG) conduz a pesquisa, acompanha o nascimento dos animais e realiza testes para avaliar a eficiência da edição gênica.

    Todo o processo é submetido à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para validação dos procedimentos e resultados. A Associação Brasileira de Angus e Ultrablack reforça o compromisso com o respeito às normas e legislação vigentes. Essa abordagem garante que os cientistas considerem os animais como não transgênicos.

    A edição gênica representa um avanço significativo no melhoramento genético da raça Angus, permitindo que os criadores tenham acesso a tecnologias de ponta. “O papel da Associação é estar na vanguarda do melhoramento genético. Oferecendo o que há de mais tecnológico para os criadores”, destaca Mateus Pivato, diretor-executivo da entidade.

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  • Fazenda no interior paulista recebe Selo Angus Sustentabilidade

    Fazenda no interior paulista recebe Selo Angus Sustentabilidade

    A Fazenda Terral, localizada em Matão, no interior de São Paulo, conquistou recentemente o Selo Angus Sustentabilidade, concedido pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack. A certificação, homologada pela renomada certificadora alemã Tüv Rheinland, atesta a adoção de boas práticas de responsabilidade ambiental, social, rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e biossegurança.

    Com a conquista do selo, a Fazenda Terral se junta a um seleto grupo de oito propriedades que já obtiveram essa certificação. O selo é um reconhecimento do compromisso da fazenda com a preservação da vegetação nativa, o descarte adequado de embalagens de defensivos agrícolas e medicamentos, além da contratação de funcionários registrados e a implementação de medidas para reduzir o estresse animal.

    Treinamento com a equipe da Terral, após a conquista do Selo Angus Sustentabilidade. Foto: Divulgação

    “A Terral faz o ciclo completo da carne, desde a criação do animal até a embalagem do produto final. Com o selo Carne Angus Certificada já em mãos, agora podemos estampar também o selo Sustentabilidade nas etiquetas”, explica Maychel Borges, gerente do Programa Carne Angus Certificada.

    Recentemente, Borges se reuniu com a equipe da Fazenda Terral para um treinamento sobre as novas diretrizes e procedimentos relacionados ao selo de sustentabilidade. “Foi uma oportunidade de entender todo o universo do nosso parceiro e demonstrar mais detalhes do Programa”, afirmou.

    Compromisso com a sustentabilidade

    A Fazenda Terral é um exemplo de como práticas sustentáveis podem ser integradas na produção agropecuária. O selo não apenas melhora a imagem da empresa no mercado. Mas também promove uma cadeia produtiva que respeita o meio ambiente e as normas sociais.

    Com a crescente demanda por produtos alimentícios sustentáveis e de qualidade, iniciativas como a da Fazenda Terral são fundamentais para garantir que a pecuária brasileira se adapte às exigências do mercado. A implementação de boas práticas não só contribui para a saúde do ecossistema local. Mas também assegura que os consumidores tenham acesso a produtos que respeitam padrões elevados de qualidade e sustentabilidade.

    A conquista do Selo Angus Sustentabilidade pela Fazenda Terral representa um passo importante na promoção de práticas responsáveis na pecuária. Com o apoio contínuo da Associação Brasileira de Angus e iniciativas como treinamentos e alinhamentos estratégicos, a fazenda está bem posicionada para se destacar no mercado agropecuário brasileiro, contribuindo para um futuro mais sustentável.

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