Tag: amêndoas

  • Cursos no sul da Bahia impulsionam produção de cacau especial e chocolate artesanal

    Cursos no sul da Bahia impulsionam produção de cacau especial e chocolate artesanal

    O sul da Bahia amplia a oferta de qualificação profissional para a cadeia do cacau de alto valor, em resposta ao crescimento acelerado do mercado de chocolates especiais e bean to bar no Brasil. A demanda por profissionais capacitados já supera a oferta, em um segmento que exige domínio técnico em todas as etapas da produção.

    Processos como fermentação, secagem, torra, rastreabilidade e análise sensorial impactam diretamente o valor final do produto. Nesse cenário, o conhecimento técnico deixou de ser diferencial e passou a determinar a competitividade de produtores e empresas.

    Para atender essa demanda, o Centro de Inovação do Cacau (CIC), localizado no Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), em Ilhéus, lançou sua programação de cursos para 2026. A iniciativa busca qualificar produtores, classificadores, técnicos, empreendedores, estudantes e profissionais da indústria.

    A nova agenda cobre diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao sensorial. Os cursos combinam teoria aplicada, práticas em laboratório e experiências técnicas. O objetivo é formar profissionais capazes de tratar o cacau como produto de origem, preservando atributos que agregam valor ao longo do processo.

    Segundo Adriana Reis, gerente de Educação e Inteligência do CIC, o foco está na qualidade e na valorização do cacau brasileiro. “Nosso diferencial é oferecer formação aprofundada sobre a origem Brasil, uma região complexa que ganha reconhecimento no mercado de alta qualidade, com potencial também no cenário internacional”, afirma.

    Mudanças no comportamento do consumidor

    A expansão da qualificação acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Chocolates industrializados perdem espaço para produtos com identidade, rastreabilidade, menor processamento e destaque para a origem. Nesse contexto, o chocolate bean to bar, produzido do grão à barra, se consolida como um dos principais segmentos de valor agregado.

    Foto: Divulgação

    Para ingressar nesse mercado, dominar técnicas de produção se tornou essencial. Etapas como seleção de amêndoas, torra, moagem, conchagem, temperagem e moldagem influenciam diretamente aroma, sabor, textura e estabilidade do chocolate.

    A trajetória do produtor Gabriel Menna, de Itacaré (BA), mostra o impacto da capacitação técnica. Ele aprimorou a qualidade das amêndoas após participar do curso de Análise Sensorial com reconhecimento de defeitos, oferecido pelo CIC. “Foi a chave para avançarmos na qualidade”, afirma.

    O conhecimento adquirido também orientou decisões no campo. Menna renovou a área produtiva e adotou o clone BN34, com base em estudos do próprio centro que destacam atributos sensoriais da variedade. A escolha conecta informação técnica, manejo e estratégia de mercado.

    Conteúdo dos cursos

    A programação inclui formações em:

    • Produção de chocolate bean to bar
    • Operação de máquinas
    • Posicionamento de marca e precificação
    • Classificação física do cacau
    • Legislação do setor
    • Análise sensorial e identificação de defeitos
    • Reconhecimento de qualidade
    • Genética e análise de solo

    Os cursos atendem tanto iniciantes quanto profissionais que já atuam na cadeia e buscam aprofundar conhecimentos, padronizar processos e ampliar a competitividade.

    As informações sobre datas, inscrições e ementas estão disponíveis na nova plataforma do CIC.

    Para o diretor-presidente do PCTSul, Cristiano Villela, a qualificação também contribui para integrar os diferentes elos da cadeia. “Mais do que ensinar técnicas, os cursos ajudam a criar uma linguagem comum entre produtores, classificadores, fabricantes e compradores”, afirma.

    Segundo ele, essa transformação pode fortalecer a presença do Brasil nos segmentos de maior valor agregado do mercado global de cacau e chocolate.

  • Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo que amplia o controle sanitário sobre a importação de amêndoas secas de cacau da Costa do Marfim. O texto segue agora para análise do Senado.

    Deputado Zé Neto (PT-BA). Foto: Bruno Spada / Agência Câmara de Notícias

    A proposta, de autoria do deputado Zé Neto (PT-BA), suspende os efeitos da Instrução Normativa 125/2021, do Ministério da Agricultura. A norma retirou a exigência do uso de brometo de metila no tratamento do cacau importado, substância que enfrenta restrições internacionais por danos à camada de ozônio.

    Segundo o autor, o governo editou a norma sem consultar produtores brasileiros, que alertaram para o risco de contaminação das lavouras por micro-organismos. Ele defende maior rigor para evitar prejuízos à produção nacional.

    Antes da norma de 2021, regras técnicas já exigiam medidas de controle sanitário, como a Instrução Normativa 18/2020. No entanto, o governo federal flexibilizou essas exigências ao considerar baixo o risco de pragas. Desde então, passou a exigir apenas certificação fitossanitária emitida por autoridades da Costa do Marfim, com tratamento realizado na origem, geralmente com fosfina.

    Debate sobre riscos e impacto econômico

    O relator do projeto, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), defendeu a aprovação e criticou a flexibilização das regras. Para ele, a medida anterior favoreceu práticas comerciais prejudiciais e colocou em risco a sanidade das lavouras brasileiras.

    Deputado Márcio Marinho, relator do projeto. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Marinho afirmou que a entrada de cacau africano pressionou os preços no mercado interno, levando a arroba a valores inferiores a R$ 200. Um patamar que, segundo ele, não cobre os custos de produção do agricultor familiar.

    O deputado também questionou a necessidade de importação. Dados de 2025 indicam produção nacional de 186 mil toneladas, frente a uma moagem de 196 mil toneladas. Para ele, a diferença poderia ser resolvida com incentivo à produção interna, em vez de importações. Ele ainda apontou que a indústria opera com cerca de 30% de ociosidade.

    Durante o debate em plenário, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) destacou a importância de manter padrões sanitários rigorosos. Ele afirmou que a legislação brasileira é mais exigente do que a de outros países, o que, na sua visão, torna a concorrência desigual.

    Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) reforçou que a proposta ajuda a proteger as lavouras nacionais, evita a entrada de novas pragas e preserva a produtividade do setor cacaueiro.

  • Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    Brasil suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu, nesta terça-feira (24), a importação de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim. A decisão, publicada em despacho no Diário Oficial da União, foi motivada pelo risco fitossanitário representado pela mistura de grãos de países vizinhos às cargas destinadas ao Brasil.

    A medida atende uma demanda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que vinha pressionando o governo federal pela adoção de ações imediatas de proteção à cadeia produtiva do cacau. A entidade avaliou positivamente a decisão, classificando-a como essencial para a segurança dos produtores rurais brasileiros.

    Por que a Costa do Marfim preocupa o setor?

    Segundo o Mapa, o elevado fluxo de grãos oriundos de países vizinhos para o território marfinense aumenta o risco de contaminação das cargas exportadas ao Brasil por pragas e doenças. A mistura de amêndoas de diferentes origens nas remessas representa uma ameaça direta às lavouras nacionais. Especialmente nos estados do Pará, Bahia e Espírito Santo, principais polos produtores do país.

    “A suspensão da importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim é medida cautelar de extrema relevância. Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou Maciel Silva, diretor técnico adjunto da CNA.

    Além da suspensão temporária, o Sistema CNA, mobilizado por sindicatos e Federações de Agricultura dos estados produtores, reforçou junto ao Executivo e ao Legislativo a necessidade do envio de uma missão técnica à Costa do Marfim. O objetivo é avaliar in loco a situação produtiva, fitossanitária e o trânsito das amêndoas no país exportador antes de qualquer retomada das importações.

    Agenda para fortalecer o produtor brasileiro

    Em paralelo à questão das importações, a CNA avança em uma agenda estruturante voltada ao fortalecimento da cacauicultura nacional. Por meio de reuniões regionais com produtores, a entidade tem mapeado gargalos comuns e construído propostas para o curto e médio prazo em eixos como transparência na precificação, comércio justo, sanidade vegetal e organização produtiva.

    “Junto aos Sindicatos e Federações temos buscado meios de ampliar a competitividade da cacauicultura com foco no desenvolvimento econômico sustentável. A avaliação adequada da importação é parte relevante do plano de trabalho para que os produtores tenham condição de permanecerem na atividade”, destacou Maciel Silva.

    O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de cacau e o setor movimenta bilhões de reais na economia de estados como Bahia e Pará. A proteção fitossanitária da cultura é considerada estratégica tanto para a segurança alimentar quanto para a competitividade do agronegócio nacional.

  • Tecnologia sustentável extrai isoflavonas do farelo de soja

    Tecnologia sustentável extrai isoflavonas do farelo de soja

    O que fazer com toneladas de farelo de soja que sobram depois da extração do óleo? E com as cascas das amêndoas de cacau, aquelas fibras que cheiram a chocolate mas acabam no lixo? Pesquisadores da Unicamp encontraram respostas para essas perguntas. E elas envolvem ondas ultrassônicas, alta pressão e zero desperdício.

    No Laboratório Multidisciplinar de Alimentação e Saúde da universidade, uma equipe liderada pelo engenheiro de alimentos Pedro Henrique Santos desenvolveu um método que extrai isoflavonas do farelo de soja de forma completamente sustentável. As isoflavonas são compostos que a indústria usa em suplementos, cosméticos e alimentos funcionais por seus benefícios à saúde: combatem doenças cardiovasculares, ajudam no controle da diabetes, tem ação anticancerígena e ainda aliviam sintomas da menopausa.

    Adeus aos solventes tóxicos

    O problema é que os métodos tradicionais para extrair essas substâncias usam solventes químicos prejudiciais ao meio ambiente e demoram horas pra completar o processo. “Nossa pesquisa buscou resolver essa questão aplicando uma tecnologia inovadora”, explica Santos. A solução? Combinar solventes ecológicos sob alta pressão com ondas ultrassônicas que intensificam a extração.

    Mas os cientistas foram além. Depois de extrair as isoflavonas, eles aplicaram uma enzima que quebra essas moléculas em pedaços menores, genisteína e daidzeína, que o corpo humano absorve muito mais facilmente. É como transformar um pedaço grande de pão em migalhas: fica mais fácil de digerir.

    “A junção das duas etapas resultou em um extrato totalmente rico em isoflavonas já na forma ativa, em menos tempo do que os métodos tradicionais e de maneira 100% sustentável”, destaca o pesquisador. E tem mais: o farelo que sobra mantém seu alto teor de proteína, podendo virar ração animal ou suplemento proteico vegetal. Dois produtos nobres a partir de um único resíduo.

    Cascas de cacau viram ouro

    Enquanto parte da equipe se dedicava à soja, outros pesquisadores do mesmo laboratório olharam pra um subproduto igualmente negligenciado: as cascas das amêndoas de cacau. “Elas lembram os nibs de cacau, com um cheiro extremamente parecido, mas são muito fibrosas, por isso normalmente são descartadas”, conta Felipe Sanchez Bragagnolo, engenheiro de processos e biotecnologia.

    O material, descobriram os cientistas, esconde compostos valiosos para as indústrias de alimentos e cosméticos. Pra extrair essas substâncias, a equipe, que contou com colaboradores da Espanha e da Austrália, usou um equipamento que trabalha com pressões muito superiores às de uma panela de pressão comum.

    Nesse sistema, água e etanol (solventes seguros) passam pelas cascas e retiram os compostos de interesse. Depois, a solução entra num “filtro inteligente” que separa tudo conforme afinidade química: o que “gosta” mais de água sai nas frações aquosas; o que “prefere” etanol aparece nas frações alcoólicas.

    Frações puras para indústrias exigentes

    O resultado impressiona. Os pesquisadores conseguiram obter uma fração rica em teobromina (principal composto das cascas), seguida por outra cheia de cafeína e uma última repleta de compostos fenólicos. Tudo separadinho, purinho.

    “Os achados podem ser empregados em diferentes abordagens”, explica Bragagnolo. Uma aplicação imediata é no controle de qualidade da matéria prima.Agora é possível verificar em menos etapas o que há e quanto há no material vegetal. Outra possibilidade mais específica envolve o uso dirigido das frações.

    Se uma indústria quiser usar teobromina num produto, por exemplo, basta ampliar a escala do processo pra obter uma fração enriquecida e mais pura desse composto, extraído diretamente das cascas que antes iriam pro lixo.

    Economia circular na prática

    Os dois estudos demonstram como resíduos agroindustriais podem se transformar em matérias-primas valiosas. Com tecnologias limpas, processos mais rápidos e produtos de alto valor agregado, a pesquisa da Unicamp mostra um caminho viável pra economia circular no Brasil.

    E o melhor: tudo isso sem comprometer o meio ambiente. Nada de solventes tóxicos, nada de desperdício. Só ciência brasileira fazendo o que faz de melhor, encontrar soluções inteligentes pros nossos desafios.

  • Brasil desenvolve queijo cremoso à base de amêndoas de caju quebradas

    Brasil desenvolve queijo cremoso à base de amêndoas de caju quebradas

    A Embrapa Agroindústria Tropical, sediada em Fortaleza (CE), anunciou o desenvolvimento de um queijo cremoso simbiótico plant-based produzido a partir de amêndoas de caju quebradas. A inovação oferece uma alternativa nutritiva e funcional aos queijos tradicionais, utilizando um subproduto da castanha-de-caju, amplamente disponível e valorizado no Nordeste do Brasil.

    O novo produto é classificado como simbiótico, pois combina prebióticos e probióticos. Ou seja, proporcionando benefícios à saúde ao unir bactérias benéficas e o alimento necessário para sua multiplicação. O processo de fabricação envolve etapas como tratamento térmico das amêndoas para redução de contaminação, hidratação por 24 horas, trituração com água para obtenção de uma massa homogênea, fermentação com cultura starter RSF-736 e adição de ingredientes como óleo de coco, sal, frutooligossacarídeos (FOS) como prebiótico, Bifidobacterium animalis BB-12 como probiótico e goma xantana.

    A composição centesimal do queijo cremoso simbiótico apresenta 56,9% de umidade, 18,6% de lipídios, 1,5% de cinzas, 5,8% de proteínas e 17,2% de carboidratos. O teor de FOS atinge 9,17g/100g de produto, atendendo à legislação brasileira para prebióticos, enquanto a quantidade de probióticos está dentro dos parâmetros exigidos para alimentos funcionais.

    Avaliação

    O produto passou por avaliação sensorial nove dias após sua fabricação, período necessário para a liberação dos resultados de qualidade microbiológica. Na análise, obteve média 7 para aceitação global, equivalente a “gostei”, e intenção de compra entre “provavelmente compraria” e “certamente compraria”. Esses resultados indicam que o queijo cremoso simbiótico de amêndoas de caju quebradas é uma alternativa promissora para consumidores que buscam opções plant-based e alimentos enriquecidos.

    O desenvolvimento contou com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da própria Embrapa. Além da doação de amêndoas de caju pela Usina Brasileira de Óleos e Castanha Ltda (Usibras). A produção global de castanha-de-caju atingiu 1,09 milhão de toneladas em 2022-2023, reforçando o potencial desse ingrediente para a indústria de alimentos inovadores.

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  • Produção de cacau cresce no Estado de São Paulo

    Produção de cacau cresce no Estado de São Paulo

    Os clones de cacau CCN51, PS1319 e BN34, adaptados ao clima paulista, apresentam grande potencial produtivo. Essas cultivares fazem parte do Programa Cacau SP, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), em parceria com o Instituto de Tecnologia dos Alimentos (ITAL) e a Apta Regional. As plantas se desenvolveram bem, atraindo o interesse dos produtores rurais, especialmente na região de São José do Rio Preto.

    Para o produtor Diego Francisco Ferreira da Silva, o cultivo de cacau representa uma oportunidade para diversificar a renda e agregar valor a uma cultura promissora. Durante a pandemia, em 2020, Diego intensificou sua participação nas atividades agrícolas da família, na propriedade localizada em Mendonça. Em 2021, a família trabalhava com silagem, pecuária leiteira e plantio de grãos. Por sugestão dos técnicos da CATI, Diego decidiu conhecer melhor o cultivo de cacau.

    Em 2024, a família destinou um hectare para plantar as primeiras mil mudas de cacau, em sistema consorciado com bananeiras. “O sistema se mostrava vantajoso, pois teríamos renda já nos primeiros anos e agregava valor numa cultura promissora, que ainda estava por vir”, afirma Diego. Agora, eles expandem a área cultivada para mais um hectare e esperam colher a primeira safra no início de 2026. A propriedade, chamada Rancho do Cacau, já desenvolve um projeto voltado à produção de chocolates.

    “Trabalhamos por meio da agricultura familiar e o cacau se tornou algo atrativo comercialmente. Além disso, também abrimos as portas para o turismo rural. Queremos divulgar um pouco mais sobre a cultura da amêndoa, desenvolver experimentos e dados científicos”, reforça Diego.

    Crescente interesse pelo cacau paulista

    O Programa Cacau SP também atrai produtores de outras regiões do Brasil, como Joilson dos Santos de Jesus, técnico agrícola e produtor de cacau que saiu de Igrapiúna, Bahia, em busca de mais conhecimento e oportunidades em São Paulo. Ele se surpreendeu positivamente com a região de Rio Preto.

    A empresária Renata Martucci, de Jaboticabal, também se interessou pelo programa. Antes, sua matéria-prima vinha da região baiana de Ilhéus, o que gerava problemas de fornecimento pela longa distância. Após conhecer o Cacau SP, Renata mudou de fornecedor. “Essa proximidade com os produtores encurta distâncias e sana alguns gargalos que tínhamos quanto à matéria-prima”, explica. Adepta do movimento Bean to Bar e da produção sustentável, ela produz chocolates artesanais sem adição de ingredientes artificiais.

    Programa Cacau SP

    Atualmente, o cacau já cresce em 60 propriedades distribuídas em 38 municípios paulistas, todas apoiadas pelo Programa Cacau SP, conforme explica Fernando Miqueletti, diretor da CATI Rio Preto. As regionais da CATI com propriedades cultivando cacau incluem Andradina, Araçatuba, Araraquara, Avaré, Barretos, Campinas, Catanduva, Dracena, Jales, Limeira, Marília, Mogi Mirim, Piracicaba, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Rio Preto e Votuporanga. “Este fato mostra a crescente evolução do programa, que tem ampliado sua capilaridade por boa parte do estado”, destaca Fernando.

    Fioravante Stucchi Neto, assistente agropecuário da CATI, informa que o cacau começa a produzir aos três anos, aumentando a produção até os cinco anos. “Em áreas experimentais, já colhemos de dois a três mil quilos da fruta por hectare, superando a média nacional de 350 quilos por hectare”, aponta. Ele lembra que a região de Rio Preto cultiva cacau desde 2012, integrado à seringueira.

    Em parceria com o ITAL, a CATI capacita produtores no pós-colheita e no processamento das amêndoas, permitindo a produção de chocolate, farinhas, chás e achocolatados. Além da venda direta para fábricas ou consumidores finais, Fioravante destaca que os produtores podem firmar parcerias com governos municipais para inserir os produtos na merenda escolar. “Um bom exemplo ocorre em Mendonça, onde os produtores de cacau já atendem 50% das escolas da cidade”, ressalta.

    Unidade de manejo e processamento das amêndoas

    Para facilitar o processamento, a CATI criou uma unidade de manejo e processamento das amêndoas em Mendonça, equipada com descascador, torrador e moedor, disponíveis para uso dos produtores. O órgão oferece cursos gratuitos, orientação técnica e assessoria completa para o cultivo de cacau. Tudo isso com foco na sustentabilidade e na ampliação da rentabilidade no campo. O cacau pode crescer isoladamente ou integrado a outras culturas, como seringueira, banana ou sistemas agroflorestais.

    Além disso, a CATI Sementes e Mudas resolveu um gargalo importante na cadeia produtiva do cacau: a qualidade das mudas. O viveiro em Pederneiras produz até 100 mil mudas por ano, incluindo estacas, enxertia e mudas micropropagadas. A equipe também orienta e forma viveiristas para ampliar a produção de mudas de cacau em São Paulo, fortalecendo a extensão rural.

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  • Dia mundial do chocolate: preço alto é reflexo do campo

    Dia mundial do chocolate: preço alto é reflexo do campo

    O Dia Mundial do Chocolate é comemorado neste domingo (7), mas o preço não estás nada doce. Eles continuam subindo no mundo todo. Este ano, o cacau atingiu o recorde de US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York. No Brasil, o chocolate ficou 36% mais caro desde 2020.

    Produção do cacau

    A alta dos preços é resultado de três anos seguidos de produção global de cacau abaixo da demanda. Isso reduziu os estoques e elevou os preços. Clima adverso e doenças atingiram plantações na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, principais produtores mundiais de cacau. Este ano, a produção global teve um déficit de 439 mil toneladas, segundo a Organização Internacional do Cacau.

    No entanto, as perspectivas são mais favoráveis para a próxima safra. A produção de cacau deve superar a demanda em 303 mil toneladas na temporada que começa em outubro. Esse seria o primeiro superávit depois de três anos de déficit. O clima mais úmido na África Ocidental já ajudou a reduzir os preços do cacau, com uma queda de mais de 30% nos contratos futuros em Nova York desde abril. Mesmo assim, os preços ainda estão 85% mais altos em 2024.

    Cacau e chocolate no Brasil

    Para os brasileiros, isso significa que os preços do cacau e do chocolate devem cair nos próximos meses. A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) afirma que o Brasil já produz o suficiente para o consumo interno, com 290 mil toneladas colhidas em 2023, segundo o IBGE. O Pará é o maior produtor, seguido pela Bahia, com produção também em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Tocantins e São Paulo.

    Os derivados do cacau incluem licor e manteiga para fazer chocolate e pó de cacau para outros produtos, como achocolatados. No ano passado, o Brasil exportou 47 mil toneladas de derivados e 700 toneladas de amêndoas. Contudo, a produtividade do cacau ainda é um desafio devido à praga da vassoura-de-bruxa.

    Portanto, com um cenário internacional mais favorável, espera-se que os preços do chocolate se tornem mais acessíveis para os brasileiros nos próximos meses.

    https://agroemcampo-homol.ig.com.br/2024/producao-de-cacau-sustentavel-no-brasil/