Tag: Alagoas

  • Gigante da Amazônia: pescador captura pirarucu de 77 kg

    Gigante da Amazônia: pescador captura pirarucu de 77 kg

    Um pirarucu de 77 quilos chamou a atenção de moradores e amantes da pesca nesta quarta-feira (5), após ser capturado em um açude localizado no município de Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió (AL). O tamanho do peixe impressionou quem acompanhava a pescaria e rapidamente transformou o momento em motivo de celebração.

    Logo após retirar o animal da água, o pescador comemorou o feito e brincou que o peixinho frito do fim de semana já estava garantido.

    A captura também ganhou destaque pelo porte do peixe. Embora seja uma espécie típica da Amazônia, o pirarucu pode ser criado em açudes, viveiros e sistemas de piscicultura em diversas regiões do Brasil.

    O pirarucu pode ultrapassar 2 metros de comprimento — Foto: Divulgação/IDSM

    Gigante da Amazônia

    O pirarucu (Arapaima gigas) é uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia e figura entre os maiores peixes de água doce do planeta. Adaptado aos rios, lagos e áreas alagadas da região, ele possui uma característica incomum: além das brânquias, consegue respirar oxigênio diretamente do ar, precisando subir regularmente à superfície.

    Além da importância ecológica, o pirarucu também tem grande relevância econômica. Sua carne é considerada nobre, possui poucas espinhas e apresenta alta aceitação no mercado brasileiro e internacional.

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  • Alagoas registra crescimento de 41% na produção de arroz em três anos

    Alagoas registra crescimento de 41% na produção de arroz em três anos

    A produtividade do arroz em casca no Baixo São Francisco saltou 41% em três anos, ultrapassando 24 mil toneladas em 2025, segundo dados do IBGE. O avanço está diretamente ligado ao Programa Alagoas Mais Arroz, um projeto da Seagri dentro do Planta Alagoas.

    Foto: Tatiane Bastos/Ascom Seagri

    O estado alcançou 19 mil toneladas na safra de 2024, com uma economia de 11% em apenas um ano. Nessa fase, a área colhida alcançou 2.691 hectares, com produtividade média de 8,47 toneladas por hectare.

    Municipíos como Igreja Nova, Porto Real do Colégio e Penedo lideram a produção, com os números mais altos em hectare. Em Igreja Nova, por exemplo, 12,5 mil toneladas foram colhidas, gera uma produtividade de 9,74 ton/ha.

    Ação estratégica

    Desde 2024, o Estadual tem investido em fiscais, maquinário e extensão rural para ampliar o alcance dos produtores. Em parceria com a Embrapa Arroz, a Seagri promove treinamentos para tecnificar a cultura, incluindo a escolha de sementes e técnicas de manejo rentáveis.

    “Na próxima etapa, vamos trazer a Embrapa para Goiás para trabalhar com arroz especial como o preto e o vermelho”, destacou o secretário Marcelo Melo. A iniciativa busca elevar o valor agregado do produto e incluir o arroz de sequeiro em Penedo.

    Resultados positivos para produtores

    Apesar de preços ruins no mercado nacional, os agricultores relatam que as capacitações permitiram aumentar a produtividade com menos insumos. Lindomar Bispo, de Igreja Nova, explicou: “Com as recomendações da Embrapa, aprendemos a plantar de forma mais estratégica. Isso ajudou a economizar recursos e aumentar a renda.”

    Lindomar Bispo, produtor. Foto: Tatiane Bastos/Ascom Seagri

    A região possui condições climáticas e de solo ideais para a cultura do arroz, segundo a Embrapa. Com 87 mil toneladas de consumo interno, o crescimento da produção não só fortalece a economia local, mas também melhora a segurança alimentar do estado.

  • Xuxa pede justiça após morte cruel de elefante-marinho em Alagoas

    Xuxa pede justiça após morte cruel de elefante-marinho em Alagoas

    A morte de um elefante-marinho no litoral de Alagoas gerou forte comoção nos últimos dias. O animal, conhecido como “Leôncio”, apareceu morto e partido ao meio em uma praia da região. Diante disso, moradores e especialistas reagiram com indignação.

    Além disso, a apresentadora Xuxa Meneghel se manifestou publicamente. Em suas redes sociais, ela compartilhou o caso e pediu justiça. Assim, o episódio ganhou repercussão nacional em poucas horas.

    Animal era monitorado e conhecido na região

    Antes da morte, equipes técnicas acompanhavam o elefante-marinho de perto. Ele surgiu no litoral semanas antes e rapidamente chamou atenção por aparecer fora de seu habitat mais comum.

    Além disso, moradores passaram a acompanhar sua presença. Com isso, o animal ganhou o apelido de “Leôncio” e virou símbolo local. Durante esse período, especialistas orientaram a população a manter distância e evitar contato direto.

    No entanto, dias depois, a situação mudou completamente.

    Corpo em estado chocante levanta suspeitas

    Equipes encontraram o corpo do animal em uma cena considerada extremamente violenta. A carcaça estava partida ao meio, o que levantou diferentes hipóteses sobre a causa da morte.

    Foto: Reprodução/TV Asa Branca Alagoas

    Por um lado, especialistas analisam a possibilidade de ataque por grandes predadores marinhos. Por outro, investigadores também consideram a hipótese de ação humana. Dessa forma, o caso ganhou ainda mais gravidade.

    Além disso, o estado do corpo dificulta uma análise precisa. Ainda assim, técnicos seguem avaliando todos os indícios para esclarecer o ocorrido.

    Xuxa cobra resposta e mobiliza redes sociais

    Diante da gravidade do caso, Xuxa Meneghel utilizou sua visibilidade para cobrar respostas. Em sua publicação, ela pediu investigação rigorosa e punição, caso a participação humana seja confirmada.

    Com isso, internautas passaram a compartilhar o episódio em larga escala. Além disso, muitos usuários exigem providências das autoridades.

    Ao mesmo tempo, o caso reacendeu discussões sobre crimes ambientais e proteção da fauna no Brasil.

    Investigação tenta esclarecer o que aconteceu

    Agora, equipes técnicas trabalham para identificar a causa da morte. Mesmo com dificuldades, especialistas analisam o corpo e o local onde o animal foi encontrado.

    Além disso, autoridades acompanham o caso de perto. Caso confirmem ação humana, podem enquadrar o episódio como crime ambiental.

    Nesse cenário, cresce a pressão por respostas rápidas e transparentes.

    Caso acende alerta sobre proteção animal

    Além da repercussão imediata, o episódio levanta um alerta importante. A presença do elefante-marinho já exigia cuidado especial, justamente por se tratar de uma ocorrência incomum na região.

    No entanto, o desfecho violento reforça a necessidade de conscientização. Ao mesmo tempo, evidencia falhas na proteção da fauna.

    Por fim, o caso deixa um impacto que vai além da comoção. Ele reforça a urgência de preservar espécies e garantir respeito aos animais.

     

  • Agricultura familiar no sertão alagoano recebe semana de ações estruturais

    Agricultura familiar no sertão alagoano recebe semana de ações estruturais

    Santana do Ipanema concentra, nesta semana, um conjunto de ações voltadas à agricultura familiar no sertão alagoano. A programação une emissão de documentos, atendimentos de saúde, feira de comercialização e o lançamento de um programa de fomento à produção rural.

    As atividades começaram na terça-feira (24) com o projeto Agricultura Familiar em Movimento. A ação ocorreu das 9h às 15h, na Quadra Poliesportiva do Povoado São Félix. A iniciativa levou serviços de cidadania, orientação técnica e acesso a políticas públicas a comunidades tradicionais, assentados e agricultores de áreas mais distantes.

    A equipe emitiu o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o Registro Geral (RG), além de oferecer orientações sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os participantes também puderam solicitar benefícios previdenciários e programas assistenciais. Em parceria com a Prefeitura, o mutirão disponibilizou serviços de saúde, como aferição de pressão arterial e teste de glicemia.

    Na quinta-feira (26), a programação volta ao município com três frentes integradas. A Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda, no centro da cidade, recebe a Feira da Agricultura Familiar, atividades do projeto Mulheres: Raízes da Resistência e o lançamento do programa Planta Alagoas 2026.

    A feira funciona das 8h às 15h e abre espaço para a comercialização de produtos da agricultura familiar e artesanato. A organização prevê rodadas de negócios, troca de experiências entre produtores e uma roda de conversa. O objetivo é ampliar as oportunidades de mercado para agricultores, cooperativas e associações.

    Paralelamente, o projeto Mulheres: Raízes da Resistência promove exposição e atividades educativas. A iniciativa busca valorizar e fortalecer as mulheres que vivem e produzem no meio rural.

  • De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início à introdução do açaí nos projetos públicos de irrigação de Alagoas, em consórcio com culturas de ciclo curto como batata-doce, mandioca e milho. A estratégia busca ampliar a renda, reduzir riscos e fortalecer a segurança produtiva dos agricultores familiares da região, onde a rizicultura e a cana-de-açúcar dominam historicamente a produção.

    A Codevasf opera três projetos de irrigação no estado: o Boacica, em Igreja Nova; o Itiúba, em Porto Real do Colégio; e o Marituba, em Penedo. O piloto começou no Projeto Boacica, onde a empresa distribuiu mudas de açaí e implantou sistemas de irrigação por microaspersão em áreas de 0,5 hectare em lotes de produtores que aderiram à iniciativa.

    Alternativa ao preço volátil do arroz

    O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, defende a diversificação como o caminho mais seguro para garantir rentabilidade no campo. “A rizicultura é uma atividade agrícola tradicional no Baixo São Francisco. No entanto, sofre mais intensamente com as variações de preço, o que reduz a margem de lucro dos produtores”, afirmou durante visita técnica aos lotes.

    Para ele, o açaí, cultura com bom valor agregado e mercado consumidor consolidado, representa uma alternativa promissora. “Iniciamos o cultivo do açaí, bastante apreciado pela gastronomia local, em consórcio com outras culturas. Assim, teremos a produção de arroz aliada a outros itens, trazendo maior segurança a quem trabalha no campo”, acrescentou.

    Foto: Codevasf

    Tavares também destacou o peso econômico dos projetos: somente em 2024, as áreas irrigadas da Codevasf em Alagoas injetaram cerca de R$ 57,6 milhões na economia local, contribuindo diretamente para o PIB estadual e municipal.

    Açaí em consórcio resolve o problema do tempo de espera

    Como o açaí leva pelo menos três anos para produzir os primeiros frutos, a Codevasf optou por associar a cultura a itens de ciclo curto, garantindo renda ao produtor enquanto o açaizeiro se desenvolve. O engenheiro agrônomo Cleudson Bernardino, responsável pelo acompanhamento técnico, explica que os agricultores já iniciaram os plantios e testam diferentes variedades.

    “No Projeto Boacica, houve boa adesão. Já temos agricultores cultivando açaí em consórcio com batata-doce, mandioca e milho, além de produtores que pretendem associar a cultura à banana”, relatou. Segundo ele, a produção de arroz e cana-de-açúcar continua como atividade principal. Mas passa a conviver com o açaí e as culturas de ciclo curto na área de policultura dos lotes, separada da rizicultura.

    O agricultor Antônio Messias, que cultiva arroz, cana-de-açúcar, milho e banana no Projeto Boacica, celebra a novidade. “A diversificação de cultivos é muito importante para o produtor rural. Desde que soubemos da proposta, criamos uma grande expectativa, e hoje ela é realidade. Não precisamos viver apenas da cana, podemos investir em outras culturas. No espaço onde estão implantando o açaí, estou cultivando batata-doce e macaxeira”, contou.

  • Alagoas lança projeto para fortalecer o protagonismo feminino no campo

    Alagoas lança projeto para fortalecer o protagonismo feminino no campo

    Com o objetivo de valorizar o protagonismo feminino no campo e fortalecer o enfrentamento à violência de gênero, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri) lançou o projeto “Mulheres: Raízes da Resistência”. A iniciativa integra a Política Estadual Alagoas Lilás e busca promover igualdade, garantir direitos e incentivar a liderança das trabalhadoras rurais.

    O lançamento contou com a presença do vice-governador Ronaldo Lessa, do secretário Marcelo Melo, além de representantes de movimentos sociais e lideranças femininas do campo. O projeto percorrerá municípios alagoanos com campanhas educativas, rodas de conversa e ações de conscientização sobre direitos, serviços públicos e igualdade de gênero.

    Durante a cerimônia, Marcelo Melo destacou dados do IBGE que apontam o avanço da presença feminina na agricultura. 25% dos estabelecimentos agropecuários de Alagoas são liderados por mulheres, acima da média nacional de 19%. O secretário, no entanto, alertou para os desafios ainda existentes. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, 80% das mulheres rurais já presenciaram ou vivenciaram algum tipo de violência.

    “Quem produz e sustenta o campo não pode continuar enfrentando desigualdade e violência. Este projeto representa um compromisso permanente com as mulheres que movimentam a economia rural de Alagoas”, afirmou Melo.

    Importância de políticas públicas

    O vice-governador Ronaldo Lessa reforçou a importância de políticas públicas voltadas para inclusão produtiva e equidade de gênero. Segundo ele, a economia solidária tem sido protagonizada por mulheres:

    “Elas lideram cooperativas e fortalecem a organização social do campo. Nosso papel é garantir condições para que essa produção continue transformando vidas”, disse Lessa.

    A presidente do Fórum de Combate à Violência Contra a Mulher do Campo, Maria Rita Rosa dos Santos, considerou o lançamento uma conquista histórica para o reconhecimento das trabalhadoras rurais.

    O evento também marcou a criação da premiação “Mulheres: Raízes da Resistência”, que homenageia mulheres com trajetória de liderança e transformação social no campo. Entre as homenageadas estão Inês Santos da Silva, dirigente sindical em Teotônio Vilela; o Grupo Mulheres do Dom, coletivo que atua desde 2007 na promoção do empoderamento feminino; e Daiana Oliveira, militante da reforma agrária e da agroecologia.

    Outras mulheres homenageadas incluem Raquel Braz do Nascimento, primeira presidente mulher do Sindicato Rural de Branquinha; Ivonete Fernandes, agricultora familiar e líder sindical em Arapiraca; Jakeline Maria dos Santos, agrônoma e empreendedora rural; Margarida Maria da Silva, assentada da reforma agrária; Helena Maria dos Santos Alve, presidente de associação em Junqueiro; Maria José Alves, referência no cooperativismo em Alagoas; e Maria das Dores de Oliveira Cavalcante, produtora cultural e liderança comunitária em União dos Palmares.

    Com o projeto “Mulheres: Raízes da Resistência”, o governo de Alagoas reafirma o compromisso de tornar a igualdade de gênero no campo uma política permanente, fortalecendo o papel das mulheres na agricultura familiar e na construção de um meio rural mais justo e sustentável.

  • Como Alagoas se tornou referência nacional na produção de arroz irrigado

    Como Alagoas se tornou referência nacional na produção de arroz irrigado

    Produtores de arroz do Baixo São Francisco alagoano registram resultados expressivos após dois anos do programa Alagoas Mais Arroz, iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri) que leva capacitação técnica e orientações de manejo aos municípios da região.

    Um dos beneficiados, o agricultor Eriosvaldo, de Igreja Nova, aumentou em 60% a produção em sua propriedade depois de participar dos treinamentos. Mesmo após cinco décadas plantando arroz. “Na realidade, eu vim aprender o manejo do arroz agora. Tudo mudou! Só tenho a agradecer ao Governo de Alagoas”, disse o produtor.

    Desde 2024, o programa já capacitou mais de 100 produtores e técnicos nos municípios de Igreja Nova, Porto Real do Colégio, Penedo e Piaçabuçu, além de municípios do Baixo São Francisco sergipano. A iniciativa conta com a parceria da Embrapa Arroz e Feijão, de Goiás, e da Prefeitura de Igreja Nova, e integra o programa estadual Planta Alagoas.

    Colheita recorde supera expectativas da Embrapa

    Na última semana, a colheita das Unidades Demonstrativas implantadas na região surpreendeu até os pesquisadores. Cinco cultivares de arroz irrigado atingiram aproximadamente 13 toneladas por hectare de arroz em casca, limpo e seco. Média bem acima das 9 toneladas por hectare registradas na região. No ano anterior, um dos materiais genéticos testados chegou a 16 toneladas por hectare, estabelecendo um recorde histórico para a Embrapa em todo o Brasil.

    “Esse ano, tivemos a proposta de aumentar a rentabilidade do produtor, pensando no preço do arroz, que teve redução no mercado. Queremos que eles entendam o mercado e comecem a produzir maximizando a produtividade ou avaliando a rentabilidade da produção”, explicou o pesquisador da Embrapa José Colombari.

    O secretário executivo de Agricultura Familiar, Ronaldo Targino, destacou a evolução do programa. “Colhemos bons frutos desde o primeiro momento. Começamos garantindo a semente de arroz, mas agora estamos garantindo assistência técnica com a Embrapa, com formação completa dos agricultores. Temos resultados que são modelo para todo o Brasil”, afirmou.

    Alagoas mira arrozes especiais e disputa espaço no mercado nacional

    A próxima etapa do Alagoas Mais Arroz prevê a avaliação do cultivo de variedades especiais, como o arroz preto e o vermelho. São produtos com maior valor agregado, desenvolvidos com características distintas de sabor e cor. A expansão deve movimentar toda a cadeia produtiva local, gerando impacto positivo para produtores, usinas beneficiadoras e consumidores.

    Foto: Tatiane Bastos / Ascom Seagri

    O pesquisador da Embrapa Raimundo Rocha acredita que o estado tem tudo para superar até o Rio Grande do Sul, maior produtor nacional do grão. “Alagoas tem condição total para produtividade superior comparada ao Rio Grande do Sul. Aqui temos diferenciais de solo, temperatura e recursos hídricos. A gente consegue explorar a máxima capacidade produtiva da genética Embrapa, com lavouras impecáveis”, revelou.

  • Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    O período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) terá início em 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval. E se estenderá até 22 de fevereiro, informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará.

    A medida protege a reprodução da espécie e garante a manutenção dos estoques naturais nos manguezais das regiões Norte e Nordeste. O defeso vale para Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

    O Ibama também definiu as próximas etapas do defeso. De 3 a 8 e de 18 a 23 de março, e também dos períodos de 1º a 6 e de 17 a 22 de abril.

    Durante o defeso, os caranguejos saem das tocas para acasalar e liberar ovos, fase essencial para a continuidade da espécie. Por isso, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

    Regras

    A proibição vale para animais vivos, congelados ou processados, inteiros ou em partes. Quem desrespeitar as normas está sujeito às sanções previstas na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008, que incluem multas e demais penalidades civis e administrativas.

    A comercialização da espécie durante o defeso só é permitida a quem apresentar a Declaração de Estoque registrada no Ibama até o último dia útil antes do início do período. Neste ciclo, o prazo é 13 de fevereiro de 2026. O documento deve detalhar os estoques de caranguejos vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, conforme o formulário anexo à portaria do instituto.

    Segundo o Ibama, o respeito ao defeso é essencial para a sustentabilidade da atividade extrativista e para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais ao equilíbrio ambiental e à subsistência de comunidades tradicionais.

  • Conab anuncia compra imediata de leite em pó com foco na agricultura familiar

    Conab anuncia compra imediata de leite em pó com foco na agricultura familiar

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai destinar até R$ 106 milhões à compra de mais de 2,5 mil toneladas de leite em pó da agricultura familiar. Isso é o equivalente a 20 milhões de litros de leite integral. A ação, anunciada pelo presidente da estatal Edegar Pretto, tem execução imediata. E busca conter a crise de preços enfrentada pelos produtores após o aumento da produção nacional.

    O investimento será realizado por meio da modalidade Compra Institucional (CI) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). E vai priorizarassociações e cooperativas dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Sergipe e Goiás.

    Segundo Pretto, o apoio ao setor também fortalece o combate à fome. “Queremos garantir renda aos produtores e levar alimento de qualidade a quem mais precisa”, afirmou. O leite em pó adquirido pela Conab será destinado a famílias em situação de insegurança alimentar e a ações emergenciais em regiões atingidas por catástrofes climáticas.

    Foco no Sul do país e combate ao excesso de produção

    O Rio Grande do Sul, principal destino dos recursos, receberá R$ 47 milhões, o equivalente a 44% do total, para compra de mais de 1,1 mil toneladas do produto. O Paraná terá R$ 18 milhões (17%), Santa Catarina R$ 16 milhões (15%), Alagoas R$ 10 milhões (9%), Goiás e São Paulo R$ 6 milhões cada (6%), e Sergipe R$ 3 milhões (3%).

    A operação deve atender cerca de 25 organizações da agricultura familiar em todo o país, ampliando o limite de pagamento por família de R$ 15 mil para R$ 30 mil. Cada entidade poderá contratar até 200 famílias, o que eleva o alcance da política pública.

    O Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, com destaque para Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses estados são responsáveis por 70% da produção nacional. Segundo o IBGE, 98% dos produtores de leite têm produção de até 500 litros por dia, o que os torna mais vulneráveis à oscilação de preços.

    O valor de referência da Conab, baseado na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), é de R$ 1,88 por litro. Enquanto o preço médio de mercado está em torno de R$ 2,22. O preço pago pela estatal será de R$ 41,89 por quilo de leite em pó, calculado a partir da média das superintendências regionais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Apoio reforçado ao Rio Grande do Sul

    A ação tem peso especial no Rio Grande do Sul, afetado por enchentes em 2023 e pela queda no número de produtores. O estado, que gera cerca de R$ 9 bilhões por ano com a cadeia leiteira, concentra 63% da produção em pequenas propriedades familiares. A operação deve atender dez organizações gaúchas, especialmente no Norte e Nordeste do estado, regiões de maior produção.

    Foto: Conab

    Para o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, a medida chega em um momento crucial. “Essa compra emergencial ajuda a conter o excesso de leite no mercado e a recompor os preços.” Já o presidente da Coperforte, Elio Müller, destacou que a iniciativa “traz fôlego ao setor, que enfrentava dificuldade para escoar a produção”.

    Prazos e procedimentos

    As organizações interessadas podem se cadastrar no sistema da Conab até 28 de dezembro, por meio do aplicativo PAANet – Proposta Doação, com envio da documentação exigida no site oficial. A classificação das entidades será divulgada conforme cronograma da estatal.

    Os recursos para a operação vêm do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O comunicado completo, com diretrizes e critérios de participação, está disponível na página do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no site da Conab.

  • Alagoas transforma Brasil no maior produtor de sururu do mundo

    Alagoas transforma Brasil no maior produtor de sururu do mundo

    O Brasil extraiu a liderança mundial na produção de sururu. Com mais de 15 mil toneladas por ano, o país supera qualquer outra nação e transforma o molusco em uma das proteínas naturais mais relevantes da economia nacional. Alagoas concentra essa produção e desenvolve um sistema de coleta que nenhum outro lugar do planeta consegue replicar.

    Foto: Leonardo Sá/Flickr

    Durante décadas, produtores associaram o sururu apenas às tradições locais do Nordeste. Hoje, o molusco ocupa posição estratégica no cenário de proteínas sustentáveis, de baixo custo e alto impacto social. A escala produtiva brasileira não encontra paralelo internacional.

    Marisqueiras e pescadores movimentam cadeia produtiva de alta intensidade

    O processo começa antes do amanhecer. Barcos de madeira cortam a escuridão enquanto marisqueiras e pescadores navegam guiados pelo conhecimento sobre maré, salinidade e temperatura. Essas comunidades conhecem cada variação como se lessem um mapa invisível.

    A produtividade depende dessa precisão. Uma maré baixa demais afunda os barcos; uma maré alta demais dificulta a coleta. Os trabalhadores encontram o equilíbrio no olhar de quem repete o mesmo movimento há décadas.

    Quando o trabalho inicia, a rotina lembra uma linha de montagem: ritmo contínuo, rápido e sincronizado. Os coletores se posicionam, afundam as mãos no sedimento e retiram o sururu em movimentos calculados. Eles identificam exatamente quais áreas estão produtivas, quais renovam e quais precisam de descanso ambiental.

    A coleta se torna trabalho coletivo. As conchas se acumulam em caixas e seguem para casas de beneficiamento, onde mulheres, jovens e idosos assumem o processamento: lavam, fervem, separam, limpam, descartam o excesso, preparam o miolo e organizam os lotes.

    Foto: Leonardo Sá/Flickr

    O processo não improvisa nada. O som das conchas batendo nas panelas e o vapor constante formam a trilha sonora de uma indústria sem máquinas, mas com precisão profissional.

    Três fatores explicam domínio brasileiro no mercado de sururu

    A liderança brasileira se explica por três elementos fundamentais:

    • Escala produtiva natural: o ambiente favorece o crescimento constante através de águas salobras, ecossistema rico em nutrientes e renovação contínua dos bancos naturais.
    • Tradição técnica: a habilidade dos coletores funciona como sistema de gestão ambiental ao vivo. Eles escolhem áreas produtivas e preservam as que necessitam descanso.
    • Cultura gastronômica forte: a demanda local se mantém estável, sólida e historicamente valorizada, o que sustenta a economia durante o ano inteiro.

    O sururu oferece proteína de custo muito baixo para o consumidor e apresenta alto retorno nutricional. Essa combinação o posiciona como alternativa importante em um país que enfrenta desigualdade alimentar.

    Foto: Marina Ferro/Flickr

    Nenhum outro país reúne simultaneamente esses três fatores. Outros lugares possuem moluscos semelhantes, mas nenhum desenvolveu cadeia produtiva real, contínua e com volume comparável. O título de maior produtor mundial não carrega valor apenas simbólico — especialistas o consideram técnico e incontestável.

    Molusco emerge como alternativa proteica sustentável e acessível

    O crescimento do sururu acontece no momento em que o Brasil busca diversificar sua matriz alimentar. O molusco reúne características estratégicas:

    • Baixo custo de produção
    • Alto teor proteico
    • Elevada concentração de minerais
    • Ciclo de renovação rápida
    • Baixa pegada ambiental
    • Demanda forte na gastronomia local
    • Capacidade de gerar empregos diretos e indiretos
    • Forte impacto social em comunidades ribeirinhas

    Enquanto proteínas como peixes, aves e crustáceos dependem de grandes estruturas industriais, o sururu se apoia em modelo ambientalmente eficiente por natureza.

    Como filtrador, o molusco ajuda a melhorar a qualidade da água, reduz turbidez e participa do equilíbrio ecológico dos estuários. A própria extração, quando realizada com manejo correto, favorece a renovação dos bancos.

    O Brasil lidera o mundo porque a cadeia de sururu é sustentavelmente produtiva, socialmente relevante e tecnicamente eficiente.

    Estado alagoano eleva sururu de alimento tradicional a ativo econômico

    Nada do que o sururu representa hoje se explica sem Alagoas. O estado elevou esse molusco de alimento tradicional a ativo econômico estruturado, capaz de criar emprego, movimentar renda, abastecer mercados e sustentar setores inteiros da gastronomia.

    Foto: Marcelo Jorge Vieira/Flickr

    O sururu saiu das feiras livres e alcançou novos mercados. Hoje chega a restaurantes renomados, redes de alimentação e empreendimentos turísticos que utilizam o molusco como símbolo regional. A produção envolve pescadores, marisqueiras, comerciantes, cozinheiros, distribuidores e microindústrias artesanais. Esse ecossistema social alimenta milhares de famílias e mantém o estado em posição de protagonismo nacional e internacional.

    A força cultural também é incomparável. O sururu marca presença na culinária, nas festas populares, nas tradições familiares e na identidade visual do estado. Poucos alimentos no Brasil carregam tanto significado econômico e simbólico simultaneamente.

    Produção aponta para expansão e reconhecimento nacional

    A tendência indica crescimento. A procura aumenta, novos estabelecimentos ampliam o uso do molusco e debates sobre denominação de origem começam a surgir. O reconhecimento como patrimônio cultural fortalece políticas públicas e incentiva o ordenamento sustentável do manejo.

    O Brasil, que já domina o mundo em produção, agora prepara o terreno para transformar o sururu em produto de maior valor agregado. A cadeia, porém, mantém a essência artesanal que a sustenta.