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  • AgroGalaxy corta despesas e avança na recuperação judicial

    AgroGalaxy corta despesas e avança na recuperação judicial

    A AgroGalaxy (B3: AGXY3) apresentou os resultados do segundo trimestre de 2025 (2T25) com avanços significativos na execução do plano de recuperação judicial. A companhia, que opera como uma das principais plataformas de revenda de insumos e originação de grãos do país, reduziu despesas gerais e administrativas em 53% e economizou R$ 68 milhões no período.

    A AgroGalaxy implementou um novo modelo organizacional mais simples, descentralizado e eficiente durante o trimestre. As despesas gerais e administrativas (SG&A, excluindo provisões) recuaram de forma expressiva em comparação ao 2T24, reflexo direto das medidas de controle de custos e otimização do capital de giro que a empresa vinha adotando antes mesmo do processo de reestruturação judicial.

    O novo formato operacional gerou uma receita líquida de R$ 251 milhões no período, com R$ 114 milhões provenientes de insumos agrícolas e R$ 137 milhões da originação de grãos. A companhia opera atualmente com estrutura mais enxuta, focada em rentabilidade e sustentabilidade financeira.

    CEO destaca transição para modelo sustentável

    “Os resultados do 2T25 refletem a execução disciplinada do nosso plano de recuperação judicial e a transição para um modelo de negócio mais sólido e financeiramente sustentável. Reduzimos custos, simplificamos processos e mantivemos a operação ativa no cenário mais desafiador dos últimos anos”, afirma Eron Martins, CEO da AgroGalaxy.

    O executivo ressalta que a base comparativa mudou significativamente: no 2T24, a AgroGalaxy operava com o dobro do tamanho atual, antes do processo de reorganização. A nova configuração prioriza resultados sustentáveis de longo prazo, mesmo diante de um ambiente desafiador para o agronegócio, com margens pressionadas e restrições nas linhas de crédito.

    Marcas regionais ganham protagonismo

    A companhia consolidou em junho o reposicionamento estratégico de suas marcas regionais: Agro100, AgroCat, Rural Brasil e Sementes Campeã. As bandeiras atuam em nove estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

    A estratégia resgata as origens da empresa como revenda agrícola e aproxima a operação do produtor rural. A AgroGalaxy passou a atuar como marca gestora, com foco em governança, sustentabilidade financeira e desenvolvimento de negócios, enquanto as marcas regionais mantêm o relacionamento direto com os agricultores.

    “O fortalecimento das marcas regionais reflete um movimento estratégico que nasceu da escuta do produtor rural. Identificamos que a relação de confiança construída ao longo dos anos com essas bandeiras continua muito forte. Resgatar essa conexão é essencial para consolidar um modelo de negócio simples, próximo e eficiente”, explica Eron Martins.

    Mix de produtos e gestão de crédito reforçam liquidez

    A empresa mantém a estratégia de enriquecer o mix de vendas, com produtos especiais representando 18% da receita de insumos no trimestre. A companhia também avançou nos processos de crédito e recebimento, reduzindo riscos de inadimplência e reforçando a posição de liquidez.

    “Nossa prioridade é fortalecer a estrutura de capital e assegurar liquidez para continuar atendendo o produtor rural com qualidade e previsibilidade. Continuamos construindo um caminho para nos tornarmos mais eficientes, mais focados e preparados para retomar o crescimento sustentável no médio e longo prazo”, complementa o CEO.

    A AgroGalaxy mantém operações em 649 municípios, com 63 lojas, 14 silos e uma unidade de sementes distribuídos pelos nove estados onde atua. A companhia reafirma o compromisso de oferecer ao produtor rural soluções completas. Incluindo produtos, assessoria técnica, armazenagem de grãos e crédito, consolidando uma base financeira equilibrada para a nova fase de desenvolvimento.

  • Justiça homologa plano de recuperação judicial da Agrogalaxy

    Justiça homologa plano de recuperação judicial da Agrogalaxy

    A Justiça de Goiás, por meio da juíza Alessandra Gontijo do Amaral, da 19ª Vara Cível e Ambiental da Comarca de Goiânia, homologou nesta terça-feira (27) o plano de recuperação judicial da Agrogalaxy e suas subsidiárias. Assim, encerrando oito meses de negociações desde o pedido de recuperação em setembro de 2024. A decisão reconhece que a empresa cumpriu as exigências legais. E que a assembleia geral de credores, realizada em abril, aprovou o plano com 82,4% dos votos favoráveis.

    Na decisão, a magistrada destacou que a recuperação judicial visa preservar a atividade econômica da empresa, proteger empregos e garantir os interesses dos credores. Ela também rejeitou cláusulas que tentavam estender benefícios a terceiros garantidores, mantendo a proteção apenas para a empresa devedora, conforme a legislação vigente.

    O plano homologado prevê a venda de uma carteira de recebíveis avaliada em R$ 760 milhões, que deve injetar cerca de R$ 91 milhões em caixa e reduzir aproximadamente R$ 300 milhões da dívida total, que soma R$ 4,6 bilhões. Além disso, a empresa poderá vender outros ativos mediante autorização judicial para se adaptar às condições do mercado.

    Crise financeira

    A Agrogalaxy, que já foi uma das maiores redes de revenda de insumos agrícolas do país, enfrentou uma grave crise financeira que resultou no fechamento de metade das lojas, demissão de 40% dos funcionários e saída de três estados. Atualmente, opera com 65 lojas, 14 silos e uma unidade de sementes em nove estados, contra cerca de 130 unidades no auge do negócio.

    O plano oferece condições diferenciadas para os credores. Fornecedores que mantiveram relacionamento comercial durante a crise terão pagamento integral com carência de dois anos e prazo total de dez anos. Já os credores quirografários comuns poderão optar por pagamento à vista com quitação total da dívida. Ou por parcelamento com deságio de 85%, iniciando os pagamentos três anos após a homologação.

    A juíza alertou que o descumprimento das obrigações do plano no período de dois anos poderá levar à convolação da recuperação judicial em falência. Portanto, garantindo assim o rigor no cumprimento do acordo.

    A crise da Agrogalaxy reflete desafios do setor de insumos agrícolas, marcado por quebras de safra, inadimplência rural e restrição de crédito. No quarto trimestre de 2024, a empresa teve prejuízo de R$ 292,4 milhões e receita de R$ 741 milhões, uma queda de 69,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Para enfrentar a crise, a Agrogalaxy adotou medidas como conversão de vendas a prazo em operações à vista, antecipação de recebíveis e redução do estoque de R$ 839,8 milhões para R$ 223,8 milhões, elevando o caixa de R$ 195 milhões para R$ 480 milhões no final de 2024.

    Com a homologação do plano, a empresa agora foca na execução da reestruturação para retomar a estabilidade financeira e operacional. E manter o compromisso de informar o mercado e os acionistas sobre os avanços do processo.

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  • DIP Finance: alternativa para liquidez no agronegócio

    DIP Finance: alternativa para liquidez no agronegócio

    A AgroGalaxy (AGXY3), uma das maiores redes de insumos agrícolas do Brasil, deu um passo importante em seu processo de recuperação judicial ao ter seu plano aprovado em assembleia de credores. O próximo estágio é a homologação pela 19ª Vara Cível e Ambiental de Goiânia. Isso permitirá a implementação das medidas de reestruturação para enfrentar um passivo de R$ 4,68 bilhões.

    Em meio à crise, a empresa aposta no DIP Finance como mecanismo essencial para manter suas operações e garantir liquidez durante a reestruturação. O DIP Finance, modalidade de financiamento que oferece prioridade de pagamento ao credor em caso de falência, tem se destacado como alternativa diante do fim do Plano Safra 2025 e das dificuldades de acesso a crédito barato no setor agropecuário. Segundo especialistas, essa estrutura permite que empresas em recuperação judicial honrem compromissos e preservem a competitividade, mesmo em cenários de incerteza econômica.

    Matheus Matos, Sócio e Diretor Jurídico da MA7 Negócios

    Matheus Matos, Sócio e Diretor Jurídico da MA7 Negócios, destaca a relevância desse mecanismo para o setor agropecuário. “O DIP Finance, ainda pouco conhecido no mercado, é fundamental para manter as operações do agronegócio durante a reestruturação financeira. Permitindo que empresas e produtores honrem seus compromissos, invistam na produção e evitem rupturas na cadeia. Assim, preservando a competitividade do setor e retomando a confiança dos investidores”, afirma.

    Estratégias adicionais para fortalecer o caixa

    Além do DIP Finance, a AgroGalaxy busca reforçar o caixa por meio da venda de créditos vencidos. Eles somam cerca de R$ 683,2 milhões, com proposta de aquisição de até R$ 292 milhões por fundos de investimento em direitos creditórios. A companhia também aprovou o grupamento de ações na proporção de 15 para 1, mantendo o capital social em R$ 1,001 bilhão, como parte da estratégia para recuperar a cotação e facilitar a negociação dos papéis na B3.

    Desafios e perspectivas

    O setor agropecuário enfrenta pressão de margens devido à volatilidade das commodities, custos elevados e juros altos, fatores que agravaram a situação da AgroGalaxy. Desde o IPO em 2021, as ações da empresa desvalorizaram 95%, mas apresentaram recuperação de 24% em 2025, impulsionadas pelo avanço da reestruturação. O plano aprovado prevê renegociação de dívidas, venda de ativos e busca por novas fontes de financiamento. E visa garantir a continuidade das operações e a confiança dos investidores.

    A homologação do plano judicial será decisiva para o futuro da AgroGalaxy, que segue monitorando oportunidades para equilibrar suas finanças e retomar o crescimento no agronegócio brasileiro.

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