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  • Brasil perde quase 2 milhões de hectares de superfície de água em 40 anos

    Brasil perde quase 2 milhões de hectares de superfície de água em 40 anos

    O Brasil perdeu cerca de 1,9 milhão de hectares de superfície coberta por água nos últimos 40 anos, segundo dados apresentados por Juliano Schirmbeck, coordenador-técnico do MapBiomas Água, em audiência pública na Câmara dos Deputados. O alerta reforça que o país enfrenta não apenas desafios relacionados à qualidade da água, mas também à quantidade disponível, exigindo atenção redobrada para a gestão dos recursos hídricos.

    O Pantanal foi destacado como o bioma em situação mais crítica em 2024, permanecendo próximo à mínima histórica de volume de água durante todo o ano. Schirmbeck ressaltou a necessidade de superar o mito da abundância hídrica no Brasil e reforçou a importância de políticas públicas voltadas à preservação e recuperação dos recursos naturais.

    Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O levantamento do MapBiomas indica que a maior perda ocorreu nos reservatórios naturais, que reduziram 2,4 milhões de hectares em quatro décadas. No mesmo período, foram criados 1,5 milhão de hectares de reservatórios artificiais, utilizados principalmente para geração de energia e irrigação. No entanto, segundo Schirmbeck, esses reservatórios artificiais são menos resilientes às mudanças climáticas do que os naturais.

    Qualidade preocupa

    Além da redução da superfície hídrica, a qualidade da água também preocupa. Gustavo Veronesi, coordenador da Causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, destacou que apenas 7,6% dos rios monitorados na Mata Atlântica apresentaram qualidade boa. Enquanto nenhum foi classificado como ótimo. A maioria dos rios (75%) apresenta qualidade regular, já sofrendo impactos da poluição e necessitando de tratamento para consumo humano.

    A diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, defendeu a revisão da classificação dos rios brasileiros, prevista em resolução do Conama. Ela ressaltou que a categoria 4, atualmente permitida pela legislação, não prevê proteção e permite a poluição dos cursos d’água. Sendo usada principalmente para diluição de esgoto. Para Malu Ribeiro, a eliminação dessa categoria é fundamental para melhorar a qualidade dos rios, especialmente em áreas urbanas e de uso intensivo do agronegócio.

    Durante a audiência, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) comprometeu-se a solicitar à Comissão de Meio Ambiente o encaminhamento de um pedido de revisão da norma ao Conama. Os participantes também defenderam a instalação de uma comissão especial para analisar proposta de emenda constitucional que inclui a água entre os direitos fundamentais. Segundo Flávio Montiel, da International Rivers, 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água.

    Os debatedores também apoiaram o Projeto de Lei 2842/24, de autoria de Nilto Tatto, que institui a Política Nacional de Proteção de Rios. O deputado ressaltou a necessidade de mobilização popular para aprovar medidas de proteção hídrica, diante das dificuldades enfrentadas no Congresso para avançar propostas ambientais.

    A audiência pública foi promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

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  • Mulheres lideram a transformação da gestão de águas nas bacias hidrográficas da Bahia

    Mulheres lideram a transformação da gestão de águas nas bacias hidrográficas da Bahia

    Em um marco para a gestão de recursos hídricos, a Bahia celebra o crescente protagonismo feminino nos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs). Atualmente, 7 dos 14 CBHs do estado são liderados por mulheres, refletindo um avanço significativo na representatividade e na governança das águas.

    O aumento da participação feminina na liderança dos CBHs acompanha uma tendência nacional de crescimento da presença das mulheres em espaços de decisão. No Brasil, as mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança, embora esse número caia para 28% na alta gestão3. Na Bahia, o empreendedorismo feminino representa 45% das instituições formalizadas, indicando avanços e desafios a serem superados.

    Lucélia Berbert lidera no CBH Leste uma diretoria formada exclusivamente por mulheres e enfatiza a importância de garantir transparência e comprometimento no cumprimento das decisões do Comitê. Já Lia Dognani, do CBH Grande, atribui sua liderança à competência e busca fortalecer a participação dos membros, além de ampliar o conhecimento sobre a bacia.

    Primeira mulher indígena a integrar a diretoria

    A eleição de Luciana Kiriri como 2ª secretária do CBH Grande representa um marco, sendo a primeira mulher indígena a integrar a diretoria. Ela enfatiza a importância de aproximar o Comitê das comunidades tradicionais, buscando integrar diferentes realidades e promover o diálogo.

    Ana Odália Sena, presidente do CBHPIJ e coordenadora do Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas, reconhece os desafios enfrentados para fortalecer os Comitês, como a implementação dos instrumentos de gestão e a ausência de cobrança pelo uso da água no estado. Apesar disso, ela destaca o papel central das mulheres no gerenciamento e conservação da água, desde o âmbito doméstico até a gestão pública.

    O protagonismo feminino nos CBHs baianos impulsiona uma gestão hídrica mais inclusiva, eficiente e inovadora. Ao ocupar cargos de liderança com competência e comprometimento, essas mulheres promovem a integração das comunidades, o fortalecimento da participação social e a conscientização ambiental. Portanto, contribuindo para a sustentabilidade das bacias hidrográficas da Bahia.

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