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  • Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Ranking global mostra disputa acirrada no setor de defensivos agrícolas

    Um levantamento inédito comparou as 20 maiores empresas de Crop Protection do mundo por receita em 2025, isolando o faturamento específico de proteção de cultivos de negócios como sementes, traits, nutrição e distribuição. A pesquisa é assinada por Rafael Gomes, consultor de Portfólio Agroquímico e especialista em mercado, suprimentos e posicionamento técnico, e foi publicada originalmente em seu perfil no LinkedIn.

    A Syngenta lidera o ranking com US$ 13,7 bilhões em receita de Crop Protection em 2025, separados do negócio de sementes da companhia. A Bayer aparece em segundo lugar, com aproximadamente US$ 10,78 bilhões, seguida pela BASF, com US$ 8,54 bilhões, e pela Corteva Agriscience, com US$ 7,50 bilhões. As quatro empresas formam o que Gomes chama de “maior bloco global” do setor.

    Por que comparar essas empresas não é simples

    Segundo Gomes, montar o ranking “parece simples até começar a abrir os números”. As companhias não seguem o mesmo padrão de divulgação. Algumas misturam defensivos com sementes e traits, outras incluem intermediários, nutrição, veterinária, distribuição ou negócios industriais no mesmo balanço. Há ainda empresas de capital fechado e exercícios fiscais distintos entre países.

    Para viabilizar a comparação, o consultor não utilizou a receita agrícola consolidada de cada grupo. Ele aplicou como régua a receita atribuível especificamente à proteção de cultivos e agroquímicos, excluindo negócios não comparáveis, e converteu todos os valores para dólar pelas taxas médias de 2025.

    O critério exigiu ajustes específicos para cada companhia. No caso da Bayer, por exemplo, Gomes separou dos €21,622 bilhões da divisão Crop Science apenas herbicidas (€5,279 bilhões), fungicidas (€2,888 bilhões) e inseticidas (€1,369 bilhões), totalizando €9,536 bilhões, cerca de US$ 10,78 bilhões, e deixou sementes e traits de fora da conta. A BASF passou por processo semelhante: dos €7,561 bilhões somados em fungicidas, herbicidas, inseticidas e tratamento de sementes, o consultor excluiu os €2,026 bilhões da divisão de Sementes e Traits.

    Já a ADAMA teve os US$ 321 milhões de Intermediates & Ingredients removidos do cálculo, restando US$ 3,73 bilhões estritamente em Crop Protection. No caso da UPL, Gomes considerou apenas a UPL Corp, plataforma global de proteção de cultivos do grupo, sem incluir os demais negócios agrícolas da companhia. Já a Sumitomo Chemical entrou no ranking pela abertura específica de Crop Protection Products, equivalente a ¥403,1 bilhões, cerca de US$ 2,69 bilhões.

    As posições mais disputadas e as ressalvas do ranking

    A partir da 9ª colocação, a comparação passou a exigir ainda mais cuidado metodológico. A Albaugh, na 9ª posição, aparece com asterisco por ser uma empresa privada. Sua colocação é uma estimativa baseada em vendas declaradas acima de US$ 2 bilhões e em referências de mercado, já que a companhia não divulga balanços públicos completos. A Sino-Agri Leading, na 13ª posição, recebeu observação própria pelo peso relevante que a distribuição tem em seu modelo de negócio.

    Entre as empresas chinesas, o desafio metodológico foi ainda maior. Gomes precisou separar technical, formulações, intermediários, distribuição e outros negócios químicos dentro de cada grupo. Usar a receita consolidada de companhias como Wynca e Xingfa, por exemplo, elevaria artificialmente suas posições no ranking.

    O avanço chinês entre a 10ª e a 20ª posição

    O dado mais expressivo do levantamento aparece na segunda metade da lista. Nove grupos chineses já ocupam posições entre a 10ª e a 20ª colocação do ranking global. Fazem parte dessa lista Nufarm (Austrália, 11ª), Yangnong Chemical (12ª), Sino-Agri Leading (13ª), Liben Crop Science (14ª), Fuhua Tongda (15ª), Lier Chemical (16ª), Wynca (17ª), Jiangsu Sevencontinent Green Chemical (18ª) e Xingfa (20ª), além da Rainbow Agro, que já figura na 10ª posição com US$ 2,13 bilhões.

    Segundo dados da CCPIA (associação chinesa do setor) citados no levantamento, ADAMA, Rainbow, Yangnong, Sino-Agri e Liben estão entre as cinco empresas chinesas com vendas de pesticidas acima de RMB 10 bilhões em 2025.

    Para Gomes, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. As companhias chinesas avançam “não apenas na fabricação de technical, mas também em formulações, registros, estruturas comerciais e presença internacional”. Ou seja, deixam de atuar apenas como fornecedoras de insumos básicos e passam a competir diretamente em mercados finais.

    Um ranking analítico, não uma comparação contábil auditada

    O próprio autor faz uma ressalva importante sobre a robustez das posições mais próximas entre si. Segundo Gomes, câmbio, período fiscal e escopo de receita podem alterar a ordem das empresas. Especialmente na faixa entre a 20ª e a 22ª posição, onde os faturamentos ficam muito próximos e a colocação pode mudar conforme o critério aplicado.

    Por isso, o consultor recomenda que o levantamento seja lido como um ranking analítico, construído com a melhor informação pública disponível, e não como uma comparação contábil auditada. As fontes utilizadas incluem relatórios anuais e financeiros, apresentações a investidores, divulgações corporativas, além de dados da CCPIA, AgroPages, CCM e S&P Global.

    Veja o ranking completo

    Infográfico crop protection
    Infográfico: Rafael Gomes
  • Programa ‘Aplique Bem’ amplia capacitação para uso de drones

    Programa ‘Aplique Bem’ amplia capacitação para uso de drones

    O Programa ‘Aplique Bem’, referência nacional em treinamento para o uso correto e seguro de agroquímicos, está investindo na capacitação de sua equipe para aplicações com drones e intensificando as inspeções de pulverizadores agrícolas em uso nas propriedades rurais. Em seu 18º ano de atuação, a iniciativa, fruto de uma parceria entre o Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico (IAC) e a multinacional UPL, segue promovendo treinamentos gratuitos em todo o Brasil, sem vínculo com marcas comerciais ou produtos específicos.

    Segundo Hamilton Ramos, diretor do CEA-IAC e coordenador do programa, a qualificação dos engenheiros agrônomos agora inclui o domínio das tecnologias de pulverização com drones, uma das inovações mais recentes e promissoras do agronegócio. “Além do foco em drones e adjuvantes na pulverização, aprimoramos a capacitação da equipe para fazer inspeções ainda mais precisas de pulverizadores agrícolas. Por sinal um dos propósitos centrais das atividades do Aplique Bem”, destaca Ramos.

    O programa percorre todo o território nacional com laboratórios móveis (Techmóveis), levando conhecimento técnico diretamente às propriedades rurais de todos os portes. Em 2023, a equipe promoveu 340 treinamentos, que beneficiaram cerca de 5 mil pessoas. Desde a criação do programa, mais de 90 mil agricultores já participaram das capacitações, realizadas em mais de mil municípios brasileiros.

    Exportação do modelo

    Além do impacto no Brasil, o modelo do Aplique Bem foi exportado para outros oito países, incluindo Burkina Faso, Costa do Marfim, Colômbia, África do Sul, Mali, Gana, México e Vietnã, com o objetivo de reduzir o déficit de mão de obra qualificada no setor agrícola. “Exportamos o modelo com foco na redução do déficit de mão de obra qualificada. A exemplo do Brasil, onde mais de 60% dos aplicadores de agroquímicos jamais receberam capacitação específica, tais países se deparam com indicadores semelhantes”, afirma Ramos.

    Entre os pilares do programa estão a qualidade do atendimento ao agricultor, a proteção dos cultivos, do meio ambiente e do trabalhador rural. “Pulverizadores bem mantidos e regulados constituem uma das estratégias-chave na proteção de lavouras frente a doenças, pragas e plantas daninhas”, reforça Ramos. Todo o trabalho é realizado sem custo para os participantes, promovendo ganhos ambientais, redução de custos na safra e melhorias na saúde ocupacional.

    Com a incorporação de novas tecnologias, como os drones, o Programa Aplique Bem se consolida como uma das principais iniciativas para a profissionalização do campo. Alinhando inovação, sustentabilidade e segurança no uso de defensivos agrícolas.

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  • Pesquisadores discutem segurança no uso de agroquímicos

    Pesquisadores discutem segurança no uso de agroquímicos

    Quarenta pesquisadores de 16 países se reunem em Jundiaí para discutir a segurança no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no manejo de agroquímicos. O encontro internacional inédito no Brasil ocorre entre os dias 23 e 25 de outubro,

    Promovido pelo Consórcio Internacional de Qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual no Uso de Agroquímicos, o objetivo é aprimorar os conhecimentos e ferramentas para mitigar os riscos químicos aos trabalhadores rurais. Especialmente nas pequenas propriedades de países em desenvolvimento.

    Durante o encontro, especialistas de países como Estados Unidos, Alemanha, França e nações africanas, abordarão diretrizes de avaliação de riscos e modelos de comunicação sobre o uso de pesticidas. O foco será a proteção de trabalhadores que utilizam pulverizadores costais e semiestacionários, sistemas mais suscetíveis à exposição direta a ativos químicos.

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    O evento contará ainda com uma demonstração prática, onde serão apresentados métodos de aplicação segura de agroquímicos e o uso correto de EPIs. A coordenação é de Hamilton Ramos, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e líder do programa IAC-Quepia. O programa estuda a qualidade de vestimentas protetivas agrícolas.

    O encontro destaca a importância de desenvolver ações concretas para melhorar as condições de segurança dos trabalhadores rurais. Assim, integrando esforços globais para a redução de riscos no campo.

  • Veja o resultado do estudo FarmTrak Soja 2023-24

    Veja o resultado do estudo FarmTrak Soja 2023-24

    O tratamento de sementes de soja no Brasil registrou um crescimento expressivo de 18% na safra 2023-24, alcançando um valor de R$ 3,6 bilhões, de acordo com o levantamento FarmTrak Soja, realizado pela Kynetec Brasil. O estudo revela que 99% da área plantada com a oleaginosa no país, equivalente a 44 milhões de hectares, já utiliza sementes protegidas por fungicidas, inseticidas e nematicidas, destacando a importância dessa prática preventiva para garantir o potencial produtivo e proteger as culturas de ataques iniciais de pragas e doenças.

    Lucas Lima Alves, especialista em pesquisas da Kynetec, explica que o tratamento de sementes proporciona um estande adequado de plantas, bom desenvolvimento inicial da soja e uniformidade da lavoura. “O uso desses defensivos agrícolas no tratamento de sementes é essencial para assegurar a saúde das plantas desde o início do ciclo”, destaca Alves.

    Reprodução – Kynetec Brasil

    Mudança de perfil

    O levantamento também aponta uma mudança significativa no perfil das aplicações de produtos, com o processo de tratamento industrial de sementes ganhando destaque. Em 2023-24, 51% das áreas cultivadas com soja utilizaram sementes tratadas industrialmente, produzidas por parceiros como indústrias, sementeiros ou distribuidores. Esse avanço é expressivo se comparado à safra 2014-15, quando apenas 31% das sementes chegavam às propriedades com o tratamento já realizado.

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    “O modelo industrial oferece precisão nas doses de produtos, praticidade no manuseio e auxilia na otimização da janela de plantio”, afirma Alves, ressaltando os benefícios dessa modalidade para os produtores.

    Reprodução – Kynetec Brasil

    Entre os agroquímicos mais utilizados no tratamento industrial de sementes, os inseticidas e fungicidas lideram, presentes em 50% das áreas cultivadas. Os nematicidas, embora ainda em menor proporção, com 8% de adoção, apresentam tendência de crescimento nas próximas safras, conforme identificado pelo FarmTrak Soja.

    Paraná se destaca

    O Paraná se destaca como o estado com maior adoção do tratamento industrial de sementes de soja, atingindo 85% das áreas cultivadas. Enquanto a Bahia registra o menor índice, com apenas 11% das lavouras utilizando essa técnica. Alves atribui essas diferenças regionais ao perfil fundiário. “Em estados como a Bahia e o Mato Grosso, onde predominam grandes propriedades, os produtores geralmente possuem equipamentos para realizar o tratamento com qualidade industrial. Já no Sul e Sudeste, o serviço depende mais de revendas, cooperativas e sementeiros”, explica.

    O estudo FarmTrak Soja 2023-24 foi elaborado a partir de mais de 3,7 mil entrevistas realizadas com produtores em toda a fronteira agrícola da soja no Brasil. Oferece um panorama detalhado das práticas de tratamento de sementes no país.

  • Óleos essenciais: descubra como eles ajudam a controlar fungos que atacam a manga na pós-colheita

    Óleos essenciais: descubra como eles ajudam a controlar fungos que atacam a manga na pós-colheita

    Cientistas da Embrapa e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registraram atividades antifúngicas de sete óleos essenciais contra quatro fungos causadores de doenças pós-colheita em mangas.

    O trabalho ainda identificou a concentração mínima inibitória dos quatro mais eficientes e a composição química de cada um deles.

    Os resultados mostraram que os de orégano, alecrim pimenta, canela casca e alfavaca cravo inibiram 100% do crescimento dos patógenos estudados.

    Ação varia conforme o patógeno

    Apesar de possuir composição complexa, os óleos essenciais têm sido muito estudados por sua eficácia contra microrganismos.

    Os resultados do estudo mostraram que a sua ação varia de acordo com o patógeno.”A concentração mínima inibitória variou de acordo com o óleo e o fungo alvo. O de orégano se destacou pelo efeito inibidor sobre os patógenos C. siamense, L. theobromae e B. dothidea, demonstrando excelente atividade antifúngica na menor concentração testada. Já o A. alternata foi mais sensível ao óleo essencial de casca de canela do que ao de orégano”, afirma Elke Vilela, analista da Embrapa Meio Ambiente.

    Composição química e atividade antifúngica

    A análise por cromatografia gasosa revelou a composição dos óleos e a sua relação com a atividade antifúngica.

    Foi observada essa atividade em constituintes dos óleos como o carvacrol, o timol, o linalol e o α-pineno. Carvacrol e timol, constituintes majoritários dos óleos essenciais de orégano e alecrim pimenta, respectivamente, apresentaram os melhores resultados, evidenciando o significativo efeito inibitório dos fungos C. siamense, A. alternata, L. theobromae e B. dothidea, com maior atividade antifúngica contra os fungos pós-colheita da manga avaliados.

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    “O componente principal encontrado no óleo de alecrim foi o carvacrol, com aproximadamente 69%; já no óleo de alecrim pimenta destacou-se o timol, com teor de 77%; cinamaldeído é o principal constituinte do óleo canela casca, 85%, e o eugenol é o componente mais abundante da alfavaca cravo, com mais de 84%”, detalha Daniel Terao, pesquisador da Embrapa.

    Alternativa aos fungicidas sintéticos

    Os resultados fornecem subsídios para o desenvolvimento de tecnologias utilizando óleos no controle de C. siamense, A. alternata, L. theobromae e B. dothidea de manga, como alternativa de fungicida sintético.

    “O uso de fungicidas no tratamento pós-colheita de manga tem sido uma prática comum visando à redução da incidência de doenças e ao prolongamento do tempo de vida útil da fruta, mas, com a conscientização sobre possíveis riscos à saúde provocados por eles, tem-se buscado tratamentos mais sustentáveis”, explica Elke Vilela.

    Além disso, o uso excessivo de agroquímicos, além de poder ocasionar a contaminação química das frutas, pode provocar o surgimento de cepas de patógenos resistentes ao fungicida, dificultando o controle das doenças pós-colheita, alerta a analista.

    Manga suscetível a patógenos durante o amadurecimento

    A manga é uma fruta climatérica, que geralmente é colhida ainda imatura e amadurece mesmo após a colheita, durante o armazenamento.

    Seu amadurecimento envolve alterações fisiológicas e bioquímicas, acompanhadas de aumento acentuado da respiração e da produção de etileno.

    “Durante esse processo de amadurecimento, as frutas se tornam mais suscetíveis ao ataque de patógenos, principalmente durante o armazenamento e transporte, causando severas perdas”, explica o pesquisador da Embrapa Daniel Terao.

    Ele conta que os fungos são os principais causadores das perdas de qualidade e produtividade das frutas. “Com os fungos, fazer chegar frutas de qualidade aos consumidores é um desafio”, afirma Terao, ao contar que a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum siamense, é a doença pós-colheita mais comum na manga.

    Além desse patógeno, a fruta ainda é alvo de Alternaria alternata, fungo causador da mancha de alternaria; de Lasiodiplodia theobromae, e Botryosphaeria dothidea, causadores de severas podridões nas frutas.

    Divulgação – Embrapa/Elke Vilela

    Mecanismo de ação antifúngica

    O mecanismo de ação antifúngica dos óleos essenciais é atribuído aos seus componentes, que atuam de forma sinérgica (um complementando a ação do outro) ou aditiva no exercício de seus efeitos.

    De acordo com o pesquisador, o conhecimento da atividade antifúngica desses constituintes pode ajudar a compreender a eficácia dos óleos essenciais e sua atividade contra os fungos.