Tag: Alemanha

  • Nestlé corta 16 mil vagas e ainda assim aposta pesado no Brasil

    Nestlé corta 16 mil vagas e ainda assim aposta pesado no Brasil

    A Nestlé avança em uma ampla reestruturação global que elimina cerca de 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027. Isso é o equivalente a 5,8% do quadro mundial de 277 mil colaboradores da companhia. Ao mesmo tempo, a multinacional suíça mantém o Brasil como prioridade estratégica e reserva R$ 7 bilhões em investimentos no país entre 2025 e 2028.

    O CEO Philipp Navratil anunciou o plano em outubro de 2025, meses depois de assumir o comando da empresa. “O mundo está mudando, e a Nestlé precisa mudar mais rápido”, declarou o executivo, ao justificar a decisão como parte de um esforço para recuperar a confiança dos investidores e melhorar o desempenho financeiro do grupo.

    Cortes atingem principalmente áreas administrativas

    Do total de vagas eliminadas, 12 mil pertencem a funções administrativas e profissionais espalhadas por diferentes países. Enquanto outras 4 mil concentram-se em fabricação e cadeia de suprimentos. A empresa também elevou a meta de economia do programa de reestruturação para 3 bilhões de francos suíços (cerca de R$ 20,5 bilhões) até o fim de 2027. Um valor superior à projeção inicial de 2,5 bilhões de francos.

    Além das demissões, a Nestlé encerra a produção em duas unidades europeias. Na Alemanha, a fábrica de Neuss, próxima a Düsseldorf, parou de fabricar itens como óleo, maionese e mostarda da marca Thomy depois de mais de um século de operação, afetando 145 trabalhadores. Já na Hungria, a unidade de Diósgyőr,especializada em chocolates sazonais das marcas KitKat e Smarties, encerra as atividades em dezembro por causa da queda na demanda por produtos de datas comemorativas. A empresa negocia a venda do complexo húngaro para tentar preservar empregos locais e garante que o KitKat continuará disponível nas prateleiras.

    Reorganização segue turbulência na liderança

    A reestruturação chega em meio a um período conturbado para a multinacional. Em setembro de 2025, a Nestlé demitiu o então CEO Laurent Freixe após uma investigação apontar que ele não havia divulgado um relacionamento com uma subordinada, em violação ao código de conduta da empresa. Navratil, executivo de longa data da companhia e ex-diretor da Nespresso, assumiu o cargo logo em seguida. O então presidente do conselho, Paul Bulcke, também deixou a função antecipadamente.

    Apesar da crise de governança, os resultados operacionais surpreenderam positivamente: as vendas do terceiro trimestre de 2025 cresceram 4,3% em base orgânica, superando as expectativas do mercado, e as ações da empresa saltaram cerca de 8% após o anúncio da reestruturação, a maior alta diária desde 2008. No primeiro semestre de 2026, a companhia registrou 43,1 bilhões de francos suíços em vendas e lucro líquido de 3,47 bilhões de francos.

    Brasil recebe fábrica de R$ 2,5 bilhões enquanto Europa corta vagas

    Enquanto reduz a estrutura na Europa, a Nestlé consolida o Brasil como polo estratégico de crescimento. Em março de 2026, a companhia inaugurou em Vargeão, no Oeste de Santa Catarina, a maior fábrica já construída pela Nestlé Purina no país. Uma unidade de R$ 2,5 bilhões dedicada à produção de alimentos úmidos (sachês) para cães e gatos. A planta usa tecnologias de Indústria 4.0 e opera com energia 100% renovável. E já exporta para o Chile, com expansão prevista para Colômbia e México até o fim de 2026.

    A fábrica gera 140 empregos diretos, 44 indiretos e cerca de 200 terceirizados, além de ter mobilizado 7,2 mil trabalhadores durante a construção. Segundo o CEO da Nestlé Brasil, Marcelo Melchior, o investimento reforça a relevância do país “como um dos mercados mais promissores para o crescimento do negócio pet”.

    A companhia não detalhou até agora se o Brasil será atingido pelo plano global de cortes. O país é hoje o segundo maior mercado da Nestlé fora da matriz suíça, com mais de 30 mil funcionários e produtos presentes em 99% dos lares brasileiros.

    Além dos custos internos, a Nestlé enfrenta desafios como o aumento do preço do cacau e do café, elevação das tarifas de importação nos Estados Unidos e mudanças no comportamento de consumo, com consumidores cada vez mais atentos à saúde. Esses fatores reforçam a estratégia de concentrar recursos em categorias consideradas prioritárias, como petcare, café premium e nutrição. Ao mesmo tempo em que a empresa enxuga áreas de menor competitividade.

  • Lula usa palco da Alemanha para defender agronegócio e biocombustíveis

    Lula usa palco da Alemanha para defender agronegócio e biocombustíveis

    Na maior feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi ao centro da Europa para defender o agronegócio brasileiro. Um setor que, em grande parte, não o apoia politicamente. No domingo (19), durante a cerimônia de abertura da Hannover Messe, em Hannover, Alemanha, Lula atacou as barreiras comerciais que a União Europeia impõe aos biocombustíveis brasileiros e cobrou o fim do que chamou de “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura nacional.

    Foto: Ricardo Stuckert

    “É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura”, disse o presidente à plateia de industriais e executivos reunidos no evento. “Criar barreiras adicionais a um acerto de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético.”

    Brasil como vitrine do agronegócio e da energia limpa

    Lula apresentou o Brasil como um fornecedor estratégico de energia limpa para a Europa. “O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar as coisas. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, afirmou.

    O presidente detalhou os percentuais de mistura já adotados internamente, 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, e garantiu que o Brasil produz biocombustíveis sem comprometer a produção de alimentos ou o desmatamento. Para reforçar o argumento ambiental, citou dados dos últimos três anos: redução de 50% no desmatamento da Amazônia e de 32% no Cerrado, com compromisso de chegar ao desmatamento zero até 2030.

    A referência histórica também entrou no discurso. Em 1980, na mesma feira e na mesma cidade, a Volkswagen e a Mercedes apresentaram motores movidos a etanol. E Lula estava preso pelo regime militar por liderar as greves do ABC, movimento que atingiu diretamente empresas alemãs. “Exatamente em 19 de abril”, lembrou, arrancando aplausos da plateia. O comentário sobre as montadoras rendeu nova rodada de palmas.

    Acordo UE-Mercosul no centro da agenda

    O acordo UE-Mercosul, com entrada em vigor parcial prevista para 1º de maio, foi outro tema central do discurso. Lula destacou que o pacto “cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e PIB de US$ 22 trilhões” e argumentou que mais comércio e investimentos geram empregos e reforçam a estabilidade das cadeias de suprimentos globais.

    Foto: Ricardo Stuckert

    Na Alemanha, além da Hannover Messe, a agenda prevê a assinatura de cerca de dez acordos em áreas como defesa, inteligência artificial, inovação, infraestrutura, pesquisa climática, energia, bioeconomia, economia circular, financiamento climático e cooperação tecnológica. A Alemanha é a maior economia da Europa e a terceira do mundo. Além de ser a quarta maior parceira comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 20,9 bilhões em 2025 e estoque de investimentos diretos estimado em US$ 38,5 bilhões em 2024.

    Viagem pela Europa com 14 ministros na comitiva

    A viagem começou em Barcelona, onde a agenda de Lula incluiu encontros reservados com empresários brasileiros e espanhóis nos setores de energia, agronegócio, telecomunicação, transporte, infraestrutura e finanças. O governo também assinou com a Espanha um memorando de cooperação sobre a exploração de minerais críticos e terras raras.

    Ao todo, 14 ministros integram a comitiva brasileira ao longo da viagem. Hoje, segunda-feira (20), Lula visita a feira ao lado do chanceler Friedrich Merz e, à tarde, segue para Wolfsburg, sede da Volkswagen, acompanhado de três líderes sindicais. A viagem se encerra na terça (21), com escala em Lisboa, onde Lula se reúne com o primeiro-ministro português.

    Lula desembarcou no Palácio de Herrenhausen no domingo e recebeu honras de chefe de Estado de Merz antes de participar da cerimônia de abertura da feira, que culminou com um jantar oficial com figuras do mundo empresarial.

    O Brasil aparece pela segunda vez como país homenageado da Hannover Messe. Que apresenta este ano o tema “The Industry of Today”, destacando seus pontos fortes em digitalização, energia renovável, recursos naturais e sustentabilidade.

  • Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    O Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, registrando queda de 30,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram embarcadas 4,016 milhões de sacas. Apesar da redução no volume, a receita cambial teve declínio menor, de 11,7%, totalizando US$ 1,175 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores contribuíram para a redução nos embarques. A queda de preços iniciada em janeiro e intensificada em fevereiro, aliada à valorização do real frente ao dólar, desaqueceu o mercado internacional de café.

    “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno”, explica Ferreira.

    A expectativa de boa recuperação na produção brasileira de café arábica na safra 2026/27 também influenciou o movimento de baixa nos preços internacionais.

    Café arábica lidera exportações mesmo com queda

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras, com 2,347 milhões de sacas embarcadas em janeiro, representando 84,4% do total. No entanto, o volume registra queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.

    O café solúvel ficou em segundo lugar, com 249.148 sacas exportadas (9% do total), apesar da redução de 32 pontos percentuais na comparação anual. Os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, com participação de 6,5% e queda de 45,6%.

    Principais mercados compradores de café brasileiro

    A Alemanha se manteve como principal destino das exportações brasileiras de café, importando 391.704 sacas (14,1% do total), apesar da queda de 16,1% em relação a janeiro de 2025.

    Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 385.841 sacas importadas (13,9%), mas registrando significativa redução de 46,7%. Completam o top 5: Itália (285.580 sacas), Bélgica (180.812 sacas) e Japão (169.357 sacas).

    Cafés especiais representam 21% das exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem grãos especiais e produtos certificados com práticas sustentáveis, responderam por 21,2% das exportações totais, com 588.259 sacas embarcadas. O volume representa queda de 41,9% em relação a janeiro de 2025.

    A receita com cafés especiais totalizou US$ 272,7 milhões, com preço médio de US$ 463,53 por saca, correspondendo a 23,2% da receita cambial total com café.

    Quando as exportações devem se recuperar?

    Márcio Ferreira projeta recuperação gradual dos embarques. Para o café conilon e robusta, a expectativa é de retomada a partir de maio, com a chegada da nova safra. Já para o café arábica, a recuperação está prevista para julho, com o início da safra 2026/27.

    “Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes”, afirma o presidente do Cecafé.

    Balanço da safra 2025/26

    No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, o Brasil exportou 23,406 milhões de sacas de café, gerando receita de US$ 9,235 bilhões. Comparado ao mesmo período da safra anterior, o volume apresenta queda de 22,5%, mas a receita cambial cresceu 8,1%, reflexo dos preços mais elevados praticados no período.

    O Porto de Santos continua como principal porta de saída, responsável por 81% dos embarques (2,252 milhões de sacas). Seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (15,7%) e Porto de Paranaguá (1,1%).

  • Brasil amplia presença na Agritechnica 2025 na Alemanha

    Brasil amplia presença na Agritechnica 2025 na Alemanha

    A Agritechnica 2025 reforçou sua liderança global e atraiu 476 mil visitantes de 171 países em Hannover, na Alemanha. A feira concentrou, durante sete dias, as principais inovações da indústria mundial de máquinas agrícolas.

    O Brasil ampliou sua participação e levou nove empresas com estandes individuais. Além disso, dois pavilhões nacionais reuniram companhias brasileiras: o do Sindipeças e o da ABIMAQ. Os dois espaços contaram com apoio da Apex-Brasil e reuniram cerca de 22 expositores.

    Segundo Brena Baumle, diretora da Bäumle Organização de Feiras, o país aumentou em 20% a área ocupada e o número de empresas em relação à edição de 2023. Ela afirma que o avanço reforça o interesse brasileiro no mercado global de tecnologia agrícola.

    A feira adotou o tema “Touch Smart Efficiency” e destacou tendências em automação, digitalização, inteligência artificial e robótica no campo. Os organizadores reuniram 2.849 expositores de 52 países e apresentaram soluções tecnológicas distribuídas por diversos pavilhões.

    O modelo de visitação “7 Days – 7 Topics” orientou os profissionais e facilitou o acesso aos conteúdos mais relevantes. Além disso, o Digital Farm Center promoveu mais de 300 eventos técnicos e ampliou o intercâmbio entre especialistas internacionais.

  • Empresas brasileiras ampliam participação na Agritechnica 2025

    Empresas brasileiras ampliam participação na Agritechnica 2025

    A Agritechnica 2025 recebe uma participação brasileira 20% maior que a edição anterior. A maior feira mundial de máquinas e tecnologias agrícolas acontece de 9 a 15 de novembro em Hannover, Alemanha, e reúne mais de 2.700 expositores de 50 países.

    O Brasil marca presença com 31 empresas no total. Nove companhias expõem individualmente, enquanto 22 participam dos pavilhões do Sindipeças e da Abimaq. A Apex-Brasil apoia ambos os pavilhões nacionais.

    “Tivemos um aumento de cerca de 20% em área e número de empresas em relação à última edição de 2023”, afirma Brena Baumle, diretora da Bäumle Organização de Feiras.

    Empresas brasileiras apostam em inovação

    A Metissa participa do evento há mais de 20 anos. A fabricante de peças agrícolas, presente no mercado há oito décadas, exporta para mais de 50 países.

    “A Agritechnica nos permite encontrar clientes e identificar novas oportunidades de negócios. Conseguimos ampliar nossa presença no competitivo mercado europeu”, explica Ademar Willrich, gerente de exportação da Metissa.

    A Tuzzi apresenta um sistema de acoplamento para tratores 30% mais leve. César Bonacini, diretor de vendas da empresa, destaca a importância estratégica do evento.

    “O evento oferece uma vitrine global para apresentar nossas soluções a um público qualificado”, afirma Bonacini.

    A Medal Bombas Hidráulicas estreia na feira com o modelo MD360H, mais leve e com maior pressão. A empresa busca ampliar sua presença global e fortalecer relações internacionais.

    Delegação brasileira cresce exponencialmente

    O Brasil confirmou uma delegação de mais de 400 visitantes profissionais para 2025. O número reforça o papel do país como potência agrícola e desenvolvedor de tecnologia.

    Foto: Divulgação/DLG

    Eduardo Marckmann, CEO da Save Farm, visitou a feira em 2019 e retorna como expositor. “Realizar esse sonho de ter um espaço na feira é muito emocionante”, comenta.

    A edição anterior, em 2023, recebeu 470 mil visitantes de 149 países. Aproximadamente dois terços eram alemães, com forte presença internacional da Europa e América do Sul.

    Programação temática inova formato

    A Agritechnica 2025 adota o tema “Touch Smart Efficiency” e estreia o conceito de dias temáticos. O slogan “7 dias – 7 temas” atende diferentes grupos de visitantes.

    Programação completa:

    • 9/11 – Innovation and Press Day: produtores e imprensa conhecem inovações técnicas
    • 10-11/11 – Agribusiness Days: revendedores e grandes propriedades (ingressos limitados)
    • 12/11 – International Farmers Day: foco em França, Canadá e República Tcheca
    • 13/11 – Digital Farm Day: robótica, automação e inteligência artificial
    • 14/11 – Young Professionals Day: networking para jovens e estudantes
    • 15/11 – Celebrate Farming: celebração das conquistas do setor

    Os ingressos custam entre 29 euros (diário padrão) e 149 euros (Agribusiness Days). Uma novidade permite uso gratuito do transporte público de Hannover no dia da visita.

    Os visitantes podem comprar ingressos na loja oficial online. O evento funciona como hub global da mecanização agrícola e plataforma estratégica para profissionais do setor.

    Mais informações: www.agritechnica.com

  • Exportações de café do Brasil caem 17,5% em agosto

    Exportações de café do Brasil caem 17,5% em agosto

    As exportações brasileiras de café registraram queda significativa em agosto de 2025, com o país enviando ao exterior 3,144 milhões de sacas de 60 kg, representando uma redução de 17,5% em comparação ao mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em seu relatório estatístico mensal.

    Apesar da diminuição no volume exportado, a receita cambial apresentou crescimento expressivo de 12,7%, atingindo US$ 1,101 bilhão. O resultado reflete o cenário atual do mercado internacional de café, marcado por alta volatilidade nos preços.

    Tarifas americanas alteram ranking de importadores

    O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, explica que a queda nas exportações já era esperada devido à menor disponibilidade do produto após os embarques recordes de 2024 e a uma safra que ficou abaixo do potencial máximo produtivo.

    “O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre os cafés brasileiros exportados para os Estados Unidos potencializou essa redução”, destaca Ferreira.

    Como consequência dessas medidas, os Estados Unidos perderam a posição de maior comprador mensal do café brasileiro, sendo superados pela Alemanha. Em agosto, os americanos importaram 301 mil sacas – uma queda de 46% em relação ao mesmo mês de 2024 e de 26% comparado a julho de 2025. Enquanto isso, a Alemanha importou 414 mil sacas no período.

    Impacto nas cotações internacionais

    As tarifas americanas também provocaram forte volatilidade no mercado internacional de café. Segundo Ferreira, entre 7 de agosto, quando a taxação entrou em vigor, e o final do mês, o café arábica subiu 29,7% na bolsa de Nova York, saltando de US$ 2,978 para US$ 3,861 por libra-peso.

    Foto: Agência Agro em Campo

    “Os fundamentos já são favoráveis para a alta há algumas safras, com oferta e demanda muito ajustadas, mas o tarifaço desordenou o mercado e deu abertura para movimentos especulativos”, analisa o presidente do Cecafé.

    Perspectivas para o mercado americano

    Ferreira projeta que, caso as tarifas persistam, as exportações brasileiras para os EUA continuarão inviáveis, criando um cenário inflacionário no país norte-americano. “Não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos”, alerta.

    Desempenho acumulado de 2025

    No acumulado entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil exportou 25,323 milhões de sacas, registrando queda de 20,9% em relação aos mesmos oito meses de 2024. Contudo, a receita cambial bateu recorde para o período, alcançando US$ 9,668 bilhões.

    Principais destinos mantêm posições no ano

    Apesar das mudanças mensais, no acumulado de 2025, os Estados Unidos permanecem como principal importador do café brasileiro, com 4,028 milhões de sacas (15,9% do total). O ranking dos cinco maiores compradores inclui:

    • Estados Unidos: 4,028 milhões de sacas (-20,8%)
    • Alemanha: 3,071 milhões de sacas (-32,9%)
    • Itália: 1,981 milhão de sacas (-23,6%)
    • Japão: 1,671 milhão de sacas (+15,6%)
    • Bélgica: 1,517 milhão de sacas (-48,3%)

    Arábica lidera exportações por tipo

    O café arábica continua sendo a espécie mais exportada, representando 79,8% do total com 20,209 milhões de sacas nos primeiros oito meses do ano. Na sequência aparecem:

    • Canéfora (conilon + robusta): 2,570 milhões de sacas (10,1%)
    • Café solúvel: 2,508 milhões de sacas (9,9%)
    • Café torrado e moído: 36.700 sacas (0,1%)

    Crescimento dos cafés diferenciados

    As exportações de cafés com certificados de sustentabilidade ou qualidade superior totalizaram 5,1 milhões de sacas (20,1% do total), gerando receita de US$ 2,178 bilhões – 54,2% superior ao mesmo período de 2024, com preço médio de US$ 427,05 por saca.

    Foto: Agência Agro em Campo

    O Porto de Santos permanece como principal porta de saída do café brasileiro, responsável por 80,2% dos embarques (20,310 milhões de sacas). O complexo portuário do Rio de Janeiro responde por 15,8% (4,010 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá com 1% (245.100 sacas).

    O relatório completo das exportações está disponível no site oficial do Cecafé.

  • Cervejaria alemã centenária inicia produção inédita no Brasil

    Cervejaria alemã centenária inicia produção inédita no Brasil

    Pela primeira vez em mais de quatro séculos, a Hofbräu München autoriza a fabricação de sua Weissbier fora da Alemanha, para abastecer um mercado internacional. O Brasil será o primeiro a receber essa chancela. Todos os processos seguirão de perto as diretrizes dos mestres cervejeiros de Munique, garantindo receitas autênticas, ingredientes originais e a qualidade reconhecida da marca.

    A Bier & Wein vai coordenar toda a operação no Brasil. “Este é um marco para a Bier & Wein e para o universo cervejeiro brasileiro. Com a produção local supervisionada pela HB, entregaremos ao consumidor uma cerveja legítima, que une a tradição alemã ao frescor do produto nacional. É uma nova revolução no segmento de Weissbier, e estamos preparados para liderar esse movimento”, destaca Marcelo Stein, sócio da Bier & Wein.

    A operação brasileira começará com dois estilos clássicos: a HB Weissbier, cerveja de trigo com alta fermentação, aromas frutados e notas de cravo, e a HB Helles, lager clara de baixa fermentação, corpo equilibrado e leve picância, uma das favoritas na Alemanha. Os dois rótulos serão produzidos conforme a Lei da Pureza Alemã (Reinheitsgebot), criada em 1516, usando apenas água, malte, lúpulo e levedura, sem adição de cereais não maltados ou aditivos químicos.

    Foto: Divulgação

    Com mais de 400 anos de história, a Hofbräu é símbolo global da tradição cervejeira. Sua sede em Munique abriga o lendário Hofbräuhaus, maior choperia do mundo, que recebe 1,2 milhão de visitantes ao ano e serve mais de 5.000 litros de chope por dia.

    A produção nacional vai garantir ao consumidor brasileiro cervejas com mais frescor, logística facilitada e preços mais acessíveis, já que elimina custos de importação e oscilações cambiais. O lançamento promete esquentar ainda mais o competitivo mercado cervejeiro no Brasil. A produção nacional começa em agosto de 2025.

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  • Agritechnica 2025: conheça a maior feira mundial de máquinas agrícolas

    Agritechnica 2025: conheça a maior feira mundial de máquinas agrícolas

    A Agritechnica 2025, principal feira mundial de máquinas e tecnologias agrícolas, está com todos os espaços de exposição esgotados. O evento acontece de 9 a 15 de novembro em Hanover, Alemanha. E reunirá mais de 2.700 expositores de 53 países, sendo 65% deles internacionais. Além disso, espera receber cerca de 430 mil visitantes de todo o mundo.

    A edição 2025 estreia o conceito “7 Dias, 7 Temas”, no qual cada dia será dedicado a um público ou tema específico. Como, por exemplo, inovação, agronegócio, digitalização, jovens profissionais e celebração da agricultura. O objetivo é proporcionar uma experiência mais direcionada para visitantes e expositores, ampliando as oportunidades de networking e negócios em todos os segmentos do setor agrícola.

    Sob o tema “Touch Smart Efficiency”, a feira vai apresentar soluções inovadoras que unem eficiência, sustentabilidade e produtividade, com destaque para sistemas digitais, automação, robótica, inteligência artificial e agricultura de precisão. Entre os expositores, estarão todos os principais fabricantes globais de máquinas agrícolas, além de fornecedores especializados, startups e representantes de setores como tratores, implementos, pulverizadores, colheitadeiras e sistemas autônomos.

    A Alemanha lidera em número de expositores, seguida por Itália, China, Turquia, Holanda, França e Índia. O evento também contará com o novo “Digital Farm Center” e uma plataforma internacional para revendedores, reforçando a vocação global da Agritechnica como hub de inovação e negócios para o agronegócio mundial.

    Brasil marca presença com delegação e pavilhões nacionais

    O Brasil, referência mundial na produção de alimentos, estará representado por uma delegação de mais de 400 visitantes profissionais. O país terá ainda dois pavilhões nacionais, organizados com apoio da Apex-Brasil, Sindipeças e ABIMAQ, reunindo cerca de 30 empresas exportadoras brasileiras do setor de máquinas e componentes agrícolas.

    A tecnologia e a inovação apresentadas na feira também são premiadas. Foto: Divulgação/DLG

    A Agritechnica 2025 premiará as principais inovações com três reconhecimentos internacionais: o Prêmio de Inovação Agritechnica (medalhas de ouro e prata), o Troféu Systems & Components – Engineers’ Choice e o DLG Agrifuture Concept Winner. Os interessados podem se inscrever nos prêmios até 18 de julho pelo site oficial. A organização anunciará os vencedores em setembro e fará as homenagens durante o evento.

    Esses prêmios destacam tecnologias e conceitos que transformam processos agrícolas, conciliando produtividade e sustentabilidade. Em edições anteriores, soluções como colheitadeiras de rotor duplo, tratores híbridos e sistemas autônomos de campo estiveram entre os agraciados, evidenciando o papel da feira como vitrine global de tendências para o futuro da agricultura.

    Serviço – Agritechnica 2025
    • Data: 9 a 15 de novembro de 2025
    • Local: Messegelände, Hanover, Alemanha
    • Expositores: 2.700 de 53 países
    • Visitantes esperados: 430.000 de 149 países
    • Tema: “Touch Smart Efficiency”
    • Novidade: Formato “7 Dias, 7 Temas”
    • Informações: Site oficial da Agritechnica (versão em português disponível)

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  • 25 cavalos embarcam em voo rumo à Alemanha

    25 cavalos embarcam em voo rumo à Alemanha

    A equideocultura brasileira alcançou um novo patamar no mercado global com a exportação de 25 cavalos para a Europa. A operação, realizada no dia 16 de fevereiro no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, contou com uma estrutura especial para garantir a segurança e o bem-estar dos animais até a liberação aduaneira pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

    Os trâmites para o embarque começaram em outubro de 2023, evidenciando a complexidade e a organização necessárias para a operação. Para atender aos padrões sanitários internacionais, foi montada uma estrutura temporária denominada Animals Station, que incluiu baias individuais, ventiladores com climatizadores e suporte técnico de tratadores e veterinários.

    Entre os equinos embarcados, há aqueles que continuarão competindo sob a bandeira brasileira e outros destinados a criação ou comercialização na Europa. O destino final dos animais inclui países como Alemanha, Holanda e Portugal.

    Fiscalização rigorosa e conformidade sanitária

    Os auditores fiscais federais agropecuários da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Galeão foram responsáveis por fiscalizar os passaportes dos cavalos e emitir os certificados veterinários internacionais, seguindo as exigências sanitárias europeias. Antes do embarque, todos os animais passaram por um período de quarentena no Brasil, garantindo a conformidade com as normativas de biossegurança.

    Essa foi a segunda exportação de equinos vivos para a União Europeia em um intervalo de três meses. O mercado europeu para cavalos brasileiros foi oficialmente aberto em agosto de 2023, consolidando novas oportunidades para o setor.

    Impacto econômico e projeções futuras

    De acordo com o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo, a segurança sanitária e o bem-estar animal são essenciais para fortalecer a confiança internacional nos produtos brasileiros e impulsionar a economia.

    A operação contou com a expertise do médico veterinário e CEO da Carga Viva Export, Sandro Cancian, que coordenou toda a logística no Galeão, alinhando-se a padrões rigorosos de segurança e bem-estar animal. O processo também teve apoio da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e de autoridades como o MAPA e o adido do Brasil em Bruxelas.

    Para os próximos meses, a previsão é de que algumas companhias aéreas retomem voos regulares para o transporte de equinos no Galeão, facilitando novas exportações. O setor também trabalha na ampliação das possibilidades de embarque, incluindo a autorização para transporte de asininos e material genético, além da habilitação de outros estados brasileiros para exportação.

    Parcerias estratégicas e desenvolvimento do setor

    O presidente da Câmara Setorial de Equideocultura (CSE), Nuno Miguel Gomes da Costa Brito Eusébio, ressaltou que essa operação é um marco para o setor. E demostra a viabilidade de uma estrutura completa para exportação de cavalos e o cumprimento dos requisitos técnicos internacionais. “Ainda há desafios, mas esse é um avanço significativo para a equideocultura brasileira”, afirmou.

    Eusébio também destacou o papel fundamental do Ministério da Agricultura e de outras entidades no processo. A atuação de Ismael Gonçalves da Silva, presidente da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (ABPSL), foi essencial para consolidar a exportação. Além disso, o consultor técnico da Câmara Setorial, Carlos Nogueira, contribuiu diretamente na atualização de testes e na operacionalização dos processos junto aos laboratórios nacionais.

    A exportação de cavalos brasileiros para a Europa representa um avanço estratégico para o setor. E fortalece o Brasil como fornecedor de equinos de alta qualidade para competições e criação. Com um mercado em expansão e infraestrutura aprimorada, as perspectivas para novas negociações internacionais são promissoras, consolidando a equideocultura brasileira no cenário global.

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  • Empresas brasileiras participam da maior feira de orgânicos da Europa

    Empresas brasileiras participam da maior feira de orgânicos da Europa

    A ApexBrasil e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) levarão 24 empresas brasileiras para a Biofach, maior feira de produtos orgânicos da Europa. O evento acontecerá entre 11 e 14 de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha. A Embaixada do Brasil em Berlim e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) também apoiam a iniciativa. Será a oitava participação consecutiva da ApexBrasil no evento.

    O objetivo é fortalecer as exportações brasileiras de orgânicos para a Europa e consolidar a imagem do Brasil como líder no setor. Ou seja, o país, reconhecido pela biodiversidade e práticas agrícolas sustentáveis, amplia sua presença no mercado internacional. Em geral, as empresas selecionadas possuem certificação de orgânico validada pelos organizadores da feira. Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança foi um critério considerado na escolha dos participantes.

    Oportunidade estratégica para as empresas

    A feira representa uma oportunidade estratégica para ampliar negócios e fechar parcerias. Empresas brasileiras apresentarão produtos como mel, frutas, açaí, açúcar, erva-mate, castanha de caju e vinhos. A plataforma digital Buy Brazil, da ApexBrasil, facilitará conexões entre compradores internacionais e fornecedores brasileiros.

    Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a Biofach impulsiona a bioeconomia e as iniciativas sustentáveis. “O crescimento da demanda por orgânicos é uma realidade. O Brasil tem grande potencial de expansão no setor”, destacou. Das 24 empresas brasileiras, 18 foram selecionadas pela ApexBrasil e 6 pelo MDA. Os segmentos representados incluem chás, especiarias, castanhas, frutas, derivados de mel, sucos, açúcar, álcool, açaí, café e bebidas alcoólicas.

    Desde 2016, a ApexBrasil participa da Biofach em parceria com empresas brasileiras, ministérios e o Setor de Promoção Comercial e Investimentos (SECOM) do MRE. Em resumo, em 2024, a feira reuniu 2,5 mil expositores de 94 países. O Brasil levou 21 empresas, que fecharam quase US$ 17 milhões em negócios.