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  • Mirim Doce: conheça a Capital Nacional do Melhor Arroz

    Mirim Doce: conheça a Capital Nacional do Melhor Arroz

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (8) a Lei 15.323/26, que confere ao município de Mirim Doce, localizado no Alto Vale do Itajaí (SC), o título de Capital Nacional do Melhor Arroz. A publicação da norma no Diário Oficial da União marca um reconhecimento histórico para a pequena cidade catarinense, que tem na rizicultura sua principal atividade econômica.

    A nova legislação resulta do Projeto de Lei 3.037/2023, de autoria do deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC). E foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. No Senado, a proposta recebeu parecer favorável do senador Jorge Seif (PL-SC) e foi aprovada pela Comissão de Agricultura (CRA) em dezembro de 2024.

    Tradição e excelência na produção

    Com aproximadamente 2,8 mil habitantes, Mirim Doce possui uma tradição de mais de 70 anos no cultivo de arroz. Durante audiência pública realizada em novembro de 2025, o prefeito Bernardo Peron e o presidente da Câmara de Vereadores, Elesio Borghesan, ressaltaram a tradição de mais de 70 anos no cultivo do cereal e a excelência da produção local Tribuna do Sertão, que é majoritariamente baseada na agricultura familiar.

    Segundo o deputado Jorge Goetten, autor do projeto, o município reúne condições ideais para a produção de arroz de alta qualidade. “As condições climáticas encontradas e o sistema produtivo adotado pelos agricultores, com gestão sustentável da água utilizada na irrigação e uso intensivo de tecnologia, reduzem o custo médio de produção. Além disso, elevam a produtividade e garantem qualidade incontestável ao produto obtido”, afirmou o parlamentar.

    Santa Catarina: potência na produção de arroz

    O reconhecimento de Mirim Doce reflete a importância de Santa Catarina no cenário nacional da rizicultura. Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do Brasil e líder em produtividade, com uma área estável de cultivo em torno de 145 mil hectares.

    De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Cepa), a produção desta safra deve ser 9,52% maior que a anterior, impulsionada por um aumento de 9,85% na produtividade média, estimada em 8,73 toneladas por hectare. Se confirmada, será uma safra recorde em produtividade para o estado.

    O arroz representa o quarto produto em Valor da Produção Agropecuária (VPA) em Santa Catarina, somando R$ 2,1 bilhões. Isso corresponde a 9,4% do total nacional. O cultivo envolve mais de 30 mil famílias catarinenses e emprega mais de 50 mil pessoas em toda a cadeia produtiva.

    Tecnologia e sustentabilidade

    O diferencial da produção catarinense está no modelo de cultivo em áreas alagadas, considerado uma marca registrada da rizicultura no estado e um exemplo nacional de eficiência no campo. Em mais de 40 anos de pesquisa da Epagri com arroz, a produtividade média do cereal no estado saltou de 2,2 para mais de 8 toneladas por hectare.

    Santa Catarina conta com 16 sementeiras oficiais que possuem tecnologia de ponta para a seleção dos melhores grãos. O mercado reconhece as sementes catarinenses como as melhores do Brasil, e produtores as exportam até para países como Bolívia e Argentina.

    Impacto além do simbolismo

    Para as autoridades locais de Mirim Doce, a obtenção do título vai além do simbolismo. E servirá como um instrumento político vital para garantir visibilidade, investimentos e acesso a programas federais para a cidade e seus produtores.

    O município, que iniciou o plantio de arroz ainda no século passado e se emancipou politicamente em 1991. E  agora ganha projeção nacional com o novo título. A expectativa é que o reconhecimento oficial atraia investimentos, fortaleça o turismo rural e amplie as oportunidades para os agricultores familiares da região.

    Com a nova lei, Mirim Doce se junta a outros municípios brasileiros que detêm títulos de capitais nacionais em diferentes segmentos do agronegócio. Consolidando sua posição como referência na produção de arroz de qualidade superior no país.

  • Turismo rural incrementa a renda dos produtores

    Turismo rural incrementa a renda dos produtores

    O turismo rural no Alto Vale do Itajaí está revolucionando a vida de agricultores familiares. Com apoio da Epagri, produtores transformam suas propriedades em destinos turísticos, gerando renda extra e valorizando a cultura local. A região já conta com 59 empreendimentos na rota Caminhos do Campo, programa que atrai visitantes em busca de experiências autênticas no campo.

    O 3° Encontro de Turismo da Agricultura Familiar (Etraf), realizado em maio em Agrolândia, reuniu 110 agricultoras. O evento superou as expectativas, mostrando o crescente interesse pelo turismo rural.

    “O limite era 100 vagas, mas o sucesso da rota Caminhos do Campo motivou mais produtoras a participar”, afirma Katiucia Visenteiner, extensionista da Epagri. Ela destaca que as mulheres são as principais incentivadoras da mudança nas propriedades.

    Histórias de sucesso: do cultivo à hospedagem

    Um dos destaques é Fernanda Vanzuita, de Ibirama. Antes funcionária urbana, ela e o marido, Aristeu, decidiram investir no Chalé Rústico Encanto, uma hospedagem temática para casais.

    “Trabalhar com a natureza é desafiador, mas compensador. Hoje, até em dias úteis temos hóspedes”, comemora Fernanda, que deixou um emprego de 25 anos para se dedicar ao negócio.

    O chalé oferece:

    • Pacotes personalizados (noivado, lua de mel)
    • Passeios de bicicleta vintage
    • Noites com fogueira e vinhos
    • Banheiras com sais aromáticos

    A estratégia deu certo: o empreendimento entrou para a rota Caminhos do Campo em 2024 e já planeja expansão.

    Lei Geral do Turismo impulsiona o setor

    Uma mudança recente na Lei Geral do Turismo reconhece produtores rurais como prestadores de serviços turísticos. A medida facilita a formalização e acesso a crédito, impulsionando negócios como os da rota Caminhos do Campo.

    “Essa atualização é um avanço. Agora, o agricultor pode diversificar renda sem perder benefícios da agricultura familiar”, explica Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES.

    Apesar do crescimento, o turismo rural ainda enfrenta obstáculos:

    • Burocracia na legalização (pode levar de 3 meses a 1 ano)
    • Falta de infraestrutura em algumas propriedades
    • Necessidade de capacitação em gestão e marketing
    • Para superar essas barreiras, a Epagri e a Amavi oferecem cursos em:
    • Gastronomia rural
    • Gestão de hospedagem
    • Normas sanitárias

    Futuro promissor: selo sustentável e expansão

    A Amavi lançou o Selo Caminhos Sustentáveis, que classifica propriedades em ouro, prata ou bronze conforme práticas ambientais e sociais. A meta é expandir a rota para mais municípios em 2025.

    “Queremos qualificar ainda mais o turismo rural, gerando renda e preservando a cultura local”, diz Fabiana Dickmann, assessora da Amavi.

    O turismo rural no Alto Vale do Itajaí prova que é possível unir tradição e inovação. Com políticas públicas, capacitação e histórias inspiradoras como a de Fernanda, a região se consolida como um destino que valoriza o campo e seus protagonistas.

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