Tag: Amapá

  • Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    A Embrapa intensifica ações de pesquisa e transferência de tecnologia em parceria com povos indígenas para conter a vassoura-de-bruxa da mandioca no município de Oiapoque, no Amapá. A iniciativa combina ciência e conhecimento tradicional para enfrentar a praga, identificada inicialmente por agricultores indígenas na região.

    A doença, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, surgiu em roças indígenas na fronteira com a Guiana Francesa e permanece restrita aos estados do Amapá e do Pará. O Ministério da Agricultura e Pecuária classifica o problema como praga quarentenária presente no Brasil.

    Pesquisadores da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura realizam visitas técnicas frequentes às aldeias, onde conduzem experimentos em lavouras de mandioca. O trabalho busca identificar cultivares resistentes ou tolerantes à vassoura-de-bruxa, considerando as condições locais de cultivo e os modos de vida das comunidades.

    Nas aldeias Tukay, Kariá e Galibi, os experimentos já avaliam 210 genótipos de mandioca, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do país. Segundo o pesquisador Saulo Oliveira, os testes analisam sintomas como a formação de rosetas, além da incidência e severidade da doença, com foco no desenvolvimento de materiais mais resistentes por meio do melhoramento genético.

    A participação indígena tem papel central no processo. Agricultores colaboram diretamente com os experimentos e indicam variedades que apresentam melhor desempenho em campo. A equipe técnica valida essas informações para confirmar produtividade e resistência à praga.

    Tecnologia e capacitação fortalecem controle da doença

    As ações contam com recursos do TED Indígena, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O programa apoia pesquisas e estratégias para reduzir a disseminação do fungo, além de investir em infraestrutura.

    Uma das principais entregas foi a instalação de uma câmara térmica no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. A tecnologia elimina patógenos e permite a produção de mudas saudáveis, contribuindo para a recuperação das áreas afetadas e para a segurança alimentar.

    Câmara térmica para sanitização de manivas-sementes a serem cultivadas em experimentos nas aldeias indígenas do Oiapoque. Foto: Girlane Duarte/Embrapa

    De acordo com o agente ambiental indígena Gilmar Nunes André, do povo Galibi Marworno, as mudas tratadas serão multiplicadas rapidamente e distribuídas entre as aldeias. O ciclo de produção permite novos plantios cerca de 120 dias após o início do tratamento.

    O TED Indígena também promove capacitações para diversificar a produção agrícola e ampliar a geração de renda. Na Aldeia do Manga, por exemplo, produtores participaram de um Dia de Campo sobre cultivo de banana, com orientações sobre manejo, controle de pragas e práticas pós-colheita.

    A execução do programa envolve uma rede de instituições, incluindo Embrapa, MDA, Funai, Rurap, SDR, Diagro, além de organizações indígenas e a Prefeitura de Oiapoque, fortalecendo a articulação entre pesquisa, políticas públicas e comunidades locais.

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.

  • Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    A produção de mel no Amapá vive um novo ciclo. Entre florestas preservadas e comunidades rurais dedicadas, apicultores do Estado têm aumentado produtividade e qualidade, graças à adoção de práticas mais eficientes e à organização cooperativa. A mudança, que começou nos municípios de Porto Grande e Itaubal, tem transformado o modo de trabalho e fortalecido a economia local.

    Nos últimos meses, produtores ligados à Coopermel Amapá passaram a utilizar kits de produção com equipamentos modernos para manejo das colmeias, extração e armazenamento. O que antes dependia de processos manuais e demorados agora flui com mais eficiência e segurança, permitindo maior aproveitamento da safra e melhor conservação do produto.

    Segundo Júlio Avelar, presidente da cooperativa, a inovação representa um divisor de águas para quem vive da apicultura. “Antes, tudo era mais lento e difícil. Agora produzimos mais, armazenamos melhor e mantemos o ritmo da colheita. O produtor se sente valorizado e acredita mais no próprio trabalho”, relata.

    Mel de qualidade e processo sustentável

    O avanço tecnológico não apenas impulsionou a produção, mas também elevou o padrão de qualidade do mel amapaense, que hoje começa a se destacar no mercado regional. Para Edicleuma Santana, apicultora e integrante da agroindústria local, os ganhos vão além do volume produzido. “Os equipamentos trouxeram mais segurança no processamento e garantem um produto de excelência. Isso é essencial para conquistar o consumidor e abrir novos mercados”, destaca.

    Foto: Divulgação Júlio Avelar

    Ela reforça que a base desse sucesso está na assistência técnica e nas boas práticas de manejo, garantindo que o mel mantenha características naturais e seguras desde o campo até o envase.

    Cooperação e sustentabilidade

    A organização dos produtores através da Coopermel tem sido fundamental para enfrentar desafios logísticos e naturais da Amazônia. A cooperativa já reúne dezenas de apicultores em expansão por diferentes municípios, fortalecendo a cadeia produtiva e criando oportunidades de renda.

    Além do impacto econômico, a atividade tem papel direto na preservação ambiental. Como depende das abelhas e da conservação da flora nativa, a apicultura incentiva o cuidado com a floresta e contribui para o equilíbrio do ecossistema amazônico.

    Com resultados cada vez mais visíveis, o mel do Amapá se consolida como símbolo de resistência, qualidade e sustentabilidade. Mostrando que inovação e cooperação podem transformar comunidades rurais e abrir novas perspectivas para o campo amazônico.

  • Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    O período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) terá início em 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval. E se estenderá até 22 de fevereiro, informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará.

    A medida protege a reprodução da espécie e garante a manutenção dos estoques naturais nos manguezais das regiões Norte e Nordeste. O defeso vale para Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

    O Ibama também definiu as próximas etapas do defeso. De 3 a 8 e de 18 a 23 de março, e também dos períodos de 1º a 6 e de 17 a 22 de abril.

    Durante o defeso, os caranguejos saem das tocas para acasalar e liberar ovos, fase essencial para a continuidade da espécie. Por isso, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

    Regras

    A proibição vale para animais vivos, congelados ou processados, inteiros ou em partes. Quem desrespeitar as normas está sujeito às sanções previstas na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008, que incluem multas e demais penalidades civis e administrativas.

    A comercialização da espécie durante o defeso só é permitida a quem apresentar a Declaração de Estoque registrada no Ibama até o último dia útil antes do início do período. Neste ciclo, o prazo é 13 de fevereiro de 2026. O documento deve detalhar os estoques de caranguejos vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, conforme o formulário anexo à portaria do instituto.

    Segundo o Ibama, o respeito ao defeso é essencial para a sustentabilidade da atividade extrativista e para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais ao equilíbrio ambiental e à subsistência de comunidades tradicionais.

  • Pesquisadores do Amapá transformam milho e laranja em bioplástico

    Pesquisadores do Amapá transformam milho e laranja em bioplástico

    Um projeto pioneiro da Universidade do Estado do Amapá (UEap) está gerando uma solução sustentável para um dos maiores vilões ambientais da atualidade: a poluição por plásticos. Cientistas e estudantes de Engenharia Ambiental desenvolveram com sucesso bioplásticos a partir do amido de milho e do albedo (a parte branca) da laranja, com um resultado impressionante: o material se decompõe completamente entre 15 e 28 dias, em contraste com os 450 anos que um plástico convencional pode levar para desaparecer no meio ambiente.

    O professor Dr. William Xavier lidera o projeto. Foto: Secom AP

    Liderado pelo professor Dr. William Xavier, com a participação da aluna Rita Santana e do monitor André Fernandes, o projeto de iniciação científica partiu de estudos anteriores para criar e testar os bioplásticos em composteiras. O objetivo era buscar alternativas viáveis e de baixo impacto aos plásticos derivados do petróleo.

    Degradação rápida surpreende equipe

    Os resultados superaram as expectativas. Os micro-organismos presentes no solo e na matéria orgânica assimilaram rapidamente os filmes plásticos biodegradáveis quando expostos às condições de uma composteira.

    “Foi uma grata surpresa. Vimos que os micro-organismos são capazes de decompor esse polímero de forma rápida”, relatou o professor William Xavier.

    O bioplástico derivado do albedo da laranja foi o campeão em velocidade, desaparecendo completamente em apenas 15 dias. Já o feito com amido de milho levou 28 dias para se decompor totalmente. Os primeiros sinais de degradação foram observados em menos de 20 dias.

    Vantagens ambientais e econômicas

    Além da biodegradabilidade acelerada, o projeto se destaca por utilizar matérias-primas abundantes e renováveis. O amido de milho e o albedo da laranja, muitas vezes descartado pela indústria de sucos, ganham nova função, promovendo a economia circular e reduzindo a dependência de recursos fósseis. O processo de produção também é considerado mais sustentável que o do plástico comum.

    Rita Santana e André Fernandes, alunos e integrantes do projeto. Foto: Secom AP

    A iniciativa representa um avanço promissor na busca por materiais que não perpetuem a crise global da poluição plástica, alinhando pesquisa científica universitária à urgência de soluções ambientais práticas para o futuro.

  • Governo cria medidas para garantir renda e abastecimento diante da vassoura-de-bruxa da mandioca

    Governo cria medidas para garantir renda e abastecimento diante da vassoura-de-bruxa da mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR) iniciaram ações emergenciais para apoiar produtores rurais do Amapá atingidos pela vassoura-de-bruxa da mandioca.

    A doença, provocada pelo fungo Ceratobasidium theobromae, já afeta dez municípios e ameaça a produção agrícola e a segurança alimentar de comunidades indígenas e não indígenas.

    O ministro Carlos Fávaro destacou a prioridade do combate à praga no estado. Segundo ele, o Mapa atua de forma integrada para controlar a doença, apoiar os produtores e garantir o abastecimento local. “O Brasil é referência mundial em defesa agropecuária, e essa emergência sanitária recebe total atenção. Já liberamos R$ 2,2 milhões para custear o combate no Amapá e estamos preparados para disponibilizar mais recursos, se necessário”, disse Fávaro.

    Entre as ações adotadas, o Mapa autorizou a comercialização segura da mandioca braba e da macaxeira, medida que mantém a renda dos produtores e a oferta de alimentos. A macaxeira, consumida cozida, agora pode ser processada, cortada e embalada nas regiões produtoras, facilitando a venda direta em feiras e supermercados.

    A mandioca braba, usada na produção de farinha, teve a comercialização flexibilizada para processamento em casas móveis nas comunidades rurais, garantindo transporte e venda seguros.

    Investimento em pesquisa

    O ministro ressaltou também o investimento em pesquisa e inovação por meio da Embrapa, que trabalha no desenvolvimento de variedades resistentes à doença. “O governo do presidente Lula reforçou o orçamento da Embrapa, e já priorizamos o tema na pesquisa. Enquanto isso, distribuímos mudas saudáveis para manter a produção e o abastecimento no Amapá”, afirmou.

    Foto: divulgação MAPA MDR

    Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, enfatizou a importância da cooperação entre o governo federal, estadual e municípios para amenizar os impactos sociais e econômicos da doença. “Estamos enfrentando a vassoura-de-bruxa há meses. A mandioca é essencial para a alimentação de índios e não índios. A doença está oficialmente reconhecida em oito municípios. Com recursos e liderança do ministro Fávaro, seguimos investindo no combate, controle e pesquisa para retomar a produção no estado”, concluiu Góes.

  • Pesquisa promete revolucionar cultivo de melancia no Amapá

    Pesquisa promete revolucionar cultivo de melancia no Amapá

    A produção de melancia no município de Amapá está prestes a ganhar um importante aliado científico. Um projeto de pesquisa conduzido pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP) promete transformar a realidade dos agricultores familiares da região, oferecendo pela primeira vez recomendações específicas de adubação adaptadas às condições locais de solo e clima.

    O estudo, desenvolvido por estudantes e professores do curso de Engenharia Agronômica, está sendo realizado em uma fazenda na Região dos Lagos e foca na aplicação estratégica de fósforo e potássio, dois nutrientes fundamentais para o desenvolvimento da melancia.

    “Hoje, os produtores da região não contam com recomendações específicas de adubação para a cultura da melancia. Por isso, utilizam como referência dados de outros estados, como o Pará. No entanto, essas informações podem não refletir as condições locais”, explica Mila Façanha, técnica da UEAP e orientadora do projeto.

    Metodologia inovadora avalia múltiplos indicadores

    A pesquisa utiliza uma abordagem experimental rigorosa, com diferentes combinações de fósforo e potássio aplicadas em blocos experimentais. Os pesquisadores avaliarão três indicadores principais:

    • Número de frutos por hectare
    • Peso médio dos frutos
    • Produtividade total da cultura

    Além dos aspectos produtivos, o projeto também analisará a viabilidade econômica, identificando qual dosagem oferece maior retorno financeiro aos produtores, considerando tanto os custos com fertilizantes quanto o valor de comercialização da melancia.

    Sustentabilidade e desenvolvimento regional

    A iniciativa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2 da ONU, que promove a segurança alimentar e agricultura sustentável. Segundo Telma Nogueira, estudante participante e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), os benefícios vão além da produtividade.

    Telma Nogueira, estudante participante e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica. Foto: Agência Amapá de Notícias

    “Ao auxiliar os agricultores a realizarem uma adubação mais adequada, evita-se o desperdício de recursos, tanto financeiros quanto de nutrientes. O objetivo é recomendar a dose ideal de adubação com potássio e fósforo, visando máxima produtividade e qualidade do sabor da melancia”, destaca a pesquisadora.

    Resultados promissores em análise

    Com a colheita já finalizada, o projeto encontra-se na fase crucial de análise dos dados coletados. A conclusão dos resultados está prevista para o final de outubro, quando os pesquisadores poderão apresentar recomendações concretas aos produtores locais.

    O grupo de pesquisa, que conta também com a orientação do professor Bruno Feitosa, já planeja expandir os estudos. Para 2026, novos experimentos estão programados, desta vez focando na avaliação de outros nutrientes essenciais, com o objetivo de oferecer um pacote completo de recomendações técnicas.

    Impacto esperado na economia local

    A melancia representa uma cultura de grande importância para a agricultura familiar amapaense, e os resultados desta pesquisa podem significar um salto qualitativo na produção regional. Com recomendações científicas específicas para as condições locais, os produtores terão acesso a técnicas que podem otimizar tanto a produtividade quanto a qualidade dos frutos, fortalecendo a economia agrícola do estado.

    Foto: Agência Amapá de Notícias

    A iniciativa demonstra como a pesquisa acadêmica pode gerar impacto direto na vida dos produtores rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da agricultura regional e para a segurança alimentar da população amapaense.

  • Amapá: Agro Summit impulsiona agronegócio

    Amapá: Agro Summit impulsiona agronegócio

    Realizado pela primeira vez durante a Expofeira do Amapá, o Agro Summit já se destaca como um divisor de águas para o agronegócio local. O evento ultrapassou a marca de R$ 4 milhões em vendas de maquinário. E negociou quase 80% do rebanho antes da metade da feira, segundo Renan Massoni, presidente da Associação dos Produtores Rurais do Amapá.

    O Agro Summit não funciona apenas como espaço de negócios, mas revela o momento em que o Amapá sai do potencial para se firmar como uma realidade no mapa do setor primário nacional. O estado avançou em regularização fundiária, entregou títulos a pequenos, médios e grandes produtores, concluiu o zoneamento ecológico-econômico e atualizou a legislação ambiental para incentivar investimentos seguros e sustentáveis.

    A Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico organizou o destaque do evento ao atrair startups, investidores, multinacionais, equipamentos modernos e especialistas em tecnologia agrícola.

    O diretor-presidente Wandenberg Pitaluga destaca que o Agro Summit cria condições para negócios fluírem ao ligar governo, produtores e investidores. Ele reforça que o Amapá possui potencial produtivo, mas precisava do ambiente certo para concretizar esse crescimento.

    Genética de alta performance e máquinas modernas chegam ao Amapá

    O Agro Summit trouxe histórias de sucesso como a do mineiro Danilo Trajano, da Fazenda Guarani, que trouxe 100 animais Nelore de alta performance ao estado. Sua seleção genética de 30 anos oferece animais precoces com rápido ganho de peso, elevando a produtividade e rentabilidade da pecuária local. Os touros e as fêmeas já possuem pré-vendas firmadas e começam a integrar propriedades amapaenses.

    Outro destaque é o empresário Orlando Pereira Vasconcelos, que representa marca nacional de maquinário agrícola. Ele trouxe tratores, pulverizadores e colheitadeiras que podem movimentar R$ 5 milhões em vendas até o fim do evento. Orlando investiu também na compra de 500 hectares de terra e iniciou o plantio de café em 100 hectares, com previsão de colher 7,5 mil sacas em 2027. Ele lidera a criação da Cooperativa de Café do Amapá, formada por 26 produtores que apostam na produtividade superior com mudas de Rondônia, referência em cafés robusta premium.

    O Agro Summit e as ações integradas da Agência Amapá estabelecem as bases para que o estado conquiste posição competitiva e sustentável no agronegócio. O evento reforça a transição do Amapá de um potencial promissor para uma realidade de crescimento consolidado no setor primário nacional.

  • 54ª Expofeira do Amapá promete movimentar R$ 600 milhões 

    54ª Expofeira do Amapá promete movimentar R$ 600 milhões 

    A 54ª Expofeira do Amapá está prestes a fazer história. De 30 de agosto a 7 de setembro de 2025, o Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, receberá o que promete ser a maior feira de negócios verdes e sustentáveis da região amazônica.

    Com entrada gratuita durante os nove dias de programação, o evento tem projeções impressionantes: movimentação de até R$ 600 milhões em negócios, mais de 2,9 milhões de visitantes e geração de aproximadamente 14 mil empregos temporários.

    Marco histórico para a economia amapaense

    A feira acontece em um momento simbólico para o estado, que acabou de alcançar a marca de 100 mil empregos formais no setor privado. Para o governador Clécio Luís, os números refletem uma transformação econômica em curso.

    “A 54ª Expofeira do Amapá não apenas movimenta a economia e o turismo, mas também projeta o estado no cenário global, em sintonia com a preparação para a COP30, que será realizada na Amazônia brasileira em 2025”, explica o governador.

    ExpoAmazônia: vitrine da bioeconomia regional

    Uma das principais novidades desta edição é a 1ª ExpoAmazônia, espaço dedicado a iniciativas em:

    • Bioeconomia e sociobioeconomia
    • Energias renováveis
    • Turismo sustentável
    • Tecnologias limpas

    O novo segmento visa facilitar o acesso a financiamentos verdes e ampliar oportunidades para empreendedores locais, especialmente pequenos produtores com o Selo Amapá e participantes do programa “Minha Primeira Empresa”.

    Inovação em foco: desafio startup Amapá 2025

    Em parceria com a Fapeap e a Setec, foi lançado o Desafio Startup Amapá 2025, que premiará empresas inovadoras nas áreas de bioeconomia e tecnologia. A iniciativa busca incentivar soluções regionais criativas alinhadas aos desafios amazônicos.

    Foto: Divulgação Expo Amapá

    O Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) terá participação especial na feira, com programação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar e do extrativismo sustentável.

    Primeiro status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação

    A edição 2025 marca um feito inédito: será a primeira Expofeira realizada sob a classificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), coloca o Amapá entre os estados brasileiros com o mais alto padrão sanitário na pecuária.

    A certificação foi anunciada oficialmente em 29 de maio de 2024, durante a 92ª Sessão Geral da OMSA, em Paris, e entregue ao Amapá em 29 de julho. Este avanço histórico para o agronegócio local amplia as possibilidades de exportação e aumenta a competitividade da carne e dos animais vivos produzidos no estado.

    Segundo Álvaro Cavalcante, diretor-presidente da Diagro, a conquista “representa um avanço para a defesa agropecuária do Estado e abre as portas para o comércio de animais vivos e produtos do Amapá, elevando o padrão sanitário e a competitividade do nosso rebanho”.

    Trajetória de conquista sanitária

    O caminho até este reconhecimento começou em 2009, com a introdução da agulha oficial. Em 2017, o Amapá foi reconhecido como livre da febre aftosa com vacinação, obtendo certificação internacional em 2018.

    Os índices de imunização sempre superaram os 90% exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atingindo 97,32% de cobertura vacinal em 2023. Com esse histórico exemplar, o Amapá foi habilitado a suspender a vacinação em 2024.

    Além de movimentar o agronegócio, a feira funciona como importante estratégia para fortalecer o setor econômico com o surgimento de novos negócios. O Governo do Estado levará ao evento diferentes serviços de apoio ao empreendedorismo.

    A Agência de Desenvolvimento Econômico (Agência Amapá) coordena a política pública em parceria com a Agência de Fomento do Amapá (Afap) e o Sebrae-AP, oferecendo orientações sobre programas como o “Minha Primeira Empresa”.

    Diversidade de setores

    A programação da feira abrange múltiplos segmentos:

    • Exposição e plantio de hortaliças da agricultura familiar
    • Pesca artesanal e esportiva
    • Fruticultura irrigada
    • Comercialização de animais
    • Cultura e inovação tecnológica

    A Expofeira 2025 também se alinha com a preparação do Brasil para sediar a COP30 na Amazônia, posicionando o Amapá como referência em desenvolvimento sustentável e práticas ambientalmente responsáveis.

    O evento consolida o estado como protagonista na nova fronteira do desenvolvimento agroeconômico brasileiro, combinando crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.

    Serviço:

    • Evento: 54ª Expofeira do Amapá
    • Data: 30 de agosto a 7 de setembro de 2025
    • Local: Parque de Exposições da Fazendinha, Macapá (AP)
    • Entrada: Gratuita
    • Mais informações: Site oficial do evento
  • Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Produtores de mandioca do Norte e Centro-Oeste do Brasil enfrentam perdas severas devido ao avanço de pragas como a vassoura-de-bruxa e a mosca-das-galhas. Em estados como Amapá, Pará e Tocantins, áreas inteiras de plantio já registram e est]ap colocando em risco a produção e a renda de milhares de famílias. “Em campo, já estamos vendo perdas de 100% em áreas recém-plantadas. A mosca-das-galhas afeta diretamente o desenvolvimento da planta, bloqueando a fotossíntese e levando à morte de plantas jovens”, alerta o agrônomo Vinícius Vigela, coordenador técnico de mercado da Nitro

    No início do ano, a doença vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, devastou plantações no Amapá e no Pará. Agora, o Tocantins lida com a infestação da mosca-das-galhas (Jatrophobia brasiliensis), praga que antes era considerada secundária, mas que já compromete lavouras recém-plantadas e preocupa técnicos e agricultores.

    As larvas da mosca-das-galhas se alimentam dos tecidos internos das folhas da mandioca, levando à formação de galhas ou verrugas. Esse processo prejudica a fotossíntese, paralisa o crescimento e pode causar a morte precoce das plantas, especialmente as mais jovens. Já a vassoura-de-bruxa provoca brotações finas e deformadas, folhas amareladas e raízes sem valor comercial. “É uma doença que pode dizimar uma lavoura em menos de 40 dias se não for contida, e se espalha com facilidade por mudas contaminadas ou até mesmo por ferramentas de manejo“, explica Vigela.

    Fatores que favorecem o avanço das pragas

    Especialistas apontam que o clima quente e úmido típico do Norte e Centro-Oeste, especialmente durante o período chuvoso, favorece o ciclo reprodutivo dessas pragas. O manejo inadequado, o plantio contínuo na mesma área, o uso de mudas contaminadas e a redução dos inimigos naturais devido ao uso excessivo de inseticidas agravam ainda mais a situação.

    A falta de monitoramento constante também contribui para a rápida disseminação das pragas. Técnicos recomendam inspeções semanais nas lavouras para identificar focos precocemente e evitar prejuízos totais.

    Manejo Integrado de Pragas é fundamental

    O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como principal estratégia para conter o avanço dessas ameaças. A prática envolve o uso de mudas sadias, rotação de culturas com milho e feijão, escolha de variedades resistentes e destruição dos restos culturais após a colheita. Especialistas também recomendam manter distância entre áreas novas e antigas de plantio, prática conhecida como vazio sanitário.

    Como ainda não existem defensivos químicos comprovadamente eficazes contra a vassoura-de-bruxa, a prevenção se torna indispensável. O uso criterioso de defensivos seletivos e agentes biológicos, como fungos do gênero Trichoderma e bacillus biofungicidas, pode colaborar para um controle mais sustentável.

    Apoio técnico e monitoramento constante

    A assistência técnica especializada é essencial para diagnosticar corretamente as pragas e orientar o manejo adequado. O acompanhamento contínuo das lavouras garante decisões mais seguras, evita o uso excessivo de insumos e protege a renda do produtor.

    A situação no Tocantins serve de alerta para agricultores de todo o país. Produtores precisam intensificar o monitoramento, buscar assistência técnica e adotar práticas preventivas com urgência para preservar a cultura da mandioca, essencial à segurança alimentar e à economia regional.

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