Tag: aguardente

  • Fiscalização do mapa apreende 7,2 milhões de litros de cachaça

    Fiscalização do mapa apreende 7,2 milhões de litros de cachaça

    Uma das maiores apreensões de bebidas do ano no interior paulista foi realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Uma operação de fiscalização resultou na apreensão de impressionantes 7,28 milhões de litros de aguardente de cana e cachaça em um estabelecimento na região de Ribeirão Preto, um dos principais polos do agronegócio e da produção sucroalcooleira do país.

    A ação foi conduzida por auditores fiscais federais agropecuários das unidades do Mapa sediadas em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Durante a vistoria, os fiscais identificaram que a empresa operava como padronizador e atacadista das bebidas sem possuir o registro obrigatório junto ao órgão federal, uma exigência prevista na legislação brasileira para garantir a qualidade e a procedência dos produtos.

    Como medida administrativa cautelar, o Mapa determinou a suspensão imediata e temporária das atividades de padronização e da comercialização atacadista da cachaça e aguardente no local. A decisão encontra respaldo no artigo 198, inciso III, do Decreto nº 12.709/2025, que regulamenta a fiscalização de produtos de origem vegetal.

    Além da apreensão, foi lavrado um auto de infração contra a empresa. Ela responderá administrativamente pelo exercício irregular das atividades sem o devido cadastro no Ministério da Agricultura. A legislação concede à empresa um prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa referente às irregularidades constatadas durante a fiscalização.

    Por que a bebida irregular é um risco

    O consumidor pode não perceber, mas por trás de um rótulo falso ou da ausência de registro, pode haver um coquetel de substâncias químicas perigosas.

    Nesses casos, o principal vilão é o metanol, um álcool altamente tóxico que a indústria utiliza como solvente e anticongelante e que seres humanos não devem ingerir.

    Diferentemente do etanol,o álcool comum das bebidas, o organismo metaboliza o metanol e o transforma em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que atacam o sistema nervoso central e o nervo óptico. Os riscos são imediatos e graves:

    • Cegueira irreversível: apenas 10 ml (cerca de duas colheres de chá) podem causar danos permanentes à visão.
    • Morte: a ingestão de 30 ml ou mais pode ser fatal.
    • Danos neurológicos e falência de órgãos: o metanol provoca acidose no sangue, ataca os rins e pode levar ao coma.

    Casos históricos no Brasil escancaram essa tragédia. Nos anos 1990, na Bahia, mais de 50 pessoas morreram após consumirem cachaça contaminada com metanol em dois surtos distintos, deixando dezenas de sobreviventes com sequelas permanentes. Mais recentemente, em 2025, o estado de São Paulo registrou mortes e casos de cegueira causados por destilados adulterados, envolvendo bebidas como gin, uísque e vodca.

    Como identificar e se proteger?

    Especialistas alertam que o metanol é incolor e tem cheiro semelhante ao do etanol, tornando impossível identificá-lo apenas pelo sabor ou aparência. A única forma segura de consumo é comprando produtos de origem legalizada.

    A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) recomenda um passo a passo para evitar o risco:

    • Verifique o rótulo: bebidas legalizadas comercializadas no Brasil possuem contrarrótulo em português, com o número do registro no Ministério da Agricultura (MAPA). Esse é exatamente o documento que faltava no estabelecimento fiscalizado.
    • Desconfie de preços muito baixos: ofertas muito abaixo da média de mercado são um forte indicador de irregularidade.
    • Examine a embalagem: verifique a vedação, se o lacre está intacto e se o nível do líquido parece correto. Rótulos com má qualidade ou erros ortográficos são sinais de alerta.
    • Compre em locais confiáveis: prefira estabelecimentos com boa reputação e que forneçam nota fiscal.

    Destino da apreensão e sintomas de alerta

    Apesar do volume expressivo, os fiscais não removeram do local os mais de 7,2 milhões de litros de bebidas alcoólicas apreendidos. A empresa mantém o produto armazenado em suas próprias instalações, após assumir a condição de fiel depositária. A mercadoria permanecerá retida até a conclusão do processo administrativo instaurado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que definirá o destino final da carga.

    Caso você ou alguém próximo consuma uma bebida e apresente sintomas como dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, dor abdominal, confusão mental, visão turva ou dificuldade para respirar, procure imediatamente um atendimento médico de urgência. O socorro rápido é essencial para evitar sequelas permanentes.

  • Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta

    Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta

    Na região de Avaré (SP), produtores revolucionam a comercialização da lichia. A fruta, tradicionalmente associada às festividades de fim de ano, agora protagoniza uma cadeia produtiva moderna. Novos métodos de conservação, processamento industrial e o cultivo de variedades tardias permitem que agricultores estendam o período de vendas e agregam valor ao produto.

    A casca rígida e áspera da lichia esconde uma polpa carnuda e aromática que conquista paladares. No Brasil, a fruta simboliza as celebrações de dezembro e janeiro, período em que os produtores concentram a colheita. Na China, seu país de origem, a lichia carrega o título de “fruta do amor” há mais de mil anos.

    A Britchis, empresa familiar de Itaí (SP), cultiva a fruta milenar em escala industrial. A propriedade destina 114 de seus 194 hectares exclusivamente à produção de lichia. A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CATI Regional Avaré, oferece suporte técnico à operação.

    Oito variedades ampliam possibilidades comerciais

    O pomar da Britchis cultiva oito variedades: Bengal (clássica), fogo, ouro, tutti-frutti, crocante, laranja, gigante e coração. A variedade Bengal, mais comum nos mercados do sudeste brasileiro, pesa cerca de 20 gramas. A Gigante alcança 40 gramas, enquanto a Coração se destaca pela casca que se rompe facilmente sob pressão leve.

    “A fruta atinge preços relativamente altos no mercado. Identificamos uma grande oportunidade de trabalhar de forma disruptiva no marketing e na criação de novos produtos, algo que não era foco dos produtores brasileiros até então”, explica Ricardo Pinto, produtor que administra a propriedade com a esposa Adriana e os filhos.

    Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

    Em 2025, a família Pinto exportou quase metade de toda a lichia brasileira para o mercado europeu.

    Processamento resolve problema de descarte e gera renda anual

    A expansão para o mercado externo, iniciada há três anos, trouxe um desafio: compradores internacionais rejeitam frutas com pequenas imperfeições estéticas, mesmo quando perfeitas para consumo. A tecnologia de processamento ofereceu uma solução sustentável.

    Hoje, os produtores descascam e descaroçam a polpa, congelando-a em ultra-congeladores. O processo garante renda durante o ano inteiro. Outra parte da produção passa por liofilização e se transforma em snack crocante que preserva os açúcares naturais da fruta.

    A diversificação continua: a lichia origina uma aguardente cristalina e perfumada, a “passa de lichia”, geleias e até a lichiada, uma bebida exótica que amplia as possibilidades de consumo.

    Cadeia Produtiva Local fortalece pequenos agricultores

    A operação bem-sucedida reflete o fortalecimento da Cadeia Produtiva Local (CPL), que envolve 18 municípios do sudeste paulista. Em 2025, o projeto recebeu recursos do Governo do Estado para fomentar o desenvolvimento dos pequenos produtores.

    Euvaldo Neves Pereira Junior, engenheiro agrônomo e chefe da CATI Regional Avaré, destaca a vocação regional para fruticultura. “Nossa produção foge da época tradicional de outros mercados. Isso nos permite oferecer um produto diferenciado quando a oferta global diminui”, aponta.

    A lenda chinesa que deu à lichia o título de “fruta do amor”

    A casca vibrante da lichia contrasta com sua polpa translúcida — uma dualidade que, na China, representa a essência do romance. O título de “fruta do amor” nasceu na Dinastia Tang, no século VIII.

    Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

    A lenda conta que o Imperador Tang Minghuang ordenava que mensageiros cruzassem o império em cavalos velozes, dia e noite, para entregar lichias frescas à sua concubina favorita, Yang Yuhuan. O gesto de devoção extrema atravessou séculos.

    Até hoje, presentear com lichias simboliza paixão, sorte e nobreza na cultura chinesa.

  • Dia Nacional da Cachaça: tradição centenária que conquista o mundo

    Dia Nacional da Cachaça: tradição centenária que conquista o mundo

    O Brasil celebra neste sábado (13) o Dia Nacional da Cachaça. A data reconhece a importância histórica, cultural e econômica do destilado mais tradicional do país. A bebida conquista mercados internacionais e movimenta milhões na economia nacional.

    A cachaça representa o primeiro destilado das Américas e patrimônio da cultura brasileira. O Dia Nacional marca uma tradição que atravessa séculos e hoje alcança reconhecimento mundial. A celebração destaca não apenas história, mas também potencial econômico da bebida.

    A data comemorativa tem origem em 1661. Neste ano, a rainha Luísa de Gusmão liberou a produção e comercialização da cachaça no Brasil. A decisão real marcou momento crucial para a economia colonial e consolidação da bebida.

    Negros escravizados criaram a cachaça no século XVI nas fazendas de cana e engenhos de açúcar. O destilado nasceu da criatividade e resistência dos trabalhadores rurais. A bebida se tornou símbolo de identidade nacional ao longo dos séculos.

    A cachaça recebe diversos nomes populares: pinga, caninha, “marvada” ou aguardente. Cada região brasileira desenvolveu tradições próprias de produção. A diversidade regional enriquece o patrimônio cultural da bebida.

    Mercado nacional forte e diversificado

    O Brasil conta atualmente com 1.217 cachaçarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária. O setor cataloga quase 6 mil produtos diferentes. Os números revelam diversidade e força do mercado interno.

    Cada brasileiro consome em média 6,9 litros de cachaça por ano. O Instituto Brasileiro de Cachaça mostra que 98% da produção nacional vem de pequenos e médios produtores. O perfil demonstra capilaridade da atividade pelo território brasileiro.

    A bebida movimenta mais que tradição cultural. O setor gera desenvolvimento econômico, empregos diretos e indiretos. A cachaça valoriza a produção nacional e fortalece a identidade brasileira no mundo.

    Viçosa do Ceará Lidera Ranking Nacional de Cachaçarias, com 25 Estabelecimentos Registrados

    Dados do Anuário da Cachaça 2025, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), confirmam Viçosa do Ceará como a cidade com o maior número de cachaçarias do Brasil. O município cearense possui 25 estabelecimentos registrados, superando tradicionais polos produtores mineiros e consolidando o Nordeste como região em ascensão no setor .

    O ranking nacional destaca a diversificação da produção de cachaça no país, com estados como Minas Gerais, Paraíba e Ceará dominando a cena. A lista das cinco cidades com mais cachaçarias é:

    1. Viçosa do Ceará (CE): 25 cachaçarias
    2. Salinas (MG): 20 cachaçarias
    3. Alto Rio Doce (MG): 22 cachaçarias
    4. Areia (PB): 15 cachaçarias
    5. Rio Espera (MG): 15 cachaçarias

    Apesar de a região Sudeste ainda concentrar a maior parte das cachaçarias (65,4%), com Minas Gerais como líder absoluto (501 estabelecimentos), o Nordeste foi a região que apresentou o maior crescimento absoluto em 2024, com 20 novas cachaçarias, um aumento de 11,8% .

    Exportações batem recordes

    A cachaça brasileira rompeu fronteiras e conquista mercados internacionais. Em 2023, o país exportou 8,6 milhões de litros da bebida. O volume gerou mais de US$ 20,2 milhões em receitas externas.

    O destilado brasileiro chegou a 76 países em 2023. Os Estados Unidos lideram como principal mercado em valor de exportação. O Paraguai ocupa primeira posição em volume exportado. Os dados mostram diversificação geográfica das vendas.

    O crescimento das exportações demonstra qualidade e aceitação internacional da cachaça. A bebida compete em mercados exigentes e conquista consumidores de diferentes culturas. O sucesso externo valoriza a produção nacional.

    Qualidade atrai consumidores globais

    A cachaça brasileira desenvolve padrões elevados de qualidade. Produtores investem em tecnologia e aprimoram processos. A melhoria contínua atrai consumidores internacionais e agrega valor ao produto.

    Competições nacionais e internacionais reconhecem a excelência da cachaça brasileira. Prêmios fortalecem reputação e abrem novos mercados. O reconhecimento internacional valoriza toda cadeia produtiva.

    A bebida transcende barreiras culturais e conquista paladares diversos. Bares especializados surgem em grandes centros urbanos mundiais. A cachaça se estabelece como produto premium no mercado internacional.

    Tradição mineira lidera produção

    Minas Gerais se destaca como maior produtor nacional de cachaça. O estado concentra 504 estabelecimentos registrados oficialmente. A tradição mineira alcança hoje mais de 600 cachaçarias em todo território.

    O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) promove durante setembro a 2ª edição do Circuito Mineiro da Cachaça Legal. O projeto “O Legal Merece um Brinde” atua em 19 das 21 coordenadorias regionais.

    A iniciativa conscientiza produtores, comerciantes e consumidores sobre registro oficial. A programação inclui palestras, visitas técnicas, cursos e distribuição de materiais educativos. O objetivo garante qualidade e procedência da bebida.

    O trabalho do IMA começou em 2019 com 183 estabelecimentos registrados. O número saltou para 251 no primeiro ano de fiscalização intensiva. A atuação fortaleceu qualidade e segurança do produto mineiro.

    Em agosto de 2025, o governador Romeu Zema sancionou a Lei Estadual nº 25.424. A norma dispõe sobre inspeção de produtos de origem vegetal. A medida representa marco histórico para o setor da cachaça.

    Crescimento capixaba impressiona

    O Espírito Santo ocupa terceira posição no ranking nacional com 81 estabelecimentos registrados. O estado fica atrás de Minas Gerais e São Paulo, que conta com 169 unidades produtoras.

    A cachaça capixaba conquista maior dispersão territorial do país. A bebida marca presença em 48,7% dos municípios estaduais. São Roque do Canaã se destaca com 13 estabelecimentos para 12 mil habitantes.

    O mercado internacional reconhece qualidade da cachaça capixaba. Em 2024, o estado exportou 2,3 toneladas para 22 países. O volume movimentou aproximadamente US$ 12,6 mil.

    Entre janeiro e julho de 2025, o Espírito Santo enviou 2,1 toneladas ao exterior. As vendas resultaram em US$ 18,8 mil. O crescimento de 116% supera mesmo período de 2024.

    Panamá lidera compras com 28% do total exportado. Estados Unidos ocupam segunda posição com 22%. Hong Kong completa o pódio com 13%. Os mercados evidenciam expansão para Américas e Ásia.

    “A cachaça capixaba atingiu elevado padrão de qualidade e se consolidou como referência nacional”, afirma Enio Bergoli, secretário estadual da Agricultura.

    Futuro promissor para a cachaça

    O Dia Nacional da Cachaça celebra tradição que se renova constantemente. A bebida combina história centenária com inovação tecnológica. O destilado brasileiro projeta crescimento contínuo nos mercados interno e externo.

    Especialistas apontam que a diversificação geográfica da produção fortalece a cachaça como patrimônio nacional e abre oportunidades para turismo gastronômico e cultural.

    Cada garrafa carrega identidade cultural e potencial econômico. A cachaça une passado e futuro em uma bebida autenticamente brasileira. O sabor nacional conquista o mundo através deste patrimônio líquido.

  • Governo de Minas facilita produção de cachaça

    Governo de Minas facilita produção de cachaça

    O Governo de Minas Gerais sancionou a Lei nº 25.424, que facilita a produção de cachaça e aguardente de cana no estado. A legislação regulamenta a inspeção e fiscalização de produtos de origem vegetal destinados à alimentação humana. O objetivo é agilizar e desburocratizar a produção e comercialização dessas bebidas tradicionais, valorizadas pelo seu papel histórico, cultural e gastronômico.

    A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado no último sábado (2/8). A lei estabelece normas higiênico-sanitárias para todas as etapas produtivas, desde o engarrafamento até o acondicionamento. Os estabelecimentos devem manter a documentação regularizada para evitar multas ou até suspensão das atividades.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Cervejaria alemã centenária inicia produção inédita no Brasil
    + Agro em Campo: Piscicultura brasileira lidera em sustentabilidade global

    Lucas Silva Ferreira Guimarães, gerente de inspeção do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), destaca que a nova lei tem importância histórica para Minas Gerais. Segundo ele, muitos produtores que aguardam vistoria do Ministério da Agricultura (Mapa) poderão ter seus processos analisados mais rapidamente, graças à capilaridade do IMA.

    Guimarães ressalta ainda que a medida traz “justiça social” ao setor, beneficiando produtores que querem atuar de forma regulamentada e sustentável. O texto abre espaço para o fortalecimento econômico e cultural das regiões produtoras da bebida no estado

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pioneiras do café: mulheres transformam a cafeicultura no sul de Minas Gerais

    + Agro em Campo: Hiperacumuladoras: conheça as plantas que ‘comem’ metal