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  • Crise na armazenagem: SC tem déficit de 800 mil toneladas em capacidade para grãos em 2025

    Crise na armazenagem: SC tem déficit de 800 mil toneladas em capacidade para grãos em 2025

    Santa Catarina enfrenta um déficit crítico de 800 mil toneladas na capacidade de armazenagem de grãos, segundo o Boletim Agropecuário de junho de 2025, divulgado pela Epagri/Cepa 167. Enquanto a produção agrícola do estado cresceu 19% nos últimos cinco anos (saltando de 6,2 milhões para 7,38 milhões de toneladas), a infraestrutura de armazenamento avançou apenas 5,1% no mesmo período, criando um gargalo logístico que ameaça a competitividade do agronegócio catarinense.

    O problema é ainda mais grave para o milho, insumo essencial para as cadeias de suínos, aves e bovinocultura leiteira. Mesmo com um aumento de 25% na produção estadual em 2025, o déficit de armazenagem específico para o grão já ultrapassa 5,5 milhões de toneladas.

    Santa Catarina importa cerca de 6 milhões de toneladas de milho por ano de outras regiões do Brasil e do exterior. Soluções emergenciais, como silos bolsa, são adotadas, mas têm custos elevados e limitações de tempo de armazenamento.

    Edilamar Wons, vice-presidente da Cooperalfa, alerta: “Sem armazenagem suficiente, os produtores são forçados a vender em momentos de preços baixos, reduzindo a rentabilidade. As altas taxas de juros também dificultam novos investimentos em infraestrutura fixa.”

    Impacto no mercado: queda nos preços do arroz e milho

    O boletim também destaca a pressão sobre os preços dos grãos:

    • Arroz: queda de 30,38% no preço em abril de 2025, com a saca cotada a R$ 65,75, devido à safra recorde.
    • Milho: recuo de 7,8% em maio, influenciado pela colheita nacional e oferta global.

    Apesar da produtividade histórica, a falta de armazenamento adequado reduz o poder de negociação dos produtores, que muitas vezes precisam liquidar estoques em períodos de baixa.

    Soluções em debate: investimentos urgentes e tecnologia

    Especialistas defendem ações estratégicas para reverter o cenário:

    • Expansão de silos e armazéns com incentivos fiscais e linhas de crédito acessíveis.
    • Adoção de tecnologias como armazéns inteligentes e monitoramento de umidade para reduzir perdas .
    • Parcerias público-privadas para ampliar a infraestrutura logística.

    Haroldo Tavares Elias, analista da Epagri/Cepa, reforça: “A armazenagem é estratégica para garantir o abastecimento das cadeias produtivas. O estado não pode parar de crescer, mas precisa corrigir esse desequilíbrio.”

    Santa Catarina consolida-se como um grande produtor de grãos e proteína animal, mas a falta de armazenamento ameaça sua sustentabilidade. Enquanto o estado busca soluções, os produtores enfrentam desafios imediatos de comercialização e rentabilidade.

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  • Pecuária lidera exportações do agronegócio em SC

    Pecuária lidera exportações do agronegócio em SC

    Em 2024, o agronegócio de Santa Catarina registrou exportações de US$ 7,57 bilhões, representando 64,9% do total de US$ 11,66 bilhões das exportações estaduais, segundo a 45ª Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, elaborada pela Epagri/Cepa. A pecuária foi o principal motor desse desempenho, com carnes de frango e suína como os produtos de maior destaque.

    Dos 25 setores do agronegócio catarinense, apenas seis responderam por quase 94% do valor exportado em 2024. Com carnes representando 54,8% e produtos florestais 25,2% do total. Entre os produtos líderes, a carne de frango faturou US$ 2,29 bilhões, com crescimento modesto de 0,2%, enquanto a carne suína teve o maior avanço, com alta de 8%, totalizando US$ 1,69 bilhão. Outros produtos relevantes foram madeira, soja em grão, papel e fumo, que juntos somaram 88,1% do valor exportado pelo setor.

    Fatores que impulsionaram o desempenho

    O analista Alexandre Luís Giehl, da Epagri/Cepa, atribui o sucesso à excelência sanitária da produção catarinense. E também à demanda crescente em mercados internacionais devido a surtos sanitários em outras regiões, como peste suína africana e gripe aviária. Essas condições elevaram a procura por carnes produzidas em ambientes sanitariamente seguros. E favorece exportações para países como Filipinas, com aumento de 48% nas vendas de carne suína, e Japão, que importou 25% a mais de carne de frango.

    China e Estados Unidos foram os maiores compradores do agronegócio catarinense em 2024, juntos respondendo por 28,6% das exportações do setor. A China concentrou 15,6% das vendas externas, seguida pelos EUA com 13%. Outros mercados estratégicos incluem Japão (8,2%), Filipinas (6%), México (5,9%) e Chile (4,3%).

    Cenário geral do comércio exterior catarinense

    Santa Catarina manteve sua posição como o 10º maior exportador do Brasil, com crescimento de 0,7% nas exportações totais em 2024, que atingiram US$ 11,6 bilhões. O estado exportou para 221 países, destacando-se também no setor industrial e na importação, que somou US$ 33,7 bilhões, a segunda maior do país.

    Em 2024, Santa Catarina bateu recorde histórico na exportação total de carnes, com 1,97 milhão de toneladas embarcadas. Isso representa um aumento de 6,6% em volume e receita de US$ 4,15 bilhões, alta de 3,2% em relação a 2023. O estado é o segundo maior exportador de carne do Brasil, atrás apenas do Paraná.

    Perspectivas para 2025 indicam continuidade do crescimento nas exportações de carnes, com destaque para o primeiro quadrimestre, que registrou o melhor desempenho em 28 anos, impulsionado por mercados como Países Baixos, Arábia Saudita, China e Japão.

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